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1 de agosto de 2008

Marinho Pinto, o Justo!

Entre acertos, meias-verdades e a mais pura demagogia, o bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, ainda tem habilidade para fazer uma perninha no «chico-espertismo» disfarçado de arbusto. Diz ele que conhece pessoas que foram condenadas na sequência de apresentação de queixas à polícia por, naturalmente, não dominarem o tema jurídico.

A solução, lá vai atalhando o bastonário, passa por atribuir a exclusividade da formalização de queixas aos advogados. E justifica, apelando à adaptação do adágio popular: “se o barato sai caro, apresentar queixas sem advogados pode sair muito caro». Portanto, aconselha, nunca falar com a polícia sem a presença de um advogado.

Enternece esta preocupação com a carteira e tempo dos portugueses. E é absolutamente fascinante constatar como o homem que defende estóica e temerariamente a democracia e a justiça, advoga uma autêntica terraplanagem à autonomia dos cidadãos que, autênticas e ignorantes bestas, poderão encontrar na classe dos advogados uma protecção paternalista face ao monstro Leviatão.

9 de junho de 2008

Inconstitucional é a FOME!

O homem-que-sabe-tudo Marcelo Rebelo de Sousa considerou inconstitucional a acção de paralisação dos camionistas porque assume contornos de lock out. Pode parecer parvo mas, a menos que se prove que os motoristas agiram sob coacção dos patrões, quem tem conduzido este protesto são justamente os subordinados. Talvez porque tenham consciência que, tal como as coisas estão, ao fim do mês poderão não levar mais do que uma palmadinha nas costas em vez do tradicional cheque, ao contrário do senhor Marcelo que, independentemente de dizer coisas com ou sem interesse, é pago sobretudo para desbocar. E para isso, não precisa de meter combustível, já que o homem é um autêntico poço dele.
Inconstitucional seria se os patrões tivessem encomendado bloqueadores de trânsito à polícia e tivessem decorado os veículos com as desagradáveis fitinhas azul e brancas.
A reinvindicação partilhada entre «opressores e oprimidos», vulgo patrões e trabalhadores, é uma categoria nova que o senhor Marcelo terá que, futuramente, incluir na sua extensa cartilha, até aqui dominada pelos mais prosaicos conceitos da luta de classes.

24 de maio de 2008

Ideologias de meia tigela

Há motivos mais do que suficientes para que Santana Lopes descole na corrida à liderança do PSD, agora que este apelidou José Pinto de Sousa [eng.º em part-time], de «socialista de meia-tijela». Esta velada desconfiança quanto ao socialismo do primeiro-ministro pode significar uma radical alteração no rumo daquela competição interna e reunificar o PSD sob a mesma bandeira: todos contra o socialismo de meia tigela do eng.º.

Santana Lopes, com a minúcia do costume, atreveu-se novamente a colocar o seu dedo sujo na ferida dos outros. É um combatente infatigável, recordemos. E, fê-lo, ao eleger para o topo da sua agenda política uma ancestral discussão sobre a ontologia da tigela e dos decilitros que cada uma é capaz de albergar. Muito inteligente.

Porém, sem surpresas e para desilusão do candidato à liderança laranja, não há nem pode haver socialismo de meia tigela. Ou se é socialista de tigela inteira ou se é outra coisa qualquer. A tigela vazia é indício de que a coisa é saborosa. Bom, mas como em tudo, há excepções. A Zita, por exemplo, uma verdadeira comunista-liberal, de tigela… duplamente compartimentada, se quisermos… cheia dos dois lados...

Eu gosto da tigela do Pedro [Santana Lopes] e da sopa de letras que quase transbordam para a tigela do Paulo [Portas]. Também gosto da tigela do Jerónimo [Sousa], reforçada com taipais. Agora… quanto à tigela do eng.º. José Pinto de Sousa, creio que talvez o Pedro se tenha excedido…

Pode parecer mesquinho mas… dizer que um homem tem a tigela meia de qualquer coisa ideológica, não se compadece com os tempos de hoje em que se respira ideologia política em cada esquina. A começar pelo Pedro, homem profundamente obstinado com os valores e princípios liberais. Que o digam as esposas de alguns desonrados.
Bom, em todo o caso, há-os de todas as cores e, por vezes, até sabem que o cravo «é tipo, o símbolo», e a «direita é a dos ricos». Mas isso, depende da curvatura forjada pelo aconchego entre o corpo e as cuecas.

