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23 de abril de 2009

Antes vivo do que morto: uma excelente estratégia

Belmiro sustenta, alicerçado na rigorosa observação das estrelas que dão para a piscina com SPA do seu cão que, antes receber metade do ordenado do que ficar inactivo. O IEFP subscreve, naturalmente. Bem como a Administração Fiscal. A polícia também pois assim, as pessoas sempre se entretêm com alguma coisa. Evidentemente, os trabalhadores acolhem com agrado esta construtiva observação do magnata. Pelo menos, aqueles cuja metade dos vencimentos é muito superior ao respectivo subsídio de desemprego, o que, em Portugal, corresponde à abastada minoria em que Belmiro se inclui.
Seja como for, a dois dias de se comemorar o 35º aniversário do 25 de Abril, a observação de Belmiro de Azevedo não só é evocativa como parece ter germinado daquela estonteante máxima: «antes vivo do que morto». Resta saber a que patamar de existência se refere o ditoso senhor: ao estádio conquistador Mourinho ou ao estádio vegetativo Stephen Hawkins.
PS: vamos esquecer, por agora, o aumento da taxa de suicídio.

20 de março de 2009

Foram-se os dedos, ficaram os anéis

Nascimento Rodrigues, titular cessante há quase um ano do cargo de Provedor da Justiça, incluiu no cardápio uma sopa de perplexidade. Convicto na defesa da despartidarização dos altos cargos públicos (apesar de não o parecer ser por motivos estritamente relacionados com a exigência de castidade estatal), o homem disparou em direcção ao governo PS, lamentando que este fartar vilanagem dê em desprestígio dos políticos.
Impõe-se a pergunta: mas onde é que raio identificou o excelso senhor, um pingo de prestígio nos políticos para que desse em preocupações com esvaziamento de virtudes?

6 de março de 2009

Promessas de seriedade

Ontem, os deputados Eduardo Martins (PSD) e Afonso Candal (PS), em boa hora, mimaram os portugueses com uma bela lição de civilidade e fineza de carácter. Mais, emprestaram uma nova e refrescante dimensão à cultura partidária portuguesa, tão sensaborona, desinteressante e, as mais das vezes, degradante.

Ficaram pela promessa de uns emocionantes bofetões e de um arraial à antiga portuguesa. O povo ficou expectante: serão afinal, gente do povo que chega a roupa ao pêlo por dá cá aquela palha, bebe umas minis e coça os marros?

A coisa prometia. Em vão, porque os senhores deputados decidiram-se afinal pelo recolhimento, possivelmente quando se deram conta que não têm um único pêlo no peito para mostrar à audiência.

Uma coisa é certa: com sessões daquelas, os partidos tornar-se-iam muito mais interessantes e o número de militantes inscritos subiria em flecha. Sei de muitos que se haveriam de inscrever imediatamente em todos os partidos. Não fosse a coisa mais animada nuns sítios do que noutros. Conforme as noites.

27 de fevereiro de 2009

Um escândalo!?

Leite, a do PSD, olhou para a hercúlea tarefa que a aguardava, sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha e estancou, pálida e impotente. No momento seguinte, torceu o pescoço a 90º e decidiu empurrar o assunto com a barriga, transformando em escândalo a opção do primeiro-ministro em participar no congresso do seu partido e não da cimeira europeia. O homem está farto de viajar e, nesta altura de crise, é impreterível que esteja junto dos seus. Solidariedade. Palavra cara a Leite, por não ser muito comum entre as suas hostes.

Talvez o termos escândalo tenha sido ligeiramente exagerado, tendo em conta o fartar vilanagem que campeia neste país. Tendo em conta, também, a «dura» mão da justiça portuguesa que multa os corruptores em cinco mil euros, mais ou menos o mesmo que roubar dois sacos de batatas e dar um merecido tabefe num desses senhores (variará consoante o preço da fatiota que envergam).

