6 de março de 2005

em de-talhe

Mas alguém me pode explicar como é que uma pessoa, no caso, um pretenso advogado marialva, pode dizer sentir-se «mais confiante e seguro» por beber Actimel porque contém l'casei immunitas?
É mais ou menos assim: um tipo bebe aquilo e de seguida é o maior da sua rua. Os tipos da Red Bull dizem que dá asas mas parece-me que é metaforicamente. Talvez o l'casei immunitas seja um alucinogénico e nesse caso já me parece mais credível.
Esta é a descoberta do século para a epidemia do século XXI. Já alguém informou os psiquiatras? Um conselho à malta dos opiáceos: bebam Actimel, é bem mais barato, não é ilegal e alimenta. E acima de tudo, é seguro!

O «bigode» português




O «bigode» português é um retrato do Portugal sisudo e carrancudo que marcou sucessivas gerações de portugueses. É um tipo de bigode que parece durar sempre, alérgico à mínima corrente de ar que o possa despentear. É certo que há bigodes e bigodes mas o típico português ama o fado e assim, melancólico, jamais sucumbirá às pressões da novidade (ver foto). Ama Portugal, as sandes de couratos, o Benfica, os brandos costumes e o seu maior desejo é que os seus filhos sejam como ele, tal como ele munca se desviou um milímetro daquilo que já era o seu bisavô.
Esta é a herança do bigode, que podia muito bem ser a camisinha aberta a revelar o peito másculo, a desproporcional e multi-funções unha do mindinho ou o fatal palito que range entre os pré-molares inferiores.

3 de março de 2005

Movimento reformador do direito canónico

A recente polémica em torno do Padre Nuno Serras Pereira é uma verdadeira falácia. O homem não está a fazer mais do que seguir à risca o normatizado no direito canónico (segundo ele, que eu não o li; estive a ler coisas do Castells, do Inglehart e da Pipa Norris, mesmo agora).
Poder-nos-emos questionar quanto aos métodos mediáticos de publicitação da sua posição (é lá com ele e com a Igreja), mas confesso que não compreendo o espanto, nalguns casos, a indignação.
Se esta é ou não uma perspectiva ortodoxa da interpretação do direito canónico, não estará naturalmente em causa para os católicos informados. É assim que está postulado e ele apenas não faz uma interpretação adaptada à mudança social. Grande coisa, está no seu direito. E para isso, não é preciso ser padre...
Ainda assim, seria possível imaginar os momentos que antecedem a comunhão, com os padres a aplicarem questionários, auxiliados por uma bateria de indicadores, para perceber se cada indivíduo em causa usava meios contraceptivos, aceitava o aborto, as relações homossexuais, o consumo de tabaco, a eutanásia, a ida de militares para o Iraque, etc. E no final, os que fossem considerados suspeitos, eram submetidos a um Júri que os castigava com penas entre 5 meses e 10 anos com inibição de receber a óstia.
Para grandes males grandes curas, talvez o melhor seja alterar o direito canónico; e que sejam permitidas relações sexuais hedonistas e carnais (e não exclusivamente para reprodução), inseminação artificial, cerveja preta, andar de mota e outras das coisas interditas aos cristãos.
Enfim, no final, lá veio D. José Policarpo, na sua imensa paciência, pôr água na fervura.

Ode ao desenvolvimento sustentável do litoral de Sanches



Praia de Sesimbra.
Isto é aquilo a que eu chamo ordenamento do território e desenvolvimento sustentável. Talvez ainda ali veja um dia a desfrutar daquele belo empreendimento o Sr. Saldanha Sanches e a sua digníssima esposa, a Magistrada Maria José Morgado (será ela a sua fonte de informação sobre a corrupção dos autarcas portugueses?).
Provavelmente, aquilo que ele chama favorecimento do interior e que por sinal o «enjoa», será porventura algo relacionado com a preservação do património natural? Nesse caso sim, admito que o interior é favorecido.
Nesse caso aconselho o seguinte. Já que têm leis, cumpram-nas! E prevaricador, tanto é o autarca, como o empreiteiro, e fundamental, o consumidor final, que pode muito bem ser o Sr. Sanches, o Santana Lopes, a Cinha Jardim, o Castelo Branco, etc., mas não o «Zé Ceroulas» que para ser visto pelo médico tem que pagar um taxi, ficar em lista de espera desde as 5 da manhã, comprar milhares de medicamentos e sobreviver com uma mísera pensão social. E tem horas para ficar doente: das 9 da manhã às 9 da noite!
PS: junto à falésia, encontra-se uma placa com a seguinte inscrição: Parque Natural da Arrábida - FALÉSIA INSTÁVEL

Prevenção ex post facto

Segundo parece, os testes de sobriedade estão a generalizar-se em algumas escolas americanas, fazendo parte do seu dia-a-dia.
Sem delongas e transpondo esta realidade para o caso português, imagine-se o que ganharíamos em produtividade e diminuiríamos em custos de seguros de vida, tratamentos e indemnizações, se o Estado português exigisse e regulamentasse a aplicação de testes semelhantes aos trabalhadores portugueses... As vidas que se poupariam.
... e sem ser por isso que a autonomia individual é posta em causa: afinal, não os fazemos já perante a BT? Não nos submetemos a testes idênticos para entrar em empresas ou no quadro de um organismo público? não somos já espiados em espaço público por aparelhos de vídeo (bancos, praças, estradas, serviços públicos e até cafés)? não somos sujeitos a fiscalização às contas bancárias em casos específicos? Desde que salvaguardas as questões éticas, por que não? Não é exactamente para isso que existem as comissões éticas e conselhos deontológicos?
E que tal começar pelos agentes da autoridade antes e depois de entrar de serviço?
Ah, e já agora, que se começasse (mesmo que à revelia dos costumes portugueses) a responsabilizar as pessoas pelos seus actos?
Infelizmente, aquilo que é tido como uma ética da responsabilidade, não pode, no caso português, deixar de ser indissociado dos mecanismos de condicionamento esplícito do Estado porque dificilmente é inculcado no quadro de referência colectivo dos portugueses (latu sensu, evidentemente). Por isso, as multas de trânsito dificilmente (também) vão parar de ser agravadas. A prevenção, no caso português (e não só, mas aqui que vivo), adquire contornos muito especiais... é a posteriori.

2 de março de 2005

à tout propos (146)




A Hibernação é um estado letárgico pelo qual muitos animais de sangue quente passam durante o inverno, principalmente em regiões temperadas e árticas. Os animais mergulham num estado de sonolência e inactividade, em que as funções vitais do organismo são reduzidas ao absolutamente necessário à sobrevivência.
Os ursos não são excepção, mesmo aqueles que passam por situações desagradáveis provocadas por inflamações anais.
Dr. Soyus Carrothands

1 de março de 2005

Usança mui antiga, a da chibata

Hoje fui enviado numa missão de alto risco, para um local a abarrotar de militares, ex-militares, indivíduos que sempre sonharam com fardas, bombeiros e um ou outro civil, naturalmente olhado de soslaio. Ali, um gajo tem que ser um homem, comportar-se como tal e se estiver em campo aberto, não enjeitar a oportunidade de cuspirr para o chão, mandar um piropo a uma funcionária ou dar uma ajeitadela nervosa nos marros.
Lá estava também o inevitável oficial da GNR, impassível, olhar duro, postura inflexível, exemplarmente ataviado com reluzentes botas de cavalaria, barrete debaixo do braço, com as insígnias da GNR reveladoras do árduo trabalho com o Duraglite. Segurava porém na mão direita, imóvel, um singular objecto: uma chibata de couro com 50 ou 60 cm, ornamentada com os motivos da nobre cavalaria, em desafio ao ar.
Ora, hoje, mais do que nunca, continuo a questionar-me sobre o propósito daquele objecto permanecer integrado na farda n.º 1 (de gala, de honra) dos oficiais provenientes da cavalaria. Cagança, dirão alguns... Mas no meio de gente desarmada, em tempo de paz, sem cavalos por perto e, fundamental, sem moscas para enxotar, levanta-se uma questão fulcral: para que raio serve aquilo?
Não creio que se destine a disciplinar as hostes, caso a reunião degenerasse em discussão apaixonada ou até violenta (conforme os casos, assim o trato...). Certamente estaria na presença de homens disciplinados, pacíficos, mas pelo sim e pelo não, cá fiquei sentado não muito distante da porta de saída. Ainda para mais, não havia na sala uma única mulher. Naqueles meios a presença de mulheres é uma espécie de interdito, e confesso que isso aumentou significativamente os meus receios. Também não estou a ver o tipo arrancar de carro fustigando furiosamente o tablier enquanto desfere incisivos golpes com as esporas nos pedais.
Nunca fiando de homens fardados, de botas altas e com chibatas nas mãos. Nunca fiando...