21 de maio de 2008

Estamos todos convocados... para pagar as indemnizações de José Pinto de Sousa

Depois do primeiro-ministro ter pedido desculpas ao país por ter fumado um par de cigarros no avião com destino à Venezuela para um rendez-vous com o seu bom amigo Hugo Chavez, era expectável que bastasse o mesmo redentor pedido de desculpas ao repórter José António Cerejo para [nos poupar, ao povo] uma onerosa multa. Mas não. Vai, que é como quem diz, vamos, ter que pagar 10 000 euros de indemnização ao jornalista, por apenas lhe ter chamado leviano, incompetente, louco e corrupto. Provavelmente os mais daninhos palavrões que se conhecem ao primeiro-ministro, fora da intimidade.
Isto porque, no linguajar escancarado de Alberto João da Madeira, aqueles opróbrios figuram entre o seu mais macio e cortês vocabulário. Mas a lei, daqui vai no Diário da República, é processada na Madeira e regressa ao continente sob a forma de bananas tortas para endireitar.

8 de maio de 2008

Para censurar o governo, o que não faltam são razões...

José Pinto de Sousa foi ludibriado pelos ardis montados pela esquerda. Afinal, à revelia de alguma oposição que José Sousa possa considerar dentro das suas próprias fileiras, os motivos de censura ao governo estão bem de saúde e recomendam-se.

9 de março de 2008

Efeitos colaterais

Alguém explique ao senhor Camacho que a manifestação dos 100 mil professores não exigia a sua demissão do Benfica mas sim a da ministra. Perante a confusão instalada, esperemos que na hora de encontrar substituto para o cargo de treinador do Benfica, Luís Filipe Vieira não se lembre de Maria de Lurdes Rodrigues porque essa não sairia nem que o clube descesse aos regionais.

7 de março de 2008

Outra democracia

Confrontado com a torpe decisão de algumas esquadras da PSP do país em enviar agentes às escolas com o propósito de investigar direitos constitucionalmente consagrados, Luís Filipe de Menezes mostrou-se indignado, acusando ser esse um comportamento próprio de outras democracias. Daqui se infere o entendimento do senhor líder da oposição acerca do que foi, por exemplo, o Estado Novo: outra democracia.

Durante a semana trabalha-se!

A convocação do protesto nacional dos professores para um sábado é exemplar. Com essa decisão, legitimam o protesto e, simultaneamente, dizem à senhora ministra que só ao fim-de-semana é que têm tempo para protestar.

De qualquer forma, se a manifestação tivesse sido convocada para um dia da semana corriam, ainda assim, o sério risco de ser espancados pelas forças policiais encarregues dos casos de dissidência.

4 de março de 2008

Da ignorância ou da aldrabice?

Do ponto de vista intelectual, os argumentos da ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues, são pouco menos do que mentecaptos e pouco mais do que falaciosos.

No primeiro caso, porque o número médio de alunos por escola se conseguiu à custa do fecho de escolas com poucos alunos, cujo sacrifício pessoal destes e das famílias aumenta, assim como o encargo em transportes a cargo das autarquias. Do mesmo modo, as aulas de inglês, música e as actividades de prolongamento horário devem-se em larguíssima medida, às autarquias e não ao ministério da educação, entidade demissionária e subitamente reformista.

No segundo caso porque, ao insistir em performances que resultam de ordinária engenharia estatística, a ministra evidencia três coisas: a apropriação indevida do mérito alheio, a indignidade da desonestidade e o completo menosprezo pela intelectualidade dos portugueses.

8 de fevereiro de 2008

Eng.º LNEC será empossado ministro das Obras Públicas

O [ainda] ministro das obras públicas parece ter finalmente aprendido a lição. Agora, não há um despacho daquele ministério que não seja sustentado por um estudo técnico. Mesmo que isso venha a irritar Sócrates pela oportunidade com que Mário Lino decide e pelas consequências que isso poderá trazer, nomeadamente num rol de decisões já dadas como adquiridas, que transitavam de uns governos para os outros.
Daqui para a frente, nem a repavimentação de uma estrada municipal será levada a cabo sem, pelo menos, um estudo do LNEC.

1 de fevereiro de 2008

Remodelação governamental

Ainda com respeito à recente remodelação do governo, que implicou a saída de um ministro (da saúde) e motivou a entrada de dois (saúde e cultura), não creio que haja muito a acrescentar à miríade colectiva de opinion makers nacionais (das televisões ao balcão pegajoso de mármore numa das poucas tascas que a ASAE ainda não fechou à bastonada).

Na óptica do primeiro-ministro José Pinto de Sousa, parece claro que um ministro é apenas mais um elemento inserido numa vasta equipa. E as reformas encetadas com maior ou menor oportunidade, devem ser entendidas a partir desse mesmo prisma e não como consequência de uma visão sectorial ou pessoal. Prevalece o colectivo, não fora o protagonismo insolente constantemente a pregar partidas ao Eng.º. Pinto de Sousa.