Exemplar! Um escândalo, dr.ª Manuela Ferreira Leite?! Oh... pelo amor de deus...

20 de fevereiro de 2009

Da vergonha ao carnaval

Afinal, o problema do Magalhães não estava na sátira ao governo mas sim no ignominioso conteúdo pornográfico apresentado no pequeno ecrã do laptop carnavalesco. Mas foi resolvido pela delegada do MP que concluiu não haver afinal o tal conteúdo pornográfico porque apenas se tratava de naturismo, ou seja, umas mamas e uns rabos.
 
Fica a pergunta: alguém acredita que um delegado do MP decide a proibição de um determinado objecto na sequência de uma denúncia sem o verificar?
 
Duas respostas:
1 – Não, só alguém absolutamente incompetente;
2 – Não, só alguém com absoluta má-fé.
Os de Torres Vedras têm agora mais um (neste caso uma) que se pôs mesmo a jeito...

De carnaval a vergonha pública

Em Torres Vedras, a plenipotenciária delegada local do Ministério Público, infectada com arrogante acinte, decidiu censurar incompreensivelmente um elemento alegórico de sátira ao Magalhães.

A vergonhosa decisão foi tomada ao arrepio dos mais elementares direitos democráticos e denuncia a total ignorância da censora relativamente à cultura de que, eventualmente, também será portadora. Lá que não goste de carnaval e padeça de dolorosa perturbação que a faça sofrer pelos outros, isso é um problema dela…

Agora, às claras e com a autoridade que o Estado lhe outorgou indevidamente, esta senhora não dignificou a justiça nem a instituição da democracia. Pelo contrário, censurou de forma ímpia a brincadeira de pessoas em liberdade, cuja acção nem sequer fora do contexto do carnaval poderia ser objecto de actos desta natureza.

A ditosa senhora confirmou também que os actuais «arautos da desgraça» não são os tolos do costume.

16 de fevereiro de 2009

Eu, Burguês!

Classe social cuja ascensão é devida ao fortalecimento das trocas comerciais através da usura e do alargamento físico dos mercados – partilhando o risco das descobertas com os monarcas – os burgueses tornaram-se também um símbolo do novo sistema político-económico emergente: o capitalismo.


Actualmente, nos países ocidentais, a categoria é difusa pois parece corresponder inequivocamente à classe média, portanto, a essa imensa maioria social. Estatisticamente, a moda. Em contrapartida, as classes produtoras – na terminologia marxista, «exploradas» – são uma espécie quase em vias de extinção nestas sociedades ocidentais contemporâneas porque uma boa parte da produção de bens de consumo e extracção de matérias-primas é assegurada por países do hemisfério sul. Hoje, não é preciso ser proprietário de meios de produção para ser dono de uma ilha… basta um telemóvel, discrição e um conjunto de acções dispersas por aqui e por ali. O patrão está sempre fora e isso não significa «dia santo na loja».


Debalde, a classe dos trabalhadores parece hoje abarcar quase indistintamente uma paleta socioprofissional tão vasta quanto a paisagem lunar. Embora nos deixem muitas dúvidas, exemplos como o do motorista TIR que é proprietário do seu camião: trabalhador ou patrão?


Uma observação mais detalhada nos aspectos culturais também não me deixa confiante. Quem são, culturalmente, os burgueses? Aqueles que vestem à moda? Vão ao teatro? Passam férias no estrangeiro? Compram casas de milhares de euros a meias com o banco? Falam com a boca cheia em estouvado desafio às elementares regras da boa educação? Comem brócolos com whisky?


