10 de janeiro de 2005

em de-talhe

A PROMESSA

A nossa Competente, Alegre, Brilhante, Refulgente e Arguta R, está a um pequeno pulo de se tornar a primeira mulher portuguesa a chegar à presidência da república ou até mesmo à presidência da Comissão Europeia. Cedo a vida nos concede discretos sinais e revela os predestinados. Cedo, R revelou as suas qualidades e energia, distinguindo-se naturalmente dos demais.
Um grande orgulho para todos quantos nos habituámos a ver em R, o espelho da idoneidade, uma promessa por cumprir, a portadora de uma palavra amiga, de um conforto. São muitas e comoventes as recordações que dela guardo delicadamente no meu coração: de como amparava pelo braço a Doutora MC auxiliando-a a atravessar os claustros do Colégio do Espírito Santo, por entre uma chusma ruidosa e apoquentadora; ou quando foi principescamente elogiada pelo indefectível Doutor CAO, pelos seus incomparáveis conhecimentos de técnicas quantitativas, adquiridos no estrangeiro. Tantos são os que dela não têm senão óptimas recordações. Desde o Presidente de Departamento, passando pelo pessoal da secretaria, pelo Quartel General, até ao Venerável Reitor.
RM é a legitima representante do socialismo moderno, depositária dos valores da democracia e sobretudo uma defensora intransigente do mérito. Desde que se conhece como gente. As doutas palavras de Cavaco Silva não podiam ter vindo em melhor momento porque «é altura de os políticos competentes afastarem os incompetentes».

As trevas não mais ensombrarão o nosso querido Portugal!

os deuses também já foram homens



Don Quijote, Pablo Picasso, 1955
"A liberdade, Sancho, é um dos dons mais preciosos que aos homens deram os céus: não se lhe podem igualar os tesouros que há na terra, nem os que o mar encobre; pela liberdade, da mesma forma que pela honra, se deve arriscar a vida, e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode acudir aos homens. Digo isto, Sancho, porque bem viste os regalos e a abundância que tivemos neste castelo, que deixámos; pois no meio daqueles banquetes saborosos, e daquelas bebidas nevadas, parecia-me que estava metido entre as estreitezas da fome; porque os não gozava com a liberdade [...]. Venturoso aquele a quem o céu deu um pedaço de pão sem o obrigar a agradecê-lo a outrem que não seja o mesmo céu!".
D. Quixote, in Cervantes, Miguel Saavedra (2003): Dom Quixote de la Mancha, Lisboa, Moderna Editorial Lavores, p. 680.
__________________________________________________________
"Efectivamente, nú entrei no governo, e nú dele saí; e assim, posso dizer com segura consciência, o que já é bastante: nú nasci e nú me encontro; nem ganho nem perco".
Sancho Pança, in Cervantes, Miguel Saavedra (2003): Dom Quixote de la Mancha, Lisboa, Moderna Editorial Lavores, p. 675.

os deuses também já foram homens

COMUNICADO

Na sequência das eleições legislativas de 20 de Fevereiro, serve o presente comunicado para reafirmar a minha total INDISPONIBILIDADE para participar no governo, seja qual fôr a força partidária que saia vitoriosa da refrega eleitoral.
Não estou disponível, repito, não estou disponível nem para o GOVERNO nem para a ASSEMBLEIA DA REPÚBICA.

Nestes termos, exigo respeito pela minha decisão e que parem de associar o meu nome a listas do Porto, de Bragança ou Coimbra.

ARV, não candidato

à tout propos (109)



Morning, Caspar David Friedrich, 1821

BOM DIA!

9 de janeiro de 2005

à tout propos (108)

QUESTIONÁRIOS ONLINE - INFORMAÇÃO
Prezados leitores, estão neste momento a decorrer em simultâneo meia-dúzia de questionários online. As caixas de resposta alternam automaticamente e surgem, salvo uma excepção, no canto superior direito.
A excepção é uma questão relativa ao consumo de drogas, a qual, em virtude das imagens que a acompanham, deverá surgir no fim da página.
Boas votações!

à tout propos (107)

QUALIDADE DE VIDA...

...nos concelhos vai ser premiada pela Associação Bandeira Azul. São precisos muitos mais incentivos para a adopção de modelos de desenvolvimento sustentável neste país...

