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18 de junho de 2009

A natureza de Sócrates

Analistas políticos, jornalistas, competidores, curiosos e outros estimavam que o resultado das eleições europeias fizesse baixar a bola do primeiro-ministro. Ansiavam por uma demonstração de humildade e reconhecimento do fracasso de algumas políticas, de um certo estilo de governação, ainda que esse duro fardo não representasse mais do que uma encoberta estratégia de apaziguamento dos eleitores com vista ao próximo acto eleitoral.
Quando mais se aguardava por esse mascarado acto de contrição de Sócrates, este acabou por desiludir a assistência. Não se conteve e do cordeiro emergiu o lobo esfomeado. Atacou. Atacou a direita, procurando celebrar a política de esgotamento dos sociais-democratas que retirou da cartola em 2005. Tal como a anedota do escorpião e do elefante, o que é que se pode esperar... é da sua natureza ser assim...

17 de junho de 2009

O Pinto da Costa é que é o pilantra...

Luís Filipe Vieira, manda-chuva do Benfica, identificou a lacuna da nacionalidade para justificar o insucesso do treinador espanhol Quique Flores.
Esqueceu-se em contrapartida de identificar paradoxalmente a lacuna da nacionalidade para justificar o sucesso do treinador italiano Giuseppe Trapattoni, único vencedor do campeonato nacional pelo Benfica nos últimos 15 anos.
Parece que o nacional Jorge Jesus assinou por duas temporadas. No Benfica, espera-se que cumpra uma.
À margem desta destorcida leitura, Luís Filipe Vieira deu sinais de algum acerto quando disse que "dificilmente o Benfica vai perder algum jogador". O raciocínio parece correcto porque, com a época que fizeram, só terão os clubes da segunda divisão como potenciais interessados mas sem, contudo, poderem pagar o que o Benfica lhes paga.
Nesta novela, fica a última excelência deste senhor. Para impedir que um oponente se candidatasse às eleições, arranjou forma de marcar as eleições de forma a que se realizem antes do dito oponente cumprir os cinco anos necessários «na casa» que o autorizariam a candidatar-se.

8 de junho de 2009

Ai Jesus

Jesualdo, o treinador do FC Porto arrisca-se a ser alvo de uma contratação relâmpago pelo Benfica por proferir declarações como esta: "a minha principal qualidade é fazer equipas em curtos espaços de tempo". Todos nós sabemos que não é assim porque o homem conseguiu estar mais do que três meses no Benfica e acabou trucidado como todos os outros.

2 de junho de 2009

Longa vida ao Rei!

Desde criança que acompanho com alguma curiosidade as monarquias exóticas que nasceram fora da Europa por causa do medievalismo que julgava caracterizar exclusivamente tal forma de governação. Eu era evidentemente muito mais ignorante do que penso ser hoje mas, figuras como o Rei Artur e Robin dos Bosques repousavam no meu imaginário infantil como figuras míticas alojadas num recanto das verdades insofismáveis.

Mais tarde, percebi que os monarcas sobreviveram a esse microclima medieval. Era a descoberta de uma parte da história universal que os filmes do Errol Flinn me escondiam. Recordo com nostalgia da aula em que a D. Fernanda, a professora, nos apresentou o grande conquistador, o grande líder, D. Afonso Henriques, estimulando ainda mais a nossa imaginação com os episódios de judiarias que armava à senhora sua mãe.

Mas a grande ruptura com esse medievalismo verificou-se quando a Princesa Diana se casou e só os noivos se faziam transportar de carruagem. E, também, quando assistia desalentado ao fecho diário das emissões da TVE, em que uma moderna família real espanhola posava para os súbditos com vários trajes e em várias ocasiões que iam das aulas de equitação das infantas, à apresentação do último grito da marinha pelo Príncipe das Astúrias.

A monarquia foi sendo, aos poucos, desmistificada. Poderia aqui jurar a pés juntos que foi com a idade. Contudo, acho que foi mais pela existência do D. Duarte de Bragança. Afinal, em que é que ele poderia ser melhor do que eu?!

