6 de dezembro de 2004

à tout propos (68)

NOVA NOVELA
Segundo parece, preparamo-nos para nova novela a exibir em todos os canais televisivos, rádio e jornais. É portuguesa, com actores portugueses e o argumento também é nacional. Já andava a ser preparada há cerca de duas décadas, portanto, tem que ser boa... Acho que se chama "Camarate" e conta a história de uns tipos vulgares que se meteram no avião enganado e depois a coisa deu pró torto porque havia um que era terrorista e o outro não gostava de canja. É uma coisa do género. A não perder.
Mas, por um lado, surje em boa altura porque a Quinta já deve estar quase no fim. De um outro ângulo, o momento não é o melhor uma vez que já aí tinhamos as eleições legislativas e a conclusão do processo Casa Pia. É sempre assim, até parece que é para desviar a atenção...
Mas não nos podemos queixar, nem nos precisamos de mexer para termos tudo à mão e de borla. É pena só darem aquilo que querem...

5 de dezembro de 2004

em de-talhe



O DILEMA DE PAULO PORTAS
«Mando ou não uma fragata para Belém?»

à tout propos (67)



Calvin, a inspiração de Sampaio...

à tout propos (66)



Calvin, a inspiração de Santana Lopes...

à tout propos (65)

100 APITOS DOURADOS TEM UM ANO
O que havia de dar agora à PJ? Com franqueza... qualquer dia também se põem a investigar a fuga ao fisco. Era só o que mais faltava. Ia o país quase todo dentro. E eu abriria uma fábrica de «baldes higiénicos», uns amarelos e azuis, outros laranja...
A propósito de assuntos escatológicos, é curioso notar como Santana Lopes discursava na Póvoa do Varzim, defendendo a luta contra a fraude fiscal. Timidamente, houve três ou quatro corajosos que aplaudiram, muito embora não tenham com que se preocupar uma vez que já aí estão as eleições à porta e por vezes é necessário dizer destas alarvidades...
De regresso ao que nos trouxe, a PJ já está a ir longe demais com esta história, está a exceder as suas competências e a pôr em causa o nosso portuguese way of life. Ah pois... É que se a América é uma land of opportunities, Portugal também não deixa de ser uma terra cheínha de oportunidades: se o american way of life inclui o Chevrolet, o Macdonalds e o Michael Jackson, nós por cá temos a sandes de couratos, o Emanuel e a fuga ao fisco, esta última, uma verdadeira instituição nacional que vem reforçar a ideia de oportunidade... Se não fosse este expediente, que outra forma teriam os portugueses para andar de Audi's e BMW's, enobrecendo as estradas poruguesas? Sim, como é que poderíamos vestir Boss ou Yves Saint Laurent, ter dois ou três moldavos a fazer as tarefas domésticas ou passar dias inteiros em shoppings, fazendo de conta que é natal todo o ano?
Nestes termos, não de compreende porque razão querem levar ao banco dos réus alguns árbitros, apenas porque lhes terá sido paga pelo FCP uma noite nas meninas. E depois no Verão ainda vêm com essas tretas de receber bem quem nos visita. Se um tipo pretende receber bem uns desgraçados que vão da parvalheira apitar ao Porto, é logo levado a tribunal. Ainda por cima, por incentivar actividades tradicionais que já se vão perdendo. Qualquer dia, já nem se podem dar gorjas... Já nem às p.... se pode ir em descanso!
E se há pessoa que não merecia isto era Pinto da Costa, pelo bem que tem feito ao futebol português...
Não sei o que terá o Ministério Público em mente mas não creio que se consigam arranjar, assim de repente, quatro ou cinco milhões de vagas nas cadeias portuguesas...

à tout propos (64)

11 DE SETEMBRO

Passados 3 anos, continuam as conjecturas sobre o 11 de Setembro. Desta vez, põe-se em causa se terá realmente o Pentagono sido atingido por um avião... ou outra coisa qualquer, eventualmente um míssil.

4 de dezembro de 2004

em de-talhe

PRÉ-CAMPANHA ELEITORAL
As hostilidades já começaram, PSD e PS deram o mote do que será a campanha... Concerteza a roçar a medicocridade, como de resto nos já habituaram as precedentes. Uma sugestão: que não se delapidem escandalosamente os recursos do Estado como é frequente, ok?
Entretanto o Primeiro-Ministro já perdeu a pose, se alguma vez a teve e mesmo considerando todas aquelas circusntâncias em que colocou um ar sério e responsável. Ontem mesmo, na Póvoa do Varzim, Santana Lopes demonstrava uma vez mais por que razão não foi talhado para a missão que Durão irresponsavelmente lhe ofereceu em bandeja dourada. O sentido de Estado e ponderação são qualidades que devemos facilmente identificar nos governantes. Ao atacar furiosamente o Presidente da República, Santana não só contrariou o que dissera Quarta-Feira à saída de Belém, como o fez enquanto Primeiro-Ministro de um país. Bem sabemos que não é um Primeiro-Ministro eleito pelos portugueses, mas isso não lhe dá o direito.
Mais, a Assembleia da República não foi formalmente dissolvida e ao Presidente da República só é admissível fazê-lo depois de ouvidos os partidos e o Conselho de Estado, como é bem explícito nos artigos 133º e 172º da Constituição da República Portuguesa) . Mais ainda, o Presidente da República só se deve pronunciar, obviamente, após o processo estar concluído.
Importa de facto, saber quais as razões que levaram Sampaio a «desencadear os mecanismos» - audiência com os partidos e Conselho de Estado - que conduzem à dissolução da Assembleia da República, mas a seu tempo serão reveladas e todas as justificações reclamadas por Santana Lopes serão satisfeitas. Quer lhe agradem, quer não.
Se «deu» ou não alguma coisa ao Presidente entre Terça e Quarta-Feira, é irrelevante. Não é irrelevante se devia tê-lo feito antes de Terça-Feira ou depois da aprovação do Orçamento Geral de Estado, se há quatro meses atrás ou esperar por nova trapalhada.
Também é importante esclarecer de quem foi a iniciativa da conferência de imprensa dada pelo Primeiro-Ministro a anunciar a intenção da dissolução da AR: se foi da iniciativa da Presidência ou do governo, ou de ambos.
FInalmente, depois de tudo o que se disse, depois do descrédito junto dos portugueses, Santana Lopes julgará estar a encarnar Cavaco Silva em 1987? Se há coisa de 4 ou 5 anos quis abandonar a política queixando-se de assassinato político, agora é ele quem atenta contra si mesmo, cometendo suicídio político. Em coerência com o que se passou naquela época, também agora devia solicitar uma audiência ao Presidente da República para debater se abandone ou não a política... só neste país.
Para já, é à custa do Presidente da República e dos seus opositores internos que Lopes vai fazendo a sua pré-campanha. O martírio começou e o caminho é já bem conhecido por Lopes.

