28 de outubro de 2004
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à tout propos (36)
Há quem partilhe a opinião, segundo a qual, a política dos estados ocidentais está a derivar para a obcessão com a segurança, fazendo da guerra preventiva, da delinquência, desemprego ou epidemias, o instrumento recrutador de votos, o instrumento legitimador da barbárie e do próprio terrorismo.
Bom, com raras excepções naturalmente, cujo epicentro se encontra numa longínqua lingua de terra europeia a juzante de tudo e a montante de nada. Falo (não falo, escrevo...) evidentemente da obcessão com a comunicação social, e dos seus episódios rocambolescos, próprios de uma tourada à antiga portuguesa...
Em todo o caso, a ideia do Estado-Guerra como dispositivo capitalista de produção de ordem ao entender a guerra como ordem (e não um acontecimento excepcional) e como motor da economia, vai bastante além da sociedade de risco defendida por Ulrich Bech, visto não só assumir o risco como não enjeitar a ideia de o criar propositadamente.
Quem se interessar por estas coisas, vá a http://www.espaienblanc.net/ .
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à tout propos (35)
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27 de outubro de 2004
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26 de outubro de 2004
à tout propos (32)
à tout propos (31)
25 de outubro de 2004
à tout propos (30)
CONSELHO DISTRITAL DE ÉVORA DA ORDEM DOS ADVOGADOS
Jornadas sobre «Direitos Fundamentais: desafios para o século XXI»
LOCAL: ÉVORAHOTEL
PROGRAMA
Manhã
10h: Início dos trabalhos com algumas palavras prévias do Reitor da Universidade de Évora, Prof. Doutor Manuel Ferreira Patrício, do Presidente do Conselho Distrital de Évora da Ordem dos Advogados, Dr. João Vaz Rodrigues, e do Director de «Actæ - Centro Interdisciplinar de Estudos Políticos e Sociais», Prof. Doutor Silvério da Rocha Cunha.
10,15h: Dr. João Vaz Rodrigues (Presidente do Conselho Distrital de Évora da Ordem dos Advogados), «Homenagem ao Dr. Luís Nunes de Almeida, Presidente do Tribunal Constitucional».
Moderador: Dr. João Vaz Rodrigues.
10,30h: Prof. Doutor Olivier Feron (Universidade de Évora), «Republicanismo, Liberalismo e Direitos Fundamentais»
11h: Dr. Carlos Pinto de Abreu (Advogado, Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados), título a comunicar.
11,30h: Prof.ª Doutora Maria Eduarda Gonçalves (ISCTE), «Risco Tecnológico e Novos Direitos».
12h: Debate.
Moderador: Dr.ª Ana Sofia Estanqueiro.
14,30h: Prof. Doutor Silvério da Rocha Cunha (Universidade de Évora), «Direitos Fundamentais e Responsabilidade num Mundo Global».
15h: Prof. Doutor José Manuel Pureza (Universidade de Coimbra), «Descolonizar e Democratizar os Direitos Humanos».
15,30h: Prof. Doutor João Pedroso de Lima (Universidade de Évora), «Figuras e Limites da Tolerância».
16h: Prof. Doutor Pierre Guibentif (ISCTE), «Os Efeitos dos Direitos Fundamentais Hoje. Elementos de uma Apreciação Sociológica».
16,30h: Debate.
30 de Outubro
Moderador: Dr.ª Paula Teixeira da Cruz.
10,30h: Prof. Doutor Francisco Soares (Universidade de Évora), «Direitos Humanos e Literatura».
11h: Dr. Paulo Teixeira Pinto (Advogado), «Do direito de Cidadania à cidadania do Direito».
11,30h: Prof. Doutor Mário Reis Marques (Universidade de Coimbra), «Direitos Fundamentais e Afirmação de Identidades».
12h: Debate e fim dos trabalhos.