Seja como for, este preâmbulo serve apenas para anunciar que a monarquia recuperou alguma dessa névoa primordial, justamente pela incrível dinâmica das monarquias exóticas de que falava. Uma das mais fascinantes é a da Coreia do Norte. E é possível que hajam novidades para breve. Não é fantástico?

19 de maio de 2009

Senhoura doutoura!

O moralismo defeituoso e a ruindade expressas nas acusações e ameaças desta professora são de tal ordem escabrosas que nem alguns padres poderão continuar a viver debaixo do mesmo tecto que sobrinhas e afilhadas, sob pena de se precipitarem em queda livre para os braços abertos do demónio.
Ao que parece, só no 12º ano é que a senhora professora deu beijos «assim», presume-se que, naquele combate de duas línguas que interpretam o jogo de gato e de rato e a que dão, pasme-se, a mesma designação de um peixe [talvez seja linguado porque o ambiente é aquático e há paredes contra as quais é atirado mas, na minha opinião, deveria ser moreia, pelo ambiente aquático, cavernoso e pela própria morfologia dos intervenientes]. E o linguado da professora só terá acontecido, naturalmente, por violação de um sexagenário embriagado, porque o empregado do restaurante se enganou e confundiu a amêijoa com o linguado ou por insistência do pastor alemão da vizinha já que nem os prostitutos teriam apetite para tanto.


As poucas conclusões a que podemos chegar no imediato é que os anos que passou a estudar não foram suficientes para falar correctamente português, tem a sensibilidade de um cão e sofre de distúrbios compulsivos de autoritarismo.
Fora isso… a esta hora estão os alunos todos a fornicar indecentemente e ela com uma depressão em casa, lubrificando um vibrador com lágrimas. Cada um é para o que nasce e ela não nasceu para ser pedagoga, educadora ou o caralhoqueafoda.

13 de abril de 2009

Nada de mini saias...

As finas regras de cuidado com o atavio e boa imagem, que os funcionários da Loja do Cidadão de Faro deverão respeitar constituíram, provavelmente, o acontecimento político de maior relevância na semana passada, logo a seguir às novelas da Quimonda, do Procurador da Justiça e à incessante verborreia da maioria dos políticos.

A coisa até podia não ser tão bizarra caso tivesse sido previamente estipulado que, aos postos de trabalho em causa, corresponde a obrigação de trajar de farda. Integralmente assegurada pela entidade empregadora, pois então.

Mas não, a coisa não é simples. Os ditos funcionários não só têm que receber lições de atavio e decoro (mas não de competência), como ainda se vêem na contingência de assegurar que «não passam das marcas» perante os concidadãos.

E quem define as marcas? A senhora secretária de estado da modernização administrativa? Francamente, causa-me menos náuseas cheirar um daqueles perfumes baratos de gente pobre com aroma patchouli do que ser atendido por uma fulana com as fronhas da mulher. Com o devido respeito pela fealdade da senhora. Que é realmente acentuada. Também não estou a ver nem de saias, quanto mais de mini-saias...

O paradoxo maior, sem dúvida: a obrigação de uma apresentação aburguesada e segundo os padrões de uns quantos… numa Loja do Cidadão. «Loja», bem entendido…
Como é de brincadeira atrasada de Carnaval que estamos a falar, nem sequer merece a pena puxar dos galões da liberdade nem daquilo que é razoável, do ponto de vista social.

3 de março de 2009

Kramer contra kramer

Não pude deixar de notar a ironia da sentença quando o repórter televisivo tranquiliza os espectadores afiançando que a Guiné regressou hoje à normalidade. Ironia, porque a vingança traduzida na reciprocidade equidistante que tutela o assassinato de dois oponentes prometidos às profundezas do inferno, parece fazer parte da normalidade pretensamente interrompida.
Ironia, porque a miserável normalidade da Guiné não resistiu jamais à pilhagem sem escrúpulos do país e do povo por homens como os que se assassinaram mutuamente em duelo marcado por um invulgar desfasamento horário.