8 de janeiro de 2005

à tout propos (106)



The pillars of society, George Grosz, 1926

listas, descrédito e afastamento da política



Hoje, a propósito crescente descredibilização da vida política junto dos eleitores e após enunciar algumas causas, Augusto Santos Silva sugere duas medidas imediatas para alterar essa relação.
A primeira é a mudança do sistema eleitoral, através da «passagem a círculos uninominais». A segunda medida tem que ver com a exigência que na sua opinião deve ser feita à sociedade civil, no sentido de alterar a sua relação com «a actividade e as instituições políticas».
Se a segunda questão não oferece dúvidas aos cidadãos eivados de espírito democrático, já a primeira não é tão pacífica. Como se sabe, a existência de círculos uninominais tem um sistema de conversão de votos em mandatos forçosamente maioritário, isto é, por cada circulo eleitoral, só um candidato pode ser eleito, o que levaria a que (caso mantivéssemos o número actual de deputados à Assembleia), no limite, teríamos 230 círculos uninominais, em detrimento dos actuais 22 círculos plurinominais, correspondentes aos 18 distritos continentais, às 2 Regiões Autónomas e 2 círculos para os eleitores na Europa e do resto do Mundo.
O que me causa algumas dúvidas é quando o antigo Ministro da Educação de Guterres afirma que «a passagem para círculos uninominais (…) não põem em causa o apuramento proporcional e mantêm, portanto, a capacidade de exprimir a diversidade das opiniões e correntes políticas que percorrem a sociedade».
Com franqueza, não vejo como se pode manter um apuramento proporcional nas condições que referi atrás. Imaginemos Évora, actualmente com 3 deputados. Seriam criados 3 círculos, por exemplo, 1 na área urbana de Évora e 2 no resto do Distrito. Como é que seriam representados no círculo de Évora cidade, as sensibilidades dos militantes do partido X, tendo sido eleito pelo círculo o representante do partido Y? No limite, podemos admitir a hipótese de o partido Y ter 40, 1% dos votos válidos, enquanto os simpatizantes do partido X, com 37% dos votos vêm o seu direito à representação negado.
Por isso, creio que Augusto Santos Silva deturpa a questão uma vez que no Parlamento, quanto muito, poderíamos ver assegurada a «diversidade de opiniões e correntes políticas» (em termos das diferentes bancadas parlamentares, no bolo final), mas não um apuramento proporcional. São coisas bem distintas.
Por outro lado, elegendo a elaboração de listas como um dos factores que estão na origem do descrédito da política, Silva pretende denunciar como os partidos respondem a lógicas clientelares e de favorecimento de interesses. Contudo, defende uma vez mais que os círculos uninominais impediriam que tal acontecesse porque «aumentaria a capacidade de controlo popular sobre a selecção e a actuação dos representantes, diminuindo radicalmente o poder aparelhístico».
Mas, será que ele acredita nisso? Alguém acredita nisso? Quem é que decide qual o cabeça de lista às autárquicas num concelho? Os mesmos que definem actualmente o cabeça de lista do partido X, Y ou Z nas legislativas! No caso de Évora, temos o Abílio Rodrigues pela CDU e o Carlos Zorrinho pelo PS. Duas personalidades que, cada uma à sua maneira, têm amplas ligações a este Distrito. No sentido contrário, o PSD largou de paraquedas a actual Ministra da Cultura, Maria João Bustorff, que possivelmente nem sequer sabe como ir da Sé à Praça de Giraldo. Mas são os eleitores quem se tem que pronunciar sobre isso, já no próximo dia 20 de Fevereiro.
Por todas estas e outras razões, a representatividade continuará a padecer das mesmas maleitas, uma vez que, se por um lado, quando na Assembleia da República, os representantes são deputados da nação, não devendo proceder de acordo com interesses locais (à semelhança de Daniel Campelo e o Orçamento Limiano), por outro lado, as direcções partidárias não prescindem obviamente de controlar a elaboração das listas porque é com os deputados eleitos que os partidos políticos contam para o trabalho durante uma legislatura.