Se fizer o raciocínio ao contrário mas ainda dentro da segmentação dicotómica marxista, chego facilmente à conclusão que os burgueses não têm lugar nem à classe dos trabalhadores nem na classe dos explorados. Só lhes resta a condição de «exploradores». Daí até chegar aos jovens, pequenos comerciantes, funcionários públicos ou artistas, é um pequeno passo, a avaliar pelo acesso a bens culturais, lazer, crédito bancário e conforto material de que estes grupos dispõem. De facto, ao que parece, trata-se de sujeitos pouco dados ao trabalho. Por outro lado, como a maior parte é dona do seu nariz, também não caberá na categoria dos «explorados». Nesse caso, os estudantes universitários, funcionários públicos e outros, não só são preguiçosos como se dão também a esses ares da cultura e dos tempos livres, enquanto outros vergam a mola. De resto, o ócio é próprio das classes dirigentes, logo, dos «exploradores». Como é evidente, esses direitos todos consagrados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem só podia ter sido redigida por gente que nunca fez nenhum. Como eu.


Elegi algumas características que considero paradigmáticas para a conceptualização do homem burguês actual:


- Esvaziamento ideológico em detrimento da exaltação da superficialidade das modas, instigadas pela lógica de mercado. Exemplos disso são, por exemplo, a massificação comercial da imagem de Che Guevara e o consumo ávido da cultura dominante por «explorados» e «exploradores» (cinema, música, comida e, até, legislação…).


- Afirmação de um consumismo multicultural com a apologia de valores pós-materialistas, os quais são, em todo o caso, a expressão máxima de necessidades básicas satisfeitas. Trata-se de um tipo de consumismo pretensamente solidário mas que não deixa de reflectir a necessidade de auto-realização material dos jovens burgueses: as músicas do mundo, a comiseração solidária mas genericamente apática com o Terceiro Mundo, os tapetes de Caxemira e o exotismo gastronómico de países longínquos, a assunção da experiência tão burguesa do Grand Tour, agora espraiada no mais remoto país visitável.


- A expressão da individualidade e do individualismo. Sintomas disso são o abandono do sexo em grupo e o emagrecimento dos conselhos de administração das grandes multinacionais.




Perante isto, o que poderia eu ser senão um burguês? Dado a jantares e boémia com os amigos; preguiçoso compulsivo e desnaturado; proprietário de um bem imóvel, de automóvel e outros móvel; frequentador de manifestações de arte e outras coisas inclassificáveis mas que dão uma imagem de tipo interessado e inteligente; sempre em pulgas para viajar por países mais próximos do que distantes e contar mentiras a torto e a direito para impressionar; adepto de uma alimentação equilibrada; defensor do ambiente e das mães de Bragança; crente numa divindade monetária e no Aladino; indiferente ao direito das lagostas em morrer de morte natural e; criador de rolos de cotão no umbigo para exportação...




…. Que outra coisa poderia eu ser senão um cruel e imperdoável Burguês?!

13 de janeiro de 2009

As origens...

Para ler com atenção, particularmente nos dias que correm, "As Origens do Totalitarismo", de Hannah Arendt. Pode ser muito útil para quem pretenda montar negócio ou desfazer-se de um amigo. As coisas não são fáceis porque ninguém aparenta preocupar-se com as causas.

18 de dezembro de 2008

Superioridade moral

Ontem recebi uma comunicação do BPI na qual se informava os clientes que, a partir de Janeiro o banco passará a cobrar 4 euros acrescidos de 4% de imposto de selo por cada dia em que as contas à ordem permaneçam com saldo negativo.

A curiosidade não é a normal voragem, ainda que em tempos de aperto para a maioria dos clientes; nem a ameaça da pesada «coima» que sobre eles esvoaça sombriamente.

Aqui, a curiosidade tem que ver com o facto do sistema que reivindica dos seus clientes uma conduta em conformidade com o princípio da responsabilização individual é o mesmo sistema que parasitou durante anos esses clientes, estimulando descaradamente uma conduta em desconformidade com o princípio da responsabilização individual, retirando dessa conduta amplos lucros. Ou seja, em altura de aperto, o BPI – tal como todos os outros bancos – vem agora arrogar-se de uma superioridade moral que, devo dizê-lo, mete algum nojo.