à tout propos (29)
22 de outubro de 2004
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21 de outubro de 2004
à tout propos (28)
E é muito bem feito! Assim é que a justiça vai para a frente, com gente culta, instruída. Por outro lado, esses malandros dos professores que andam por aí na vagabundagem, vão começar a vergar a mola, agora é que vão ver as listas de colocações...
E tenho poucas dúvidas de que a resolução de processos complexos como o da «Casa Pia» ou o «Apito Dourado», por exemplo, vão passar a ser decididos enquanto o diabo esfrega um olho. Deixem-no esfregar os dois, se querem ver do que estes rapazes são capazes... E entretanto, os delegados do Ministério Público vão passar a ser capatazes de obras públicas porque estão habituados a lidar com hordas; ou então, porteiros de discoteca, para bater de uma assentada no réu e nos advogados de defesa.
Aposto que o Sr. Primeiro-Ministro não deverá ter andado muito longe deste tipo de raciocínio absurdo e néscio (salvo uma ou outra excepção), quando, em mais um momento de hilariante alucinação, lançou a boca dos professores assessores de juízes. Ou isso, ou foi mais uma interpretação errada das palavras de um membro do governo. Começam a ser demasiadas, se calhar é melhor nem falar, nem sequer pensar, porque desconfio que há por aí nozes metidas no crâneo de alguns, que em nada devem ao conteúdo do quadro de Warhol...
19 de outubro de 2004
à tout propos (27)
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Pasme-se, quando este indivíduo vem agora dizer que se tratou de uma cabala política contra o governo, orquestrada pelo próprio professor Marcelo Rebelo de Sousa, em conluio com os jornais Expresso e Público.
Convém contextualizar esta situação. Estamos a falar de um ministro e não de um vendedor de cebolas (com todo o respeito que me merece quem venda esse tipo de tubérculo); estamos a falar por isso, de um membro do governo a opinar para os órgãos de comunicação social em nome do governo, num local de alta carga simbólica e institucional e na condição de ministro dos Assuntos Parlamentares. Por estas razões, a posição revelada hoje pelo senhor ministro é extraordinariamente absurda e miserável porque é ele o principal responsável pela polémica gerada, ou pelo menos, é ele o rosto da mesma.
Foi ele quem manifestou, em representação de todo o governo, a sua indignação pelos comentários supostamente eivados de mentiras, proferidos por Marcelo, sugerindo que naqueles moldes (sem principio do contraditório) não seriam toleráveis. Como se não estivesse consagrada a liberdade de expressão, como se a opinião fosse sancionavel judicialmente, como se a pluralidade de opinião fosse proibida, como se o governo não fosse criticável…
Faço um apelo à memória para que não deixemos de considerar que este senhor não é nem um aprendiz de político (militante do PSD desde 1978, deputado à Assembleia da República entre 1979-83 e 2002-04, membro das assembleias municipais de Lisboa e Cascais, membro de diversas comissões parlamentares), nem o governo de que faz parte poderá mostrar ponta de ingenuidade na relação com a comunicação social, revelando minúcia e ardileza no trato com este sector: é a ascensão mediatizada a lideranças de clubes de futebol, câmaras municipais e ao governo pelo seu actual líder; são os cuidados evidenciados pela profusão de assessores de imprensa; é a ambição de criar um órgão regulador da informação, ou seja, um filtro… Não foi da sua casa de campo, no meio de um barbecue que vimos Gomes da Silva trajado de fato-de-treino a aventar palpites.
Cabala? Tiro no pé, é o que é… Se a comunicação social tivesse dado à situação o tratamento que o Sr. Ministro pretendia, nesse caso, o que seria? Perante tamanha irresponsabilidade só há uma saída e mesmo assim, da desconfiança e da instabilidade política (que a todo o custo o Sr. Presidente da República pretende disfarçar) não se livra este governo.
PS: ah, já agora, alegrem-se os que vão ver baixar o IRS e ver aumentado o salário. Mas, façam as contas os que poupam e os que têm créditos à habitação (que não são poucos), para verem no final do ano como pode ser paradoxal uma diminuição de IRS… é que, não há almoços grátis, dizia o outro.
