30 de setembro de 2004

à tout propos (11)

REVISÃO DA CONCORDATA COM A IGREJA
Após 64 anos (!), o Estado português prepara-se hoje para ractificar a Concordata com o Vaticano e assim dar mais um passo para a constituição de um verdadeiro Estado laico. Mas não sem reservas, naturalmente. É que, se por um lado é pouco contestável a acção social da Igreja (vamos esquecer por momentos os «santos jogos», as heranças nascidas em asilos e outras formas de financiamento), por outro lado, existe um peso institucional enorme que não pode ser escamoteado nem, desconfio, afrontado... Em particular no que respeita à fiscalidade.
De qualquer modo, é um passo importante com vista a um tratamento equivalente entre os vários credos religiosos e entre todos os contribuintes...

em de-talhe


ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS AMERICANAS

E, sem embargo, todo o aparato em torno das eleições presidenciais norte-americanas, com o enorme o show off habitual, investidas e contra-investidas (de conteúdo...), mais escândalo e menos escândalo, mais dollar, menos «petroil», com mais pólvora ou menos pólvora, eis que, bem espremidinhas as propostas, do nectar nem sinal. Pessoalmente, tenho a convicção que nada vai mudar no mundo (em termos de política externa) a não ser o continuar da insatisfação internacional, da repressão e da parasitagem sobre a natureza e os povos. O estilo de vida americano não se compadece com sacrifícios económicos, e é absolutamente incompatível com a preservação ambiental ou a competência alheia. A diferença entre Kerry e Bush é menor que a espessura de uma folha de alface, embora Kerry aparente ser menos extemporâneo, mais ponderado.

Por conseguinte, é na gestão de expectativas e interesses dos poderosos que se faz um mandato na Casa Branca, logo, quem dá a cara até pode ser uma amiba unicelular (se existir) como a que lá está, pois as decisões já lhe são entregues escritas em papel (embora ele teime em falar por sua conta e risco, à desgarrada mental consigo próprio, mais ou menos como o espécimen surpresa que nos deixaram em S. Bento).

O primeiro de três debates, hoje às 21 horas na Florida (2 de Portugal), poderá ter o efeito de sedimentar a vantagem de Bush nas sondagens ou, pelo contrário, despoletar a reviravolta. Talvez, pelo seu estilo menos enganchado em oposições binárias do estilo right and wrong, Kerry seja o menos mau, sobretudo para o próprio eleitorado americano. A que nível? Do civismo e da interiorização de algumas concepções básicas e cosmovisões que a divisão do mundo em dois operada por Bush, desmantelou. Ao aumentar as clivagens, acantonando-as em dois grandes grupos, Bush contribui para o estímulo de fundamentalismos de toda a ordem, seja do lado das manifestações nacionalistas pós 11 Setembro, seja de grupos islâmicos radicais ou cristãos, ou hindus, etc. É este o grande contributo de Bush para o mundo e é tanto responsável pela actual situação mundial como Sharon o é pela presente entifada (sem pretender com isso escamotear problemas que já existiam antes).

Por isso, os americanos que se cuidem pois não há fumo sem fogo e nesta ordem de ideias, causa-me uma certa confusão mental porque raio se difunde a ideia, pelo mundo inteiro, de serem os americanos isto e aquilo. Só se pode explicar por uma embirração que o mundo tem com eles. Que raio de obcessão... Afinal, eles é que são os bons, eles e os que vivem na terra prometida, o povo eleito. Bom, já que os outros são os maus... não deixar créditos em mãos alheias e para isso aí temos diariamente a cabal demonstração de ensandecimento que nos chega através dos media, de ataques suicídas, raptos, degolações em directo, etc. etc. Conselho: nunca enfrentar um animal ferido ou colocar em causa a segurança de crias.

Talvez dê mais gozo por serem americanos e todo o mundo morrer de inveja deles... e do novo ordenamento mundial, do qual resulta proporcionalmente mais miséria do que na idade média. Sociedades evoluídas? Nós?

Sugestão de fim-de-semana:

Ver «O Planeta dos Macacos» de Frankin Schaffner ou ler «A Condição Humana» do Malraux; também se pode simplesmente ver o «Shrek» ou ler Júlio Dinis e fingir que nada se passa.

à tout propos (10)



IN THE NAME OF LOVE - U2

One man come in the name of love
One man come and go
One man come, he to justify
One man to overthrow

In the name of love
One more in the name of love
In the name of love
One more in the name of love

One man come on a barbed wire fence
One man he resist
One man washed on an empty beach
One man betrayed with a kiss

In the name of love
One more in the name of love
In the name of love
One more in the name of love

Early morning, April four
Shot rings out in the Memphis sky
Free at last, they took your life
They could not take your pride

In the name of love
One more in the name of love
In the name of love
One more in the name of love

Spoken: For the Reverent Martin Luther King - saint.