Já que estamos em maré de curiosidades, a superioridade moral desta corja é afiançada pela venda de 10% do capital do BPI pelo BCP à filha do déspota angolano José Eduardo dos Santos. Portanto, neste momento, o BPI passa a ter também capital manchado de fome, corrupção, violência e tirania.

Em matéria de superioridade moral, estamos conversados.

9 de dezembro de 2008

Afinal, temos recessão!

Titubeante e fiel à verdadeira imagem que a sua extemporaneidade revelou aos contribuintes portugueses, o Governador do Banco de Portugal veio dar o dito pelo não dito para desdizer o que não disse mas podia ter dito se as coisas não lhe corressem sempre ao contrário do que a sua natural predisposição para a letargia lhe aconselha. Há quem diga que isto pode acontecer a partir de uma certa idade. Com o ordenado e os carinhos que o Estado dá ao titular do cargo, não admira que a fila de pretendentes tolos e incapazes se adense.

8 de dezembro de 2008

Onde pára a ERC?

Para que fique bem claro, centenas de pessoas estiveram no funeral do mestre do barco que naufragou na Galiza. Independentemente das razões que levam centenas de pessoas ao funeral de alguém, o editor do Público online deve ter sido acometido por uma estupenda cólica mental.

18 de novembro de 2008

Jamé (em português)

António Vitorino, respeitável aspirante a D. Sebastião no PS e insuspeito homem do establishment, sugeriu que fosse constituída uma espécie de conselho de notáveis, recrutados pelo seu conhecimento e experiência, para trazerem alguma ponderação e luz à necrosada relação entre ministério da educação e professores.


A ideia foi prontamente rejeitada por Augusto Santos Silva, ministro dos assuntos parlamentares e outrora bom escritor de livros de sociologia. De resto, eivada de bons sentimentos, a odiada ministra tem andado num périplo propagandista pelas escolas, apregoando as virtudes do seu modelo de avaliação e mostrando-se disponível para apoiar directamente a sua implementação, acocorada e vestida de fato-macaco. Nessa autêntica campanha de charme mongol, a ministra faz-se acompanhar de professores apoiantes e famintos que, arregimentados pelo PS da Buraca, não esperam outra coisa senão um tacho que os safe da medonha tarefa em que se transformou a leccionação.


Antes, já António Costa (presidente da Câmara Municipal de Lisboa e ex-nº 2 do governo), havia deixado conselhos de prudência aos seus camaradas. Manuel, poeta alegre, também já sentenciou o que tinha para sentenciar e deu num 2º lugar nas presidenciais, à frente do candidato apoiado pelo PS, o histórico e ultimamente lúcido Mário Soares. A um ano das eleições, os avisos sucedem-se. Mas o governo, entrincheirado nas suas fantasias, não cede um milímetro, mesmo que deixe de haver escolas neste país. Esta pretensa despreocupação eleitoralista é louvável. Mas muito pouco eficaz.


Gostava de vos poder deixar com uma gracinha mas hoje, o melhor que me ocorre é o facto de ontem, dia mundial de qualquer coisa contra o fumador ou o tabaco, ter almoçado num restaurante onde é permitido fumar. E fiquei satisfeito porque haviam pessoas que fumavam, aparentemente com prazer, depois do repasto e antes de pagar. Nenhuma era o primeiro-ministro. Talvez porque o restaurante fica perto de uma escola. Ou talvez porque é muito mais punk subverter as normas a 30000 pés de altitude. Jamé, lá dizia o outro...

4 de novembro de 2008

O regresso das nacionalizações

Miguel Cadilhe, antigo ministro das finanças e actual presidente do falido BPN, insurgiu-se contra o Banco de Portugal e contra o governo por não terem atendido às suas pretensões, optando antes por retomar uma prática abandonada depois de 25 de Novembro de 1975: a nacionalização de uma entidade privada.

Miguel Cadilhe, homem supostamente vergado pela responsabilidade de ter sido ministro da república, pretendia nada mais que uma injecção de capital público, possivelmente para continuar a dar largas ao devaneio.