PPS: disfarçar um elefante numa plantação de morangos, pintando-lhe as unhas de vermelho não é senão um chiste…
18 de outubro de 2004
à tout propos (26)
à tout propos (25)
17 de outubro de 2004
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16 de outubro de 2004
à tout propos (24)
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15 de outubro de 2004
à tout propos (23)
13 de outubro de 2004
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De bestas a bestiais ou de vilões a heróis... Após a demonstração que não, que os nossos campeões não estão para brincadeiras ao cilindrarem esta noite o Liechtenstein, perdão, a Rússia (com uma abada de 7 a 1), teremos amanhã todo o tipo de publicações desportivas e não desportivas a elevar aos céus os mesmos que haviam crucificado. Da Bola ao Expresso, passando pelo Jornal de Letras, Artes e Ideias ou pelo Semanário Económico (desconfio que os gajos do Le Monde Diplomatique também estiveram em Alvalade). Lá enaltecerão uns o espírito de grupo, outros falarão das fintas do C. Ronaldo e da magia de Deco, enquanto para alguns o que conta seria a privatização da selecção e cotar as acções em Bolsa.
É curioso como, em estimulando a imaginação, vejo distintamente uma enorme massa amorfa em movimentos pendulares que oscila com a natureza dos ventos. Como quando submersas, as algas dançam ao sabor das correntes. Amanhã os nossos rapazes vão ter as estátuas de volta pois se reconciliaram com o pessoal. É bonito.Parabéns ós gaiatos.
Vislumbro no entanto, um início de fim-de-semana a seco: a selecção venceu por isso não se pode dizer mal; o Marcelo está de férias ou o gato comeu-lhe a lingua e apesar de tudo o Primeiro-Ministro continua em campanha eleitoral. É preocupante... e do que é que a malta da comunicação social vai falar? ALguma coisa se há-de arranjar...
Lá dizia com estonteante profundidade, o namorado de uma prima minha:
Há ondas que vêm
Há ondas que vão
Umas que trazem peixe
e outras... principalmente
12 de outubro de 2004
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11 de outubro de 2004
à tout propos (22)
10 de outubro de 2004
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DEIXEM JOGAR A MALTA!
Após mais uma (...) prestação da selecção de futebol, agora diante do poderoso Liechtenstein, eis que de novo surgem os inevitáveis comentadores de futebol que vociferam a sua ira contra os nossos campeões. Os mesmos, note-se, a quem invariavelmente se beijam os pés quando sabe a vitória. É certo que aqueles tipinhos com a cabeça nos pés, que se dão ares de importantes; que ganham bom dinheiro; que combinam uma calça de tirilene da boss com uma camisa de seda côr-de-rosa da armani - resguardando a tatuagem sioux logo abaixo do pescoço - e coleccionam «espirituosas» babes em robustos bólides descapotáveis; e que são solicitados para de tudo fazer diante das câmaras, em género do habitual biscate popular; são enfim, expostos à mais impia inveja. O que é desagradável. E tudo por apenas fazerem o que gostam mas tal agravo não me parece razão para tanto, já que de oiro não são feitos (embora se perceba que deles precisam como pão para a boca essa corja que lhe gira na órbita).
Por isso mesmo, sempre que se pede aos partidários das quinas para conduzir o jogo... «xiiii patrão»... Confesso que não raras vezes adormeço, quando vejo alguns dos jogos. Aliás, tive oportunidade de ver o jogo em Leiria, com a Estónia (ou seria a Letónia?) e, só por vergonha não cabeceei um ou dois ombros ali mesmo... Mas também, seja reposta a verdade das coisas, pois se era para dormir tinha ficado em casa, porque obrigado ali não fui.
Assim, temos uma equipa de qualidade inferior (apesar do valor técnico e comercial de cada jogador, dizem as calendas gregas que para equipa não basta ter um conjunto de pessoas, há que lhe ajuntar massa consistente), com um tipo de jogo pobre, embora com o intenso brilho que só uma constelação pode providenciar.