2 de dezembro de 2004

em de-talhe

AINDA O CONGRESSO DO PCP
No Sábado, quando um dos chamados renovadores - o autarca alvitense Lopes Guerreiro - subiu ao palanque para discursar, já a bem instruída JCP estava a postos. Para o que desse e viesse. Esse texto, também lido em representação do Presidente da Câmara de Redondo, Alfredo Barroso, não era um texto demasiado heterodoxo ou radical, à luz dos padrões democráticos por que me guio, evidentemente.
Tive acesso ao documento na sua versão integral e pelo que constatei, a sua «heterodoxia» residia simplesmente no facto de ter sido produto de uma reflexão crítica, logo, um documento herege à luz das orientações do Comité Central, cujos autores estavam identificados e importava abater. Assim sucedeu.
Quando Lopes Guerreiro vai no segundo ou terceiro parágrafo, já a verve dos imberbes imbecis afinadamente e em uníssono era descarregada sobre os dois homens que têm a ousadia de dizer que será talvez, cinzento... Ou seja, que têm a ousadia de pensar, de reflectir.
Choveram inclusive insultos, a grande maioria, proveniente de pueris e ignóbeis criaturazinhas que berram as palavras «25 de Abril» até à exaustão, sem terem a noção do que significam para aqueles que estiveram realmente lá. Agora, quanto muito, podem ser glorificantemente detidos por atacar o Macdonalds, sabendo perfeitamente que na prisão, têm garantias e direitos... Mas os insultos não foram somente proferidos por essa gentalha treinada para o efeito...
Entretanto, a parte hilariante e simultaneamente decadente guardei-a para o fim...
Desde o primeiro momento, Lopes Guerreiro e Alfredo Barroso são insultados e apupados, de forma organizada. Sucede porém que o primeiro terço do texto não é mais que uma citação, cuja revelação se dá evidentemente no final da mesma: é citada, ipsis verbis, uma moção saída do XIII Congresso do PCP, de Maio de 1990, na ressaca da dissolução do bloco de leste, que afirma a necessidade de mudança, a necessidade de adaptação às novas realidades em face de um modelo que fracassara. As pessoas não estavam lá para ouvir o que os dois autarcas tinham para dizer, estavam apenas para ostracizar quem não se revê na obsolescência do século XIX. É este o princípio democrático do comunismo português, é este o contributo que o PCP tem a dar à sociedade portuguesa.
Preocupados com as directrizes recebidas, os jovens ignorantes apupam o próprio XIII Congresso, vilipendiam nada menos do que Álvaro Cunhal (Secretário-Geral na altura).
Volvidos 14 anos, o PCP apresenta-nos inelutavelmente a sua regressão de três décadas.

em de-talhe

A IMPERMEABILIDADE DO CAPOTE
Hoje, quando instado a pronunciar-se sobre a «crise» aberta pelo próprio governo português (apesar das sucessivas recusas em comentar política interna, demarcando-se o melhor que convém), José Durão Barroso diz mais ou menos o seguinte: «quando decidi aceitar a presidência da Comissão Europeia, fi-lo no pressuposto da garantia de estabilidade».
Pois, pois... Se calhar fui eu que virei as costas a um mandato em nome de ambições pessoais, se calhar fui eu que impus a Jorge Sampaio a condição de aceitar a maioria, ameaçando com a estabilidade governativa e política, que faz a menina dos olhos do Presidente.
Agora, é vê-lo a sacudir a água do capote, como se não conhecesse de antemão Santana Lopes, o tal com quem se incompatibilizou durante anos. Grande entalanço...

1 de dezembro de 2004

à tout propos (63)




Bartoon, 1 de Dezembro de 2004

à tout propos (62)



ÍCARO LOPES

Dizia Santana Lopes, imediatamente após ter perdido o congresso para Durão Barroso (creio que no XXIII, em Viseu), que estaria escrito nas estrelas a sua investidura como Primeiro-Ministro. Não se enganou, apesar de não ter sido da única forma legítima, eleitoralmente. Ao que parece, também estava inscrito do outro lado da estrela, que quanto maior, pretensiosa, narcisistica e desmedida a ambição, maior a queda...

30 de novembro de 2004

os deuses também já foram homens



Bonheur de vivre, Henry Matisse, 1905-06
BORDA FORA
Finalmente, parece que regressou alguma da normalidade às instituições democráticas deste país. Sampaio, o Presidente, decidiu corrigir o imbróglio por si criado, na forma de mediocridade aventada aos portugueses. Um dos poderes «capitais» foi usado no interesse de Portugal, não havia outra solução para este mal que se instalou nas instituições, que minou a Administração e a auto-estima dos portugueses. A Assembleia da República foi dissolvida! Parece que algum do bom senso regressou a este país que aos poucos era inundado pelo lodo, se descredibilizava, se afundava.
Dentro de dois meses teremos um governo com legitimidade democrática, seja ele qual for, proveniente de que partido for. Aí sim, quem sair vencedor terá toda a legitimidade eleitoral e política para governar a quatro anos.
Fora algum messiânismo, que regressem os competentes, que regresse a democracia!
PS: despeje-se estes para a Quinta!

em de-talhe

INCAPACIDADES
O que é preciso que um homem desesperado faça, para mostrar ao Sr. Presidente da República, a situação indecorosa, dolorosa e angustiante em que este o meteu? O homem continua aos pulos em frente a Sampaio mas este parece não atender a pedidos...
A este ritmo, só isso pode explicar a trapalhada total, assim como o consenso alargado entre variados sectores da sociedade civil (só no futebol é que não...) em afastar este elenco governativo ilegítimo (do ponto de vista simbólico) que apenas leva 4 mesitos de governação.
Se até entre o próprio partido - após 4 singelos meses cheios de grandes momentos, é certo - se levantam vozes de enorme contestação, vozes de notáveis do partido... como não hão-de os outros, insatisfeitos e incrédulos, pôr em causa tudo o resto? Passados somente 4 meses, há um ministro que se demite, acusando o 1º Ministro de mais ou menos o mesmo que traição. Devo recordar que acusações deste calibre são inéditas e reveladoras do mínimo dos mínimos de sentido de Estado? Ou não, espelham o normal funcionamento das instituições? A ser assim, a normalidade deste país são as patologias dos outros, sejam mais ou menos desenvolvidos... Mas isso só não vê...
Também não é por acaso que surge a mais recente sondagem de opinião, com estes resultados demolidores, apurados, porventura, pelo melhor centro de sondagens que por cá vai havendo: o Centro de Sondagens da Universidade Católica. Tecnicamente irrepreensível, os resultados da sondagem reflectem todo o descrédito do governo junto dos portugueses e no momento em que foi realizada nem o «grito do Ipiranga» lançado por Cavaco nem a demissão de Henrique Chaves constavam do rol de asneiras; e nem a fábula parturiente, própria de um chefe de governo. Estas passaram a figurar pouco depois (ver http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1209650&idCanal=21).
A esta hora, Sua Exa. o Presidente da República já muito dificilmente ficará bem na fotografia, independentemente de sorrir para a câmara ou de fazer duas cambalhotas em fast forward. Parece um martelo pneumático a furar sem cota de profundidade definida. E desde o início que essa tarefa era previsivelmente, árdua. Tão árdua como ficar bem na mesma fotografia que Bush, Sharon, Bin Laden, José Eduardo dos Santos, Fidel Castro, Milosevich, Nino Vieira, Valentim Loureiro, Avelino Ferreira Torres, Vale e Azevedo, etc., etc.
A «obra» desorçamentada da Figueira assim como os 118 milhões de euros de Lisboa não chegam? Para a mais alta figura de um governo cuja imagem de marca deve ser a credibilidade, a idoneidade? É de obras dessas que o povo gosta e os políticos oferecem, obras desrespeitadoras do meio ambiente, do ordenamento do território, dos contribuintes, e que ainda são beneficiadas com o Programa Pólis (feito à medida do benefício do infractor). As pingas dessa urina calharam em cidades como Évora, com todos os custos inerentes a quem deu a mínima utilidade a instrumentos como o PDM, sem oferecer o património em bandeja de ouro aos patos bravos (como sucede quase sem excepção em todo o litoral e não só). É essa a paga! E bem se pode ver como o dinheiro não compra beleza e muito menos qualidade de vida!
O Dr. Jorge Sampaio tem toda a razão quando alude à estabilidade política como factor crucial para a consolidação da estabilidade e crescimento económicos. Não é novo, vem em todos os manuais de ciência política e economia, é perfeitamente banal.
Mas, o que fazer, quando o principal foco de instabilidade tem a sua génese no próprio governo?
PS: Amanhã é comemorada a restauração da independência. Proponho que invadamos Espanha e nos mudemos para lá, se os espanhóis nos quiserem. Em alternativa, mandem essa gente toda prá Quinta! Já lá estão alguns...