In the name of love
One more in the name of love
In the name of love
One more in the name of love

In the name of love

29 de setembro de 2004

à tout propos (9)

VOTAÇÕES ONLINE
É com particular satisfação qua anunciamos a disponibilização de alguns serviços complementares. A ideia é criar necessidades, leia-se dependência, com o objectivo final de constituir uma legião de leitores/dinamizadores que conquiste o poder já nas próximas eleições legislativas. Há que chegue para todos!...
Assim, a partir de agora, tereis a oportunidade de manifestar a vossa opinião (para além da hipótese de comentar os textos) através de votações online.
Por outro lado, como é sabido, sendo este um espaço que procura a conformidade com princípios democráticos e como tal, aceitamos sugestões para futuros inquéritos online. Claro que, de acordo com a nossa linha editorial serão privilegiados os temas cuja pertinência justifique a sua publicação.

28 de setembro de 2004

à tout propos (8)

DESUMANIDADES
Na nossa blogosfera, aconselho vivamente a entrar em www.desumanidades.blogspot.com, puxa ao existencialismo crítico, uma nova abordagem das nossas sociedades.
Agora a sério (quanto a visitar o espaço Desumanidades não era a brincar), escrevo acerca do texto publicado em 27 de Setembro naquele espaço, intitulado «O dispositivo Opinião». Para dizer que se trata de uma visão acertada, embora na minha opinião exclusivamente focada no fenómeno político. Afinal, o espaço onde escrevo neste momento, não é também ele um claro «dispositivo opinião»?
Sucede que, não obstante aquela grelha criada pelos media, de que nos fala Manel Maria, configura-se ao nível da influência intersticial uma vez que mensagens simples e popularuchas têm por vezes o poder de configurar mass opinions, com enorme vitalidade. De facto, por vezes não se trata de participação, no sentido tradicional do termo, no entanto será a participação um objectivo explícito de alguns?

à tout propos (7)

FÁTIMA ON AIR
Em grande, Fátima prepara-se para começar a receber vôos charter e dar início a uma nova fase do turismo religioso. A Câmara Municipal de Ourém já terá chegado a acordo com o promotor do aeródromo de Fátima para que esa infrestrutura seja ampliada de modo a continuar a atafulhar os peregrinos via aérea.
Parece-me bem, pois livra bastantes peregrinos das tradicionais bolhas nos pés livrando igualmente alguns desses resistentes mais incautos de se verem colhidos por um qualquer automobilista português distraído a ler «A Bola» enquanto mete mudanças...
Os donos dos restaurantes à beira da estrada é que ficam a arder com tudo isto.
Em todo o caso, reafirme-se, a gestão do santuário de Fátima é um exemplo inquestionável a seguir, que o governo não deve ignorar: do lado da despeza, zero; enquanto do lado da receita...
Até a cera das velas que se queimam, são renováveis e aqui fica mais um bom exemplo de desenvolvimento sustentável.
Se fosse a Igreja que estivesse no governo deste país... não havia défice que nos metesse medo nem seria preciso recorrer ao fundo de pensões da Caixa Geral de Depósitos para iludir a contabilidade comunitária.

27 de setembro de 2004

à tout propos (6)

FUTURO, NÃO FUTURO, FUTUROS
Com referência ao tempo presente, não podia deixar de recuperar um texto que me parece bastante conveniente e actual, tendo saído da pena de José Pacheco Pereira numa Grande Reportagem. Como neste espaço damos voz a todos e dada a conjuntura actual, nomeadamente no que toca à ocupação de lugares de poder - Santana é PM, Portas é Ministro da Super-Defesa e das Alforrecas, Sócrates é Secretário Geral e Nobre Guedes do Ambiente - não hesitei em transcrever parcialmente o texto que se segue.
Prestai atenção, vos pede este vosso servidor...
"(...)A máquina da democracia resulta da combinação da separação dos poderes, com o primado da lei e os mecanismos de representação, e todos estes mecanismos necessitam de um tempo e de um espaço em que a virtualidade do real perturba, primeiro, e depois nega (...).
As eleições, ao permitirem a representação democrática no parlamento geraram o único mecanismo que funciona para derrimir os conflitos de carácter político e para exercer uma contínua vigilância sobre os executivos, a instituição parlamentar. É o parlamento, mais do que qualquer outra instituição democrática, que está em crise devido à sua completa incapacidade competitiva com o império mediático e o populismo que ele naturalmente nega. O local onde a democracia se materializa e fala, não é ouvido por ninguém (...).
O parlamento está ameaçado no principio da representação pelas pressões para a democracia directa, para as sondagens permanentes, para o voto pela televisão, pela incomunicabilidade mediática da argumentação em tempo de soundbites. Tudo mecanismos que apontam para uma realidade não democrática, a chamada «democracia directa», tornada possível pelos novos meios electrónicos.
A tentação de voltar ao ágora grego, materializado pelo voto instantâneo sobre issues selectivas, é muito atractiva para um mundo dominado pela emotividade televisiva e educado pelas pseudo e contínuas sondagens de opinião, foruns, sondagens telefónicas, que dão às massas uma ilusão de participação política em tempo real.
(...) A forma moderna mais eficaz de socializar a demagogia em política é o populismo. O populismo ,oderno é essencialmente mediático, vive na televisão e vive de aparecer. A propaganda de um político populista é o número de vezes que aparece seja porque motivo for, dado que o conteúdo não é relevante.
O político populista fornece assim um contínuo com o mundo do espectáculo, com as opiniões do vulgo, com as reacções comuns, tornando-se um factor de reforço da vida política como reality show.
O ideal do político populista é a arena televisiva, onde se confronta com os seus iguais num espectáculo teatral, sob o aplauso das respectivas claques e com os espectadores a votarem em directo".
PEREIRA, José Pacheco (2003): "Futuro, não futuro, futuros", Grande Reportagem, n.º 150, pp. 56-57.

