4 de novembro de 2010
Mundo de Aventuras
18 de junho de 2010
Execução [pouco ortodoxa] à morte
27 de dezembro de 2009
Nunca seja o primeiro a deixar de aplaudir!
22 de dezembro de 2009
Sondagens: do mal, o menos...
19 de outubro de 2009
Sociologia online...
16 de outubro de 2009
A conspiração anti-comunista
15 de outubro de 2009
Início da legislatura
14 de outubro de 2009
A emenda pós-autárquicas
10 de agosto de 2009
Do desperdício de recursos
A Era industrial e a inequívoca complexidade social que acrescentou, com efeitos na super-especialização e na divisão social do trabalho, trouxe outros desperdícios para além daqueles que são massivamente produzidos pela sociedade feliz, conceito posto em circulação nos idos de 60 pelo filósofo americano Herbert Marcuse para designar o conforto material que está, debalde, na base das esperanças emancipatórias prometidas pela Modernidade. E foi por aqui que ficámos, sublinha Boaventura Sousa Santos.
Por conseguinte, ao desperdício material do lado da produção material, do mercado e da satisfação de necessidades primárias, a nossa civilização é também perita em desperdiçar talentos e recursos humanos.
Ao acantonar os indivíduos em compartimentos exíguos [apesar de, nalguns casos, frutuosos] como uma carreira profissional, esta nossa sociedade espera dos indivíduos pouco mais do que o compromisso dos recursos humanos com o processo produtivo, em estrito cumprimento do respectivo programa de treinos a que cada um foi sujeito na escola, no trabalho, no café. E, em muitos casos, sem uma orientação voltada para a qualidade, alternando os ritmos sufocantes das sociedades actuais com aquela sensibilidade medieval que, ainda há dias, era acusada por Paquete de Oliveira quando insinuava que grande parte dos nossos problemas foram criados por essa geração do pós-25 de Abril, mal preparada para lidar com o poder mas com uma capacidade inata para abusar dele e das liberdades entretanto conquistadas, contribuindo para o esvaziamento ideológico que hoje observamos tão amiúde...
Em suma, o que se aproveita dos indivíduos é invariavelmente uma ínfima parte das potencialidades com que foram bafejados por deus nosso senhor. E a culpa não pode ser, evidentemente, das novas gerações. Mas é a estas que lhe cabe arrumar a casa…
O desperdício de recursos tem reflexos na organização burocrática do Estado, um atoleiro convencido de que, à liberdade do sujeito, recordando Alain Touraine, basta um insuficiente consenso sobre a flexibilidade horária, a segurança laboral, os direitos sociais e sobre mais um par de bandeiras desfraldados à vez por sindicados e patronato. Mais, confirmando o seu estatuto de entidade não inteligente, a organização burocrática do Estado, central e local, rege-se segundo a crença «superior» de as regras definidas pela minoria que pastoreia a maioria serem fundamentais para a ambicionada auto-gestão dos serviços. Não são! Nem é para isso que tais minorias são pagas.
Em consequência, a tão alardeada optimização funcional não passa de uma avaliação grosseira dos recursos materiais, de cosmética barata e da incompetência celebrada pelos caprichos e vontades das elites. A exigência cumpre-se com a garantia dos serviços mínimos. E isso é francamente pouco. Como é evidente, a primeira responsabilidade é dos titulares de cargos públicos nos órgãos de Estado. Só depois é que se pode acusar os miseráveis funcionários públicos.
Para consolo de alguns e descanso de outros, há excepções.
5 de agosto de 2009
Adverbiamente
Pacheco Pereira, no seu canto de opinião na SIC Notícias, a partir do qual desfere ataques cerrados contra a incompetência e saberá ele mais o quê, diria que não foi uma expressão nada feliz e aproveitaria para exibir os seus conhecimentos aprofundados sobre morfologia, sintaxe, fonética, semântica, etimologia e lógica, para sentenciar com uma daquelas frases lapidares: «este é um vil ataque dos incultos para sepultar de vez a língua portuguesa!»
14 de julho de 2009
Para quê, um novo partido?!...
A premissa de partida revelou-se inteiramente errada porque, recordamos, era admissível que aquela candidatura envolvesse um ponto de ruptura dentro do PS e, mercê da base social de apoio que mereceu, era expectável que a ruptura fosse institucional e significasse algo novo. Um novo partido político, por exemplo, mais próximo do marxismo não ortodoxo que está na base do socialismo em Portugal e no mundo.