Em suma, face ao que está, nem sequer podemos falar em desilusão porque a quem mais não sabe, a mais não é acometido. O raciocínio argumentativo é semelhante a este: nós, cá na terra, jogamos andebol de muito má qualidade, mas como as mazelas e os ténis são por nossa conta, as 13 ou 14 pessoas que lá vão também não protestam connosco; preferem protestar com os gajos vestidos de preto (pois os não vão ver mais nenhuma vez durante largos tempos), despejando todas as frustações que se acumulam durante a vida no trabalho, com os filhos, com os futebóis e o homem das farturas.
9 de outubro de 2004
à tout propos (20)
8 de outubro de 2004
os deuses também já foram homens
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à tout propos (19)
7 de outubro de 2004
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6 de outubro de 2004
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A democracia representativa portuguesa, ao contrário do que por vezes se possa pensar, assenta num sistema pluripartidário, no qual são reconhecidos como partidos ou movimentos políticos (a concorrer em eleições), mais de duas dezenas de agrupamentos, apesar de apenas 5 com assento parlamentar. Na prática, já o sabemos, o nosso sistema tende ao bipartidarismo em torno de dois grandes partidos que alternam entre si o governo do país.
Mas a actividade parlamentar não se resume ao governo nem à aprovação de leis. Cada grupo parlamentar desenvolve diariamente trabalho de apoio para as diversas comissões especializadas, de inquérito, assim como para novos projectos de lei, etc., etc.
Ora, a ideia de um sistema representativo pluripartidário implica, na minha opinião, duas características fundamentais. Em primeiro lugar, dá voz às diversas sensibilidades assim como às especificidades e clivagens de grupos sociais, territoriais, profissionais, etc. No mesmo sentido, permite de algum modo suster um ou outro leve ressaibo que soe ao que Tocqueville denominou «tirania da maioria». Em segundo lugar, a presença de diversos partidos fomenta o debate ideológico, alarga o objecto da discussão, matiza a agenda política.
Com a queda do muro de Berlim, a dissolução da URSS, a consolidação crescente da economia de mercado, o alargamento dos princípios democráticos inclusive a países provenientes da cortina de ferro, a entrada de alguns deles na OTAN e na UE, entre outros factores, torna-se claro que o mundo mudou. No caso português, as transformações sucederam-se como o dia sucede à noite, desde a entrada na União Europeia à ratificação da Constituição Europeia a ter lugar muito brevemente. Com aquelas mudanças no plano internacional é instaurada uma nova ordem mundial, na qual se configura uma nova hegemonia cultural, económica, política, bélica. Só que, entretanto, o mundo já havia mudado (e continua em constante mutação) desde o Manifesto do Partido Comunista, em 1843. Ele foram guerras mundiais, ele foram direitos cívicos, sociais e políticos conquistados (consoante os países), foram guerras invisíveis, a crescente complexidade das sociedades com as divisões sociais do trabalho e sequente necessidade de especialização, a assunção da sociedade de informação, etc., etc. Contudo, o projecto comunista não sofreu alterações (não se trata de rever toda uma teleologia, toda uma ideologia da emancipação), não houve lugar à redefinição da clássica luta de classes em torno dos meios de produção no sentido de alcançar uma sociedade mais justa e igual. O mundo continua simplistamente dividido entre oprimidos e opressores, entre burguesia e proletariado. E estamos a falar da mesma sociedade onde os dois partidos do poder focalizam os seus discursos numa imensa classe média (dificil de discernir onde começa e onde acaba); onde a mobilidade social conheceu uma dinâmica inaudita; onde o acesso à educação foi democratizado e massificado; mas também, onde o Estado tem vindo a ser espoleado...
