Agora com o som instalado é que o circo está montado. Se é que ainda restavam dúvidas...
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19 de fevereiro de 2009
21 de janeiro de 2009
Jaime Isidoro 1924/2009
As francesinhas tardias no "Snoopy" deram lugar à aguardente velha posta gentilmente na mesa pelo proprietário, um orgulhoso filho e amante do Pinhão. No dizer do homem, «uma das maravilhas do mundo». Para o provar, lançou mão de uma revista e lá estavam as fabulosas imagens daquelas escadarias vinícolas que se precipitam sobre o Douro. Poderia alguém desencantar prova mais esclarecedora e definitiva? Não! Pelo menos... não àquela hora, num simples restaurante da Avenida da Boavista, para lá das horas de fecho.
Se a garrafa viera, fizemos questão que com ela se sentassem os seus acompanhantes: o que comia e o que servia. Juntos à mesma mesa. Fosse pelo seu ritmo de vida, fosse pelo prazer da noite, o desconhecido que comia fazia-o no contra-ciclo da clientela normal. E deitava um olhar fugaz mas atento e ávido de contacto.
- Obrigado pela gentileza mas agora têm que se sentar connosco. Convidámos. Os dois homens aceitaram e depressa confirmámos que a deles era uma relação que ultrapassava a vulgar esfera comercial. Eram amigos. A minha suspeita foi confirmada mais tarde, quando o homem do Pinhão nos disse que lhe não cobra nada pelas refeições; ao outro, o que comia. A coisa ficava paga com umas pinturas oferecidas das quais, o que servia, dizia jamais se via a desfazer. Como se ali tivesse uma autêntica relíquia. Tê-la-á, certamente.
- Jaime Isidoro? Peço mil desculpas mas, de facto, somos uns verdadeiros ignorantes. Respondi embaraçado, quando o que servia tratava de apresentar convenientemente o que já não comia mas beberricava a sua aguardente, agora, com o do Pinhão e na companhia do casal de «mouros» desconhecedores de tanta coisa.
Foi assim que permanecemos sentados no “Snoopy” até às 3 da manhã, percorrendo décadas na vida intensa de um homem simples, extraordinariamente espirituoso e de uma sensibilidade aguçada. Particularmente tocante quando se referiu à companheira de sempre: a das letras.
Depois das despedidas e das incontornáveis promessas de visita, muito para lá da porta da rua, ouvimos um surdo mas inconfundível apelo, proveniente da penumbra. Olhámos para trás. Era o amigo Jaime que nos chamava. Saltitava desajeitadamente na nossa direcção, convidando a conhecer a sua galeria, situada a alguns metros de distância do “Snoopy”. Conhecemos, enfim, mais alguns retalhos da sua vida e, por que não, do percurso recente das artes plásticas em Portugal. Ficámos a saber como a idade e a experiência lhe trouxeram a autoridade suficiente para sintetizar tanto num só traço ou, simplesmente, numa mancha de tinta arremessada contra a tela.
Dele, guardamos a amizade. E um grande privilégio por o ter tido como mestre, ainda que, por apenas um par de horas. As suficientes para lhe dedicar este texto.
15 de dezembro de 2008
Confirma-se, o andebol iraquiano é fraco
Adorado nos quatro cantos do mundo, o enciclopédico presidente Bush assistiu a um congresso de andebol no distante Iraque. Os responsáveis da Federação Iraquiana de Andebol reservaram-lhe uma emocionante surpresa mas nem assim conseguiram convencer George Bush a interceder por eles junto da IHF (International Handball Federation).
3 de dezembro de 2008
24 de novembro de 2008
Novas oportunidades
Para além das formações profissionais, dos imigrantes clandestinos que não contam para a segurança social mas contam para o PIB, da retenção de indivíduos jovens nas novas oportunidades e de outra trafulhice, os níveis de desemprego também podem ser minimizados com a saída de activos qualificados em busca de novas oportunidades... no estrangeiro: nalguns casos, libertam postos de trabalho e não entram nas estatísticas do IEFP.
5 de novembro de 2008
Barack Obama venceu as eleições