29 de novembro de 2004

A Água

Meus senhores eu sou a água
que lava a cara, que lava os olhos
que lava a rata e os entrefolhos
que lava a nabiça e os agriões
que lava a piça e os colhões
que lava as damas e o que está vago
pois lava as mamas e por onde cago.

Meus senhores aqui está a água
que rega a salsa e o rabanete
que lava a língua a quem faz minete
que lava o chibo mesmo da raspa
tira o cheiro a bacalhau rasca
que bebe o homem, que bebe o cão
que lava a cona e o berbigão.

Meus senhores aqui está a água
que lava os olhos e os grelinhos
que lava a cona e os paninhos
que lava o sangue das grandes lutas
que lava sérias e lava putas
apaga o lume e o borralho
e que lava as guelras ao caralho

Meus senhores aqui está a água
que rega rosas e manjericos
que lava o bidé, que lava penicos
tira mau cheiro das algibeiras
dá de beber às fressureiras
lava a tromba a qualquer fantoche e
lava a boca depois de um broche.

"A Água", de Manuel Maria Barbosa du Bocage.

28 de novembro de 2004

à tout propos (61)

AS FRASES DOS OUTROS
Após o Cisma finalmente despoletado por Aníbal Cavaco Silva no Expresso de ontem, o fim-de-semana ganhou a animação que qualquer fim-de-semana deve ter para quem trabalha e não se contenta com o Canal Odisseia, as idas ao Colombo ou com o mau estar provocado pela animada noite anterior. Desde já, manifesto os meus agradecimentos ao Sr. Professor.
Já agora, dizia ele o seguinte: «é chegado o momento de difundir na sociedade portuguesa um grito de alarme sobre a tendência para a degradação da qualidade dos agentes políticos» apelando para a urgência de os agentes políticos competentes afastarem os incompetentes.
Em bom rigor, ninguém pode ficar indiferente a esta tomada de posição, justamente vinda de um ex-Primeiro Ministro, ex-líder do PSD. Inclusive Mário Soares, Freitas do Amaral entre outros já vieram a terreiro corroborar a opinião do Professor. Porque será, Lopes? E a crítica não remete unicamente para os membros do actual governo, não senhor... E nos outros órgãos de soberania? e nos outros partidos políticos?
São inúmeros os exemplos, a crítica já é anedótica e a pressão será insuportável, mas são eles [governo e Durão Barroso] e o Dr. Jorge Sampaio, os responsáveis pelo tombo que Portugal está a dar, inclusive com gracejos por toda a Europa.
Ficam mais três deste fim-de-semana:
"Para Pedro Santana Lopes, honra lhe seja feita, a amizade é um posto. Hoje, dadas as circunstâncias, é um posto de ministro ou de secretário de Estado" (Nelson Veiga, A Capital, 27-11-04);
"Morais Sarmento juntou ao que já tinha os Assuntos Parlamentares. A química entre os membros do Governo foi notável: Gomes da Silva nem protestou, Sarmento nem agradeceu" (Luís Filipe Borges, A Capital, 27-11-04);
"Cavaco apela, então, ao regresso «à vida política partidária de pessoas qualificadas, dispostas a servir honestamente a comunidade». O condottieri está pronto. Sigamos o cherne. E quanto a Lopes, paz à sua alma." (Ana Sá Lopes, Público, 28-11-04)
PS: entretanto Henrique Chaves, o amigo de longa data que Santana recrutou para seu escudeiro, demitiu-se do cargo de Ministro do Desporto, Juventude e Reabilitação, acusando o primeiro-ministro de falta de "lealdade e verdade". http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1209532&idCanal=34.
«Quem tem o poder para o fazer, que acabe de uma vez com esta fantochada!» (ARV, www.intenuilabor.blogspot.com, 28-11-04)

em de-talhe

REFERENDO CONSTITUCIONAL EUROPEU
Já é oficial, a pergunta a submeter em referendo para aprovação da Constituição Europeia, é a seguinte:
Concorda com a adesão de Portugal, Alentejo, Açores e Ilhas Selvagens à Constituição Europeia (a elaborar por um grupo de amigos do Sr. Dr. Pedro Santana Lopes), com a carta dos direitos fundamentais do hemisfério norte, com a regra das votações por maioria qualificada - excepção às votações por maioria simples e às nomeações votadas no interior dos partidos políticos actualmente no poder - com o principio do «primeiro já cá estavam os brancos», com o novo quadro institucional da União Europeia, com o direito à vida, no quadro da afirmação da diáspora portuguesa no mundo e sem deixar de depender financeiramente da União Europeia e na afirmação da nacionalidade e da pêra rocha?
Fontes próximas do Primeiro-Ministro adiantam que o governador se debruçou pessoalmente na elaboração da pergunta, a meio de um jantar com uma amiga da linha de Sintra, assumindo uma vez mais o seu aguçado sentido de Estado. A confirmar-se esta informação de última hora, é nosso dever louvar iniciativas deste género em que membros do governo demonstram todo o empenho, rigor e denodo no exercício das suas funções. Ao que parece, Paulo Portas, ministro do mar salgado e das alforrecas, terá ajudado pelo telefone, com as virgulas e os artigos indefinidos, sinal de que a coligação está no bom caminho e para durar.

em de-talhe

PRIORIDADES...
A capa da edição impressa do jornal Público de hoje é esclarecedora quanto ao XVII Congresso do PCP e à «eleição» no novo líder. A linha editorial deste jornal optou por dar destaque a uma entrevista com Pinto da Costa na Pública, em detrimento do pretenso maior acontecimento político-partidário do fim-de-semana.
Bem vistas as coisas, parece ser bem mais interessante dar a conhecer mais algumas facetas da vida do dirigente desportivo do que de um partido à deriva, encastado nas obsoletas categorias da luta de classes, do proletariado e da opressão do capitalismo.
Não é de estranhar, porque pelo menos, os interesses de um clube de futebol são salvaguardados, enquanto os da sobrevivência do PCP parecem, por todos os meios, cristalizar num eterno futuro sem termo que só uma minoria alienada entende.
Ah, já agora, quem diria que seria Jerónimo de Sousa o eleito entre os eleitos? É com enorme surpresa que o país político acolhe esta novidade. Nunca teria passado pela cabeça dos portugueses, principalmente depois dos primeiros rumores lançados pelo Público.
Entretanto, o Comité Central do PCP foi eleito com os votos contra de 45 delegados enquanto 24 deles se abstiveram (num universo de 1298 delegados ao congresso). Ou seja, pelo menos 45 datchas vão decerto vagar...
Finalmente, no seu primeiro discurso como Secretário-Geral do PCP, Jerónimo de Sousa reafirmou a natureza do seu partido como sendo um «partido de classe» que lutará sempre contra os sucessivos governos que beneficiam um grupo reduzido de indivíduos. Isto muito faz lembrar a URSS, a Sibéria, os funcionários do partido...
De qualquer modo, sendo um «partido de classe», que interesses seriam defendidos pelo PCP se alguma vez fosse partido de governo?