Miguel Cadilhe, economista, acusou o Banco de Portugal de passividade fiscalizadora (algo a que não nos opomos). Mas não percebemos muito bem qual o alcance da acusação porque, independentemente da altura em que foram detectadas as irregularidades, o certo é que elas existem. E quem, antes de mais, deveria ter conhecimento delas era justamente o presidente do BPN. Para delas dar conta o Banco de Portugal.

Seja como for, o regresso da nacionalização (esta e as que, contra as expectativas mais lunáticas, foram realizadas nos EUA) sugere desde logo várias leituras. Em primeiro lugar, permite confirmar que o actual sistema guiado pelo mercado não funciona nem dá garantias à democracia: as desigualdades persistem e o desrespeito pelos direitos humanos mantém-se. Além disso, como se viu no caso do BPN e do BCP, o princípio da boa fé é mera figura decorativa. Portanto, em matéria de responsabilidade cívica, a banca portuguesa é tão idónea quanto o pequeno transgressor. Em segundo lugar, estas medidas poderão ter um efeito dissuasor e didáctico por afirmarem que o desenvolvimento social, político e económico não respeita a linearidade com que muitos poderiam contar. Se for preciso nacionalizar, que se nacionalize. Mas sem dramatismos nem comichões ideológicas.

A direita acusa o governo de «capitalismo de Estado». Provavelmente a direita tem acções e poupanças em outros bancos, digamos, menos populares. Além disso, se dentro de algum tempo o Estado vier mesmo a lucrar com a venda das acções que detiver no BPN, óptimo! Talvez dê para compensar os milhões em que o Estado é espoliado anualmente pela banca.

22 de outubro de 2008

«Nunca me engano e raramente tenho dúvidas»

Os deputados socialistas à Assembleia da República interiorizaram facilmente a maioria absoluta e integraram-na com grande à vontade nas suas próprias personalidades. Talvez por isso alguns deles se sintam incomodados com o discurso de Jaime Gama nas jornadas parlamentares, o qual apelava ao empenho de todos e tratava de mobilizar as «tropas» com vista às eleições de 2009.
Para esses deputados - espero que nenhum tenha sido eleito pelo círculo eleitoral de Évora - o Orçamento de Estado para 2009 será certamente suficiente para vencer no próximo ano. O Orçamento e... a oposição.

4 de outubro de 2008

Dia dos animais

Hoje comemora-se o dia do animal. Uma comemoração importante para manter a motivação dos activistas em alta mas que, na verdade, tem merecido grande mobilização mundial. Talvez a maior conquista de todas seja a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Os animais têm direitos que nos cabe respeitar e alguns têm inclusive o privilégio de ser servidos nos mais finos restaurantes.

3 de outubro de 2008

Os abruptos e os outros

Após um interregno de alguns anos, tive ontem a oportunidade de re-ver o programa "Quadratura do Circulo" na Sic Notícias. Também vi o Benfica que, após muitos anos, apresenta um conjunto de jogadores que mais se assemelham a uma equipa. E um técnico que parece um treinador.

Bom, mas regressando ao Quadratura do Círculo, pouco foi alterado no figurino com a excepção de agora ser o presidente da Câmara Municipal de Lisboa - António Costa - quem faz as vezes de José Magalhães, pelo PS. Parece que também por lá andou Jorge Coelho, antes de abraçar um controverso mas rentável projecto profissional...
O abrupto Pacheco Pereira e o polido Lopo Xavier continuam, imperturbáveis.

Uma coisa que nunca percebi foi porque razão foram escolhidos representantes dos partidos de centro e direita, em vez de procurar assegurar nos debates a diversidade social que os partidos representam na Assembleia da República.
Talvez por causa do nome do programa: tem que haver um moderador, sobram três lugares que são distribuídos pelos 1º, 2º e… 4º partidos mais votados.