à tout propos (145)



Uma alma caridosa conseguiu finalmente arranjar a Santana Lopes um emprego honrado e à sua medida. A sua entrada na empresa depende apenas da confirmação de óbito do indivíduo que surge na imagem anterior.

em de-talhe



Pela primeira vez na sua «carreira política», Santana prepara-se para terminar um mandato. A ideia é acabar com o resto, imediatamente antes de atacar a presidência da república, o seu sonho dourado (o que ele sempre viu escrito nas estrelas). Os lisboetas que se cuidem. Antes lá do que cá...

28 de fevereiro de 2005

à tout propos (144)



Romania, 1990 - An orphan in an institution for "incurables", James Nachtwey
Ironicamente, põe-se a questão: qual era propriamente o papel do Super-Estado romeno? Talvez o mesmo do Estado esvaziado, que caracteriza não raras vezes os países que assentam o seu modelo de organização político-administrativa em sistemas tribais ou nas concepções liberais mais radicais?
No fundo, esta é a expressão apoteótica do «triunfo dos mais fortes» levada ao extremo. A que redunda em desapego comunitário, a que continua a postular a falidíssima concepção de solidariedade orgânica; a que julga que só os mais fortes têm lugar na história da humanidade.
Produção, custos, decisão, eliminação.

O Portugal boçal de Saldanha Sanches

É este o mais fiel retrato da boçalidade e mesquinhez do Portugal pequenino e atrasado. Pode se encontrado numa entrevista irresponsável (como tantas outras) do fiscalista Saldanha Sanches.

É lamentável o conteúdo da entrevista, lamentável a defesa do mais profundo, aberrante e retrógrado conservadorismo, da mais desviada noção de desenvolvimento económico e equilíbrio social de um país, e revelador da atitude mais nociva a qualquer ideia de integração, da qual, a União Europeia é o principal garante.

Também importa lembrar ao Sr. Sanches, que é também do litoral a maior fatia de responsabilidade do desordenamento do território, do desrespeito pelas normas ambientais e pelo mais que previsível desrespeito pelo Protocolo de Quioto, assim como o esvaziamento do interior que ele despreza de modo tão rude.
Desafio igualmente o Sr. Sanches a levar as suas suspeitas ao Ministério Público e as sustente com provas. Caso o já tenha feito, nesse caso, é perfeitamente claro qual o seu grau de respeito pelas instituições democráticas, em particular pelo segredo de justiça; ele, um arauto da democracia e da justiça em Portugal.

Óscares

Esta noite em Hollywood, cumpriu-se mais uma sessão de intenso folclore mediático encenado com as usuais técnicas dramaturgico-circenses de difusão comercial, que no fundo, são a essência da entrega dos Óscares.
Ainda há quem passe em claro essa noite «mágica», para ver um espectáculo fastidioso, no qual não é o mérito que conquista as estatuetas mas sim o amiguismo, as opções políticas encorajadas e sobretudo, o show biz.
Este é, por excelência o mundo do consumo mediatizado onde são ensaiadas as melhores armas de marketing económico e político, fazendo deste, um produto directamente ligado ao condicionamento implícito de massas. Curiosamente, um fenómeno amplamente estudado por americanos.

Só assim se percebe o posicionamento político de todo um país com nefastos efeitos externos, quer no plano ambiental quer no plano cultural; só assim se entende o melhor exemplo de sociedade coisificada, ao nível da consciência feliz marcusiana, debaixo da capa da mais velha democracia do mundo e por isso, acima de qualquer suspeita; só assim se compreende que um filme vencedor seja baptizado com o corriqueiro nome «Million Dollar Baby», realizado por um realizador que não se conseguiu desembaraçar do nível que o balizou enquanto actor.
The show must go on, e assim se vai entretendo a chusma, entre risos e choros.

em de-talhe

PORTUGAL, VISTO LÁ FORA
Cedido por cortesia de um amigo
«Artigo de Michael A. Weinstein, professor da ciência política na universidade de Purdue, em Indiana nos States. É autor de 21 livros e de numerosos artigos académicos e de análise nos campos da ciência política geral e da teoria política. É analista do Power and Interest news Report.
Para rir:
In the all-important economic sphere, Santana Lopes strayed from the neo-liberal path by proposing to cut the family tax, which mostly impacts the middle class, and to raise wages and pensions for public employees. His plans evoked public opposition from his Finance Minister Antonio Bogo Felix who represented the sentiments of Portugal's financial and business communities. Both Bogo Felix and Portugal's central bank warned that the tax cuts and wage hikes would compound the country's deficit problems, causing greater friction with the E.U. and dampening the already poor investment climate.
Para chorar:
The disconnect between Socrates' vision and Portugal's reality is a symptom of the severe weakness of the country's economy that places strict limits upon the ability of any government -- whether left or right -- to generate renewal. There is a distinct possibility that Portugal is poised to become the first failure of the European experiment, posing embarrassing decisions ahead for the E.U. as it attempts to maintain its standards and preserve its integrity».

25 de fevereiro de 2005

em de-talhe



O FILHO PRÓDIGO À CASA TORNA

Ontem, a Antena 1 deslocou-se a Redondo para emitir em directo da Sociedade Harmonia e Progresso Redondense, a apresentação do último album do Vitorino. A ocasião justificou a visita de dezenas de populares, ansiosos por ver e escutar a emissão da RDP. A In Tenui Labor esteve lá para assinalar o momento. E foi com algum esforço... pois já há pouca pachorra para lidar com a extrema modéstia da «estrela» redondense.

24 de fevereiro de 2005

à tout propos (143)




- «espera... sim?! talvez um pouco mais abaixo... humm, sim, aí! continua amigalhaço!»

à tout propos (142)

Como hipnotizar um homem em duas simples etapas:
Instruções:
1) Entrar no site abaixo clicando no link.
2) Clicar na foto e arrastar para cima ou para baixo, para a direita ou esquerda, e LARGAR.

à tout propos (141)



Na gáspia, em perseguição do Portugal em fuga. Há 862 anos...

23 de fevereiro de 2005

à tout propos (140)

Vida, paixão, moral e desconsolo... Vídeo interessante. Só isso, mas esteticamente não está pior.


http://boi.geness.ufsc.br/videos/dm9ddb.wmv

à tout propos (139)



Eis o guardião dos valores conservadores, esteio da moral cristã e ilustre representante dos bons e ancestrais costumes portugueses.

à tout propos (138)



Com Jorge Serafim
É técnico da Biblioteca Municipal de Beja, contador regular nos serões da Biblioteca. Tem feito inúmeras sessões de contos para crianças, jovens e adultos em bibliotecas, centros de animação e participado em encontros em Portugal e Espanha.

