17 de outubro de 2004
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16 de outubro de 2004
à tout propos (24)
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15 de outubro de 2004
à tout propos (23)
13 de outubro de 2004
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De bestas a bestiais ou de vilões a heróis... Após a demonstração que não, que os nossos campeões não estão para brincadeiras ao cilindrarem esta noite o Liechtenstein, perdão, a Rússia (com uma abada de 7 a 1), teremos amanhã todo o tipo de publicações desportivas e não desportivas a elevar aos céus os mesmos que haviam crucificado. Da Bola ao Expresso, passando pelo Jornal de Letras, Artes e Ideias ou pelo Semanário Económico (desconfio que os gajos do Le Monde Diplomatique também estiveram em Alvalade). Lá enaltecerão uns o espírito de grupo, outros falarão das fintas do C. Ronaldo e da magia de Deco, enquanto para alguns o que conta seria a privatização da selecção e cotar as acções em Bolsa.
É curioso como, em estimulando a imaginação, vejo distintamente uma enorme massa amorfa em movimentos pendulares que oscila com a natureza dos ventos. Como quando submersas, as algas dançam ao sabor das correntes. Amanhã os nossos rapazes vão ter as estátuas de volta pois se reconciliaram com o pessoal. É bonito.Parabéns ós gaiatos.
Vislumbro no entanto, um início de fim-de-semana a seco: a selecção venceu por isso não se pode dizer mal; o Marcelo está de férias ou o gato comeu-lhe a lingua e apesar de tudo o Primeiro-Ministro continua em campanha eleitoral. É preocupante... e do que é que a malta da comunicação social vai falar? ALguma coisa se há-de arranjar...
Lá dizia com estonteante profundidade, o namorado de uma prima minha:
Há ondas que vêm
Há ondas que vão
Umas que trazem peixe
e outras... principalmente
12 de outubro de 2004
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11 de outubro de 2004
à tout propos (22)
10 de outubro de 2004
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DEIXEM JOGAR A MALTA!
Após mais uma (...) prestação da selecção de futebol, agora diante do poderoso Liechtenstein, eis que de novo surgem os inevitáveis comentadores de futebol que vociferam a sua ira contra os nossos campeões. Os mesmos, note-se, a quem invariavelmente se beijam os pés quando sabe a vitória. É certo que aqueles tipinhos com a cabeça nos pés, que se dão ares de importantes; que ganham bom dinheiro; que combinam uma calça de tirilene da boss com uma camisa de seda côr-de-rosa da armani - resguardando a tatuagem sioux logo abaixo do pescoço - e coleccionam «espirituosas» babes em robustos bólides descapotáveis; e que são solicitados para de tudo fazer diante das câmaras, em género do habitual biscate popular; são enfim, expostos à mais impia inveja. O que é desagradável. E tudo por apenas fazerem o que gostam mas tal agravo não me parece razão para tanto, já que de oiro não são feitos (embora se perceba que deles precisam como pão para a boca essa corja que lhe gira na órbita).
Por isso mesmo, sempre que se pede aos partidários das quinas para conduzir o jogo... «xiiii patrão»... Confesso que não raras vezes adormeço, quando vejo alguns dos jogos. Aliás, tive oportunidade de ver o jogo em Leiria, com a Estónia (ou seria a Letónia?) e, só por vergonha não cabeceei um ou dois ombros ali mesmo... Mas também, seja reposta a verdade das coisas, pois se era para dormir tinha ficado em casa, porque obrigado ali não fui.
Assim, temos uma equipa de qualidade inferior (apesar do valor técnico e comercial de cada jogador, dizem as calendas gregas que para equipa não basta ter um conjunto de pessoas, há que lhe ajuntar massa consistente), com um tipo de jogo pobre, embora com o intenso brilho que só uma constelação pode providenciar.
Em suma, face ao que está, nem sequer podemos falar em desilusão porque a quem mais não sabe, a mais não é acometido. O raciocínio argumentativo é semelhante a este: nós, cá na terra, jogamos andebol de muito má qualidade, mas como as mazelas e os ténis são por nossa conta, as 13 ou 14 pessoas que lá vão também não protestam connosco; preferem protestar com os gajos vestidos de preto (pois os não vão ver mais nenhuma vez durante largos tempos), despejando todas as frustações que se acumulam durante a vida no trabalho, com os filhos, com os futebóis e o homem das farturas.