18 de fevereiro de 2009

Ainda na ressaca do FSM

Amor em tempos de crise

Havia o que dizia ser a cannabis, a fonte do amor. Este não! Diz que são as palavras. Como o Neruda. É de amor que as pessoas precisam! Por isso, em tempos de crise, é amor que o homem de lata lhes dá. Porque a vida não se governa só com as míseras pensões do Estado e as insignificantes mesadas dos tiranos progenitores, ele alimenta multidões de gente com palavras íntimas e chegadas. E o exército de amazonas replica: que se foda a lata do governo, nós queremos é o homem de lata!

Ecos de Pessoa em 1975

Aos onze anos já mandava recados ao império colonial britânico, o qual havia de se desintegrar quarenta e oito anos depois, com a independência da Índia, em mil novecentos e quarenta e sete. As contas não enganam. Por isso, podemos conjecturar sobre se terá sido apenas em mil novecentos e vinte e sete que Fernando Pessoa começou a enviar recados semelhantes ao império colonial português.

21 de janeiro de 2009

...Saiu do sonho de King

Ontem, enquanto um era vaiado e a sua saída era objecto de descompressão um pouco por todo o mundo, o outro tremelicava ironicamente a fazer aquilo que o mesmo mundo se habituou a reconhecer: discursar.
Mas, numa época por vezes atenta em demasia aos pormenores mais superficiais, não houve melindre e desculpa-se o nervoso de Barack Obama no momento do juramento porque as expectativas são grandes e porque é sangue novo. Talvez as expectativas sejam insustentavelmente altas para uma boa parte do mundo que ontem exultou, imaginando que um homem sozinho tem poderes para acabar com a pobreza e a injustiça praticada pelos seus próprios governantes. E teria, se o cinismo, a hipocrisia e a ganância não integrassem a natureza humana. Nada que o povo desse mundo não saiba. Mas, de algum modo, Obama deu-lhe esperança.

À pergunta de José Saramago no seu caderno virtual "donde saiu este homem?", talvez possamos responder que saiu de um sonho, do sonho de Martin Luther King, contado em 28 de Agosto de 1963, também em Washington.

Contudo, ou não terá a vida fácil domesticamente ou, depressa aprenderá que os discursos fluidos invocando os valores e os princípios só devem ser proferidos entre amigos. Os próximos anos permitirão perceber se o engasganço de ontem veio ou não para ficar.

19 de janeiro de 2009

Asilo político?!

O jornalista iraquiano que atirou desajeitadamente um par de sapatos ao presidente Bush, pretendendo assim manifestar o seu regozijo e expressar as boas-vindas ao visitante, requereu agora asilo político à Suíça. Não se compreende muito bem a razão desta escolha, já que o país helvético não é propriamente conhecido pela sua indústria de calçado, ao contrário de Portugal.

O cenário mais provável é que, com excepção das teocracias islâmicas, nenhum país esteja disposto a receber este jornalista iraquiano porque, como é do domínio público, a invasão americana do Iraque veio libertar o oprimido povo que, agora, vive livre e em democracia. Assim, não faz sentido que alguém se possa queixar de perseguição política. E não é disso que se trata porque, evidentemente, se alguém se pode queixar de perseguição política, esse alguém é justamente o presidente Bush que ainda hoje se interroga como se conseguiu esquivar. Embora o o sapato esquerdo não tenha passado muito longe...

Em contrapartida, o 44º presidente dos EUA tomará posse no dia 20 em clima de grande festa mundial, cujo epicentro ocorre precisamente um dia antes e assinala o derradeiro dia de George W. Bush, o pior da galeria, à frente da Casa Branca.