26 de novembro de 2004

à tout propos (60)

CONGRESSO DO PCP
«Teve hoje início o Congresso do PCP, em Almada. Sábado vai ser o dia em que os delegados elegem o Comité Central, que vai eleger por sua vez o Secretário-Geral.
Ainda ninguém sabe quem poderá ser o Secretário-Geral, tendo em conta a enorme diversidade de correntes e opiniões contemporâneas neste partido já quase centenário. De facto é uma incógnita e são inúmeros os militantes que poderão ser eleitos pelo Comité Central. Na verdade, a discussão tem sido intensa, profícua e aberta a todos os militantes, dando um fantástico exemplo do que é o processo democrático posto em curso em Abril de 74.
Mas seja qual for o próximo líder, o PCP sairá reforçado nas suas convicções, fortalecido pelos portugueses e portuguesas que nos apoiam hoje e sempre, dentro e fora do congresso. É para o povo que o PCP trabalha, é do povo que nos vem a força.
Este congresso vem uma vez mais demonstrar de forma irrefutável toda a vitalidade, energia, dinamismo e esperança que vive dentro do Partido Comunista Português. Um sinal claro que os ideiais estão presentes, mais do que nunca, no espírito dos portugueses e portuguesas que acreditam, tal como nós, num mundo justo, igual e próspero que lute contra a opressão causada pelo capitalismo selvagem».
Bom, este podia ser perfeitamente um texto publicado no Avante e escrito por um qualquer militante (dentre os insignes militantes que têm esse direito, naturalmente)... Claro que este não foi «filtrado» por ninguém, dai o seu pouco rigor estético-jornalistico...

25 de novembro de 2004

em de-talhe

REMODELAÇÃO NO GOVERNO

Para não despachar de uma assentada todo o governo, o padrinho do Primeiro-Ministro terá sugerido que Rui Gomes da Silva transitasse para um lugar com menos exposição mediática. Com um padrinho assim, tudo lhe é permitido, como de resto tem sido até aqui.
Após a trapalhada pegada de Rui Gomes da Silva, ex-porta-voz do governo, num caso «Marcelo» a dois tempos - em que solicita a intervenção da AACS para depois do parecer desta, considerá-la ilegítima - e sabe-se lá que mais trapalhadas resultam da acção directa deste personagem (para além de também não reconhecer a autoridade dos tribunais: http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1209037&idCanal=34) , o governo - leia-se Santana Lopes - procedeu à remodelação fazendo transitar Gomes da Silva dos assuntos parlamentares para Ministro-Adjunto.
Ou seja, Gomes da Silva foi para um lugar que conhece há muito, o de pagém, confidente, amigo e fiel depositário das nenhices de Santana. E não deve ser nada fácil ser santanete versão masculina durante mais de 20 anos. - É preciso ter estomâgo ó Silva...
Tenho que me colar a um qualquer metecapto que fique bem na televisão e que por acaso ande metido na política (mas que não me roube as gajas todas).


24 de novembro de 2004

à tout propos (59)

ALGUÉM VIU?
Ia hoje na rua, passeando calmamente pelas artérias do centro histórico de Évora, aproveitando para contemplar toda a obra maravilhosamente realizada pela Câmara Municipal (em coerência com as promessas eleitorais, lembram-se?), quando subitamente, uma biqueirada num calhau milenar quase me fez polir o granito com os dentes incisivos. Felizmente não tinha ali passado gato nem cão...
Recomposto, notei que fora um cartaz abandonado, alusivo a qualquer coisa cultural, o responsável pelo embicanço.
Vituperei contra o cartaz, contra quem o abandonou, contra a «cultura» e só passados alguns instantes, notei que o seu conteúdo anunciava uma qualquer «medida» governamental no sentido de localizar uma secretaria de estado - ao que parece - em Évora.
Danado, tentei encontrar o responsável mas nada. Não obstante os meus intentos e apesar de ter telefonado ao 118, pedido informações na Polícia, no Hospital, na Câmara, no barbeiro, não consegui queixar-me ao reponsável pelo abandono de lixo na via pública.
Está mal, dizer-se que se é o que não é, não assumindo responsabilidades pelo que foi sendo dito que era. Ainda por cima quando essa tal medida visava, ao que parece, trazer o desenvolvimento ao interior. Pois confesso que não vi nem atrelado, camioneta ou avião que transportasse esse tal desenvolvimento, que suspeito ser alguém muito importante no governo.
Se alguém tiver informações sobre o paradeiro dessa gente que deita coisas à rua, por favor, solicito que entre em contacto comigo. Temos umas contas a ajustar...

à tout propos (58)

O NORMAL FUNCIONAMENTO DAS INSTITUIÇÕES
"A pouco e pouco, Santana [Lopes] vai-nos vencendo pelo cansaço; a asneira está tão entranhada na vida política nacional que passou a ser sinónimo de normal funcionamento das instituições".
Joao Miguel Tavares, Diário de Notícias, 23-11-04.
Em suma, estamos reduzidos a um portugalzinho letárgico na sociedade civil, conivente entre a classe política. O primeiro indício tomamo-lo no exemplo presidencial, com evidentes dificuldades em discernir o que é o normal funcionamento das instituições.
Democracia? Em 30 anos, só se for na forma, porque no resto...

22 de novembro de 2004

à tout propos (56)

MERCADO DO LIVRO
Por ocasião da comemoração do seu 10º aniversário, a Associação de Jovens Professores da Região Alentejo irá promover, a partir de dia 29 de Novembro a 19 de Dezembro, um mercado do livro em Évora.
O mercado do Livro vai funcionar nas antigas instalações da Império, na Praça Joaquim António de Aguiar n.º 23 (junto ao Theatro Garcia de Resende).
No Programa deste Mercado do livro, contam-se actividades como as que se seguem: Feira do Livro, Exposições (da qual se destaca a Exposição de Cartoons de Luís Afonso) e um colóquio subordinado ao tema “Associações como pólo de emprego e fixação de jovens em regiões desertificadas”. Este colóquio, que decorrerá no dia 10 de Dezembro, no Auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, faz parte do Projecto Inclusão, co-financiado pela União Europeia e pelo Estado Português, no âmbito do Programa Operacional de Emprego, Formação e Desenvolvimento Social.