"Vinde ouvir, há janelas por abrir".

em de-talhe

PSD em convulsão interna. Avançam heróica e corajosamente Marques Mendes e Luís Filipe Meneses. Na penumbra, no sossego da observação descomprometida, movem-se interesses, gizam-se as verdadeiras estratégias. Tudo o resto é show off para a imprensa. E aqueles dois, são meros peões que nem os sociais democratas desejam, a não ser para um curto período de transição.
Neste campo, Marques Mendes perfilha-se como o candidato ideal pois é um homem que domina o aparelho e essa qualidade é fulcral para arregimentar os militantes em torno de um projecto unificador, apaziguador das clivagens actualmente existentes. 2 a 3 anos no máximo, período mais do que suficiente para que o futuro Presidente pense no carro a levar em «rodagem» ao Congresso da sua consagração...
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Entretanto, uma palavra de consolo para Luís Delgado, o qual, apropriando-se de todo o tempo de antena de que dispõe nos media nacionais, veio-se a revelar o mais fervoroso defensor de Santana Lopes. Foram tantos os meses, quantos os da traumática governação do seu amigo pessoal, como o próprio admite e se orgulha. Ontem, na SIC notícias, Luís Delgado não só admitiu como exibiu um brilho nos olhos quando Luís Osório o classificou como o férreo defensor de Santana Lopes.
Claro que esta é a realidade do jornalismo português; uma realidade medíocre, néscia e impune, tão dependente quanto subserviente de interesses específicos e tentaculares. É ultrajante.

22 de fevereiro de 2005

à tout propos (137)

Chegámos ao fim de mais um período de sondagens fraudulentas. Termina mais um ciclo e por isso, está na hora de divulgar os resultados dos preliminares... Para aquecer, aí vai:
Os nossos leitores teimam em insistir que «homens temporariamente sós» liga com «tarde ou nunca se endireitam». 29% dos leitores optaram por esta hipótese, que do ponto de vista racional, não faz sentido. E não faz sentido porque a condição temporal que é apresentada implica de per si, um intervalo de tempo, uma descontinuidade. Logo, esses homens endireitam e entortam, mas não se quedam em permanência nessa última posição. A qual, aliás, deve ser dolorosa.
A resposta menos escolhida, «mulheres satisfeitas» (11%) era a correcta. Não sei como dizê-lo mas, já viram certamente os animais com o cio. Ora, segundo uma outra sondagem, parece que os homens temporariamente sós são iguaizinhos.
23% dos inquiridos responderam «bolas de ténis no ar». Quer dizer, não tem nexo nenhum, não se compreende. Aliás, tive ocasião de dizer o mesmo ao Rui Reininho, mas o gajo é teimoso como o raio.
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Confesso que fiquei descansado quanto à ideia de vender o Alentejo para equilibrar o défice: ninguém se ofereceu para ser vendido aos EUA. Uff.
Em contrapartida, verifico nos meus leitores uma certa apetência pelo Noroeste e Sudoeste asiático, não sei se atraídos por catástrofes ou por bordoadas nos queixos: 29% gostariam de ver o Alentejo vendido à Coreia do Norte, enquanto 21% prefeririam morar paredes meias com os Ruak, em Jacarta na Indonésia.
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Foi também interessante verificar como Santana Lopes nunca devia ter ido para a política: os nossos leitores fazem uma representação mental do (ainda) Primeiro-Ministro, demasiado colada às soirées de pequeno-almoço epossivelmente à noite do Intendente. Com efeito, 23% acreditam que ele será no futuro um transformista a actuar num qualquer bar rasca da Brandoa, enquanto as hipóteses gigolo (engatar colegiais no Kremlin) e modelo de José Vilhena, recolhe 36% divididos em partes iguais.
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Por fim, 83% das pessoas que votaram na questão relativa ao consumo de drogas, admitem consumir. Pior ainda, para 33%, «a vida é uma festa». Isto é uma afronta. E mais não digo.
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Brevemente teremos mais

à tout propos (136)

Humor e criatividade em forma de arte.
Para ir ao site, clicar no título deste post. Para ver um vídeo, clicar AQUI!

à tout propos (135)

RESULTADOS PRELIMINARES DAS LEGISLATIVAS
Ver em TSF-online (recordamos que ainda não estão disponíveis os resultados referentes aos círculos da emigração).

em de-talhe



Doubt, stop

Sinopses eleitorais

A vitória do PS era previsível, anunciada, exigida e, na medida exactamente inversa, a derrota do PSD não era menos esperada. Só faltavam os números, os quais, não só foram retumbantes como também esclarecedores. E este último ponto é o mais importante. Foram esclarecedores porque representam em minha opinião, mais do que uma oportunidade à esquerda, uma rejeição inequívoca da direita. Isso é claro. A esquerda contabiliza até agora (ainda faltam apurar os 4 deputados dos 2 círculos da emigração) 61,7% dos deputados apurados (226 dos 230 deputados), ficando a muito pouco de uma maioria qualificada no parlamento, a qual romperia finalmente com a hegemonia partilhada do PSD e PS em questões estruturais, cuja alteração carece do compromisso de dois terços dos deputados. A vitória é, naturalmente, dos portugueses.

Em segundo lugar, travando todas as tendências abstencionistas, os eleitores portugueses inverteram uma tendência que se começou a fazer notar com preocupação a partir de meados da década de 80. E este é talvez o segundo facto com maior interesse nas eleições de dia 20. Os altos níveis de abstenção, seja em democracias consolidadas ou recentes, são talvez o principal indicador de natureza legal que comprova e alimenta a crise das instituições políticas e do modelo democrático. A participação convencional assim como a heterodoxa, são imprescindíveis para a qualidade das democracias.

Para além da vitória do PS, importa salientar o extraordinário desempenho do BE e surpreendente volte face da CDU. Pessoalmente, já lhes tinham dado a extrema unção. Enganei-me, pelo menos por agora. Também beneficiaram da deriva à esquerda, apesar de, dos três partidos, talvez tenha sido o BE quem mais trabalhou para ela.
Portas esteve bem, assumindo as responsabilidades. Santana… igual a si próprio, já a pensar com o sangue na guelra, no seguinte devaneio, cujos danos colaterais ainda não suspeitamos. Cavaco, em particular, está na mira.

Falava-se hoje do Presidente da República, que viu a sua decisão ser comprovada pelo povo. Continuo sem concordar com o timing das suas decisões, e justifico-o apelando à deserção política de um Primeiro-Ministro mandatado pelo povo português e ao qual não deu cavaco (em posts anteriores pode ser seguida a restante linha de argumentação, que aqui não vou repetir). Pura ambição pessoal e nisso, é farinha proveniente do mesmo saco onde desencantaram Santana. Se Sampaio o fez por amor ao PS, é condenável. O certo é que abriu um grave precedente porque a Dissolução da Assembleia, ainda que debaixo da capa do «normal funcionamento das instituições», foi decidida no nebuloso âmbito da subjectiva avaliação de «falta de credibilidade» de um governo… Foi essa a sua vaga explicação, que redundou num enormíssimo torcer de nariz nacional. E sem embargo, já sonhávamos com esse dia 30 de Novembro...

Finalmente, o Cavaquistão caiu. Alarmante a natureza leiriense… Como previra em Esclarecimentos Eleitorais – entre Évora e Leiria, naquele distrito do centro, a luta iria disputar-se por um deputado: PS ganhou 1 e PSD perdeu 1 (em relação a 2002). Quanto ao BE, também se verificou a sua maior votação relativamente à CDU (mais 1 ponto percentual), incapaz de chegar aos imensos operários fabris do distrito de Leiria.
Em Évora, muito mais previsível, com a única dúvida que restava a ser desfeita em favor da CDU. Ainda assim, é curioso notar como o candidato comunista, antigo Presidente da Câmara de Évora, deve a sua eleição a concelhos rurais do distrito e não no concelho de Évora, ao qual presidiu durante 25 anos.