em de-talhe


OUTRA VEZ A LEGITIMIDADE DEMOCRÁTICA DE BUSH

Vem o antigo Presidente democrata dos EUA, Jimmy Carter - agora um destacado observador internacional de processos eleitorais - alertar para aquilo que considera serem procedimentos menos democráticos, sistematicamente ocorridos na Florida. Afirma ele que «as normas internacionais essenciais» não são observadas em tal parte do mundo.

Parece no mínimo preocupante, quando nos estamos a referir à mais velha democracia do mundo, ao modelo democrático que Tocqueville tanto elogiou sugeirndo como modelo a seguir para a Europa. Com todo o respeito, monsieur Alexis, muita coisa terá mudado desde então...

Mas não nos podemos esquecer que foram problemas deste género que levaram à recontagem dos votos após a eleição presidencial que sufragou Bush. O suficiente para o Partido Republicano colocar na Casa Branca o seu candidato presidencial. Qual seria a estratégia do Partido Republicano quando avançou com Bush? Agradar ao pai? Enterrar o partido? Ter lá alguém suficientemente incapaz para que outras forças pudessem governar o país e o mundo? Uma incógnita.
De qualquer modo, ali está ele, incrívelmente posicionado para vencer uma segunda vez. Alguma coisa o fazia prever? Só numa ficção bem ao jeito de Augusto Abelaira, como por exemplo «O Único Animal Que?», a que não faltariam as caixinhas com pulgas e as pastilhas-elásticas para aumentar a mandíbula e levar o cérebro à entropia. Qualquer semelhança com a realidade...

Jimmy Carter bem se esforça... mas como alguns insistem, «a América foi conquistada com armas e é com armas que os americanos se têm que defender». Defender, que é como quem diz, preservar o «american way of life and rule»...

Para concluir, tudo indica que, desta vez, se preparavam para eliminar milhares de eleitores de origem africana, que se posicionariam potencialmente entre o eleitorado democrata. A razão? Actividades criminosas...
Assim vai a democracia americana. Que diria agora Tocqueville? Sérias dúvidas ameaçam o meu vago entendimento...

em de-talhe

ESPÍRITO OLÍMPICO
Brilhante, é como se pode adjectivar a participação paralímpica portuguesa, ou seja, a participação Olímpica portuguesa. Não se pode pedir mais, porque eles já nos deram tudo, como se não bastasse a atitude de campeões e o verdadeiro espírito olímpico que orgulharia certamente Pierre de Coubertin ou encheria de inveja todo o Olimpo.
Apesar de ainda não terem terminado a sua participação nos Jogos Paralímpicos, não posso deixar de expressar a minha gratidão, assim como a profunda admiração que sinto por atletas habituados a viver na adversidade, a ultrapassar obstáculos e a vencer. E vencem, de forma categórica, quer no tartan quer na passadeira quotidiana.
Ontem mesmo, correu-se a final da maratona em 2h44 min, na categoria T11, cegos totais. O português Carlos Ferreira conseguiu a medalha de prata e não se pense que sem suor e lágrimas. O Homem ponderou a desistência, mas uma crença inabalável em si, potenciada apenas pela palavra de incentivo do seu atleta-guia, catapultaram-no para o 2º lugar. Incrível. Sobretudo após vermos Paula Radcliff a sucumbir, desesperada, depois de ultrapassada pelas mais directas adversárias ou a Fernanda Ribeiro a desistir a menos de 2 voltas. Normal? Sim, neste nosso mundo de pseudo-atletas, ditos profissionais (auferir chorudos vencimentos não significa necessariamente profissionalismo, é bom recordar).
No mundo deles, não pode haver desistências, não há lugar a segundas oportunidades. No desporto como na vida, a atitude só pode ser uma.
Quanto a espírito olímpico, estamos conversados, com excepção para um par de atletas portugueses de alta competição que são... excepcionais, pois claro.
Dream team? O «Real Circo de Madrid» é que não é de certeza...