Ao contrário de outros países, Portugal continua a não ter corpos executivos intermédios que estabeleçam a ligação entre o poder local e o poder nacional. Incompreensivelmente. Estas e outras circunstâncias fazem da figura da representação, quanto muito, uma prerrogativa do poder local porque no plano nacional, a representação não contempla territorialidades mas tão só ideologias e doutrinas, as quais, em Portugal, são como as casas que um dia foram pintadas com cores garridas: esbatem-se, constituindo uma imensa tonalidade homogénea.
Assim, só o maior envolvimento crítico e construtivista da sociedade civil pode levar os inputs ao sistema político-partidário, que levem este a respeitar mais o eleitorado e manter o decoro e competência exigidos. Transparência, sentido do que é interesse nacional, competência e honestidade, são valores que exigimos e devemos exigir aos políticos conquanto os perfilhemos e pratiquemos no nosso dia-a-dia…
De outro modo, apesar da feroz competitividade movida pelos media, uma das funções dos partidos políticos continua a ser a distribuição de informação política. Coloco eu a questão: quem sabe, neste país, quais os planos de qualquer um dos partidos para a próxima legislatura? Infelizmente, os partidos não sentem necessidade de chegar aos portugueses com a preocupação de os informar com clareza. Isso é extremamente grave. Basta-lhes o voto! E esse é conquistado da forma mais estapafúrdia e desonesta que se pode ver! Mesmo sem reflectir um pensamento estruturado e estratégico.

Assim, não há combate à abstenção que resista. Assim, com todo o respeito que me merece o Doutor Augusto Santos Silva («Entre a Razão e o Sentido» foi escrito por ele, recordam-se?), não creio que deva desperdiçar o seu precioso tempo a pensar em alterações ao sistema eleitoral que apenas resultam em maquilhagens mediáticas. As mudanças, a sê-lo, terão que ser mais profundas e estão necessariamente entre as mais difíceis de rectificar.

Finalmente, no artigo em questão, Santos Silva discorre também sobre as lógicas de elaboração de listas dos diversos partidos. Por razões desconhecidas, não fala do seu, que será aquele que melhor conhecerá, em tese...
PS: o espaço é curto e raios, para quê dar-se ao trabalho, existem dissertações sobre isto.

em de-talhe

DIREITO A UM CONTRADITÓRIO MUITO ESPECIAL...


...Parece ser a caracteristica predominante da actuação do Presidente da República, Jorge Sampaio. Irresoluto, o homem dá tão acertadamente uma no ferro, como de seguida malha violentamente na ferradura... Tão depressa aceita a deserção de Durão, dando posse a Santana, como posteriormente convoca eleições antecipadas, dissolvendo uma Assembleia da República com maioria absoluta e escurraçando o mesmo a quem tinha dado posse há escassos quatro meses. Após a nomeação de Santana, Sampaio chegou mesmo a assegurar que o governo tinha tanta legitimidade como outro qualquer; depois, no discurso a justificar a dissolução, vem mesmo argumentar que a falta de legitimidade democrática de Santana, terá sido um dos factores que o levaram a tomar tal decisão.

Agora, totalmente fora de tempo e numa altura delicada, lembra-se de partilhar com o país inteiro (SIC Notícias - Expresso da Meia-Noite) a sua convicção sobre a necessidade de alterar o sistema político, de forma a que seja mais fácil formar maiorias absolutas no Parlamento. Esta afirmação é no mínimo e com toda a legitimidade, criticável por todos os partidos políticos. A um mês e meio de eleições, estas declarações só podem ser vistas como um evidente favorecimento do PS nas eleições que se avizinham. A fazer campanha ao lado do PS, Sampaio pediu «apenas» aos portugueses uma maioria absoluta para que os socialistas tenham condições para governar.
Por outras palavras, a governabilidade neste país só é possível sem oposição, sem contraditório e na impunidade. É indiscritível.
Bem sabemos que a causa da dissolução da Assembleia foi a actuação inclassificável do governo e não a maioria parlamentar. Mas não restava outra alternativa constitucional ao Presidente da República que não fosse a dissolução da Assembleia. Ainda assim, restar-lhe-iam duas alternativas: ou nomeava novo governo PPD-PSD/CDS-PP ou convocava eleições antecipadas. Optou por este segundo passo, na minha opinião, erradamente: o problema não estava na representação parlamentar (até capaz de se coligar e favorecer uma maioria) mas sim no próprio governo.