Mas não, a anunciada ruptura foi eminentemente estratégica e as tomadas de posição que foram sucessivamente assumidas por Manuel Alegre demonstram que o sentido utilitarista prevaleceu sobre o telos ideológico.
O agigantamento da esquerda nas últimas eleições e o avanço da direita ditaram um humilhante resultado para o PS e colocaram os seus dirigentes exactamente onde Alegre queria que estivessem, isto é, sob a periclitante corda bamba que ele, Alegre, julga poder estabilizar. Arauto do socialismo, Alegre lá foi avisando o PS na última semana com maior acutilância do que o costume. E Sócrates entendeu o recado, ao proibir que algum lacaio teça considerações que afugentem o eleitorado que sobra.
29 de junho de 2009
Poder Absoluto
Da aglutinação das palavras demo e kratos resulta a célebre fórmula «governo do povo». Será esta ideia condição suficiente para justificar alterações de humores com repercussões de fundo?
Na democracia representativa, forma de governação mais corrente nas democracias contemporâneas, espera-se que os cidadãos escolham entre propostas políticas alternativas de governação. Mas não se espera que questionem a totalidade do sistema político num determinado momento, sem reflexão e sem conhecimento cabal das consequências que advêm de uma dada decisão permeável à instabilidade climatérica. Em suma, em democracia não se espera que as transformações estruturais sejam decididas pelo povo de forma leviana e irresponsável, a quente, porque está em causa o bem-estar geral das actuais e das próximas gerações.
O poder absoluto não é compatível com as aspirações a modelos de governação democrática, nem nesses países nem em qualquer outra parte do mundo. A esse respeito, o mesmo se pode constatar no Irão, Angola, Birmânia e tantos outros países, alguns deles, ocidentais. Embora o descaramento seja mais refinado no hemisfério norte e também seja aqui que os valores democráticos estão mais disseminados, pelo menos do ponto de vista formal…
PS: Como é evidente, também não são solução as reacções dos militares hondurenhos ou as chacinas de presidenciáveis na Guiné-Bissau. Contudo, são mais coerentes com os respectivos regimes do que se possa imaginar à primeira vista.
16 de junho de 2009
Naquelas condições, eu também não queria
PS: esta é uma questão que tem que ver com princípios, com os fundamentos da avaliação dos professores. Infelizmente, há outros casos na AP que se justificam pela mais incompreensível incompetência dos serviços e dos «profissionais» responsáveis.
15 de junho de 2009
O socialismo é...
22 de maio de 2009
A lata dos trabalhadores, segundo padre Belmiro
Belmiro de Azevedo veio alertar que não é possível continuar a reivindicar «regalias» num cenário em que a população de desempregados aumenta e está disposta a fazer seja o que for para recuperar um emprego. Ora, o que o patrão da Sonae disse não é mais do que um recado escudado pela tão desejada bolsa de desemprego apregoada pelo patronato. E que sabemos não passar de uma útil arma de arremesso. É de aproveitar agora e aplicar-lhes a chibata para ver se aprendem a amar o trabalho...
Não é a produção que está em causa mas sim o escoamento dos produtos. Ora, se não é a produção que está em causa mas sim o escoamento, nesse caso, a Autoeuropa podia simplesmente eliminar o turno do sábado para poupar dinheiro e para se adequar à procura no mercado automóvel. Acontece que, por trás da manutenção do turno do Sábado, parece estar escondida a intenção de prescindir de centenas de trabalhadores com vínculo precário. Com menos funcionários, aumenta-se a carga horária dos que ficam e paga-se menos por igual desempenho.
27 de dezembro de 2008
Falta de originalidade?
12 de dezembro de 2008
O regresso do Estado?
Há, por outro lado, uma animosidade popular muitas vezes associada à esquerda que não compreendo inteiramente porque, do ponto de vista ideológico, o «regresso do Estado» representa justamente os princípios marxistas herdados pela social-democracia (socialismo em Portugal) e pelo comunismo. Ainda que esse regresso seja feito em pezinhos de lã. Deviam, sobretudo, participar no reforço do poder de regulação do Estado que não passa unicamente pela «salvação» de empresas; mas também.