à tout propos (5)

JACK JOHNSON
Um bom amigo presenteou-me há tempos com um CD de música, após me ter mostrado bastante agradado com o som. De facto, não tendo ouvido antes, depressa me identifiquei com o ritmo, os instrumentos e o arranjo literário. Para além disso, o tom de voz é algo familiar e lembra bastante, à primeira, um tal de Ben Harper. Não será um acaso, visto ambos terem feito algumas tournés em conjunto...
O som é bastante bom, fiável e não engana.
Para quem se interessa, aconselho a espiolhar o site oficial http://www.jackjohnsonmusic.com/ e o site de música VH1 http://www.vh1.com/

26 de setembro de 2004

em de-talhe

NOVO SECRETÁRIO GERAL DO PS
Parece que está confirmado e oficioso, o novo Presidente, digo, Secretário Geral do PS já é público. Agora, a esquerda que se cuide com o novo centrão e a aliança que se prepara com o PSD, desde que Santana se dedique novamente ao Sporting, confidenciou-nos fonte credível, mas não digo quem (só se for ao Correio da Manhã ou ao José Vilhena), o PCP desaparece do mapa e a recolha selectiva vai acabar, a bem da co-incineração de tudo o que feder.
Diz que Sócrates terá anunciado após o escrutínio que, no caso de vir a ser directamente eleito Primeiro-Ministro (nessa altura já não haverá nomeações presidenciais do governo e os partidos políticos serão clubes), como se espera, o elenco governativo terá que ser composto por homens belos e mulheres atraentes, ainda que se tenham que vir a recorrer à cirugia plástica. Fica portanto o aviso, marias de belém e ferros rodrigues, só com cartão de cirugia plástica em dia. De outro modo... co-incineração com eles. O PCP desaparece do mapa (são todos feios e não têm recuperação possível) e do BE, só o Louçã se escapa, como entreteiner (além disso, possui igualmente o dom de penetrar no interior das câmaras de tv).
Não obstante e fora de brincadeiras (se calhar o homem vai mesmo a PM), foi extremamente positivo que existissem mais dois distintos militantes em concurso, contribuindo para o debate de ideias entre Alegre e... Alegre; tudo isto enquanto Sócrates continuava obcecado com o aparelho televisivo (do género, mente superior domina mente inferior) e Soares falava consigo mesmo de si, ouvido o pai e consultado o Zandinga.
Aviso importante: a luta só agora começou, que interessa se é com rolos de papel higiénico? A primeira tarefa é arrumar a casa e em matéria de grandes sensações televisivas, não há cá pompa à porta da Assembleia se não for para enaltecer o chefe. Isso de manifestações solidárias com prisioneiros políticos acabou. E em segundo lugar, convidar Paulo Portas (com reservas e só após enquadramento sexual para evitar embaraços), Francisco Louçã, Luís Figo, Bárbara Guimarães divorciada, Cinha Jardim e Zé Maria para integrarem um governo de unidade nacional que proteja o empresariado nacional (a quem devemos muito!) e nos livre dos inaptos, dos incultos e dos pobres, perdão, da pobreza (consta que um em cada cinco portugueses).
O Tino Covilhão, de Rãns, é que se deve estar a rir de tudo isto: o abraço ao Guterres, já ninguém lho tira!
De qualquer modo, o PS está de parabéns pelos militantes que mobilizou, pela disponibilidade interna para o debate e pela lição de democracia.

25 de setembro de 2004

à tout propos (4)

À PROVA DE AMIZADES OU AMIZADES À PROVA

Há dias, desconciliei-me, creio que brevemente, com um amigo após uma breve discussão, rotineira e insignificante. Não interessam aqui as razões. Ambos cuidamos, cada um à sua maneira, das nossas visões das coisas.
Quanto a mim, procuro não perder de vista determinados valores e princípios de orientação, que considero fundamentais e dos quais não quero abdicar. Uma questão de conformidade com tais «faróis», sobretudo quando se trata de posições estritamente relacionadas com direitos humanos e justiça. Muito para além de bem e mal.

Mas, regressando à história, o ponto-chave da discussão foi o momento em que, após esgrimidos argumentos e mais argumentos, saturado de dar explicações sobre algo que considero pouco discutível porque do intímo das pessoas, mandei o amigalhaço às urtigas, que é o mesmo que lhe sugerir que se copulasse, admito, sem pensar muito bem como. Daquelas coisas mecânicas, sem o serem verdadeiramente.
A coisa não lhe agradou, evidentemente, e assim nos despedimos, sensaborões. Cada um às suas, com as não menos suas convicções e apesar do devido reparo da minha parte. Tem a espontaneidade de um homem, destas coisas.