à tout propos (55)



O pessoal está mesmo mobilizado... Ou devia estar...

em de-talhe

DIA EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DA ESTRADA
Foi ontem assinalado em Évora, o dia em memória das vítimas da estrada. O que acontece diariamente não pode cair no esquecimento, por isso, acções como esta são essenciais para que as pessoas se detenham, por um só momento que seja.
Não é escusado falar do que todos sabem e cansados de saber: estamos perante uma carnificina anual superior a muitas guerras, como tem sido dito. Mais, por menos mortes na guerra colonial, uma revolução foi posta em marcha e um regime derrubado (pelo menos naquele dia de Abril, em que foram os militares quem saiu à rua).
Também não é escusado falar da falta de civismo dos condutores portugueses (e não só), para os quais, um automóvel pode ser convertido em tudo, sobretudo quando manuseado com a mesma irracionalidade que leva um indivíduo embriagado a afrontar um touro de 600 kg em campo aberto ou a mesmissíma alienação que me poderá entreter horas a atirar pedras para um charco de água.
Não é escusado falar da falta de civismo, das coimas, do consumo de alcool, da potência dos automóveis, da inadaptação do código da estrada, do desinvestimento na sensibilização, da engenharia das estradas portuguesas e a manutenção das mesmas, enfim do terror. Não é escusado. Por isso, são poucas as iniciativas desta índole.
Mas, também não é de modo nenhum escusado falar da responsabilidade do Estado perante os seus cidadãos, nomeadamente no que respeita à promoção do bem-estar e da qualidade de vida do povo, assim como à garantia de segurança.
Ora, é neste campo que o Estado falha redondamente ao permitir a construção de estradas deficientes, tecnicamente mal desenhadas e por empreiteiros impreparados. Quanto a fiscalizações... A isso não é alheio o facto de, mesmo no que a esta matéria diz respeito, a segurança não surgir como o principal critério de avaliação na adjudicação da obra. Mesmo nesta matéria, continuamos a ver o nepotismo, o favorecimento e o interminável guarda-chuva da «proposta economicamente mais vantajosa» como principais impulsionadores para a selecção.
Falhando aqui, o Estado falha igualmente na manutenção das via rodoviárias. Para além de gastarmos inutilmente com estádios de futebol, exposições, submarinos, carnavais e circos, acontecimentos de show off próprios de políticos betos, institutos da propaganda e inúmeras empresas cuja personalidade jurídica é tão híbrida como um hovercraft (...), torna-se claro que o desinvestimento em áreas como a segurança, saúde e educação é apenas uma circunstância normal num país que aceita passivamente os devaneios dos outros.
Mas não é só aqui que todos nós falhamos. Temos hoje milhões de veículos automóveis a circular nas estradas portuguesas, não só devido à promoção da ideologia da emancipação como também em resultado do desinvestimento nos transportes colectivos. E para isso, não basta criar infraestruturas, é preciso promover mecanismos que levem as pessoas a abandonar o automóvel. Não é por acaso que até há dois anos atrás, o aumento de emissões de gazes com efeitos de estufa responsáveis pelo aquecimento global, «evoluia a um ritmo superior a 40 por cento, em grande parte justificado pelo uso intensivo do transporte individual, sobretudo em Lisboa e Porto» (Público de 20 de Novembro). E continuamos com o problema de ter um país assimétrico, no qual, investir no interior significa mais ou menos o mesmo que gastar dinheiro em Espanha. Não são os TGV's que vão resolver problemas estruturais de mobilidade nem os incontáveis créditos automóveis.
Falhamos também nas alternativas na própria circulação rodoviária. Só num país desta linhagem se pagam portagens em vias cuja alternativa pode significar a morte. Grande parte das autoestradas portuguesas não é uma alternativa, é o único meio mais ou menos seguro que os portugueses podem utilizar sem correr o risco de chocar com alguém de frente que entre em despiste, dispondo de piso razoável e fruto de uma concepção minimamente científica. Basta pensar em estradas como a N1, a N125, o IP4, etc., etc.
As responsabilidades do Estado são enormes, logo as nossas reponsabilidades são enormes, enquanto cidadãos com plenos direitos na definição daquilo que é o interesse nacional, naquilo que é a orientação das políticas públicas. É a nossa segurança, é o nosso bem-estar que está em jogo e, eu estou farto de ver pessoas desaparecerem, assim, sem mais, porque naquele momento foram estúpidas, encontraram um estúpido pela frente, baixaram a guarda ou simplesmente porque tiveram azar...
Por isso, acções como a de ontem devem ser repetidas até à exaustão e mostrar aos políticos e aos portugueses ao que todos estamos expostos, de cada vez que dobramos uma curva.

21 de novembro de 2004

à tout propos (54)




Entre 19 e 27 de Novembro, decorrerá mais uma edição do Festival Internacional de Curtas Metragens de Évora. Sem mais delongas, fica o link http://www.fikeonline.net/2004/index.php do melhor festival de curtas do Alentejo, com toda a informação útil. Em Vila do Conde já estão apreensivamente a torcer o nariz...

à tout propos (53)

CASA PIA
O arguido do processo de pedofilia Carlos Cruz, vai apresentar como suas testemunhas, «notáveis» da vida pública portuguesa. Dentre estes destacamos Ferro Rodrigues, Jaime Gama, Paulo Pedroso, Fracisco Louçã, Herman José, Vítor de Sousa, Joaquim Monchique, José Maria Tallon, Francisco José Viegas, Fernando Chalana, Carlos Monjardino ou Medina Carreira.
Informações recentes dão como certas as contratações de Jorge Sampaio, João Paulo II, Madre Teresa de Calcuta, Fidel Castro, Neil Armstrong, Dário II e Carlos Magno.
Instado a comentar o plantel, George Bush, o treinador, revelou apenas que se trata de uma equipa promissora, com bons valores e que no futuro dará certamente muitas alegrias à imensa massa associativa.

à tout propos (52)

PROCURA-SE
Procura-se rapaz que toque flauta mágica com talento e que dela saiam as mais encantadoras melodias para levar o governo daqui para fora. É que, Santana Lopes terá declarado à revista Sábado (19 de Novembro) que, «haja o que houver, este partido, que é uma força da natureza, está comigo seja qual for o caminho que eu tenha que decidir».
Perante esta afirmação «democrática», pedante e boçal, reveladora do mais profundo narcisismo, basta-nos apenas encontrar um bom flautista, que seja tão bom com a flauta como a D. Xica com a vassoura.
Ao contrário dos habitantes de Hamelin, prometemos reconhecimento e gratidão a quem daqui levar aquela gente.

18 de novembro de 2004

à tout propos (51)

ORTODOXIAS
Atenção, todos cometemos uma terrivel injustiça em relação a Jerónimo de Sousa, futuro Secretário Geral do PCP: afinal, segundo Jerónimo de Sousa em entrevista ao jornal A Capital, só quem o não conhece é que o pode apelidar de ortodoxo. E justiça seja feita, pois se o homem nem sequer é cristão, quanto mais ortodoxo...

16 de novembro de 2004

em de-talhe

COLIGAÇÃO
Se ainda restavam dúvidas, as mais ténues dissiparam-se este fim-de-semana com o XXVI Congresso do PSD:
1. De cada vez que membros do governo abrem a boca para a comunicação social - que foi eleita como vector prioritário de acção estratégica - uma nova polémica é lavrada. A falta de sintonia é evidente.
2. O unanimismo é perigoso e estamos conversados quando isso acontece artificialmente em torno de uma liderança como a actual, sabendo de antemão como são intensas as forças de oposição dentro do próprio PSD. Pudera... Nem o Cavaco escapou.
3. Exemplo dessa resistência alarve e indesejada, são intervenções como a de Marques Mendes acerca de coligações pré-eleitorais. As mesmas que fizeram vir Rui Gomes da Silva de Barcelos a Lisboa, amenizar as hostes entre o CDS-PP para um encontro de desagravo com Paulo Portas.
4. Mais, no Domingo houve mesmo necessidade de os líderes dos partidos no governo se encontrarem para um almoço cuja urgência se mais não deve do que à necessidade de Santana Lopes garantir a sua lealdade a Portas.
5. Com isto sabemos quem manda e como está o PSD agrilhoado pelo marialvismo, nacionalismo e conservadorismo.
Em conclusão, andamos a reproduzir à portuguesa o clássico conluio que Goethe nos trouxe entre Fausto e Mefistofoles. Só que, neste caso, não foi Fausto que nos deixou este imbróglio, foi uma colectânea de autores...