9 de outubro de 2004
à tout propos (20)
8 de outubro de 2004
os deuses também já foram homens
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à tout propos (19)
7 de outubro de 2004
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6 de outubro de 2004
à tout propos (17)
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A democracia representativa portuguesa, ao contrário do que por vezes se possa pensar, assenta num sistema pluripartidário, no qual são reconhecidos como partidos ou movimentos políticos (a concorrer em eleições), mais de duas dezenas de agrupamentos, apesar de apenas 5 com assento parlamentar. Na prática, já o sabemos, o nosso sistema tende ao bipartidarismo em torno de dois grandes partidos que alternam entre si o governo do país.
Mas a actividade parlamentar não se resume ao governo nem à aprovação de leis. Cada grupo parlamentar desenvolve diariamente trabalho de apoio para as diversas comissões especializadas, de inquérito, assim como para novos projectos de lei, etc., etc.
Ora, a ideia de um sistema representativo pluripartidário implica, na minha opinião, duas características fundamentais. Em primeiro lugar, dá voz às diversas sensibilidades assim como às especificidades e clivagens de grupos sociais, territoriais, profissionais, etc. No mesmo sentido, permite de algum modo suster um ou outro leve ressaibo que soe ao que Tocqueville denominou «tirania da maioria». Em segundo lugar, a presença de diversos partidos fomenta o debate ideológico, alarga o objecto da discussão, matiza a agenda política.
Com a queda do muro de Berlim, a dissolução da URSS, a consolidação crescente da economia de mercado, o alargamento dos princípios democráticos inclusive a países provenientes da cortina de ferro, a entrada de alguns deles na OTAN e na UE, entre outros factores, torna-se claro que o mundo mudou. No caso português, as transformações sucederam-se como o dia sucede à noite, desde a entrada na União Europeia à ratificação da Constituição Europeia a ter lugar muito brevemente. Com aquelas mudanças no plano internacional é instaurada uma nova ordem mundial, na qual se configura uma nova hegemonia cultural, económica, política, bélica. Só que, entretanto, o mundo já havia mudado (e continua em constante mutação) desde o Manifesto do Partido Comunista, em 1843. Ele foram guerras mundiais, ele foram direitos cívicos, sociais e políticos conquistados (consoante os países), foram guerras invisíveis, a crescente complexidade das sociedades com as divisões sociais do trabalho e sequente necessidade de especialização, a assunção da sociedade de informação, etc., etc. Contudo, o projecto comunista não sofreu alterações (não se trata de rever toda uma teleologia, toda uma ideologia da emancipação), não houve lugar à redefinição da clássica luta de classes em torno dos meios de produção no sentido de alcançar uma sociedade mais justa e igual. O mundo continua simplistamente dividido entre oprimidos e opressores, entre burguesia e proletariado. E estamos a falar da mesma sociedade onde os dois partidos do poder focalizam os seus discursos numa imensa classe média (dificil de discernir onde começa e onde acaba); onde a mobilidade social conheceu uma dinâmica inaudita; onde o acesso à educação foi democratizado e massificado; mas também, onde o Estado tem vindo a ser espoleado...
Por outro lado, são conhecidas as circunstâncias com que o PCP se debate, ditadas a partir de fora mas também de dentro: os maus resultados eleitorais sucedem-se (perda de deputados à AR, perda de câmaras municipais, desvio de votos para o BE e para o PS), dissenções renovadoras dentro do próprio partido que apelam à exigência de redefinição adaptativa às novas realidades (conduzindo à dissidência e até à expulsão de militantes históricos), o aumento da abstenção eleitoral, contemporânea da despolitização das sociedades, a crise verificada nos partidos políticos que ocorre a par de um fenómeno de personalização da política (e sabemos como o PCP é dentre todos, o partido político com a mais consistente estrutura organizativa...). É claro que não devemos obliterar todo o trabalho que nos últimos 30 anos em democracia (para não falar da extraordinária luta que levou a cabo no exílio, nas prisões, em caves, contra a ditadura fascista), o PCP desempenhou ao nível do governo, da acção parlamentar mas também no plano local, no apoio às populações mais excluídas. Mas era esse o seu papel, tal como, de outro modo, o é a acção da Santa Casa da Misericórdia, por exemplo.
Ao anunciar, a um mês do congresso (6 de Novembro), a sua indisponibilidade para continuar à frente dos destinos do PCP, Carlos Carvalhas cria uma crise de sucessão? Ao que parece, a sua decisão era conhecida pelo Comité Central há um ano. Entretanto, quando ainda não passaram vinte e quatro horas sobre o anúncio, eis que a comunicação social apresenta um forte «candidato», Jerónimo Sousa. Se as decisões dentro do PCP são publicitadas com um ano de desfasamento, nesse caso, o sucessor de Carvalhas na liderança do PCP é conhecido há já bastante tempo, sendo o congresso apenas um pró-forma.