Por outro lado, são conhecidas as circunstâncias com que o PCP se debate, ditadas a partir de fora mas também de dentro: os maus resultados eleitorais sucedem-se (perda de deputados à AR, perda de câmaras municipais, desvio de votos para o BE e para o PS), dissenções renovadoras dentro do próprio partido que apelam à exigência de redefinição adaptativa às novas realidades (conduzindo à dissidência e até à expulsão de militantes históricos), o aumento da abstenção eleitoral, contemporânea da despolitização das sociedades, a crise verificada nos partidos políticos que ocorre a par de um fenómeno de personalização da política (e sabemos como o PCP é dentre todos, o partido político com a mais consistente estrutura organizativa...). É claro que não devemos obliterar todo o trabalho que nos últimos 30 anos em democracia (para não falar da extraordinária luta que levou a cabo no exílio, nas prisões, em caves, contra a ditadura fascista), o PCP desempenhou ao nível do governo, da acção parlamentar mas também no plano local, no apoio às populações mais excluídas. Mas era esse o seu papel, tal como, de outro modo, o é a acção da Santa Casa da Misericórdia, por exemplo.
Ao anunciar, a um mês do congresso (6 de Novembro), a sua indisponibilidade para continuar à frente dos destinos do PCP, Carlos Carvalhas cria uma crise de sucessão? Ao que parece, a sua decisão era conhecida pelo Comité Central há um ano. Entretanto, quando ainda não passaram vinte e quatro horas sobre o anúncio, eis que a comunicação social apresenta um forte «candidato», Jerónimo Sousa. Se as decisões dentro do PCP são publicitadas com um ano de desfasamento, nesse caso, o sucessor de Carvalhas na liderança do PCP é conhecido há já bastante tempo, sendo o congresso apenas um pró-forma.
A opção pela continuidade apresenta um risco imediato para um sistema de representação pluripartidária: o acentuar do enfraquecimento que o PCP enfrenta. A ruptura também não me parece solução, até porque existe todo um espaço político ocupado por outras forças partidárias (embora nesta altura, a esquerda à direita do PCP conheça interstícios desocupados...).
A questão essencial é esta: está o PCP actual em condições de responder às exigências da sociedade portuguesa, apresentando um projecto concreto e incisivo que sirva a mesma?
4 de outubro de 2004
à tout propos (16)
Já aqui havia dado conta de alguns aspectos eleitorais menos claros no estado da Florida, nomeadamente a eliminação das listas eleitoriais de 22 000 afro-americanos e 61 hispânicos. De acordo com a lei eleitoral daquele estado, os indivíduos condenados por crimes perdem os seus direitos cívicos e só os recuperam após cumprida a pena. Democrático, não?
O interessante é quando é conhecido o tradicional apoio político dos afro-americanos aos democratas e dos hispânicos aos republicanos. Mais, é no mínimo estranho aquele rácio, quando as proporções de população criminal e as outras, respeitantes àquelas comunidades étnicas, não se cifram certamente em cerca de 361 afro-americanos para cada hispânico. Com Porto Rico, Cuba, República Dominicana ali tão perto? Com a linha de fronteira com o México diariamente em pé de guerra?
Por outro lado, continuam os problemas com o sistema de contagem de boletins de voto na Florida. A polémica veio para ficar apesar de substituídas as máquinas de cartões perfurados pelas de ecran tactil (depois da célebre recontagem manual de votos em 2000, a pedido do candidato derrotado Al Gore). A razão? As máquinas não emitem o recibo de voto, o que significa que nem o eleitor se certifica de ter a máquina registado correctamente o seu voto, nem é possível verificar os resultados calculados pelo sistema de contagem de votos.
3 de outubro de 2004
à tout propos (15)
2 de outubro de 2004
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à tout propos (14)
Finalmente, o nosso Ministério da Cultura começa a ter preocupações com tal objecto. Está de parabéns e por isso, no bom caminho.