13 de novembro de 2004

à tout propos (50)

MUQATA, ARAFAT, PACHECO PEREIRA E OS SEUS AMIGOS

Por estes dias em que a classe jornalística assentou arraiais junto ao hospital militar de Percy de Clamart, fomos bombardeados por relatos da mais variada ordem, índole, competência ou propósito, justificando reacções como a que (e.g.) nos dá conta Pacheco Pereira (em
www.abrupto.blogspot.com), referindo-se ao blog Homem a Dias (http://homem-a-dias.blogspot.com/2004/11/muqata-banana-e-cola.html).
No essencial, concordo com a indignação e até com o defendido por Pacheco Pereira, no que respeita à falta de «pudor, critérios, vergonha, conhecimento, juízo». É certo que jornalistas há bem poucos neste país, editores profissionais e coerentes ainda menos e público interessado, menos ainda que o ainda menos. Estamos todos de acordo em que frequentemente os «jornalistas» tomam partidos, fazem apologias, condenam em directo.

No entanto, há no texto de Pacheco Pereira uma breve e dissimulada ironia que simplesmente remete Arafat para o baú dos terroristas, naquela simplicidade néscia a que já nos habituou o presidente reeleito do Império.

Qualquer forma de terrorismo é abjecta, no entanto, entendo que a revolta convertida em desespero impede qualquer ponderação cartesiana. No mesmo sentido, a classificação de «terrorista» não me parece ser universal ou consensual, variando mais em função de circunstâncias e perspectivas.

Ora, pergunto-me: se Michael Collins foi para os ingleses um terrorista, foi para os irlandeses o quê? E a resistência francesa, foi para os franceses o mesmo que para os alemães (afinal de contas, é de uma ocupação que falamos)? A resistência afegã foi entendida da mesma forma para americanos e soviéticos? E a resistência kosovar, apoiada por americanos e perseguida por sérvios? As incursões republicanas durante a guerra civil espanhola eram ou não terrorismo? E os partidários de Xanana Gusmão, só matavam militares?

Latu sensu, o conceito de terrorismo remete para:

s.m., sistema de governar pelo terror e com medidas violentas;
actos de violência praticados contra um governo, uma classe ou mesmo contra a população anónima, como forma de pressão visando determinado objectivo;
forma violenta de luta política com que se intimida o adversário;
modo de impor a vontade por meio da violência e do terror.

Neste sentido, o que foi a colonização portuguesa? O que são os colonatos israelitas? O que é qualquer tipo de guerra? O que foi o Estado Novo? Neste baú, cabe necessariamente a perseguição movida por iraquianos e turcos aos curdos, verdade? Ou a perseguição dos cruzados aos muçulmanos; a Inquisição e a perseguição aos judeus feita pela Santa Sé; cabe, no fundo, toda a tradição cultural europeia que pretendem colocar no preâmbulo da futura Constituição europeia...

Entretanto, o argumento da violência sobre inocentes e civis não é válido pois tanto são inocentes e civis as populações que foram esmagadas debaixo dos exércitos de Napoleão, trucidadas pela detonação de bombistas suicídas, as que padeceram junto com as torres ou em qualquer cidadela espanhola, e muito em particular, as que morrem à fome por esse mundo fora para manter o nosso status quo ocidental.

Não adianta classificar o terrorismo ou procurar a sua ontologia. Interessa sim, perceber como se poderá reduzir o sofrimento não só dos que morrem como dos que encontram razões para matar. Mas para isso seria preciso que se acreditasse numa «ontologia de bondade» do ser humano...

à tout propos (49)



Nude Sdraiato, Amedeo Modigliani, 1917

12 de novembro de 2004

à tout propos (48)

CONGRESSO DO PSD
No discurso de abertura do congresso, Santana Lopes mostrou que apesar de tudo, trouxe a lição bem estudada de casa e dessa lição consta a clássica obra de Nicolau Maquiavel, O Principe. Não acredito que seja tudo da cabeça dele, é certo, mas devo reconhecer que pré-candidatar à presidência da república um dos seus principais oponentes é uma jogada audaz e matreira. É que, ao lançar o nome de Cavaco, Santana Lopes garante uma fidelidade forçada pelo sistema de favores; garante igualmente a convergência dos restantes cavaquistas em torno do seu «projecto», diminuindo consequentemente a contestação interna; e, finalmente, isola o seu maior oponente: o velho professor de direito, Marcelo Rebelo de Sousa (que, à semelhança de Cavaco, nunca escondeu a sua preferência por Durão Barroso).

à tout propos (47)



BOOKS & BUSH: THEY REALLY DON'T MATCH
É ou não é anormal, uma coisa destas? A própria criançinha estaria verdadeiramente embaraçada,sem poder sequer pestanejar... Admiravel, a sua capacidade de resistência.
Enquanto isso, Bush parece desesperar numa interminável «branca», tentando compreender como ali terá ido parar, sem saber o que dizer, desesperadamente prescutando com o olhar os seus assessores ou alguém que o possa salvar levando-o dali para fora.

à tout propos (46)

O QI DA AMÉRICA
De acordo com o Ravens APM (advanced progressive matrices), a média de QI dos estados em que venceram os republicanos é substancialmente menor do que naqueles em que democratas lograram sair vencedores. Apesar dos dados se referirem a 2000, não deixa de ser impressionante como a maioria dos estados bushianos não apresenta um QI médio de 100, justamente os estados da américa profunda, com maior acuidade os das grandes planícies. Pelo contrário, os estados que apresentam maiores índices são aqueles que se situam preferencialmente nas costas do Atlântico e do Pacífico, os menos rurais, menos conservadores.
Ficam os valores, se é que isso significa alguma coisa.
PS: Ah, os estados a azul representam democratas enquanto os estados a vermelho representam republicanos.

os deuses também já foram homens



YASSER ARAFAT (1929-2004)
Sendo frontalmente contra qualquer forma de terrorismo, seja carregando uma bomba à cintura, seja levando a fome e a degradação humana a povos praticamente indefesos, há no entanto um princípio que tomo como inexpugnável e inviolável: a autodeterminação dos povos. Nesse sentido, habituei-me a admirar os davids deste mundo que lutam contra golias refastelados em castelos intangíveis, superprotegidos e municiados.
As causas da luta em que este homem se embrenhou contra o Estado de Israel - contra o sagrado «povo eleito» na terra prometida pelo sangue, dor e destruição - são causas tão justas e legítimas como as que moveram timorenses contra a opressão indonésia; tão justas como as que motivaram a indignação mundial pelas loucuras cometidas durante a II Guerra Mundial; tão justas como as que levaram os povos colonizados a rebelarem-se contra o império.
Todavia, esta luta de uma vida não foi apenas travada contra os hebraicos. Foi infelizmente travada (na secretaria), justamente, contra todo o mundo ocidental que hipocritamente deliberou resoluções na Assembleia Geral das Nações Unidas, perfeitamente consciente que aquela guerra sem quartel haveria de durar enquanto os EUA fossem o principal aliado na facínora chacina perpetrada pelo «povo eleito». Contingências, dirão alguns...
Não é porém, neste momento, importante recordar todos os motivos que animam o povo palestiniano ou o único motivo em que alicerça a teleologia israelita; não é importante recordar a parasitagem levada a cabo por Israel sobre os recursos palestinianos; não é agora importante contabilizar vítimas ou recordar a quem tem a memória curta, quais as consequências da opressão e perseguição; não é sequer importante considerar a incompreensível intolerância a que sempre foram votados os judeus na Europa cristã.
Importante é compreender no presente, o que pode mudar para que aqueles dois povos possam viver em paz, lado a lado, sem muros, colonatos, mísseis, pedras e bombistas suicídas
Certo dia, quando instado a pronunciar-se como gostaria de ser recordado, Yasser Arafat respondeu apenas «como um homem que lutou pelo seu povo». É nessa condição que aqui é lembrado.