20 de fevereiro de 2005

19 de fevereiro de 2005

em de-talhe

AFINAÇÕES E REPAROS

Como é do conhecimento geral, há um tipinho - Bandido Original - integrado numa corja pestilenta mais ampla, tem como hobbie espremer as suas gordas borbulhas em blogues decentes como este.

Este Sr. Bandido colocou há dias um comentário no meu humilde espaço democrático e dialógico, no qual (como em outras ocasiões), insiste com parábolas diletantes e dogmáticas como a que passo a citar.
Diz ele, num português prosaico e arrastado:

«O Bloquistas, ou seja, os apóstolos da UDP, do PSR ou da Politica XXI, sabem o que são?Ou sequer o que querem?A vossa raça de bombeiros, os chicos espertos apaga fogos, que nem fazem ideia da razão pela qual o fogo começou, proferem brilhantes discursos intelectuais na altura de apagar o fogo, mas é só!É mesmo só isso, discursos!O Bush tambem os tem, e tambem os sabe proferir...Coitados...»

Para além disto não fazer qualquer sentido, importa fazer dois ou três reparos que se pretendem revitalizadores daquele cérebro empedernido:

1. Mas onde é que aquele senhor ouviu aquela do Bush saber discursar? Se ele chama qualidades oratórias a um balbuciar atabalhoado de fórmulas simples indiciadoras de condicionamento explícito... O homem nem tem discursos nem sabe falar, ponto. Para quê comparar a feira de Borba com o cú das calças? Isto, por si só, é demonstrativo da enorme confusão que vai naquela pequena noz...

2. Uma pergunta a esse indivíduo: mas onde é que radica essa sua obsessão com as minhas opções políticas? Isso interessa-lhe para quê? Desconfiará porventura que sou algum dissidente que importa controlar? Serão isso tiques da vossa «cultura democrática»?

3. Uma sugestão a esse sujeitinho: que leia, fashavor e se tal não lhe for exageradamente penoso, qualquer coisa como, por exemplo, Para Além da Esquerda e da Direita (Anthony Giddens). O conselho é didáctico e pode vir a revelar-se-lhe bastante útil.

Rogo-lhe finalmente, que não se ponha com as infantilidades do costume a dizer que «isso é terceira via, blá, blá, blá, e que o Estaline vem-nos buscar, blá, blá, blá».

Que esse senhor passe bem e acolha com humildade as sugestões que generosamente lhe dirijo.

17 de fevereiro de 2005

O eleitor indeciso



Sócrates, Santana, Porta, Louçã e Jerónimo têm nos últimos dias apelado ao eleitor indeciso para não se abster no Domingo.
Ei-lo, e não podia estar mais contente por ser tão disputado.

à tout propos (133)

PS com maioria absoluta e BE, a 3ª força política mais votada a par da CDU. São estas as últimas sondagens da Católica. À medida que nos vamos aproximando de Domingo, mais acertados vão ficando os prognósticos.

A memória de Nuno Rogeiro

O famoso e imparável enciclopedista português Nuno Rogeiro, assina um texto – Nada Disto aconteceu – no DN, no qual recorda aos portugueses alguns episódios da governação PS.
Para além do evidente mérito da memória, este eminente e galopante «intelectual postador de pescada» tem igualmente a destreza da leviandade. Mas eu também! Por isso, sem recorrer a arquivos e escrito em 22 minutos, contribuo também com o meu chorrilho de factos, apesar de não dispor como ele, de direito de antena.

A saber


- Aumento vertiginoso do desemprego com o seu apogeu (até ver) em Dezembro de 2004;
- Saída de capitais para o exterior, nomeadamente através da deslocalização desenfreada de empresas;
- Incapacidade em conter (pelo menos) o défice das contas públicas, mesmo com o recurso a receitas extraordinárias e aumento de impostos directos como o IVA;
- Análise negra do estado da economia pelo mesmo Cavaco Silva e por diversos economistas nacionais e estrangeiros;
- Perda acentuada de poder de compra dos portugueses;
- Análise negra do estado da política por Cavaco Silva, Freitas do Amaral, Pacheco Pereira, Mário Soares e outras personalidades, alinhando todos no mesmo diapasão quanto à escandalosa incompetência dos actuais governantes;
- Alienação ao desbarato do pouco património imobiliário do Estado que resta;
- Polémica risível e absurda em torno do «Barco do Aborto»;
- Total desrespeito pelas deliberações da ONU e a vergonhosa posição assumida na «Cimeira da Guerra» (Base das Lajes);
- Planos de combate à evasão fiscal assentes na teoria da isenção fiscal…
- Continuação das ligações perversas ao mundo do futebol, envolvendo maioritariamente autarcas e militantes sociais-democratas;
- Afastamento da magistrada responsável exactamente pela condução dos processos relativos à perversidade do mundo do futebol;
- Rejeição da co-incineração sem esboçar uma alternativa técnica, económica e socialmente equilibrada;
- Quedas sucessivas de ministros e episódios lamentáveis como a colocação dos professores, a assunção do «Estado Católico», o agravamento das listas de espera nos hospitais, as contas no estrangeiro em nome de sobrinhos taxistas, os anúncios delirantes como a ida de professores para os tribunais, desconcentração circence de algumas Secretarias de Estado; duplicação do número de guarda-costas em relação ao anterior Primeiro-Ministro e generalização despesista de polícias e seguranças pelos diversos ministérios;
- Tragédias sucessivas no combate e prevenção de incêndios, em parte devidas ao desinvestimento em limpeza de matas, vigilância e coordenação de meios; aumento do número de mortes nas praias, acompanhado dos cortes orçamentais na vigilância das mesmas;
- Insistência na construção do Túnel do Marquês, «contra ventos e marés», desprezando os pareceres técnicos e dispensando a elaboração de um estudo de impacto ambiental;
- Tentativas de ingerência na RTP, na Assembleia Geral da CGD, na TAP, Cruz Vermelha Portuguesa, etc.;
- Agravamento inclassificável nas contas municipais da capital, seguido de desresponsabilização;
- Filosofia de miséria na RTP, levando o serviço público à quase morte, apenas adiada pela mobilização de jornalistas e sociedade civil;
- Expectativas de aumento do interesse dos cidadãos pela política, mobilizados para correr com o actual governo (o desinteresse, Sr. Rogeiro, é transversal às várias democracias, como o Sr. bem sabe, mas escamoteia);
- Tentativa dissimulada de calar comentadores políticos incómodos;
- Deserção imperdoável de um Primeiro-Ministro mandatado por 4 anos pelo povo português, após a derrota nas eleições europeias;
- Estado geral de guerra civil dentro do Governo (com sucessivas apunhaladas), demissão de ministros, vítimas de traições e intrigas palacianas.


Enfim, nada disto foi um sonho… E a minha memória não é, decididamente tão boa como a de Nuno Rogeiro.


«Não penses muito que te cansas» (ARV) Filantropo alentejano e contas não são o meu forte.

16 de fevereiro de 2005

Red bohemian sunset

Este homem está sempre a facturar

Santana Lopes remeteu a explicação do aumento do desemprego (7,1%) para o anúncio de dissolução da Assembleia da República, em 30 de Novembro. Diz ele que "as decisões de investimento estagnaram".
Sem pretender ser demasiadamente prosaico, quer-me parecer que há 2, 3 anos atrás andávamos na casa dos 3, 4%...
A mimesis é um factor crucial para entender o desemprego e com efeito, terão pensado os industriais, empresários e administradores de direcções de empresas: «epá, ó Cunha Melo, se o gajo, o Sampaio, despediu o Santana, porque é nós não havemos de despedir essa horda de gajos que nos sugam milhares todos os meses em ordenados?»
E assim terá acontecido.

Nem com um pouco de sal...