Desde Jimmy Carter e apesar dos mandatos presidenciais de Bill Clinton, os últimos 27 anos de política externa americana têm sido extremamente desgastantes para o mundo. Como é evidente, o sentimento anti-americano que se generalizou um pouco por todo o mundo, particularmente entre as gerações mais jovens, foi bem alimentado pelos desempenhos dos republicanos Ronald Reagan, George Bush e George W. Bush. Com a eleição de Barack Obama, o mundo viu renovada a esperança. Veremos. Veremos de que forma se predispõem os EUA a intervir no mundo a partir daqui: se continuarão a privilegiar a decisão unilateral assente numa dominação hegemónica ou se retomarão o projecto da Sociedade das Nações, materializado na obsoleta ONU e no ignóbil Conselho de Segurança (ambos precisam de reformas urgentes).
A política externa dos EUA é a parte que nos diz directamente respeito. Depois, há os assuntos internos, dos quais também dependemos indirectamente.
Este homem surgiu messianicamente no espectro político nacional e internacional como se fosse um D. Sebastião. Representa, de algum modo, o projecto inacabado começado por Martin Luther King. Pelo menos do ponto de vista simbólico. Retomou o discurso americano dos valores, da democracia e dos ideais e criou expectativas em muitos. Num país onde existe a democracia mais antiga e onde, para debalde de alguns, o processo funciona relativamente bem, a vitória de Barack Obama é extraordinariamente importante porque é a que maior legitimidade política alcança nos últimos 100 anos. Com efeito, num país confrontado com as mais altas taxas de abstenção eleitoral, elemento crucial numa democracia representativa, Barack Obama tem o mérito de levar dois terços dos eleitores americanos às urnas. Mesmo que entre eles estivessem todos os simpatizantes do Ku Klux Klan.
A política externa dos EUA é a parte que nos diz directamente respeito. Depois, há os assuntos internos, dos quais também dependemos indirectamente.
Este homem surgiu messianicamente no espectro político nacional e internacional como se fosse um D. Sebastião. Representa, de algum modo, o projecto inacabado começado por Martin Luther King. Pelo menos do ponto de vista simbólico. Retomou o discurso americano dos valores, da democracia e dos ideais e criou expectativas em muitos. Num país onde existe a democracia mais antiga e onde, para debalde de alguns, o processo funciona relativamente bem, a vitória de Barack Obama é extraordinariamente importante porque é a que maior legitimidade política alcança nos últimos 100 anos. Com efeito, num país confrontado com as mais altas taxas de abstenção eleitoral, elemento crucial numa democracia representativa, Barack Obama tem o mérito de levar dois terços dos eleitores americanos às urnas. Mesmo que entre eles estivessem todos os simpatizantes do Ku Klux Klan.
Sai de cena o pior presidente americano de sempre, George W. Bush.
4 de agosto de 2008
Alexandre Soljenitsyne (1918-2008)
Alexandre Soljenitsyne, o escritor russo galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1970 e um dos mais destacados opositores do regime soviético, perdeu hoje a vida aos 89 anos.
15 de junho de 2008
25 de janeiro de 2008
Estudos para a imperfeição das coisas v
"O homem superior difere do homem inferior, e dos animais irmãos deste, pela simples qualidade da ironia. A ironia é o primeiro indício de que a consciência se tornou consciente. E a ironia atravessa dois estádios: o estádio marcado por Sócrates, quando disse «sei só que nada sei», e o estádio marcado por Sanches, quando disse «nem sei se nada sei»."
Bernardo Soares (2001), Livro do Desassossego, Lisboa, Assírio & Alvim, pp. 165.
21 de novembro de 2007
6 de setembro de 2007
Luciano Pavarotti

Sujeito a mais ou menos mediatização que os seus predecessores, auxiliado por piores ou melhores orquestrações, olhado de soslaio por mais ou menos desvios ao canto lírico ortodoxo, mais ou menos polémico... de Luciano Pavarotti ficará a memória de uma voz radiante e plena de intensidade. Numa palavra: arrebatadora e, por isso mesmo, inesquecível.
Contra os argumentos dos «puristas», Pavarotti democratizou o canto lírico resgatando-o do mais pedante elitismo cultural, pretenso guardião do sublime. E fê-lo sem beliscar as virtudes do canto, sem o vulgarizar. Talvez essa simplicidade incomode alguns, mesmo no momento em que Pavarotti se despede do mundo.
30 de agosto de 2007
13 de julho de 2007
De-Talhes (COISAS SIMPLES)
De-Talhes (LIBERDADES)
De-Talhes (LÁ FORA CÁ DENTRO)
Lá fora faz frio. A noite cai sobre a cidade, arrefecendo o sangue que lhe circula nas veias. Enquanto isso, os homens procuram comodidades artificiais, engendradas para teimar com a agreste impetuosidade do clima. «Um gin tónico, se faz favor, que o ar está abafado cá dentro». Os que passam esquivos ao largo, lançam olhares de soslaio para certificar quem não está e abandonam-se, encolhidos, ao anonimato da noite.
De-Talhes (MONTRA DE CULTURAS)
De-Talhes (LUGARES)
Paralelamente, mesmo que entre uma e outra parte do mundo não distem mais do que um par de quilómetros, o sobejo e o desperdício produzidos confundem-se numa orgia de sabores, aromas, cores e ingredientes, confinada a um local circunscrito no espaço e no tempo, cujo acesso é filtrado pela força da carteira.
De-Talhes (JANELAS)

Paradoxalmente, estas crostas são habitadas por gente, por gente empenhada em afirmar a sua identidade, tingindo-a de matizes garridas e festivas. Na ausência de melhor sustento para o estômago, também nestes casos a existência é apaziguada por mecanismos que suavizam as dificuldades impostas pela realidade. Mas esta capacidade de adaptação, presente desde as tribos primitivas, continua a ser observável sempre que se transformam chapas de zinco em paredes habitacionais ou quando se improvisa uma antena de rádio com um simples arame. As periferias crescem a ver partir e chegar milhares de migrantes sem destino, errantes ao sabor da sorte e da variabilidade da força dos seus braços.
De-Talhes (NÃO-LUGARES)

Não obstante a prodigalidade da natureza e as conquistas da humanidade, são indisfarçáveis as inúmeras fragilidades de um gigante com pés de barro, sem saber o que fazer com as crostas inestéticas que lhe povoam a derme. Sem soluções, relega-as a um silenciado abandono, proliferando descontroladamente como metástases nos não-lugares; aqueles, para onde é útil não olhar.
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