11 de novembro de 2004

à tout propos (45)

MANUEL MARIA BARBOSA DU BOCAGE
Para os conviveram comigo em Lecce, assim como para os que tiveram oportunidade de me visitar durante aqueles meses, certamente se lembrarão de um poema cristalino que com orgulho mantivemos exposto na cozinha, assinado por esse grande poeta setubalense de finais do Século XIX que respondia pelo nome de Bocage. Falo de «a água», poema translúcido, sem sabor e incolor... Bocage provou que não tanto...
Por obra do acaso, veio-me parar esse texto ao email, o qual não posso deixar de publicar, já que trata das virtudes da água, esse recurso insubstituível e cujo valor vai aumentar exponencialmente após a leitura do poema que ora vos submeto. Já o Bocage o sabia, por isso toda a eloquência empregue no poema para dignificar mesmo a mais salobra água.
A ÁGUA

Meus senhores eu sou a água
que lava a cara, que lava os olhos
que lava a rata e os entrefolhos
que lava a nabiça e os agriões
que lava a piça e os colhões
que lava as damas e o que está vago
pois lava as mamas e por onde cago.

Meus senhores aqui está a água
que rega a salsa e o rabanete
que lava a língua a quem faz minete
que lava o chibo mesmo da rasca
tira o cheiro a bacalhau da lasca
que bebe o homem que bebe o cão
que lava a cona e o berbigão

Meus senhores aqui está a água
que lava os olhos e os grelinhos
que lava a cona e os paninhos
que lava o sangue das grandes lutas
que lava sérias e lava putas
apaga o lume e o borralho
e que lava as guelras ao caralho

Meus senhores aqui está a água
que rega as rosas e os manjericos
que lava o bidé, lava penicos
tira mau cheiro das algibeiras
dá de beber às fressureiras
lava a tromba a qualquer fantoche e
lava a boca depois de um broche.


Manuel Maria Barbosa du Bocage
PS: os italianos agradeceram...

10 de novembro de 2004

à tout propos (44)

PARA DESANUVIAR
Agora, para desanuviar do trabalho, do cônjuge e do animal de estimação, proponho algo com níveis zero de stress.
O objectivo é conduzir os bonequinhos ao seu destino, clicando em locais específicos que deverão ser por vós descobertos. Não desanimem se à primeira não forem bem sucedidos.
Pista: utilizar a imaginação!
PS: com som é muito melhor...
Aqui vai:

9 de novembro de 2004

em de-talhe




PRAXES
Segundo parece, subsistem ainda muitos lugares ermos do Portugal onde principios e direitos fundamentais não são conhecidos, onde nem uma pedrinha lá entra... Falo evidentemente da surpresa manifestada pela Sr.ª Directora da Escola Superior Agrária de Santarém, por o Ministério Público ter avançado - naturalmente - com a acusação de sete «alunos» por supostamente terem torturado uma caloira.
Este espanto revela o Portugal atrasado, mesquinho, irresponsável e selvático em que vivemos. À ditosa senhora, bastaria uma pena de suspensão de 15 dias (!) aos alunos envolvidos, como as suas questionáveis competências incluissem a magistratura. Ocorre-me pensar se será 1º de Abril ou se haverá alguma câmara escondida que apanha a minha expressão de pasmo, mesmo em cheio. Refaço as caras, recapitulo e concluo que não, que não existem câmaras nem é dia das mentiras, é mesmo verdade, estas coisas acontecem neste país.
A senhora directora agiu como se não houvesse um aparelho legislativo em Portugal (como de resto, muitos fazem...), ignorando compulsivamente e pelos motivos mais estapafúrdios (tradição e integração), se não mesmo débeis mentalmente, as leis fundamentais como a Constituição da República Portuguesa ou a Declaração Universal dos Direitos do Homem. A sua primeira medida, à eclosão de qualquer caso semelhante de natureza criminal, seria necessariamente remeter o processo para os tribunais, sem prejuízo para as averiguações internas.
Será que esta gente, na sua medíocre e miserável existência, já teve alguma vez contacto com noções básicas de cidadania, direitos, liberdades, garantias?
Bom, antes de mais, aproveito para invocar a lei fundamental, recorrendo por exemplo aos artigos 25º, 26º e 27º do II Título (Direitos, Liberdades e Garantias), I Capítulo (Direitos, Liberdades e Garantias Pessoais),os quais se destinam a garantir direitos invioláveis de ordem pessoal. Mais, já em 1975, o legislador considerava a inaptidão geral dos portugueses para compreender um texto, levando-o a simplificar a redacção a pontos de até o macaco Adriano o conseguir interpretar e compreender. Entre certos alunos e professores universitários, inexplicavelmente e contra todas as previsões alicerçadas na teoria da evolução, tal não sucede.
É impressionante que ainda se verifiquem estes comportamentos boçais, aquela autoridade pedante, disfarçada por sórdidas frustações, aquela histeria cobardemente colectiva. Todo aquele condicionamento implícito, corroendo expectativas, minando quase sempre a dignidade de qualquer ser humano. Impressiona particularmente o deserto cívico e intelectual de professores e alunos que reproduzem a mediocridade e a irracionalidade que se respira em demasiados meios académicos.
Ao Ministério Público não restaria, jamais e em tempo algum, outra alternativa que não fosse a formalização da acusação. O problema está na mania que têm estes tipos - docentes e alunos - em pensarem que são alguém com capas, batinas e turbantes, e que o ecletismo está em ter uma pedra que geração após geração passa de cú em cú. A pedra do saber... A responsabilidade está em quem faz e também em quem consente, é claro; dos cús de ontem para os cús de amanhã. Assim foi a escravatura, assim é o racismo e o sistema de castas na India: «não sabemos porquê, sempre foi assim» ou «eu também passei por isso e não me fez mal nenhum». Se a primeira proposição é reveladora do maior sentido acrítico e nesse caso, contraditório à ideia de universitas, a segunda proposição celebra a vingança e a punição de um acto primordial projectada em terceiros.
Vivendo num Estado de Direito, todo e qualquer tipo de comportamento desse género, não só é inaceitável como passa a ser necessariamente assunto de tribunais; as competências académicas são imediatamente ultrapassadas nesta matéria. É isto que as pessoas devem interiorizar, assumindo a razão como um recurso a explorar e não um peso a largar. As leis têm uma hierarquia, sendo os regulamentos internos de uma universidade a última e mais baixa instância antes da selvajaria.
Quem, na sua consciência, de acordo com a sua vontade e sem estar condicionado pelo sonho dos pais em vê-lo «dr.» ou pela ameaça de ostracismo, pretenda ainda assim, abraçar a actividade de «bobo», então nesse caso, até se pode auto-mutilar, sem que isso cause qualquer tipo de indignação para a sociedade. Afinal de contas, a tropa bem que fazia bem a tanta gente... Mas era a tropa de há 25 anos atrás... Aí é que se pode mandar à vontade e ser mandado, seviciar à vontade do freguez até reduzir o outro à triste condição de rato laboratorial. E admito perfeitamente que haja quem sonhe e se realize com fazer figuras de estúpido perante uma plateia de gentalha estupidificada. Cada um com a sua, mas que seja ele próprio a decidir sem «ajudas do público ou de um amigo». Afinal, partimos do princípio que para as universidades não vão pessoas em fase de absoluta menoridade intelectual.
Com toda a honestidade, Não espanta nada uma punição exemplar para actos deste género que ocorrem em circuntâncias análogas a qualquer tentativa de violação, agressões, injúrias ou difamações. Há que aprender a viver em sociedade, com outras pessoas, segundo regras bem definidas e fazer uso da razão, pelo menos algumas vezes na vida.
Ajuda sempre:
Constituição da República Portuguesa:
Declaração Universal dos Direitos do Homem:
PS: Aqui, no sitio onde trabalho, se me aparecer algum a pedir para ser praxado, pode ter a certeza que lhe satisfarei o desejo! E aí, será um homem/mulher íntegro(a) e integrado(a) no serviço...