Ora, tudo isto para dizer que, acima de tudo, devo ser honesto comigo e com ele. Em bom rigor, o reparo foi apenas contextual, pois que era exactamente aquele dito que eu desejava naquele momento que ele materializasse, em sentido figurado, pois claro, que de outra forma não creio ser humanamente concretizável. Por enquanto. Afinal de contas, o Darwin também tinha as suas razões.

A questão que se coloca, por ser recorrente em algumas relações de amizade, é a seguinte (e não tem que ser necessariamente homologável a este caso em particular): porque razão teremos por vezes que nos ocupar dos outros e das suas coisas como se fossem as nossas, como se se tratassem de reality shows e não de pessoas?
Não se compreende porque razão é por vezes a amizade tratada de forma indigente como um objecto de consumo permeável a modas, provas a superar, quando não se torna um lugar comum de superiorizações morais pueris ou de aconchego para afirmações de vontade despropositadas. É um desperdício de energia irracional, com tantas coisas onde a(s) empregar... a razão e a energia, evidentemente.
De acordo com a moral (podemos ou não, dar a saber aos outros qual o grau de conformidade aceitável para se entrar no céu), qual será de seguida a atitude mais correcta da minha parte?
Fico preocupado se alguém me pedir para escalar o Everest, mesmo que com oxigénio. Apesar de o BES saber que não há «amigos assim», também não estou muito disponível para contrair empréstimos. Matar um leão com um jovem Masai, também não me parece... os sacrifícios têm limites e os meus, condicionados por experiências passadas, são hoje muito mais curtos...

Como a memória não fala, mas sim a razão...

à tout propos (3)



Aspecto do Anfiteatro da Sorbonne, durante o longínquo Maio de 68. Longínquo tendo em conta os constantes atropelos que, cada vez mais impunemente se cometem sobre os princípios e valores da liberdade e da democracia.
Por paradoxal que possa parecer, não vejo condições para que isto possa acontecer, concretamente em Portugal. E por duas razões: uma boa parte dos estudantes são meros espectadores consumistas; existem hoje tantos cães de regime como há três décadas atrás, e continuam no poder - mais ou menos político.

23 de setembro de 2004

em de-talhe

REGRESSO AO PLANETA DOS MACACOS
Como se dele pudessemos escapar, eis que anuncio um regresso.
Na verdade, a silly season não mais foi do que um período intemporal, «a-histórico», revitalizante, por certo. Todavia, cá temos outra vez a Casa Pia e os heróis do segredo de justiça; um pugilato mediático-político revigorante, embora caduco, dentro do PS; a musculatura triunfal da gestão americana no Iraque, assim como os «raciocínios-bomba» bushianos,etc. etc.
Em bom rigor, temos mais do mesmo e até se descobrem novidades, como a condução do sistema em que assenta a educação em Portugal, mais a falta de respeito endémica pelos portugueses, sejam eles pais, professores ou alunos.
Isto soa um pouco a eterno retorno mas existem dados novos que deitam por terra essa aspiração dos menos convencidos. O Benfica vai em primeiro, as «women on waves» regressaram da pescaria à doca de Roterdam, o Bibi deixou de ser um homem solitário no seu processo, pela primeira vez Santana Lopes discursou na Assembleia Geral das ONU, pela primeira vez os nossos atletas nos Jogos Paralímpicos receberam ajuda para os ténis, etc, etc.

Em suma, temos um país dinâmico que não pára, está em movimento, towards sustainability, como é da moda. Mais, temos uma população mobilizada em torno das grandes questões, atenta ao desempenho (excelente do governo, diga-se de passagem) dos nossos governantes eleitos. Mais ainda, considero inacreditável quando se levantam vozes a colocar em causa o nosso querido torpor, afinal, o garante do nosso way of life.

Uma confissão: o que mais gostei de "O Planeta dos Macacos" foi o final pois é feliz. Nós somos aqueles e podemos dar-nos por muito satisfeitos....

31 de agosto de 2004

em de-talhe

LIÇÃO 1

A propósito da polémica do «barco do aborto» e do estoicismo com que o Sr. Ministro da Defesa e das Caravelas põe termo a um esboço de discussão democrática...