Bem vistas as coisas, seria útil para os cartoonistas e humoristas do mundo, se a República Independente do Atol da Mururoa concedesse asilo político ao jornalista e a Bush numa ilha deserta, inteiramente reservada para os dois. Portugal podia entrar com um par de sapatos. Para dividir… que a crise não está para luxos…

8 de dezembro de 2008

Nem o neo-imperialismo vale àqueles desgraçados

Enquanto os líderes ocidentais pedem gentilmente que o déspota Mugabe se demita, à laia dos regimes democráticos, o povo zimbabueano continua a definhar às cruéis mãos de um regime totalitário. Esperar que o animal se demita é menos exequível do que ensinar um porco a falar. Repor a dignidade do povo que oprime é tarefa utópica.
Mas, distantes, os líderes ocidentais cumprem a mesma hipocrisia e indiferença com que lidaram com os regimes totalitários emergentes na Europa no início do século XX. Com uma agravante: não há já, no Zimbabue, nada que seja interessante defender. Só, talvez, eventualmente, a dignidade humana. Isto, claro, se esse conceito for extensível a nações cultural e geneticamente «inferiores».

28 de novembro de 2008

Desconfiança dos portugueses

Segundo o Inquérito Social Europeu, os portugueses estão entre os povos que menos confiam no próximo. Nem é estranho nem é apenas resultado de dinâmicas sociais que se caracterizam pelo aumento do individualismo, pela diminuição das relações face-a-face, pela implosão do núcleo familiar e pela degradação do Estado-nação.

Como é que se pode confiar em alguém, quando um simpático apresentador de televisão, um paternal director de instituição juvenil, um abnegado médico, um insuspeito diplomata, um justo advogado, um digno representante do povo e outros, são suspeitos de pedofilia?

13 de outubro de 2008

A raposice da alta finança

Como o sujeito guloso que anuncia uma rigorosa dieta após um ataque cardíaco para retomar os hábitos alimentares excessivos e desregulados logo que se sente melhor de saúde, todas estas medidas que vêm sendo anunciadas pelos países para conter a expansão da crise financeira correm o risco se revelar efémeras, assim que a confiança regresse aos mercados.

Isso significa que, neste momento em particular, a injecção de capital público, os anúncios de garantias estatais e outras medidas são muito bem-vindas pela alta finança. Mas, logo que os mercados estabilizem, esta cirurgia de matriz keynesiana tradicionalmente reivindicada pela esquerda será novamente preterida em detrimento da mão invisível e da voragem dos mercados. E os Estados nacionais lá estarão para estender o tapete vermelho e assistir à passerellle triunfal dos responsáveis pela crise.

6 de setembro de 2008

Democracias e Povo

Confesso que desconheço os fundamentos que levam algumas pessoas a questionar a democracia e a postular um outro regime político que, presumo, seja inaudito (porque aqueles com que temos sido historicamente brindados... vou ali e já venho...). Esta minha ignorância assenta numa dúvida crucial: a que regime «democrático» se referem essas pessoas?
Aos regimes tirânicos como o Zimbabwe ou Coreia do Norte, centrados na figura incontestável do chefe e numa hedionda máquina de repressão?
Aos regimes oligárquicos e totalitários como Cuba ou China, cuja pluralidade é registada na unidade do único partido admissível e a autoridade é conquistada por uma máquina de repressão eficaz?
Aos regimes oligárquicos e pró-totalitários como Angola ou Rússia, cuja pluralidade é garantida na unidade do único partido em condições de disputar eleições e a autoridade é conquistada pela repressão económica?
Aos regimes cujas cúpulas são dominadas por estruturas de clãs como a India ou Paquistão e a autoridade é conquistada pela repressão económica?
Aos regimes cuja ideologia dominante esgota quaisquer alternativas, como Israel ou os EUA e a autoridade é conquistada pela repressão económica?
Aos regimes work-in-progress dos países ocidentais, incomomodamente apanhados entre o ser e o dever-ser e a autoridade é conquistada pelo conforto?
É que, todos sem excepção, utilizam o termo democracia para designar as respectivas estruturas políticas. Talvez porque, em cada um deles, o povo é distintamente personificado, seja numa pessoa, num grupo de pessoas ou numa sociedade.
Por cá, parece-me que o conceito de povo, ainda assim, abarca uma maioria considerável da população: aquela que sobrevive acima do limiar da pobreza. Em contrapartida, no Zimbabwe e na Coreia do Norte, o conceito de povo é capaz de incluir 0,5% da população.