Ou, por ser uma imposição do dono da estação televisiva: «não quero lá comunistas porque só sabem dizer mal e não se sabem vestir». É legítimo, afinal de contas, estamos a falar da propriedade privada de um homem, na qual só entra quem ele quer. Os comunistas também não abrem as suas casas a qualquer um. Só aos irmãos da média-baixa burguesia que venham por bem. Eu também não gosto de gente emproada que me obrigue a lavar a loiça duas vezes antes de servir a refeição, nem de gente pouco habituada a ouvir e respeitar as opiniões dos outros.

Portanto, concluímos que a escolha do figurino não responde a critérios de representatividade partidária embora, paradoxalmente, lá tenham assento três representantes partidários.

Depois deste inútil prelúdio, devo dizer que Pacheco Pereira se arrogou o direito de se incluir, lui même, nos 0,1% de bloguistas que considera terem escrúpulos. Confesso que não os ando a espiar a todos mas a força da generalização pereiriana é alarmante. Em que lado da barricada me terá colocado ele? Será que gostou dos meus textos? Será que já falou deles aos amigos? Será que quer escrever um romance a meias comigo? Ou será que teve cólicas e passou a noite em dificuldades? Não sei, ele nunca mo disse directamente. Por isso é que depois daquela afirmação senti uma profunda perturbação durante dois segundos e meio. A seguir, mudei de canal, estava a dar o Goucha e percebi que não me vou abaixo com uma afirmaçãozeca qualquer.

1 de outubro de 2008

Mutualismo tributário

Há profissões que conseguem germinar um alto grau de mutualismo nos seus profissionais. Os funcionários dos serviços de finanças são um bom exemplo desse mútuo benefício. As irracionalidades do «legislador» que impõem o dever de se fazer cumprir pelos funcionários, assim como as irracionalidades agressivas e não raras vezes violentas do contribuinte que se sente lesado (porque é tratado como um número e não como um caso objectivo ou porque é objectivamente roubado), desenvolvem nos funcionários das finanças uma implacável casca: indiferente, inexpressiva e pouco orientada para dar solução aos problemas por si criados.
Em contrapartida, a máquina fiscal retira óbvios proveitos desse estrangulamento humano, conseguindo inclusive que, em muitos casos, o contribuinte seja tributado mais do que uma vez pelo mesmo processo.
O mais impressionante é a capacidade de manter a mesma cara de pau, mesmo em situações particularmente ameaçadoras. Fazem lembrar um bocado aqueles lunáticos asiáticos e sul americanos que, no fervor das comemorações pascais, se fazem crucificar com pregos de 15 cm cravados na palma das mãos.

25 de setembro de 2008

Malditos estrangeiros

O Secretário-geral do Gabinete Coordenador de Segurança, Leonel de Carvalho advertiu que o aumento da criminalidade violenta é uma consequência directa da entrada de estrangeiros no país. O distinto argumento foi naturalmente forjado na sequência de um complexo processo indutivo: o brasileiro morto no assalto ao BES de Campolide foi o ponto de partida desta aturada investigação.

Depois desta revelação apoteótica, não sei como poderão continuar os emigrantes portugueses a viver em França, por exemplo, sendo certo que há uns ruins duns magrebinos e uns pretos que fazem trinta por uma linha.

Seria muito básico se viesse para aqui invocar argumentos primários como a sustentabilidade da segurança social, a produtividade nacional e a colecta fiscal. Ou, num plano menos instrumental, a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Porém, se o brilhante argumento vinga, não tarda e seremos inundados por milhões de emigrantes portugueses escorraçados, preparados para nos vir roubar os empregos e sabe-se lá mais o quê.

Mas há sempre um lado positivo nas coisas. Se o brilhante argumento vinga, terão que ser novamente os portugueses de gema, brancos, a vergar a mola. E as prisões encher-se-ão de brancos porque não haverão pretos para meter dentro.

Nessa altura, teremos que expulsar todos os brancos também.