à tout propos (43)

MAIS UM GRANDE CONTRIBUTO PARA A HUMANIDADE

à tout propos (42)

AQUEDUTO DAS ÁGUAS LIVRES
A macrocefalia de Lisboa já começou o processo de implosão aí temos mais um sinal, neste caso, a pressão que está a ser feita no sentido de derrubar parte do aqueduto das Águas Livres para construção de uma ligação entre Benfica e a Buraca. O argumento é a grande extensão do aqueduto, a qual pode muito bem ser suprimida em alguns metros sem que alguém dê por isso. Muito português.
A continuar assim, não só teremos uma imensa coutada no interior do país para os «senhores» de Lisboa darem uns tiros, como teremos todo o litoral pejado de detritos e mais bicheza humana.
Encontra-se na net uma petição para assinar em nome da preservação do dito aqueduto: http://oprurb.org/noticias.php?id&lg=pt

4 de novembro de 2004

os deuses também já foram homens



Composition V, Wassily Kandinsky, 1911

... e parabéns à miúda, que vai começar a tratar da exótica saúde dos portugueses!

3 de novembro de 2004

em de-talhe

LUTO
Confesso que nunca antes me havia achado tão defraudado com eleições externas, como neste momento em que se confirmam votos, fazem a festa uns, reúnem-se em lamúria outros... Apenas uma razão está por detrás deste sentimento: ter a plena consciência que nunca como agora, um país tem tanta influência directa sobre o mundo como estes USA, modelo Texas; e não encontrar paralela cegueira colectiva em actos democráticos na história ocidental recente, em sufrágio universal.
E não é que apenas um homem determine toda a política externa americana, contudo, em nome da tradição democrata, não creio que fosse pior do que o reinado de Bush, Cheney, Rumsfeld e toda a indústria de armamento.

em de-talhe

LUTO MUNDIAL
A confirmarem-se estes resultados, estamos em condições de afirmar que se trata, uma vez mais, de «um pequeno passo para um homem, um enorme retrocesso para a humanidade».
É inacreditável e na verdade, não se consegue explicar o inexplicavel, por muito que o tentem os infindaveis batalhões de comentadores políticos que matracam noite e dia por esse mundo fora. Nem com psicólogos lá vamos... estamos a viver uma experiência metafísica, algo esotérico e intangível axiológicamente.
A modernidade terminou exactamente aqui e esta fase convencionalmente designada pós-modernidade, mais não é (nesta altura) do que o enterro dos valores da liberdade e da solidariedade. O idealismo dá definitivamente lugar ao pragmatismo menos escrupuloso e a semelhança com experiências anormais ocorridas no passado é assustadoramente real. Basta pensarmos a destruição do Iraque, a recusa por motivos estritamente económicos de ratificação do protocolo de Quioto, o escamoteamento de graves crises humanitárias no mundo inteiro e nos proprios USA, a utilização de técnicas de tortura nas prisões de Guantanamo e Iraque, o continuado desrespeito pelos direitos humanos inclusive em território americano, o louco desperdício de recursos energéticos, as alianças estratégicas e descartáveis com líderes de países autoritários, etc., etc., etc.
O povo americano decidiu e o mundo, quanto muito pode continuar de luto; não um luto simbólico, porque as guerras e destruição são bem reais.


2 de novembro de 2004

à tout propos (41)

RAPTOS
O inqualificável terror perpetrado por organizações islâmicas no Iraque (mais ou menos organizadas) nos raptos e sequentes assassínios de civis presumivelmente inocentes ganha novos contornos com o rapto de um soldado americano.
Qualquer forma de terrorismo é condenavel e nem os raptos de soldados americanos têm qualquer coisa de legítimo; a menos que sejam capturados em situações de guerra (que parece ser o caso) desde que observadas as regras definidas pela Convenção de Genebra, no que respeita a presos de guerra (algo que os americanos não respeitaram em presos de delito comum, em Guantanamo).
A propósito, alguém daria pela falta de George W. Bush, Dick Cheney, Donald Rumsfeld, Richard Perle, etc.?...

1 de novembro de 2004

em de-talhe



ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS AMERICANAS VII
Chegou finalmente o dia em que o mundo vai saber quem é o novo patrão. A coisa está mesmo negra, situação agudizada com a científica entrada em cena de Ossama Bin Laden (ou John Carlson, é igual). Se o homem realmente existe, nesse caso está mesmo interessado em debater-se com Bush, certamente porque é intelectualmente superior.
É absolutamente inacreditável este estado de coisas, como é que aproximadamente metade dos americanos pode sequer ponderar dar ouvidos a um ser miseravelmente risível e ao séquito de parasitas manipulador dos cordéis que se-lhe encontram atados a mãos e pés?
A ascenção da verme-lhada, do lodo, da insignificância...
Apesar de tudo... indubitavelmente, Kerry ao poder!!

à tout propos (40)



Nem as vacas leiteiras estão para rodeos à portuguesa...

30 de outubro de 2004

à tout propos (39)



ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS AMERICANAS VI
Este cartoon foi publicado na edição de hoje na Time online. A linha editorial que o publica está mais preocupada como fim das eleições do que propriamente com os resultados, isto é, tanto dá que ganhe Bush ou Kerry, desde que termine de uma vez com todo aquele espectáculo montado.
São os candidatos tão próximos que para a Time, não importa qual venha a ser eleito?
Eu preferia pensar que a Time fosse absolutamente imparcial, manifestando somente o seu cansaço com a campanha eleitoral. Porém, se está cansada isso também pode significar que tão pobre foi a campanha que os seus conteúdos jamais justificariam a sua longevidade e recursos empregues.
Mas não, não me parece... Se olharmos para os dois simpatizantes, notamos como são ambos incaracterísticos, muito semelhantes, indistintos. A rapariga, por seu lado, parece ser mais sensata, sóbria, racional, denotanto uma atitude absentista e aborrecida.

à tout propos (38)



ROCCO SENTIU-SE TRAÍDA E BATEU COM A PORTA

Nem Berlusconi nem Barroso lhe deram a mão... à primeira atrai mas à segunda, parece repelir...
Nós, cá em Portugal, temos um problema semelhante, resolvido de forma diversa: há mãos por todo o lado...

Tu, abriste a boca, saiu asneira e viram-se na obrigação de te deixar cair.
Nós por cá, temos um que diz asneira a toda a hora e só os do seu próprio partido põem vaselina nas mãos para que também caia.

Se te serve de consolo, à semelhança de Portugal, em Itália também não te deixariam cair. Qualquer coisita se havia de arranjar.
São esses franceses, belgas, alemães, holandeses, dinamarqueses, luxemburgueses que estragam tudo com a mania de que são mais civilizados do que nós...