Isso mesmo procurou clarificar o primeiro-ministro quando desautorizou publicamente o ministro das obras públicas, naquela conferência de imprensa confrangedora por ocasião do anúncio da localização do novo aeroporto de Lisboa. Por isso manteve o homem na pasta, qual fiel bibelot.

Por conseguinte, desta remodelação governamental, é lícito que não se espere uma alteração na orientação política do governo. Apesar do actual caminho escolhido revelar permanentemente outro ponto cardeal que não o tradicional e esperado norte magnético.

Porém, mais do que uma simples e útil decapitação, a exoneração do ministro Correia de Campos soa a estratégia política traçada logo no início do mandato. Com a cumplicidade do até então ministro da saúde, iniciou-se uma cruzada de higienização do Serviço Nacional de Saúde, assente numa abordagem de saneamento financeiro. Quase em exclusivo. A meio do mandato e embrulhado no previsível coro de protestos, teria chegado a altura certa para dar sinais de desdramatização ao pagode (vulgo populaça) e colocar alguma água na fervura. Morna, para não arrefecer.

A escolha de Ana Maria Teodoro Jorge não é obviamente ingénua. O facto de ser médica ajuda a mitigar a oposição interna dos hospitais e da Ordem dos Médicos. A condição de apoiante de Manuel Alegre nas últimas presidenciais contra o candidato queimado deliberadamente por José Pinto de Sousa, vem apaziguar um foco de contestação interna (a ala esquerda do PS), amaciando o partido com vista às legislativas de 2009. Daqui a meia dúzia de meses já ninguém se lembra e Correia de Campos poderá integrar tranquilamente o conselho de administração de um qualquer instituto ou empresa pública. Desde que seja perto de um hospital central, não vá o diabo tecê-las e tenha que ser transportado pelos bombeiros no caso de adoecer...

11 de janeiro de 2008

Só para duros!

Explica a ministra que isto das novas oportunidades não é bem assim… diz ela que “confortável é estar a estudar na idade própria com todas as condições”, rejeitando uma certa ideia de laxismo facilitista que se instalou. Totalmente falsa e injusta.

Até porque, como toda a gente sabe e desejaria, confortável é estudar na idade própria, reprovar consecutivamente, receber um automóvel no décimo oitavo aniversário e, lá pelos trinta e cinco e muita estroinice, começar a trabalhar com ordenado de administrador. Infelizmente, não é para todos mas Maria de Lurdes Rodrigues, a ministra, prometeu corrigir eventuais assimetrias.

10 de janeiro de 2008

Há coisas fantásticas, não há?


Contra todas as expectativas, o governo deu o dito por não dito e anunciou a construção do novo e «faraónico» aeroporto na aridez que se estende a sul do rio Tejo. Lá estava na altura da epifania, bem comportado ao lado do senhor primeiro, o belicoso senhor ministro das obras públicas. Desta vez, convenientemente sedado. E convencido.

7 de janeiro de 2008

Crise nos impropérios?

Vivemos numa época de prosperidade. O desafogo e a fartura é tanta que não há palavra que seja objecto das tradicionais poupanças familiares, não há frase que fique escondida na manga à espera de uma boa ocasião, em particular os mais néscios e vulgares palavrões. Se existe, que se gaste, parecem ser as palavras de ordem. Assim se esbanjam verbos e substantivos deficientemente articulados e jogados ao abandono do lixo. Sobretudo quando não são bem aplicados, pois é natural que o crescimento da injúria gratuita tenda a ocorrer na exacta proporção da vida lixada.


2 de janeiro de 2008

Bom ano 2008!

Neste país apático e avesso a turbulências, é um grupo de gestores e aventureiros de alcatifa, quem diz a cada um o que deve fazer em sua casa. Há que admiti-lo.
Incapazes na sua imensa lassidão, a maioria dos proprietários dos estabelecimentos de restauração e hotelaria do país que acolheram com agrado a lei do tabaco, jamais tiveram a honestidade de proibir o fumo. Com convicção e frontalidade. Poucos, muito poucos, são dignos dessa respeitável atitude.
Considerando que a partir daqui, só serão fumadores passivos os familiares dos fumadores [cujos custos são diluídos no orçamento familiar] e aqueles que, tendo locais alternativos, frequentem a casa de amigos fumadores, é legítimo que se espere uma redução do imposto sobre o consumo de tabaco.
Ou, em alternativa, a extinção do imposto, isentando o Serviço Nacional de Saúde da responsabilidade sobre o tratamento de doenças associadas ao tabagismo. Mas a decisão reveladora de maior sensatez teria lugar se o grupelho eleito democraticamente os tivesse no sítio e incluísse o tabaco no lote dos produtos ilícitos. Essa é que é de homem!