A opção pela continuidade apresenta um risco imediato para um sistema de representação pluripartidária: o acentuar do enfraquecimento que o PCP enfrenta. A ruptura também não me parece solução, até porque existe todo um espaço político ocupado por outras forças partidárias (embora nesta altura, a esquerda à direita do PCP conheça interstícios desocupados...).
A questão essencial é esta: está o PCP actual em condições de responder às exigências da sociedade portuguesa, apresentando um projecto concreto e incisivo que sirva a mesma?
4 de outubro de 2004
à tout propos (16)
Já aqui havia dado conta de alguns aspectos eleitorais menos claros no estado da Florida, nomeadamente a eliminação das listas eleitoriais de 22 000 afro-americanos e 61 hispânicos. De acordo com a lei eleitoral daquele estado, os indivíduos condenados por crimes perdem os seus direitos cívicos e só os recuperam após cumprida a pena. Democrático, não?
O interessante é quando é conhecido o tradicional apoio político dos afro-americanos aos democratas e dos hispânicos aos republicanos. Mais, é no mínimo estranho aquele rácio, quando as proporções de população criminal e as outras, respeitantes àquelas comunidades étnicas, não se cifram certamente em cerca de 361 afro-americanos para cada hispânico. Com Porto Rico, Cuba, República Dominicana ali tão perto? Com a linha de fronteira com o México diariamente em pé de guerra?
Por outro lado, continuam os problemas com o sistema de contagem de boletins de voto na Florida. A polémica veio para ficar apesar de substituídas as máquinas de cartões perfurados pelas de ecran tactil (depois da célebre recontagem manual de votos em 2000, a pedido do candidato derrotado Al Gore). A razão? As máquinas não emitem o recibo de voto, o que significa que nem o eleitor se certifica de ter a máquina registado correctamente o seu voto, nem é possível verificar os resultados calculados pelo sistema de contagem de votos.
3 de outubro de 2004
à tout propos (15)
2 de outubro de 2004
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à tout propos (14)
Finalmente, o nosso Ministério da Cultura começa a ter preocupações com tal objecto. Está de parabéns e por isso, no bom caminho.
Finalmente, o Ministério da Cultura e a Câmara Municipal de Évora vão celebrar um protocolo para a construção da nova biblioteca pública e arquivo distrital. Paralelamente, será construída uma biblioteca municipal. As três infraestruturas serão construídas na zona de expansão dos leões. A proposta de protocolo apresentado pelo MC foi aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal. Pudera, os custos para as infraestruturas públicas ficam a cargo do MC. Só é pena que não pague também a infraestrutura municipal (a biblioteca municipal), já que o peso excessivo da interioridade, das boas práticas (o Polis é um exemplo de «benefício do infractor»), já o pagamos diariamente.
1 de outubro de 2004
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30 de setembro de 2004
à tout propos (11)
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ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS AMERICANAS
E, sem embargo, todo o aparato em torno das eleições presidenciais norte-americanas, com o enorme o show off habitual, investidas e contra-investidas (de conteúdo...), mais escândalo e menos escândalo, mais dollar, menos «petroil», com mais pólvora ou menos pólvora, eis que, bem espremidinhas as propostas, do nectar nem sinal. Pessoalmente, tenho a convicção que nada vai mudar no mundo (em termos de política externa) a não ser o continuar da insatisfação internacional, da repressão e da parasitagem sobre a natureza e os povos. O estilo de vida americano não se compadece com sacrifícios económicos, e é absolutamente incompatível com a preservação ambiental ou a competência alheia. A diferença entre Kerry e Bush é menor que a espessura de uma folha de alface, embora Kerry aparente ser menos extemporâneo, mais ponderado.
Por conseguinte, é na gestão de expectativas e interesses dos poderosos que se faz um mandato na Casa Branca, logo, quem dá a cara até pode ser uma amiba unicelular (se existir) como a que lá está, pois as decisões já lhe são entregues escritas em papel (embora ele teime em falar por sua conta e risco, à desgarrada mental consigo próprio, mais ou menos como o espécimen surpresa que nos deixaram em S. Bento).