Regressando ao sistema que favoreça a formação de maiorias no Parlamento, fica claro que, a ser adoptado, um sistema desse género só favorece ainda mais a bipolarização partidária e mina qualquer ideia de representatividade, constituíndo um sério atentado à existência de partidos políticos de menor dimensão. Mas vale que fechem as portas.
Se é de governabilidade que se trata, então basta que aos senhores políticos não mova mais do que o interesse nacional. E aí os consensos surgem naturalmente.

à tout propos (105)



La pisseuse, Pablo Picasso, 1965



7 de janeiro de 2005

à tout propos (104)

SUDESTE ASIÁTICO VII E COSTA ORIENTAL AFRICANA
Como se previa, a contagem de vítimas mortais subidamente ceifadas, ascende a 165 mil! As vitimas sobreviventes directamente relacionadas com o maremoto são milhões. Indonésia e Sri Lanka são os casos mais preocupantes.

à tout propos (103)

RECEITAS EXTRAORDINÁRIAS
Este assunto gastronómico não é certamente o meu forte, ainda hoje sobrevivo com as receitas que a minha boa mãe teve a generosidade de me transmitir quando fui para a Bélgica. E não inovei um milímetro ou especiaria. No entanto, dada a especial apetência pelos partidos políticos por este tema e pela criatividade que têm demonstrado no governo, não me posso evidentemente alhear. Afinal, é essa a minha responsabilidade enquanto cidadão.
Por conseguinte, afirma desta feita o Partido Socialista que não recorrerá a receitas extraordinárias para manter o défice público abaixo dos 3% do PIB. É compreensivel que assim seja, embora esta tomada de posição se me afigure mais como um esgotamento da criatividade do que a garantia de um principio de gestão das contas públicas. Não há muito mais para vender. A Guterres, Durão e Santana, pouco terá faltado para vender as suas almas a um mefistófoles já cansado das promessas de Fausto.
Em todo o caso, modéstia à parte, creio ter a solução. E que tal se vendessem o Alentejo aos espanhóis ou aos franceses?
Com essa maquia resolviam dois problemas: dava para encher o Tejo de pontes, Lisboa de aeroportos e os bolsos de dinheiro; e libertavam os alentejanos do lodo em que nos meteram.

6 de janeiro de 2005

em de-talhe




BBC VIDA SELVAGEM: PARASITAS
Os parasitas intestinais são pequenos vermes que vivem no trato intestinal. Os mais comuns são a Áscaris Lumbricóides, Ancilostomo Duodenale, Trichiuris Trichiura, Ténia Saginata, Ténia Solium, Amebas e Giardia.
As causas mais frequentes relacionam-se com o acto de comer selvaticamente alimentos crus, inexistência de hábitos de higiene, ingestão de água contaminada, contacto com excremento humano ou animal... Não dar atenção à unhaca utilizada para palitar dentes também está associado à ocorrência de parasitagem no aparelho digestivo.

Entre os vários sinais e sintomas, os mais notados são a barriga volumosa, intensa e desenfreada coceira anal seguida de gazes fétidos, vontade de comer terra, lamber cinzeiros, coceira anal e nasal, eventual diarreia, ranger dos dentes, olhos brilhantes, pupilas dilatadas, irritabilidade e incontinência urinária. Há quem arrote ininterruptamente, libertando descontroladamente uma pestilenta e viscosa espuma pelos cantos da boca.
Certos são os permanentes vómitos mentais acompanhados de espasmos esquizofrénicos, indiciadores de personalidade múltipla e sociopatia.
É aconselhável, diante de um ou mais sintomas, submeter-se a exames laboratoriais de fezes para diagnóstico e ao Teste Rectal da Cenoura: dada o especial apetite destes parasitas por cenouras, é comummente aceite entre a comunidade científica que «a cenoura não engana». Nos casos mais graves, aconselha-se o suicídio.
Alimentando-se nas entranhas e do sangue, estes parasitas podem chegar a medir 8 metros de comprimento, comodamente instalados nos intestinos. Os mais familiares, nocivos e inteligentes são as Ténias. Conseguem inclusive comunicar com o exterior em nome do hospedeiro e através deste, libertando a referida espuma.