Seja como for, perante uma crise económica desta magnitude, não se pode proteger os direitos dos trabalhadores deixando cair os postos de trabalho criados pelas empresas. Não vejo como. Aplica-se o valor que custou a nacionalização do BPN em subsídios de desemprego que não criam riqueza? É essa a alternativa?
27 de novembro de 2008
Divagações sobre uma definição de cultura ii
A cultura é contemporânea da satisfação de necessidades básicas. A utilização do sílex como utensílio de uso doméstico e de caça, por exemplo, representa uma inovação tecnológica com vista à satisfação de necessidades primárias de forma mais eficaz (um corte mais perfeito, uma melhor captura e com menos riscos para o caçador, quando o sílex foi acoplado a uma lança para arremesso). A utilização de cestos de verga na recolecção de alimentos, a adopção de peles de animais para combater o clima, etc., etc. Esta é, grosso modo, aquela parte da cultura que vulgarmente se designa «material».
Mas podemos admitir que, gerada pela natureza, a cultura opera entre outras coisas uma moldagem dos instintos humanos. Esta é a parte da cultura conhecida por «imaterial» e que implica um conjunto de referências, valores e normas sociais. O que é a obrigatoriedade de satisfazermos as nossas necessidades fisiológicas em determinados compartimentos específicos para o efeito, daí resultando uma clara repressão sobre a natureza? Como é bom de ver, é pouco ou nada razoável cagar fora do penico, sob pena de coacções, zombaria ou, pior, atribuição ortopedico-administrativa de uma condição psico-social pouco fascinante.
26 de novembro de 2008
Divagações sobre uma definição de cultura i
31 de outubro de 2008
O Povo é?!
De resto, ou muito me engano ou nesta fórmula está contido um apelo à arregimentação dos mais fracos oprimidos pelas minorias dominantes. Portanto, numa primeira apreciação, temos o pressuposto da dominação que se articula com o critério da desproporcionalidade quantitativa, ie, uma maioria dominada por uma minoria.
Antes da Revolução Francesa, a divisão da sociedade em classes era mais clara. A estratificação social assentava, grosso modo, num critério dúplice: as actividades a que se dedicavam os indivíduos e a proximidade com Deus. Assim, regra geral, havia a nobreza, o clero e o povo (ou 3º Estado, se a memória não me falha, a despeito das aulas de história que vi perderem-se pelo cano da imaturidade…). Mais tarde havia também de aparecer a burguesia. Sem prejuízo para as restantes distinções – alta e baixa nobreza, o clero regular e o secular, a alta e a baixa burguesia – as classes sociais eram muito bem definidas. Sem embargo, «o Povo» era «o Povo». Ponto. Mais ou menos miserável, mas «Povo».
A estrutura social vir-se-ia a modificar e a transformar também o critério de distinção de algo tão difícil de analisar pela sociologia, como é o caso das classes sociais. Desta feita, o critério distintivo passa a assentar no status social e na posse de capital. Daí, a divisão em classe alta, média ou baixa.
Contudo… impõe-se a questão: quem é, afinal, o «Povo»?
Dada a amálgama social em que se vê actualmente o «Povo», a prolixa questão motiva uma resposta dos nossos tempos: complexa e ambígua!
Na Alemanha de Hitler, o «Povo» era a generalidade da população que o elegeu, apoiou e seguiu numa viagem de loucura colectiva, desenraizada de valores sociais básicos. Em Israel, o «Povo» diz ser eleito e diz ser um digno representante de uma geração vergonhosamente massacrada por outro «Povo». O «Povo» que elegeu George Bush é o mesmo que se prepara para eleger Barack Obama.
Tenho algumas dúvidas quanto ao seguinte exemplo. Nunca sei muito bem se o «Povo» norte coreano (enquadrado por um sistema político «popular»), vive na miséria ou na opulência, em liberdade ou em clausura. Há sempre muitas versões que se contradizem. Por fim, o «Povo» hutu é aquele que foi responsável pela chacina de, crê-se, cerca de 1 milhão de tutsis no Ruanda, em 1994.
Perante isto, deixo uma advertência: ponderem sempre muito bem na escolha do lado do «Povo» em que se quer estar. Os hutus uniram-se e, realmente, não foram vencidos. Tal como os sans-culottes que seguem a senhora de mamas ao léu com a bandeira francesa empunhada numa mão e a baioneta na outra.