Proibir também a alimentação em excesso, os hábitos de vida pouco saudáveis, os ritmos de vida exigidos pelo princípio de desempenho, o álcool, o trabalho para lá das 5h00 diárias, a circulação automóvel, as fábricas poluentes, o abate de árvores, as religiões, as paixões e outras grandes causas de morbilidade e mortalidade nesta região a que nos habituaram a chamar Portugal.

26 de dezembro de 2007

Sacos diferentes

A taxionomia é a universal, desde o domínio eucariota, reino animal (...), passando pela classe dos mamíferos (…) até chegar à espécie do homo sapiens. Porém, insatisfeitos com esta classificação, há quem não dispense uma rotulagem mais precisa para assim verem facilitados os respectivos e acanhados raciocínios intelectuais. Depois da espécie, sucedem-se a raça, o género, a proveniência e uma série de rótulos morais para indexar aos bem e aos mal comportados. A dimensão moral é assim transversal à classificação biológica.

A coisa é audaciosa mas tem pernas para andar, bastando para isso que se encomendem as estrelas para a lapela.

A Alquimia do Sucesso

Atenção, lavradores! Estão aí novas oportunidades lançadas pelo governo... e veículos todo-o-terreno a estrear. Entretanto, também foi criado um programa muito útil para quem via vedado o seu acesso aos fundos comunitários por não ter habilitações literárias suficientes.

Em breve, Portugal deixará de ser habitado por analfabetos pobres, que se transformarão em doutores e engenheiros ricos. E eminentemente ignorantes.

19 de dezembro de 2007

Alegoria do túnel salvador

O ministro das obras públicas já nos habituou a tiradas fabulosas e a soirées bem passadas ao converter-se numa das principais referências dos gatos fedorentos. O «deserto» por exemplo, com que qualificou a margem sul do Tejo, franqueia a aguda boçalidade da criatura. Ou o célebre «jamé», para justificar a recusa da opção Ota na construção do novo aeroporto.

Na sua mais recente aparição, agora naquele registo «hollywoodesco» do político não alarmista, Mário Lino declarou a sua total confiança no túnel do Terreiro do Paço, sublinhando que, num cenário catastrófico, seria aquele o primeiro abrigo onde procuraria refúgio.

Podia ter dito que seria o segundo ou o terceiro local mas não, o homem nem pensaria duas vezes, tantas quantas pensou em toda a sua vida. Em vão.

Das duas… duas: se, por um lado, a sua patética verborreia não tem fim, por outro lado, já percebeu que não teria lugar no avião do Sócrates…
PS: jamé, do francês jamais (trad. portuguesa: jamais)

18 de dezembro de 2007

Oxalá

A partir do dia 1 de Janeiro, Portugal será o país onde não se morre com cancro do pulmão, será o país onde se morre por doenças cardio-vasculares associadas à duvidosa alimentação exigida pela ASAE e aos estilos de vida impostos por essa corja de falsos moralistas que desgovernam o país. Será também o país onde a conflitualidade social e as neuras aumentarão. Mas para pagar os cuidados de saúde com neuroses, psicoses e depressões, já não haverá a importante receita fiscal do tabaco. Arranjar-se-á outra merda qualquer!

11 de dezembro de 2007

O martírio dos sociólogos

Na esteira dos grandes estudos realizados em Portugal, a ANECRA (Associação Nacional das Empresas do Comércio e Reparação Automóvel) desenvolveu um documento de grande utilidade sobre o número de veículos automóveis per capita. Mais, apresentou-o publicamente. De resto, a complexa investigação consistiu em apurar o número de automóveis e dividi-los pelo número de cabeças existentes em cada Distrito.

Mas a excepcionalidade da coisa parece estar na análise do autor do estudo. Augusto Bernardo conclui que o Distrito de Leiria é aquele onde há mais veículos automóveis por habitante e remete a explicação para a pujança económica daquela zona do país. Dois mais dois…

Acontece que, não resistindo à tentação de considerar o vigor económico de uma região como a única variável potencialmente independente, Augusto Bernardo excluiu variáveis como as estruturas existentes de transportes colectivos, a dispersão dos lugares, a cultura do individualismo e da afirmação social, o congestionamento de tráfego, a rede de estradas, a taxa de mobilidade diária, a percentagem de despesas com carros no orçamento das famílias e numa perspectiva comparada, etc. Mas nada disto significa que o senhor se tenha precipitado nas conclusões retiradas. Nem o contrário.