Talvez por ser a quatro, o debate de hoje foi substancialmente menos mau do que o anterior (somente com Santana Lopes e Sócrates). E uma vez mais, não será demais afirmar que o não foi unicamente pela responsabilidade da dinâmica desenvolvida pela entrada de mais dois contendores, pela ligeira alteração do formato (menos rígido) e sobretudo pela qualidade imprimida no registo discursivo de Francisco Louçã.
Daqui resulta que a constatação de, caso o debate tivesse sido realizado com os mesmo dois (Sócrates e Santana), teríamos o mesmo resultado sensaborão, arrastado e a não interessar nem ao Menino Jesus.
A que se segue, é a minha cansada leitura dos antecimentos.
Desta vez José Sócrates até esteve melhor, aprendeu a lição ao documentar-se(!) e a explicitar algumas orientações programáticas, concretizando inclusive algumas ideias. No entanto, deixa-se ir em demasia na estratégia perfeitamente dispensável de trazer à cena o estado deplorável da nação e de responsabilizar obsessivamente os dois últimos governos. É esse o papel da oposição, já o sabemos, mas resulta numa perda de tempo compulsiva.
Quanto a Santana Lopes, deixou o ar miserável e infeliz em casa, e no mano a mano continuou a demonstrar uma excelente condição argumentativa. No entanto, tudo o que diz soa um pouco a dejà vu (ou dejà entendu), e não se lhe ouvem propostas concretas de acção, à excepção da política de estágios e pouco mais. Menos eloquente na segunda parte, reconhece-se-lhe a perda progressiva de fulgor, acomodado à cadeira, em especial quando o seu «parceiro» Portas se demarca dele e dá a entender que os acordos são para se cumprir mas somente no caso de virem a ser precisos.
Paulo Portas manteve-se quase sempre bastante sóbrio, concentrando-se quase exclusivamente no trabalho desenvolvido pelo seu partido no governo. De forma irritante. Em matéria de conteúdo programático, também não se fica a rir do seu parceiro de coligação: o deserto de ideias é evidente. A sobriedade deu lugar na segunda parte ao seu estilo muito próprio, que acabaria por arruinar o seu discurso final.
Finalmente, o vencedor, o rei da noite. Francisco Louçã, não só demonstra possuir um profundo conhecimento nas mais diversas matérias, como é capaz de manter um excelente nível de raciocínio na apresentação de ideias e propostas concretas. E é aqui que justamente reside a maior diferença entre uns e outros: não enjeitando o confronto e não prescincindo de uma atitude incursiva e crítica, Louçã distancia-se dos demais porque não abdica da concretização das ideias, propõe, e lá vai explicando como.
Apesar de todos se terem esquivado quanto a acordos pós-eleitorais (à excepção do já conhecido), foi evidente o flirt de Sócrates a Louçã, estratégicamente perspectivando o futuro, procurando deixar as portas, pelo menos entreabertas. Portas fez a mesmíssima coisa... Mas o curioso foi ver como a esquerda apareceu muito mais convergente do que o habitual e apesar de todas as diferenças que vão do BE, passando pela CDU até ao PS.
Habitualmente muito mais próximos, CDS-PP e PSD, não conseguiram destavez passar a imagem da coesão.
Provavelmente, quem também ficou a ganhar com este debate terá sido o PCP, por Jerónimo de Sousa se ter apresentado afónico... Sabe-se lá se não estratégicamente. Afinal, não há ninguém que não tenha tido pena do homem...

14 de fevereiro de 2005

Ainda os esclarecimentos eleitorais

Este post surge no seguimento de um comentário de Alexei, ao texto «Entre Évora e Leiria: esclarecimentos eleitorais», e que desde já agradeço pela perspicaz contribuição que representa.

O comentário, que passo a citar, reporta-se àquilo que o seu autor denomina a falácia do voto útil:

«O voto é sempre útil. Se votas num partido que não vai ter representação parlamentar, também é útil. É útil à democracia, porque estás a contribuir, ainda que de forma limitada, mas efectiva, para a pluralização da vida política. Significando aumento da participação cívica e ampliação do espectro político-partidário, o voto tem sempre um carácter qualitativo de enriquecimento e utilidade para a democracia»
Com efeito, o autor toca num aspecto fundamental, o da cidadania activa e consciente. Não pretendo ser mal interpretado com a afirmação do voto «desperdiçado», que, admito estar associada ao voto útil. Por isso ressalvei com as motivações ideológicas que vão legitimar exactamente o pluralismo falado e em que a nossa democracia assenta constitucionalmente.

Quando falo em voto «desperdiçado», refiro-me unicamente à conversão de votos em mandatos, uma vez que apesar de não conseguir a eleição de deputados, um pequeno partido como o BE conquista – e isso é notório – cada vez mais eleitorado de eleição para eleição. Por isso, coloquei entre aspas o termo «desperdiçado», porque de facto não é!
O voto é realmente útil e de tal forma que é bem possível que em 20 de Fevereiro, o BE consiga eleger deputados por outros círculos eleitorais para além de Lisboa e Porto.

Todos estes contributos são acolhidos com satisfação. Faço apenas um reparo, em jeito de lamento, que tem que ver com o facto de não serem os partidos políticos os primeiros a assumir a sua função informativa e pedagógica.

13 de fevereiro de 2005

os deuses também já foram homens



On my way back II

à tout propos (132)

A PSP de Lisboa anda a fazer rusgas em jardins e a apreender baralhos de cartas aos reformados.
Mais uma excelente medida de combate à criminalidade na capital. É assim mesmo, mostrar a esses meliantes quem é que pode jogar às cartas: «jogo de cartas só na caserna!»
Entretanto, ficamos a saber que os nossos impostos servem afinal para alguma coisa...

12 de fevereiro de 2005

Hanno stato bravissimi



The Gift, em Évora, no Theatro Garcia de Rezende
Ontem, os The Gift demonstraram em Évora porque são uma das bandas mais consistentes da actualidade musical. Amadureceram bastante e têm beneficiado extraordinariamente da disponibilidade que têm em assumir uma relação descomplexada com os sons e os ritmos. O resultado é um trabalho equilibrado, diria harmonioso.
Sónia, a voz é soberba, sabe encher os interstícios musicais tornando a música uma experiência incrívelmente bela e emocionante. Liga com a sua voz, todas as pontas de um vestido por alinhavar enquanto lhe dá a coloração desejada. E sabe-a usar tão bem quanto a sua extasiante expressão corporal, qual metrónomo a regular os andamentos.
No final do 2º encore, quem lá estava não pediu mais. Sónia, em português e Nuno ao Piano. Entre belo e sublime, o último aconhego da manta antes de apagar a luz...

11 de fevereiro de 2005

em de-talhe

O RECONHECIMENTO BUROCRÁTICO
Em 2001, José Ramos, um 1º Sargento da Força Aérea P., foi a pedra basilar na torre de controlo da Base das Lajes, para que um A330, aterrasse em relativa segurança, após cerca de meia-hora sem combustível.
O trabalho do piloto é inquestionável, mas sem as orientações de José Ramos, fundadas nos seus cálculos de tempo, velocidade, distância e altitude, é praticamente certo que o aparelho se teria despenhado, e com ele, 300 pessoas perderiam a vida.
O reconhecimento do sangue frio deste militar, aconteceu 4 anos volvidos, sob a forma de um louvor da FAP, entregue friamente através da Secretaria da Base; sem honra nem glória, sem pompa nem circunstância.
Bem sabemos que era a sua obrigação, fosse militar ou civil. Mas será isto, remotamente comparável com o reconhecimento pelo Presidente da República, a 2 dúzias de inúteis armados ao pingarelho por se terem classificado em 2º lugar no Euro 2004, quase com honras de Estado?
Há qualquer coisa de errado e perverso nisto. Este país transpira por todos os seus poros este tipo de situações absurdas, revelando a total ausência de equlibrio que um país sóbrio e organizado deveria ter.