6 de setembro de 2008

De braços abertos

Depois de uma prisão preventiva, de um longo calvário com areia do deserto a ranger nos dentes e ainda, de uma indemnização no montante de 130 mil euros por danos morais (também servirá para ajudar a repor o bom nome e a honra e a dignidade do homem), Paulo Pedroso vai ser recebido de braços abertos pelos deputados socialistas na Assembleia da República. Não por todos. Pelo sim e pelo não, os deputados mais velhos deverão exibir alguma contenção nessa coisa dos «braços abertos»... para que não restem dúvidas. Por conseguinte, é previsível que desta vez, a chegada deste exilado político a S. Bento não seja tão apoteótica como quando foi liberto dos cárceres do opressor.

Resta saber a que instituição de solidariedade social entregará Paulo Pedroso o cheque. Afinal, para que precisa ele do dinheiro, agora que é um homem livre, talentoso, com tantos amigos e bonito?

26 de agosto de 2008

Qualquer dia, nem de gajas se pode falar...




As anunciadas fábricas de aviões e avionetas que se hão-de instalar em Évora ainda não passaram do papel e já estou com elas «por aqui» (indicando o extremo setentrional do crânio).


Ontem, lá em casa, preparámos uma tertúlia assim, sóbria, fina, tranquila. Uma experiência quase mística. Estávamos eu, o Patch Adams, o Samuelson e o Weber. Tudo malta bem disposta e divertida. A coisa estava amena e, se não me falha a memória, estávamos no início de uma deliciosa discussão sobre a temática da improbabilidade do ser e da inconstância do devir.


Foi por essa altura que me alertaram para a existência de um tipo vestido de marinheiro que esbracejava desaustinadamente na varanda de baixo. E, de facto, o homem parecia trajar uma daquelas fardas de grumete dos musicais americanos da década de 40, cujas calças comprimem as nádegas e forçam à exposta convivência debaixo do tirelene, um dos siameses e o humilhado pénis. Mas não, apesar do aspecto de parvo, o homem ostentava afinal as insígnias da aviação.


Exprimia-se com alguma dificuldade num castelhano pobre e, do que me foi dado entender, não estava nada de acordo com o tema da nossa conversa e exigia que a terminássemos ali, sob pena de alertar o GOE. Houve quem tivesse feito confusão com o GAL (Grupo Anti-terrorista de Libertação), porque de facto, o modo como articulava as frases tinha correspondência com a desordem da aparência. Apesar de se tratar de uma temática inócua e pontual, anuí pacientemente nas pretensões do sujeito, não começasse ele a voar por ali fora e se estatelasse desamparado no chão alguns metros abaixo. Ele, mais as suas asinhas de cera. Se estava tão ansioso por voar no dia seguinte...


A perplexidade instalou-se entre os convivas, tomados de assalto por uma indignação só comparável à que se sente quando de pisa um cagalhão. É natural que o indivíduo não se sinta à vontade com a complexidade do tema mas, como se disse, um dia não são dias. Para a próxima falamos de gajas e touradas. Pronto. Satisfeito?


Ora, o que me causa algum transtorno é verificar que, como se não bastasse o intenso zumbido diário com expoente nas manhãs de domingo a que somos expostos a bem da felicidade dos outros, ainda somos forçados a tolerar pessoas que vomitam palavras desconexas e têm mau gosto no vestir. É que, ao contrário da frequência das nossas conversas inacessíveis para brutos, o tipo veste-se sempre assim e não consta que tenha feito progressos no seu processo de integração social. Ali está, jogado ao desespero e à pequenez de uma emancipação que começa no carro equipado com o autocolante de um touro e termina no cock-pit de alguém.


Perante as cabais evidências e as insuperáveis demonstrações, resta-me concluir que a exígua ilha em que este barão vermelho vive é proporcional à dimensão do seu raciocínio. Agora que penso nisso, já não é o primeiro com que me deparo. Deve ser das asinhas…