29 de agosto de 2008

American dreamers


No discurso que encerrou a mega mediática Convenção Democrata, Barack Obama defendeu o «sonho americano», ou seja, um modo de vida que tem resultado normalmente no «pesadelo» dos outros.
Se Barack Obama pretende ser a pedrada no charco da política americana, pode começar por pensar que, para lá das fronteiras americanas existem países com pessoas humanas e não apenas o quintal das traseiras. Na prática, é isso que tem representado o «american dream», materializado no «american way of life».

28 de agosto de 2008

Convenções à parte

Consta que, durante a convenção do Partido Democrata que confirma a candidatura de Barack Obama à Casa Branca, Hillary Clinton terá abençoado o homem. Embora não seja certo sobre quem abençoou quem.
Sabemos que Barack aproveitou para mandar a mulher e filhos comprar rebuçados antes de receber a senadora de Nova Yorque.
Resta também saber se o marido, Bill, estava ou não presente nessa circunstância. Acreditamos que não porque Barack Obama é um homem muito tradicionalista. De qualquer forma, é crível que Hillary ainda esteja irritada com o episódio da Sala Oval e se queira certificar que o peso social que pende na cabeça do marido seja maior que nela. Afinal, Bill é que foi o presidente...

21 de agosto de 2008

Barajas também faz parte da realidade dos jogos olímpicos

Se todos os países que passam por acidentes como o de Barajas ou que se encontram envolvidos em conflitos bélicos ou que são vítimas de terrorismo ou de outro tipo de catástrofe, decidissem colocar as respectivas bandeiras nacionais a meia-haste nos jogos olímpicos, o alinhamento das bandeiras mais pareceriam as ameias de uma muralha.

Caso o Comité Olímpico Internacional condescendesse e anuísse nas pretensões espanholas em fazer descer a sua bandeira em sinal de luto pelas vítimas do terrível acidente de ontem, uma parte substancial dos países participantes deveria poder fazer o mesmo. A lista seria certamente extensa.

E isso podia ser feito… apesar do rude golpe que representaria admitir uma realidade contra a qual os jogos olímpicos têm lutado desde o seu renascimento em 1896.

19 de agosto de 2008

Uma constante: de mãos a abanar

Como tem acontecido [quase] sempre desde que há participação portuguesa nos jogos olímpicos, os atletas fazem milhares de quilómetros para dar três saltos ou correr uns metros ou outra coisa qualquer. Para regressar de mãos a abanar. Não é novidade.

Nesta edição das olimpíadas, a excepção confirma a regra. Mas só nestas olimpíadas é que o verniz estalou na sequência das justificações pretensamente amadoras dos nossos atletas.

Ora, uma atleta aparentemente intocável no que respeita ao brio e ao patriotismo, como é o caso de Naide Gomes (salto em comprimento), de quem se esperava tudo e mais um par de botas, acabou de ser traída pelo medo e não estará presente sequer na final. Depois de dois saltos nulos, Naide fez um salto ridículo para uma atleta de alta competição: abrandou vertiginosamente a velocidade e desenhou atabalhoados passinhos para conseguir fazer a chamada em condições. O resultado foi desastroso, tendo em conta os piores saltos da atleta (quase um metro a menos da sua melhor marca do ano).

E depois?

O desastre é primeiramente pessoal e não de Vicente Moura (presidente do Comité Olímpico Português). Como [quase] sempre no desporto português, Naide fez milhares de quilómetros para fazer um salto ridículo. Isso também é desporto, tal como são as justificações dos atletas. Se calhar, não teve leite Mimosa ao pequeno-almoço ou então, as meias não estavam completamente enxutas. Pode encontrar [ou não] as desculpas que quiser sem que isso signifique falta de brio ou de «educação», para utilizar os termos desadequados de Vicente Moura.