à tout propos (131)

As andorinhas já aí estão a anunciar a primavera, bem mais cedo do que estava acordado com a natureza há milhares de anos. A humanidade não está isenta de responsabilidades nesta quebra contratual...

em de-talhe

CO-INCINERAÇÃO
Perfeitamente absurda, toda esta discussão política em torno da co-incineração. A questão torna-se ainda mais absurda quando essa discussão passa à fase de decisão sem ter havido uma discussão séria a nível técnico.
Triplamente absurda quando toda a gente, com ou sem interesses, se manifesta políticamente, sem quaisquer fundamentos técnicos de suporte.

8 de fevereiro de 2005

Entre Évora e Leiria: esclarecimentos eleitoriais

Com o aproximar do dia 20 de Fevereiro, data marcada para as eleições legislativas, cumpre tecer algumas considerações que permitam esclarecer de algum modo os excelsos (e)leitores quanto à utilidade do seu voto num sistema representativo como o nosso. Assim, este texto não é destinado aos «eruditos» mas sim a todos quantos desejam diminuir angústias e desfazer algumas das tradicionais confusões que se levantam em matéria de eleições e representação democrática. Advertimos desde já, para a condução despretensiosa do texto, tanto política como cientificamente.

Recorremos a dois casos concretos que permitirão exemplificar como se processa a distribuição de mandatos: Évora e Leiria nas legislativas de 2002.

Mas antes de analisarmos aqueles aspectos mais práticos, importa clarificar um punhado de princípios básicos, nos quais assenta, grosso modo, o nosso sistema eleitoral.

1. Em primeiro lugar, convém recordar que, nas legislativas, cada um de nós vota para eleger deputados à Assembleia da República e não para eleger um Primeiro-Ministro ou um Governo. É o Presidente da República quem nomeia um governo, após proposta da Assembleia da República.

2. O nosso sistema é proporcional, ie, visa garantir a representação das várias sensibilidades político-ideológicas existentes na sociedade. Por isso, em tese, é um sistema pluripartidário, apesar de no nosso caso assumir diversas vertentes (ver Sartori), que sem embargo o dão efectivamente próximo do bipartidarismo.
3. O voto de um conimbricense não se destina ao «bolo» nacional. Esse voto conta apenas dentro do distrito em causa e contribuirá para eleger ou não, um candidato por esse distrito.

4. Os distritos do país coincidem territorialmente com os círculos eleitorais, que no caso português, são plurinominais. Quer isto dizer que em cada distrito (ou circulo plurinominal) pode ser eleito mais do que um deputado, variando conforme a dimensão do círculo. Essa dimensão é expressa em razão do número de eleitores. No caso de Lisboa por exemplo (o maior círculo eleitoral), são eleitos 48 deputados em função dos cerca de 1 800 000 eleitores residentes nesse distrito.

5. Em ordem a converter votos em mandatos, o sistema eleitoral português recorre ao método de Hondt (método da média mais alta), o qual, apesar de tender a beneficiar subliminarmente os maiores partidos, visa garantir a proporcionalidade e o natural acesso de várias forças políticas ao poder.
___________

Depois deste esgotante preâmbulo, passemos à visualização prática da distribuição de mandatos em Évora e Leiria, dois círculos eleitorais de pequena e média dimensão, respectivamente.

Évora, com aproximadamente 146 000 eleitores tem direito a eleger 3 deputados, os quais ficaram em 2002 equitativamente distribuídos por PS, PPD-PSD e CDU. Acontece porém que o PS ficou a uns escassos 371 votos de eleger um 2º deputado. Neste caso, teria sido o malogrado Lino de Carvalho (CDU) que não teria conseguido a eleição, caso tivesse registado menos 371 votos (na contabilização directa de votos entre PS e CDU). O PPD-PSD elegeu confortavelmente 1 deputado, com mais 3 208 votos que a CDU.

Quanto ao CDS-PP e BE, só teriam tido hipótese de eleger um deputado caso o distrito de Évora elegesse 18 deputados, no caso do primeiro, e 51, no caso do segundo. Ou seja, só ao 51º deputado é que o BE conseguiria eleger um deputado por Évora, mercê dos seus magros 1 611 votos e do cálculo relativo ao método de Hondt.

Por Leiria são eleitos 10 deputados, em virtude dos cerca de 385 000 eleitores do distrito. Em 2002, o PPD-PSD elegeu 6, o PS garantiu 3 e o CDS-PP viu 1 candidato eleito. A disputa pelo 10º e último deputado não foi cerrada, tendo o PPD-PSD eleito esse deputado com mais 2 606 votos que PS. Por fim, neste caso, a CDU precisaria que por Leiria fossem eleitos 21 candidatos e o BE conseguiria eleger 1 deputado se fossem 40, os lugares em concurso no distrito.
O caso de Leiria é particularmente interessante devido à sua estrutura produtiva. Sendo um distrito com forte densidade industrial (dos cimentos da Maceira, passando pelos moldes da Marinha Grande, até às indústrias de rações, etc.), não deixa de ser curioso que a CDU seja a 4ª força mais votada, com menos de metade dos votos da 3ª força mais votada. Os tempos do proletariado urbano já lá vão…
Em contrapartida, o BE parece encontrar menos obstáculos em Leiria por duas razões objectivas: menor peso da CDU do que no Alentejo; maior percentagem de população urbana. E sem contar com a maior dimensão deste círculo eleitoral, aumentando a probabilidade de eleger deputados (são 10 em Leiria e apenas 3 em Évora).
___________________

Em suma, quer num, quer no outro caso, os votos nos partidos que não elegerem quaisquer deputados poderão ser votos «desperdiçados» a menos que a motivação seja exclusivamente ideológica ou estratégica (dar força para eleições posteriores).
De resto, sem entrar em generalizações abusivas, os partidos pequenos só conseguem eleger deputados em: 1) grandes círculos eleitorais; 2) onde exista uma apreciável dimensão em termos de cultura urbana, juvenil e pós-materialista (BE) ou estejam implantados historicamente (casos do CDS-PP no Centro Norte e CDU no Centro Sul); 3) em circunstâncias específicas ditadas por votos de protesto ou abstenção eleitoral.

Os dois casos ilustram bem como o método de Hondt não favorece tanto os pequenos partidos como os grandes: caso a proporcionalidade fosse directa, em Leiria, o PPD-PSD teria direito a 5 e não 6 deputados porque a percentagem de votos rondou precisamente os 50% e haveria 1 deputado a ser «repartido» entre BE e CDU.
Finalmente e perante a actual conjuntura política, não surpreende que em Évora o PS venha a eleger 2 deputados, legando a disputa pelo 3º a Abílio Fernandes e Maria João Bustorff (com aparente vantagem do comunista). No caso leiriense, é crível que a luta se dê quase exclusivamente entre PPD-PSD e PS, com os socialistas em boa posição para equilibrarem as contas num dos 4 distritos portugueses (mais R.A. Madeira) com maioria «laranja» nas últimas eleições para o Parlamento Europeu.
PS: mas pelo número de deputados por círculo tambem é possível ver como é profundamente injusta a sua distribuição: em Leiria existe em teoria 1 deputado por cada 38.391 eleitores; em Évora, cada representante na Assembleia da República tem «a seu cargo» 48.780 eleitores.
É assim, a nossa proporcionalidade e discriminação positiva das regiões mais desfavorecidas, as quais redundam num favorecimento evidente aos maiores partidos e ao litoral.

7 de fevereiro de 2005

à tout propos (130)

A propósito disso, está neste momento a chover novamente. Os deuses devem estar loucos! Duas vezes no mesmo dia? E com mais intensidade! Com granizo e tudo!
Quem dera ser vendedor de guarda-chuvas...