As ténias têm uma cabeça chamada escolex, com ganchos que lhes permitem agarrar-se à parede intestinal do seu hospedeiro. Também se agarram a ideias, sem no entanto conseguirem reproduzir mais que chorrilhos acrisolados.
É no entanto assombroso como estas criaturas podem chegar a ser tão grandes, demonstrando-nos como pode ser tão diversa, estranha e maravilhosa a vida na terra. Não obstante, a agonia para o hospedeiro, não é certamente maior do que o mal-estar e putrefacção que gera à sua volta. Têm preferência pelas pessoas idosas.

Nos casos menos graves recomenda-se somente a adopção de hábitos de higiene, desde que respeitado um pequeno período de quarentena (7, 8 anos costumam fazer a diferença). Para tornar o tratamento mais eficaz, aconselha-se a inoculação diária de um dentinho de alho de Xabregas no ânus, devidamente descascado e lavado e à profundidade de um dedo médio vulgar. É totalmente desaconselhável a introdução de outros objectos no canal rectal, a não ser os prescritos pelo médico e na presença deste.

Em todos os casos que temos acompanhado, a actividade destes parasitas conduz o hospedeiro à obstipação, provocando um insuportável prurido e ardor anal. Esta sintomatologia prevê, por sua vez, o desenvolvimento de enormes caroços que mais não são que dilatações de vasos situados na porção mais inferior do recto e no canal anal, denominadas veias hemorroidais.
Infelizmente não têm cura. Consegue-se viver com elas, embora as repercussões ao nível das disfunções mentais e odoríficas tendam a permanecer.


Dr. Soyus Carrothands
(Investigador principal no Centro de Estudos de Doenças Epidemiológicas e Microbiológicas do Hospital Universitário de Brazzaville)

5 de janeiro de 2005

à tout propos (102)

FACADINHAS NA CASA DE PILATOS: A NOITE DAS FACAS LONGAS
Lá para os lados do PSD ninguém se entende, tal é a barafunda. Com os preços exageradamente altos da cicuta, sinal de que a crise afinal afecta os abastados, subiu o consumo e utilização de adagas, cutelos e punhais. Com efeito, depois de um ter abandonado o governo queixando-se de falta de confiança e traição; depois de Santana Lopes ter vindo a público lamuriar que estaria a ser vítima de punhaladas nas costas, vem agora Pôncio Monteiro acusar o Primeiro-Ministro de lhe fazer o mesmo, na sequência da composição da lista no Porto.
Perante este cenário, aconselha o bom senso que qualquer associação (por mais remota que seja) com uma casa em chamas pode queimar verdadeiramente. Assim, é perfeitamente admissível qualquer demarcação que vise distinguir o normal do péssimo. Quem quereria ser confundido com Santana Lopes, depois de o classificar dentro da tipologia da incompetência?
Entretanto, o suspeito e enervante Luís Delgado, no Diário de Notícias, questiona-se se será Cavaco algum Deus.
Concordo que o antigo líder laranja não seja propriamente uma entidade supra-empírica, antes pelo contrário, dentro do PSD, Cavaco parece ser dos que estão mais em contacto com o planeta Terra, que é onde vivemos.

4 de janeiro de 2005

à tout propos (101)



É compreensivel que Cavaco Silva tenha rejeitado aparecer nos outdoors propangadisticos do PSD. Figurar no mesmo plano que Santana Lopes não é sapo que se engula assim tão facilmente. Na exacta proporção da viscosidade.
Por outro lado, parece consensual afirmar que «ninguém fez mais [asneiras] por Portugal» em apenas 4 meses, por isso, no outdoor Santana Lopes devia figurar no lugar de Sá Carneiro. As estruturas de propaganda do PSD que revejam esse lapso, faz favor.