Ora bem, creio eu (com alguma dose de fé) que uma das noções clássicas de Estado de Direito aponta para qualquer coisa como circunscrição territorial com fronteiras definidas, com uma população residente (portanto mais do que uma pessoa ou família), seguindo uma ordenação jurídica que normatiza a vida em sociedade (para além dos mores e de todo o complexo axiológico, evidentemente). Isto, entenda-se, mais coisa menos coisa, evidentemente.
Acrescem as ideias/princípios de reflexividade, participação e liberdades, inerentes a um conceito de democracia, que apenas por razões funcionais e pragmáticas (entenda-se aqui que se considera mais que um indivíduo, a quantidade de unidades de carbono que constituem a tal população), faz apelo a um modelo de representatividade ao invés do clássico Governo do povo, próprio de uma democracia directa. "Somos representantes, sim, do povo", convém não esquecer.
Ora, apesar de tudo o que referi ser discutível (apesar ser pretensamente do domínio público), parece-me que até nem andarei excessivamente distante, eu, um simples e curioso cidadão que pouco mais fez na vida que passar férias (embora também gostasse de assumir cargos públicos de relevo). Nesse caso, se assim é e o reconhecemos como tal, não será no mínimo absurdo se me insurgir por exemplo, contra os "touros de morte" e quando um seu defensor prepara os seus discutíveis argumentos, eu rematar com "a questão está encerrada, não se fala mais do assunto, ganhei"? A mim, soa-me estranho. Noutros tempos, atitudes como esta eram imediatamente sinalizadas...
A mim, ninguém me questionou sobre brincar aos soldadinhos de chumbo ou à batalha naval com traineiras de um lado e bacalhoeiros do outro. Mas gostava de ter podido dar a minha opinião ou no limite e caso se proporcionasse, dar uma voltinha no bacalhoeiro e atirar pedras às hereges...

24 de agosto de 2004

os deuses também já foram homens

"E eu, cujo espírito de crítica própria me não permite senão que veja os defeitos, as falhas, eu, que não ouso escrever mais que trechos, bolados, excertos do inexistente, eu mesmo, no pouco que escrevo, sou imperfeito também".

Soares, Bernardo (2001): Livro do Desassossego, Lisboa, Assírio e Alvim, p. 115.

3 de junho de 2004

à tout propos (2)

EXPRESSIVIDADES CONTEXTUALIZADAS
Ao enveredar por este tipo de expressão cibernética, não posso esquecer outras formas de expressão de afirmação de uma individualidade, e por sinal se tornam para mim menos aliciantes, constituindo-se como pontos de auto-flagelação típica de um peixe sem guelras.
Falo, evidentemente do falar em público. Acontece que existem variadíssimas formas para falar em público. Ocupar-me-ei de duas apenas e que reflectem uma tipologia bastante simples:
1. Falar para audiências amigas;
2. Falar para audiências hibridas;
3. Falar para audiências hostis;
Concerteza que esta simplicidade não tem continuidade real pois que a realidade assume uma plataforma de multicausalidade que passa pela segurança, motivação, à vontade com o tema, satisfação de necessidades fisiológicas, etc, etc.
Quanto a mim, normalmente fico inibido quando tenho plateias de pessoas desconhecidas, ilustradas e/ou arrogantes. Creio que sucederá com uma grande parte das pessoas. Agora, se numas situações estamos em condições de devolver a arrogância, adoptarmos uma postura de superioridade ou ignorar os presentes, em outras circunstâncias tal poderá não ser sequer ponderável. Os prejuízos poderão ser imensos e manifestar-se a partir da tradicional «branca» ao vexame... Já vi ambas as situações, felizmente nunca passei por nenhuma.
Por outro lado, é extraordinário como alguns indivíduos conseguem elaborar um discurso vazio de conteúdo, desconexo, por vezes troglodita, sem que ninguém ponha em causa. Na política temos aos magotes, é certo. No próprio governo. E nós, quedamo-nos.
Talvez me tenha acontecido também a mim, sempre que me dirijo a pessoas, seja num colóquio ou numa reunião de trabalho. Talvez as pessoas não se estejam para se incomodar e pensem apenas: «este gajo....humm». E não pensem em mais nada, deixando as considerações críticas para um próximo que entre.
Assim, para os que não estiveram no dia 27 de Maio de 2004 no Colóquio «Globalização: Desafios Políticos, Jurídicos, Económicos e Culturais», sugiro que se dirijam a www.actae.uevora.pt e acedam a Working Papers.
Existe aqui um espaço para comentários, logo...

23 de outubro de 2003

os deuses também já foram homens



SLAVA, O PALHAÇO

Ontem, Sábado (11 de Outubro), tivemos a oportunidade de ter uma experiência bela, diria mesmo, quase pura do ponto de vista das emoções básicas. O globo deteve a sua marcha a partir do momento em que a substância dos nossos corpos se metamorfoseou numa espécie de matéria sensível ao dar entrada no Grande Auditório do CCB. Confesso que me mostrei um pouco céptico antes de entrar, apesar das referências. «Ver palhaços na palhaçada» não é bem o meu forte pois, para além do humor duvidoso, cheira demasiado ao campo circense, pelo qual não nutro especial afeição... Porém, duas horas depois, não podíamos ser, de forma alguma, as mesmas crianças.