Choveu!


Choveu em Évora! A equipa de reportagem de In tenui Labor andou nas ruas e, como se pode ver no canto inferior esquerdo, há efectivamente dois transeuntes que se abrigam debaixo de um guarda-chuva. Eram precisamente 11h20. Apesar do fenómeno ter ocorrido durante escassos minutos, verificou-se uma corrida desenfreada aos guarda-chuvas, que entretanto se esgotaram.
Quem não teve oportunidade de ver este fenómeno ciclico que ocorre raras vezes, terá que ter paciência e esperar pelo próximo ano.

Gémeos falsos

Há uns dias, enquanto deambulava num site de um conhecido jornal desportivo, apercebi-me das cogitações emocionadas do jornalista, que conjecturava sobre a utilização no próximo jogo do Benfica, de dois centrais brasileiros de grande porte: Luisão e André Luís. Para isso, o mesmo jornalista não enjeitou referir-se metaforicamente aos dois, como sendo as «Torres Gémeas».
Apesar da comparação infeliz, até do ponto de vista simbólico (condenadas a cair...), os comentadores do canal televisivo que transmitiu o jogo do Benfica com a Académica, nunca abdicaram de se referir aos jogadores centrais do Benfica pela mesma designação: «não passa pelas torres gémeas», «as torres gémeas limpam a área», etc., etc.
Acontece que ontem, havia uma torre mais gémea que a outra. Um dos jogadores era efectivamente o Luisão - brasileiro, 1,92m, negro (as características de André Luís são exactamente iguais às enunciadas no caso de Luisão). Sem embargo, a outra torre era a dar para o mirrado (sem qualquer demérito desportivo) e descolorado: chama-se Ricardo Rocha, português, 1,83, branco. Os comentadores foram simplesmente invadidos por uma terminologia que papagueavam mecânicamente, sem se deterem por um só momento no respectivo significado.
Que estes tipos estão sempre a meter os pés pelas mãos, não é novidade. Aliás, o desempenho do comentador de ontem é demonstrativo de alguma irracionalidade que se estende, de resto, um pouco por toda a classe jornalística actual, devedora em termos de brio profissional, afogada em notícias inúteis. Não raciocinam enquanto fazem comentários, enquanto entrevistam alguém e muitas vezes, na própria edição de peças ou alinhamento editorial. Tudo se passa na maior irresponsabilidade onde o que conta é vender.
Escandaliza, porque se trata da mesma classe profissional que, através de um médium privilegiado, mobiliza multidões frenéticas, cria factos de diversa índole, despoleta processos judiciais, influencia a economia, «depõe» governantes e fá-lo, por vezes, dentro da maior leviandade que se possa imaginar.
E só quem por lá passou pode pronunciar-se sobre esta irresponsabilidade em toda a sua extensão. Alguns continuam a bater-se lá no interior por valores e éticas, e desses, poucos são os que não estão recostados numa incómoda prateleira. A grande parte, responde a impulsos fisiológicos e pouco mais...

6 de fevereiro de 2005

5 de fevereiro de 2005

em de-talhe

Caso vença as eleições, Santana Lopes admitiu ontem na televisão (onde mais poderia ser?), convidar para Vice-Primeiro-Ministro, Miguel Cadilhe.

Essa é uma excelente notícia, vamos deixar de ver as tias, ciganas, minhotas e os tradicionais «patronex» a carregar toneladas de ouro porque Cadilhe já advertiu que uma das medidas a seguir para resolver a questão do défice deverá passar pela venda das reservas de ouro nacionais.

A parte dificil será reunir cordões, brincos, broches, dentes e cachuchos de ouro dispersos por esse país fora (e nas cuecas no Castelo Branco), porque, por questões de segurança, o Estado português decidiu há já alguns anos, deixar de concentrar as reservas de ouro em caixas-forte...

Mas continuo com a minha opinião no que toca a receitas extraordinárias: o Alentejo daria uma boa maquia...

à tout propos (128)



"Pavonada", António (Expresso)




4 de fevereiro de 2005

em de-talhe



«Voto Útil» e «A Estabilidade é Útil para Portugal» são alguns exemplos de frases ilustrativas da colagem que Portas e amiguinhos pretendem fazer à imagem de competência que tanto anseiam passar para o eleitorado. Não é novidade.
O que é novidade é tratar a estabilidade como algo meramente «útil», logo e por definição, «que serve para alguma coisa», «que pode ter algum uso ou serventia», «proveitoso», «vantajoso» e até «prestável».
Eu diria que a estabilidade é fundamental e não um mero apêndice. Útil também pode ser uma esferográfica com bussola, um porta-chaves com pen drive ou uma cadeira com rodinhas.
Em todo o caso, também não é novidade nenhuma a leviandade com que os nossos assuntos são conduzidos por esta gente.

A que sabe a água morna?

Da hora e meia de debate, cerca de 20 minutos (entre as 20h30 e as 20h53) do meu precioso tempo foram esturrados em nada, conservando o registo por que se tem pautado a pré-campanha eleitoral, falto de conteúdo e ideias, extremamente rico em acusações inúteis e pessoais. Santana, como peixe na água, dá baile.

Foi desta forma que iniciou o frente-a-frente entre os dois líderes partidários. Como Rodrigo Guedes de Carvalho (um dos quatro jornalistas-moderadores) frisou, esse período serviu para aliviar a tensão acumulada pelos dois, durante os últimos dias. E serviu com uma eficácia apreciável, porque o resto do debate caracterizou-se por ser desenxabido e monótono. A isso não será alheio o figurino «à americana» escolhido, cujo cronómetro negou a possibilidade de debate e talvez também, de raciocínio. Muito americano, de facto.

Debalde, ambos com a lição muito bem estudada, «nem comeram nem deixaram comer»… Repassados os temas dos impostos, das pensões sociais e combate à pobreza e Administração Pública, Sócrates ensaia finalmente a inversão da tendência em falar em circulo, sem concretizar e escudando-se num discurso vago e sensaborão, sem nunca dizer «como fazer». Só quando se começa a falar de emprego é que o socialista consegue ter um discurso minimamente estruturado e concretizador.

Ao contrário de todas as expectativas, Santana apresenta-se melhor informado para o debate (recorrendo aos números) mas sem a vivacidade retórica que o caracteriza e é justamente na temática do emprego que por momentos vacila.

O ambiente (com a co-incineração), o tema dos valores e sociedade, e a vitória nas eleições, devolvem o equilíbrio pachorrento, não adiantando nada de novo. Divergem ligeiramente quanto ao conteúdo de questões como a co-incineração ou o referendo à interrupção involuntária da gravidez, mas na forma, mais não fazem do que ampliar pequenas divergências: um admite fazer um referendo, o outro quer fazê-lo quanto antes; um admite que uma pequena parte dos resíduos sólidos perigosos não têm destino concreto, o outro, a custo, lá justifica que é exactamente para esses resíduos que serve a co-incineração.

Desde o início, Sócrates mostra-se mais confiante, embora tenso e isso vê-se na postura permanentemente erecta e rígida do corpo e mãos. Exagera todavia na responsabilização do actual governo (desta legislatura) por tudo o que é mau neste país, sobretudo em matéria económica. De outra parte, Santana não esconde o desgaste, dando a impressão do aborrecimento e da fartura em ter que conviver com uma morte anunciada.