à tout propos (100)



Bom, já há sangue... o verniz estalou-se-me da unhaca.
Agora é irreversível, as audiências têm que subir!
Senão, esta revelação: «se o Santana Lopes chegou a ministro, então eu também chego!»

em de-talhe

DIREITO DE RESPOSTA
Na minha última rúbrica, «os deuses também já foram homens» cometi o terrivel pecado de partilhar com os caríssimos leitores, alguns pormenores privados e necessariamente do desconhecimento geral. Não cuidei nem cuido com minúncia acerca do que publico, uma vez que o perfil dos leitores está definido, na verdade sou eu que o define. Por isso, decidi publicar a fotografia de uma criança austríaca no pós-guerra e falar do relativismo que matiza as emoções.
Neste momento, o meu sentimento relativamente ao comentário postado por um Sr. EM ROID HALL, poderia ser de completo repúdio. Mas não. Não obstante, até compreendo que em algumas circunstâncias, esse Sr. sinta necessidade de dilatar e expulse algum do pús que o inflama. Presumo que seja assim a vida, num local remoto cuja única função parece ser estorvar a saída de resíduos dispensáveis ou tóxicos, debilitando assim o bom funcionamento da flora intestinal. Há alguns mais avançados que acabam por estorvar também as entradas, suponho que o Sr. EM ROID HALL não seja um desses, naturalmente...
No post referido, falo de uma certa inocência que parece desaparecer na medida das experiências de vida e do avanço na idade. Foi com essa inocência que publiquei a foto. E faço-o propositadamente porque olho com frequência à minha volta e noto como as pessoas não se satisfazem com coisas simples... entrando numa espiral de exigências sem termo.
Por isso, concluo que o Sr. EM ROID HALL deve ser supostamente, um indivíduo já muito entrado na idade a quem as fotografias de crianças lhe farão eventualmente recordar outros perímetros.
Corro o risco de estar enganado, perdoe-me o Sr. se por acaso cometi alguma injustiça consigo.
Atenciosamente

3 de janeiro de 2005

os deuses também já foram homens



DA RELATIVIDADE DAS EMOÇÕES
Quem, em circunstâncias normais (muito distantes das vividas por este rapaz austríaco no rescaldo da 2ª Guerra Mundial), se mostraria tão feliz por satisfazer tão humilde desejo?
Infelizmente, os adultos tendem a perder irremediavelmente essa virtude que as crianças conservam: a inocência das coisas simples.
Infelizmente também, não deixaram de ser encontradas esse mundo fora, milhões de crianças em circunstâncias análogas ou comparáveis.

em de-talhe

COM AS DUAS PATAS NA POÇA
O PS está a arrancar bem a pré-campanha eleitoral. Primeiro vem José Sócrates defender incondicionalmente a co-incineração de resíduos perigosos. Agora, correm rumores de este partido admitir o aumento do IVA em 1%, como forma de combater o défice, pela receita.
Nem vou recordar o que foi dito pelo PS quando Manuela Ferreira Leite do PSD decidiu subir o IVA de 17 para 19%. E justamente, porque o ganho de 2% na tributação teve como reverso da moeda a quebra do consumo, penalizando os mais desfavorecidos.
Mesmo para um PS alinhado no centro-direita, uma proposta de novo agravamento fiscal, a incidir num imposto directo sobre o consumo, é no mínimo lamentável. Quaisquer noções de equidade saltam fora desta aritmética e como sempre, serão os mais desfavorecidos e a baixa classe média baixa a pagar a factura. Só isso explica que as subidas nas vendas de automóveis de luxo não se detenham com crises, nem as estadas em hotéis de 5 estrelas, nem a compra de imóveis de luxo. Como me confessou um industrial hoteleiro de alta qualidade há uns tempos, a «crise não passou por aqui, antes pelo contrário, 2003 foi um ano excelente».
A aprovação do Orçamento de Estado acaba por ser um alívio para o PS, que vê compensada a balança da descida do IRS (sobretudo nos escalões mais altos) com a eliminação dos benefícos fiscais. desafio o cidadão médio que tenha uma poupança reforma ou habitação a fazer as contas...
Punhaladas nas costas, não é só no PSD...
Por isso, aconselho vivamente o PS a rever toda a sua programação eleitoral e pensar em alternativas sustentáveis, críveis e estratégicas para o país. Caso contrário, mais vale entregar isto aos chineses. E deixem de pedir maiorias absolutas aos portugueses, que já estão fartos de dar o poder e receber miminhos destes em troca.