Ora bem, Slava não é certamente um palhaço qualquer, de acordo. Nem o seu espectáculo é um simples número de magia à Luís de Matos. Slava's Snow Show é muito mais que um espectáculo com palhaços. É a arte da mais fina representação num encadeamento dramaturgico levado ao extremo no que respeita a emoções.
O espectáculo é tal forma brilhante que toda essa teatralidade é levada quase à perfeição, conduz-nos pela beleza das formas, despista-nos pelo deslumbramento causado pelas milhentas luzes, dos cenários inteligentemente concebidos, as explosões pirotécnicas, a música, meticulosamente seleccionada, que nos envolve e absorve.

Portanto, nem Slava é apenas um palhaço nem o seu espectáculo apenas um show, certo? Na verdade, esta questão ganha contornos de problematização conceptual, obrigando-me a ser tão preciso quanto me seja possível: tratou-se, ontem, de «Slava e o seu show».
É impressionante como a intensidade dramática (a que não faltam imensos momentos de comédia, humor e poesia) agiganta-se até atingir um climax muito particular com surpreendentes explosões de música, cor, alegria, sofrimento, drama, hilariedade. E a magia, muita magia, que se espalhou por toda aquela plateia...

Há 3 ou 4 cenas particularmente bem conseguidas: primeiro, quando serenamente, um dos palhaços evolui no palco manobrando uma linda bola cheia de ar, com uma varinha, fazendo-a permanecer adoravelmente suspensa, como se fosse um astro. Neste caso, a cena é magnífica por duas razões: a apaixonante expressão corporal do «palhaço» (que aparece na foto em cima) e os jogos de luz, encimados pela riqueza musical envolvente, dramaticamente envolvente.

Outra cena inolvidável porque crucial, ocorreu no intervalo, durante o intervalo: 4 «pinguins» espalharam deliciosamente o caos nas primeiras filas da plateia. Trocaram pertences às pessoas, regaram-nas com água, «raptando» inclusive uma rapariga da assistência que acabou por fazer parte do espectáculo. E aqui começa a manifestar-se toda a inteligência e sensibilidade do demiurgo ao romper com os «tempos mortos». Prova provada que a razão só faz sentido existencial em harmonia com a sensibilidade e vive-versa.

Há uma outra cena impressionante, na qual se continua a preparar o que está por vir. Slava enrola-se pateticamente em teias de aranha, durante a «faxina». As teias caem sobre Slava e alastram fulminantes à plateia, que se vê obrigada a passar metros e metros de «teias» para trás, de braços no ar em intenso frenesi... O efeito é belo: a imensa plateia do Grande Auditório eleva ao alto um emaranhado de braços sem fim, ansiosos por fazer passar o enredado volume de teias, que nos cobre de fantasia.

Finalmente, Slava, o palhaço, debaixo de uma chuva de neve que se transforma numa violenta tempestade. A encenação é fantástica, Slava é fabuloso. Contra ventos fortíssimos que silvam sem se deter, Slava, o palhaço, tenta a custo manter-se erecto, lutando contra a tempestade. Estes ventos que varrem a neve do palco e a projectam para as pessoas, que com algum custo mantêm os olhos abertos, certificam que o público está com Slava no seu tortuoso caminho, em plena tempestade. Os elementos estão presentes, os nossos sentidos também...

O público, a assistência, vai acompanhando sensorial e activamente o espectáculo, que entretanto vê o seu fim chegar. Entretanto, as pessoas saltam como molas das cadeiras para homenagear os artistas num comportamento absolutamente reagente. As palmas ecoam ruidosamente no grande espaço. Palmas, assobios e generalizada emoção.

O espectáculo terminou. Terminou? Antes que alguém se lembrasse de confirmar as palmas das mãos vergadas pelo exercício inesperado, já enormes e «pesadas» bolas tocam, vindas do céu, o sonho em nós. Bolas com 3 metros de diâmetro que nos transportam por múltiplas dimensões das nossas efémeras existências e nos transformam.
A plateia está ao rubro, todos querem ansiosamente tocar nas bolas, projectá-las para a frente, para os lados, para trás. Eu e ela, não trocamos olhares e sabemos. Sabemo-nos e ansiosamente fixamos as bolas, na esperança de alguma nos tocar, suavemente, como um beijo de ternura. A ansiedade dá lugar à angústia, dificilmente alguma bola encontra o nosso caminho, dada a inclinação da plateia. Uma passa bem perto mas não se detém na sua marcha…

Lá à frente, tudo na mesma: todos são iguais, todos são crianças.

Slava senta-se no palco e observa a sua peça, observa-nos enquanto o ignoramos. As bolas...
Todas são iguais, todas somos crianças e, Slava sabe disso. Por isso permanece sentado, observando apenas.
Eis que uma se aproxima, ela é criança, eu sou criança, Slava sabe disso e nesse momento, todos somos felizes.

As crianças exultam, pais, filhos, avós e… nós. Slava sabe-o e por isso é feliz também, acompanhando-nos com o seu olhar experiente. De missão cumprida.