Encerram, cada qual com o seu discurso livre e Sócrates destaca-se pela boa preparação do texto, enviando uma mensagem positiva e apelando à mudança, no sentido da transmissão de energia aos portugueses e finalizando a sua intervenção com um bucólico «porque acredito nos portugueses e em Portugal». Muito apropriado.
Santana, com à vontade e sem nunca desviar o olhar da câmara, começa por recuperar a declaração de anúncio de demissão de Guterres quando afirmou que o país estaria prestes a entrar no pântano, alertando para o facto de a lista de Sócrates, integrar o mesmo grupo com o qual, Guterres se recusou a continuar. Insiste na sua boa governação enaltecendo as medidas concretizadas e a sua disponibilidade para nunca desistir; o tal que depois de uma rábula no Big Show Sic, anunciava a sua indisponibilidade para continuar na política…

E do debate, o que fica?
1. Dois líderes com reais aspirações que protagonizaram um dos mais pobres frente-a-frente que já vi.
2. A monotonia reflecte a quase ausência de clivagens políticas e ideológicas entre ambos, incapazes de mostrar em que é que são diferentes, onde está a necessidade de mudança. A distância que os separa é tão grande quanto a espessura de uma folha de alface.
3. Não se falou de questões essenciais como a educação, saúde, justiça e nem mesmo de estratégia macro-económica.
4. Longe de serem convincentes, denotaram um de dois aspectos: ou não sabem peva do que estão a falar, ou então guardam-se sabe-se lá para quê.
5. Um maior número de indecisos e descrentes.

3 de fevereiro de 2005

Notas antropológicas: tradições e costumes




Imagens recentes, captadas por um investigador bolseiro da National Geographic Society - Dr. Soyus Carrothands - e publicadas na edição deste mês da National Geographic Magazine, dão-nos conta de alguns aspectos do quotidiano dos habitantes de Zurugoa.
Sempre no limite, os zurugoianos mantêm rituais ancestrais como o que vemos na imagem (supra), para os quais ainda não há explicação.
Não perca, "Um dia em Zurugoa: no limite", transmitido no canal da NGS.
Quem é amigo, quem é?

Direito à indignação, direito ao repúdio

Após a tirada de hoje do ministro do ambiente, Luís Nobre Guedes, sobre a co-incineração e a obsessão de Sócrates com a mesma, não posso deixar de manifestar aqui o meu direito à indignação; o mesmo que Portas invocou no momento em que saltou em defesa do seu ministro (e lá se vai a imagem de competência e sentido de Estado do CDS-PP).
Não que a co-incineração não seja discutível e possivelmente a pior opção do ponto de vista técnico; não que Sócrates continue amarrado a essa ideia como um burro amarrado a uma estaca; mas o ministro do ambiente perdeu toda a compostura democrática ao instigar os habitantes de Coimbra à desobediência civil, demonstrativa da mais indisfarçável atitude anti-democrática.
Um ministro a sugerir milicias populares com o objectivo de impedir que um candidato em eleições livres e democráticas se desloque aonde quer que seja, é do mais baixo e condenável que já sucedeu nesta magra e desprezível campanha eleitoral.
O meu direito à indignação transforma-se em direito ao mais veemente repúdio!

à tout propos (127)

Atenção pessoal, hoje há lavagem de roupa suja nos canais generalistas de sinal aberto, a partir das 20h30. Não é preciso detergente, esfrega-se na pedra!

2 de fevereiro de 2005

à tout propos (126)



Sou da opinião que as pessoas deviam ser mais sérias quando põem a circular este tipo de imagens, aproveitando para ridicularizar gratuitamente o nosso honroso país. Então não se vê logo que a árvore foi ali deixada de propósito porque é um monumento aos peregrinos em circulação para Fátima? E a guia serve precisamente para «guiar», quebrando a monotonia dos peregrinos e assim evitar perturbações do foro mental que emergem da associação da vida do país a uma linha. Talvez fosse melhor, que antes de criticar, as pessoas pensassem um bocadinho, irra!...

em de-talhe

Sócrates também sabe aplicar a técnica do Bate & Foge: já «bateu» e agora é vê-lo a relançar-se nas sondagens de popularidade, apesar de ainda não ter feito o movimento Foge. Vamos aguardar pelas reacções.
PS: Advirto para o facto de nem sempre o segundo movimento ser necessário.

em de-talhe

Bagão Felix assumiu-se finalmente como ministro das finanças e deu ordem ao seu ministério para executar as dívidas ao fisco dos clubes de futebol, em virtude da não apresentação das necessárias garantias bancárias. Sempre são 20 milhões de euros... Mas ainda falta lembrar apenas dois ou três contribuintes cuja amnésia sistémica decerá ser a única explicação plausivel para o não cumprimento a tempo e horas das suas obrigações fiscais. Sim, porque no que respeita à colecta de IRS, temos o maior valor médio de rendimento da Europa e no que concerne ao IVA, toda a gente recebe facturas de bens ou serviços que adquire. Por outro lado, ninguém neste país re-passa cheques em branco ou sobrevaloriza orçamentos, toda a gente declara mais-valias, ninguém faz sub-valoriza escrituras de casa, and so on, and on, and on, and on.
Por estas e outras razões, creio que Bagão Felix está a ser demasiado duro com os clubes de futebol, dada a dinamização económica que têm incutido na vida nacional e a sua contribuição directa para o PIB, com melhorias visíveis na economia nacional e na vida dos portugueses. O maior indicador é por exemplo, o aumento da venda de automóveis e apartamentos de luxo, exemplificativo de como o futebol deve ser isentado das suas obrigações fiscais.
Todos fossem como os clubes...

1 de fevereiro de 2005

No país do Bate & Foge

Após Santana Lopes se ter supostamente pronunciado sobre a vida privada de Sócrates, naquilo que constituíria um infeliz e desonesto comentário sobre a sexualidade do seu adversário, eis que surge agora o mesmo Santana, com aquele ar infeliz, sério e agora também, ofendido, desmentir quaisquer insinuações sobre as opções sexuais de Sócrates que pudessem emergir do seu discurso em Braga, perante um par de centenas de mulheres histéricas prestes a chegar à menopausa.
Este modus operandi, distante da expontâneidade, não é de resto novidade. Supostamente «no calor do debate», Francisco Louçã também se permitiu tecer comentários de índole moral conservadora a respeito de Paulo Portas, quando lhe disse «que só quem tem filhos se pode pronunciar sobre o aborto». Mas, depois de verificar o repúdio pela comunicação social e até pela opinião pública, também já veio a público recuar na afirmação.
Repare-se como estes não são meros casos isolados. Rui Gomes da Silva também é adepto do bate e foge, e demonstrou-o inequívocamente com a sua tese da cabala contra o governo, para se seguida a desmentir.
Os exemplos são imensos e parecem denunciar uma nova técnica política. Diariamente somos confrontados com políticos que opinam, avaliam o impacto e, caso necessário, recuam. É a técnica do bate e foge aplicada à política e tratada nos mais clássicos compêndios de teoria política. Manda-se uma posta de pescada ao ar a ver se pega.
Esta técnica decorre normalmente em duas fases:
1. Vitimização mediática, a qual, subrepticiamente, implica um ataque. Aí, o indivíduo aplica o movimento Bate;
2. Esta fase nem sempre tem lugar. O indivíduo aguarda as reacções ao seu primeiro movimento, e consoante as mesmas, recorre ao segundo movimento: Foge, enquanto apaga as luzes.
Mas entretanto, os boatos e rumores entram em circulação nos circuitos voyeurs, alastrando intencionalmente a toda a sociedade e inculcando-se nas representações que esta faz dos sujeitos e circunstâncias. Os mitos urbanos sucedem por vezes a partir de processos semelhantes.
Mas esta linha de actuação insinuosa e delatora, denuncia por outra parte, toda a falta de escrúpulos e conteúdo naqueles que são os representantes do povo, a quem não deverá interessar minimamente se o Sócrates é gay, se o Portas é macho ou se o Barnabé é diferente dos outros.
As questões fundamentais continuam a ser escamoteadas por líderes e partidos políticos, mais concentrados em denegrir os oponentes do que apresentar propostas credíveis que tirem este país do lodo em que ajudaram a meter. Assim não vamos lá.