O primeiro de três debates, hoje às 21 horas na Florida (2 de Portugal), poderá ter o efeito de sedimentar a vantagem de Bush nas sondagens ou, pelo contrário, despoletar a reviravolta. Talvez, pelo seu estilo menos enganchado em oposições binárias do estilo right and wrong, Kerry seja o menos mau, sobretudo para o próprio eleitorado americano. A que nível? Do civismo e da interiorização de algumas concepções básicas e cosmovisões que a divisão do mundo em dois operada por Bush, desmantelou. Ao aumentar as clivagens, acantonando-as em dois grandes grupos, Bush contribui para o estímulo de fundamentalismos de toda a ordem, seja do lado das manifestações nacionalistas pós 11 Setembro, seja de grupos islâmicos radicais ou cristãos, ou hindus, etc. É este o grande contributo de Bush para o mundo e é tanto responsável pela actual situação mundial como Sharon o é pela presente entifada (sem pretender com isso escamotear problemas que já existiam antes).
Por isso, os americanos que se cuidem pois não há fumo sem fogo e nesta ordem de ideias, causa-me uma certa confusão mental porque raio se difunde a ideia, pelo mundo inteiro, de serem os americanos isto e aquilo. Só se pode explicar por uma embirração que o mundo tem com eles. Que raio de obcessão... Afinal, eles é que são os bons, eles e os que vivem na terra prometida, o povo eleito. Bom, já que os outros são os maus... não deixar créditos em mãos alheias e para isso aí temos diariamente a cabal demonstração de ensandecimento que nos chega através dos media, de ataques suicídas, raptos, degolações em directo, etc. etc. Conselho: nunca enfrentar um animal ferido ou colocar em causa a segurança de crias.
Talvez dê mais gozo por serem americanos e todo o mundo morrer de inveja deles... e do novo ordenamento mundial, do qual resulta proporcionalmente mais miséria do que na idade média. Sociedades evoluídas? Nós?
Sugestão de fim-de-semana:
Ver «O Planeta dos Macacos» de Frankin Schaffner ou ler «A Condição Humana» do Malraux; também se pode simplesmente ver o «Shrek» ou ler Júlio Dinis e fingir que nada se passa.
à tout propos (10)
One man come in the name of love
One man come and go
One man come, he to justify
One man to overthrow
In the name of love
One more in the name of love
In the name of love
One more in the name of love
One man come on a barbed wire fence
One man he resist
One man washed on an empty beach
One man betrayed with a kiss
In the name of love
One more in the name of love
In the name of love
One more in the name of love
Early morning, April four
Shot rings out in the Memphis sky
Free at last, they took your life
They could not take your pride
In the name of love
One more in the name of love
In the name of love
One more in the name of love
Spoken: For the Reverent Martin Luther King - saint.
In the name of love
One more in the name of love
In the name of love
One more in the name of love
In the name of love
29 de setembro de 2004
à tout propos (9)
28 de setembro de 2004
à tout propos (8)
à tout propos (7)
27 de setembro de 2004
à tout propos (6)
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OUTRA VEZ A LEGITIMIDADE DEMOCRÁTICA DE BUSH
Vem o antigo Presidente democrata dos EUA, Jimmy Carter - agora um destacado observador internacional de processos eleitorais - alertar para aquilo que considera serem procedimentos menos democráticos, sistematicamente ocorridos na Florida. Afirma ele que «as normas internacionais essenciais» não são observadas em tal parte do mundo.
Parece no mínimo preocupante, quando nos estamos a referir à mais velha democracia do mundo, ao modelo democrático que Tocqueville tanto elogiou sugeirndo como modelo a seguir para a Europa. Com todo o respeito, monsieur Alexis, muita coisa terá mudado desde então...
Mas não nos podemos esquecer que foram problemas deste género que levaram à recontagem dos votos após a eleição presidencial que sufragou Bush. O suficiente para o Partido Republicano colocar na Casa Branca o seu candidato presidencial. Qual seria a estratégia do Partido Republicano quando avançou com Bush? Agradar ao pai? Enterrar o partido? Ter lá alguém suficientemente incapaz para que outras forças pudessem governar o país e o mundo? Uma incógnita.
De qualquer modo, ali está ele, incrívelmente posicionado para vencer uma segunda vez. Alguma coisa o fazia prever? Só numa ficção bem ao jeito de Augusto Abelaira, como por exemplo «O Único Animal Que?», a que não faltariam as caixinhas com pulgas e as pastilhas-elásticas para aumentar a mandíbula e levar o cérebro à entropia. Qualquer semelhança com a realidade...
Jimmy Carter bem se esforça... mas como alguns insistem, «a América foi conquistada com armas e é com armas que os americanos se têm que defender». Defender, que é como quem diz, preservar o «american way of life and rule»...