Finalmente, o Ministério da Cultura e a Câmara Municipal de Évora vão celebrar um protocolo para a construção da nova biblioteca pública e arquivo distrital. Paralelamente, será construída uma biblioteca municipal. As três infraestruturas serão construídas na zona de expansão dos leões. A proposta de protocolo apresentado pelo MC foi aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal. Pudera, os custos para as infraestruturas públicas ficam a cargo do MC. Só é pena que não pague também a infraestrutura municipal (a biblioteca municipal), já que o peso excessivo da interioridade, das boas práticas (o Polis é um exemplo de «benefício do infractor»), já o pagamos diariamente.
1 de outubro de 2004
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30 de setembro de 2004
à tout propos (11)
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ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS AMERICANAS
E, sem embargo, todo o aparato em torno das eleições presidenciais norte-americanas, com o enorme o show off habitual, investidas e contra-investidas (de conteúdo...), mais escândalo e menos escândalo, mais dollar, menos «petroil», com mais pólvora ou menos pólvora, eis que, bem espremidinhas as propostas, do nectar nem sinal. Pessoalmente, tenho a convicção que nada vai mudar no mundo (em termos de política externa) a não ser o continuar da insatisfação internacional, da repressão e da parasitagem sobre a natureza e os povos. O estilo de vida americano não se compadece com sacrifícios económicos, e é absolutamente incompatível com a preservação ambiental ou a competência alheia. A diferença entre Kerry e Bush é menor que a espessura de uma folha de alface, embora Kerry aparente ser menos extemporâneo, mais ponderado.
Por conseguinte, é na gestão de expectativas e interesses dos poderosos que se faz um mandato na Casa Branca, logo, quem dá a cara até pode ser uma amiba unicelular (se existir) como a que lá está, pois as decisões já lhe são entregues escritas em papel (embora ele teime em falar por sua conta e risco, à desgarrada mental consigo próprio, mais ou menos como o espécimen surpresa que nos deixaram em S. Bento).
O primeiro de três debates, hoje às 21 horas na Florida (2 de Portugal), poderá ter o efeito de sedimentar a vantagem de Bush nas sondagens ou, pelo contrário, despoletar a reviravolta. Talvez, pelo seu estilo menos enganchado em oposições binárias do estilo right and wrong, Kerry seja o menos mau, sobretudo para o próprio eleitorado americano. A que nível? Do civismo e da interiorização de algumas concepções básicas e cosmovisões que a divisão do mundo em dois operada por Bush, desmantelou. Ao aumentar as clivagens, acantonando-as em dois grandes grupos, Bush contribui para o estímulo de fundamentalismos de toda a ordem, seja do lado das manifestações nacionalistas pós 11 Setembro, seja de grupos islâmicos radicais ou cristãos, ou hindus, etc. É este o grande contributo de Bush para o mundo e é tanto responsável pela actual situação mundial como Sharon o é pela presente entifada (sem pretender com isso escamotear problemas que já existiam antes).
Por isso, os americanos que se cuidem pois não há fumo sem fogo e nesta ordem de ideias, causa-me uma certa confusão mental porque raio se difunde a ideia, pelo mundo inteiro, de serem os americanos isto e aquilo. Só se pode explicar por uma embirração que o mundo tem com eles. Que raio de obcessão... Afinal, eles é que são os bons, eles e os que vivem na terra prometida, o povo eleito. Bom, já que os outros são os maus... não deixar créditos em mãos alheias e para isso aí temos diariamente a cabal demonstração de ensandecimento que nos chega através dos media, de ataques suicídas, raptos, degolações em directo, etc. etc. Conselho: nunca enfrentar um animal ferido ou colocar em causa a segurança de crias.
Talvez dê mais gozo por serem americanos e todo o mundo morrer de inveja deles... e do novo ordenamento mundial, do qual resulta proporcionalmente mais miséria do que na idade média. Sociedades evoluídas? Nós?
Sugestão de fim-de-semana:
Ver «O Planeta dos Macacos» de Frankin Schaffner ou ler «A Condição Humana» do Malraux; também se pode simplesmente ver o «Shrek» ou ler Júlio Dinis e fingir que nada se passa.