Eu e ela, movidos pelo mesmo destino e pela mesma vontade incerta, acercamo-nos finalmente do palco. As bolas já são somente meros adereços. Nesta altura, dispensáveis. Os corações apertam e sem o dizerem, sabem porquê. Slava também.

Ele está rodeado, dá autógrafos, dispensa sorrisos às crianças e seus filhos e netos. E nós.
Nós somos também, e Slava sabe que o somos, conhece os nossos desejos. Slava já o sabia e por isso escolheu aquele local para descansar, no mesmo local privilegiado de onde tudo se pode ver, de onde se pode assistir àquele maravilhoso e comovente espectáculo.
Naquela fracção de momento, ela e eu fomos os personagens principais, caminhando discretamente e, naquele momento, voámos. Naquele preciso momento em que Slava nos olhou pela enésima vez, agora no fundo da íris e tocou com a dele, as nossas mãos.
Aí terminou finalmente o que estava. As palmas, guardamo-las nos corações.


à tout propos (1)




SLAVA'S SNOW SHOW



22 de outubro de 2003

em de-talhe

DA SEPARAÇÃO DOS PODERES: UM PRA MIM, UM PRA TI
Experimentalismo político com repercussões sociais, num cerrar de fileiras unidimensional: pode ser muito perigoso, não só para as instituições democráticas como evidentemente para os que acreditam nelas e apesar de tudo tenho conhecimento de diversas pessoas que acreditam... quanto a outros, tenho dúvidas. Não era este caos em forma de caldeirada de peixe do mar que Montesquieu postulava quanto à separação de poderes, e que muitos seguidores pretensamente tem; ou assim se esforça por mostrar muito desse peixe. Na verdade, é de tal ordem nebulosa a caldeirada que não se percebe de quem é este rabo ou a que trucidado organismo corresponde aquela barbatana...
Isto a um nível, porque a outro é a total, hipocritamente limpinha apresentação da caldeirada, com salada a acompanhar e tudo.
É escandaloso vê-los defender o normal funcionamento das instituições enqaunto nos bastidores, apagadas as luzes, tudo vale. E claro, com as rémoras deliciosamente manipuladas e manipuladoras, assumindo-se como medium privilegiado na digestão de toda a porcaria. Claro que os dejectos são depositados no ambiente, que os consome avidamente.

em de-talhe

LA PIOVRA
Bom dia! Diz que os deuses também já foram homens... Não sei se acredite. Tudo me faz pensar que sim, ou fazia, até há bem pouco tempo. Curioso como as circunstâncias nos transmutam as ideias, ferem os valores e alteram as disposições. Como poderá um discurso presidencial pôr termo à escumalha e à porcaria que atentam contra a nossa ténue e ainda vulnerável democracia? Fala-se de cabalas políticas, maquiavelicamente engendradas por uns quaisquer sub-sectores da nossa sociedade pseudo-civilizada. Quanto a mim, a grande cabala é contra o povo português e contra os valores democráticos.
Quanto aos deuses, se são afinal homens ou se pelo contrário foram estes últimos «endeusados» por uma força obscura, talvez o melhor seja soltar todos os demónios ou então deixar ser o nosso amado povo tratar do assunto... Justiça? É uma série apresentada num dos magnânimos e omnipotentes canais televisivos portugueses ou será afinal um dos objectivos definidos no respectivo Código Deontológico? Mas a justiça não é uma instituição que serve para ajudar os políticos a fazer o bem? não? Sempre pensei... Aliás, sempre pensei que o nosso sistema judicial tivesse como magistrados um político, um jornalista e uma varina... em que o político tem direito de veto...
A vergonha aí está e a nuvem, invariavelmente negra impede a distinção entre o metafísico e o humano... Como quase sempre...

os deuses também já foram homens

BOAS VINDAS
A quem vier por bem... aos outros, também! Aqui não há cá privilegiados nem filhos de ministro, somos pela democracia e como tal respeitamos e encorajamos os ângulos de visão de déspotas, tiranos, pacifistas, negros, vermelhos, azuis, nacionalistas, comunistas, homossexuais, padres, advogados, pedreiros, prostitutas e até de médicos.
Como neste momento anda toda a gente ocupada com o seu blog, espaço de afirmação intelectual, artística, estética, presumo que ninguém terá tempo para olhar para fora. Será primavera? A que cheira o rosmaninho? Qual a tonalidade da água? Não é preocupante, limitamo-nos a sobre-viver...
In Tenui Labor, uma expressão de origem latina e pretende significar que «as obras delicadas exigem trabalho» (Virgílio, Geórgicas, 4, 6) e é desse modo que nos pretendemos conduzir, seja aqui, seja lá fora. A satisfação plena não existe a não ser como etapa para algo perfeito, absoluto, sublime, impossível! Mas é esse desiderato que nos inquieta e nos move, convictos de alguma coisa poder mudar.