Para concluir, tudo indica que, desta vez, se preparavam para eliminar milhares de eleitores de origem africana, que se posicionariam potencialmente entre o eleitorado democrata. A razão? Actividades criminosas...
Assim vai a democracia americana. Que diria agora Tocqueville? Sérias dúvidas ameaçam o meu vago entendimento...
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à tout propos (5)
26 de setembro de 2004
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25 de setembro de 2004
à tout propos (4)
Há dias, desconciliei-me, creio que brevemente, com um amigo após uma breve discussão, rotineira e insignificante. Não interessam aqui as razões. Ambos cuidamos, cada um à sua maneira, das nossas visões das coisas.
Quanto a mim, procuro não perder de vista determinados valores e princípios de orientação, que considero fundamentais e dos quais não quero abdicar. Uma questão de conformidade com tais «faróis», sobretudo quando se trata de posições estritamente relacionadas com direitos humanos e justiça. Muito para além de bem e mal.
Mas, regressando à história, o ponto-chave da discussão foi o momento em que, após esgrimidos argumentos e mais argumentos, saturado de dar explicações sobre algo que considero pouco discutível porque do intímo das pessoas, mandei o amigalhaço às urtigas, que é o mesmo que lhe sugerir que se copulasse, admito, sem pensar muito bem como. Daquelas coisas mecânicas, sem o serem verdadeiramente.
A coisa não lhe agradou, evidentemente, e assim nos despedimos, sensaborões. Cada um às suas, com as não menos suas convicções e apesar do devido reparo da minha parte. Tem a espontaneidade de um homem, destas coisas.
Ora, tudo isto para dizer que, acima de tudo, devo ser honesto comigo e com ele. Em bom rigor, o reparo foi apenas contextual, pois que era exactamente aquele dito que eu desejava naquele momento que ele materializasse, em sentido figurado, pois claro, que de outra forma não creio ser humanamente concretizável. Por enquanto. Afinal de contas, o Darwin também tinha as suas razões.
A questão que se coloca, por ser recorrente em algumas relações de amizade, é a seguinte (e não tem que ser necessariamente homologável a este caso em particular): porque razão teremos por vezes que nos ocupar dos outros e das suas coisas como se fossem as nossas, como se se tratassem de reality shows e não de pessoas?
Como a memória não fala, mas sim a razão...
à tout propos (3)
23 de setembro de 2004
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Na verdade, a silly season não mais foi do que um período intemporal, «a-histórico», revitalizante, por certo. Todavia, cá temos outra vez a Casa Pia e os heróis do segredo de justiça; um pugilato mediático-político revigorante, embora caduco, dentro do PS; a musculatura triunfal da gestão americana no Iraque, assim como os «raciocínios-bomba» bushianos,etc. etc.
Em bom rigor, temos mais do mesmo e até se descobrem novidades, como a condução do sistema em que assenta a educação em Portugal, mais a falta de respeito endémica pelos portugueses, sejam eles pais, professores ou alunos.
Isto soa um pouco a eterno retorno mas existem dados novos que deitam por terra essa aspiração dos menos convencidos. O Benfica vai em primeiro, as «women on waves» regressaram da pescaria à doca de Roterdam, o Bibi deixou de ser um homem solitário no seu processo, pela primeira vez Santana Lopes discursou na Assembleia Geral das ONU, pela primeira vez os nossos atletas nos Jogos Paralímpicos receberam ajuda para os ténis, etc, etc.
Em suma, temos um país dinâmico que não pára, está em movimento, towards sustainability, como é da moda. Mais, temos uma população mobilizada em torno das grandes questões, atenta ao desempenho (excelente do governo, diga-se de passagem) dos nossos governantes eleitos. Mais ainda, considero inacreditável quando se levantam vozes a colocar em causa o nosso querido torpor, afinal, o garante do nosso way of life.
Uma confissão: o que mais gostei de "O Planeta dos Macacos" foi o final pois é feliz. Nós somos aqueles e podemos dar-nos por muito satisfeitos....
31 de agosto de 2004
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Ora bem, creio eu (com alguma dose de fé) que uma das noções clássicas de Estado de Direito aponta para qualquer coisa como circunscrição territorial com fronteiras definidas, com uma população residente (portanto mais do que uma pessoa ou família), seguindo uma ordenação jurídica que normatiza a vida em sociedade (para além dos mores e de todo o complexo axiológico, evidentemente). Isto, entenda-se, mais coisa menos coisa, evidentemente.
24 de agosto de 2004
os deuses também já foram homens
Soares, Bernardo (2001): Livro do Desassossego, Lisboa, Assírio e Alvim, p. 115.