2 de janeiro de 2005

produtividade medida em feriados



De acordo com os nossos insignes analistas, a produtividade portuguesa está seriamente comprometida com o ano que se avizinha e as inúmeras «pontes» e fins-de-semana alargados. Na verdade, parece que a produtividade, cá por estes lados, depende exclusivamente do número de horas que os portugueses passam no local de trabalho.
Claro que 2004, um ano muito menos profícuo em feriados, foi tabelado por uma produtividade sem precedentes. E o Euro 2004 foi o expoente máximo dessa mesma produtividade, pelo menos para os chineses que aproveitaram a benesse popular e não se fizeram rogados na hora de vender fosse o que fosse que assinalasse as cores verde e rubro e a grande nação lusitana. Mas no governo também foi dado o exemplo e Santana Lopes não deu descanso aos 16 guarda-costas que durante quatro meses vergaram a mola noite e dia...

Este facto pode tornar-se algo preocupante e já estou a imaginar os trabalhadores portugueses a fazer cozido à portuguesa atrás de uma estante de arquivos ou a mudar a fralda ao bébé enquanto atendem um cliente. Mas é imperioso que passem 18 horas no local de trabalho e concordem em abdicar das horas extraordinárias, a bem da pátria. E que a energia seja de preferência à borla (agora já somos auto-susbistentes com a central de Alqueva, lembram-se?), «pois os Jaguares, BMW's e Bentley's estão a ficar caros... E pagar impostos, por favor, isso é autenticamente feudal, isso é terceiro-mundista, quer-se dizer, não é? E inovação tecnológica, optimização, formação profissional, são coisas muito bonitas mas só se for o Estado a pagar porque a minha empresa já dá prejuízo há 4 anos, safa!» (citando entre arrotos, um vulgar patrão português, com restos de berbigão no bigode, pança farta e cachucho no dedo anelar).

Agora se me é permitido, um aparte naturalmente menos sério: de acordo com dados divulgados pela OCDE, em média, os portugueses trabalharam em 2003, cerca de 1676 horas. Menos do que os canadianos (1718), americanos (1792), mexicanos (1857), polacos (1956) e até mesmo que os espanhóis (1800). Nem falo dos sul-coreanos (2390), uns mouros de trabalho. Isto faz de nós uns verdadeiros mandriões, o pesadelo de qualquer patrão. Não servimos nem para encher a caldeira de um combóio a vapor.
Pior de tudo, os nossos eternos rivais gregos, não só vêm no mesmo ano humilhar a selecção portuguesa de futebol três vezes consecutivas, como passam mais horas no local de trabalho do que nós (1938). São muito mais produtivos, mais até que os japoneses (1801)!

Mas, ainda assim, conseguimos trabalhar mais horas do que noruegueses (1337), suecos (1564), alemães (1446), dinamarqueses (1475), holandeses (1354), italianos (1591), belgas (1542), franceses (1431) e até mesmo que os britânicos (1673). Esta gente ainda trabalha menos que nós e facilmente comfirmamos a pobreza franciscana em que vivem e como as suas economias, assentes em mão-de-obra barata e baixa qualificação, só podem competir com economias tribais. Se não fosse a União Europeia e as contribuições dos portugueses, o que seria dessa gente? Como é que eles se governam, passando tão pouco tempo no local de trabalho? Por isso é que isto está cheio de holandeses a trabalhar no campo... Como trabalham pouco por ano e é da sua natureza trabalhar mais, vêm para Portugal que aqui há horas de sobejo.

Agora, se atentarmos nos valores, verificamos que a economia menos competitiva, vista pelo número de horas, é nada mais nada menos que a Noruega, esse colosso que é apenas o líder mundial de desenvolvimento humano, enquanto Portugal aparece num honroso 26º lugar, logo a seguir à Singapura, que está imediatamente atrás da... Grécia (malditos).

Mas, já agora, para os curiosos que queiram ver aquilo que parece não suscitar grande apetite entre os nossos insignes analistas e que pode aclarar a simplória questão da produtividade, é favor clicar aqui.

A estultícia também não tem limites, nem mesmo num mundo onde não há almoços popularuchamente grátis...

à tout propos (99)

SOLIDARIEDADE(S)
Entretanto, se dezenas de países se esforçam para ajudar de alguma forma os países afectados pelo tsunami, outros há cuja solidariedade é perfeitamente dispensável; são aqueles países cujos líderes parecem profundamente empenhados em solidarizar-se com o sudeste asiático ao nível da devastação causada pelas guerras.

à tout propos (98)

A FANFARRONICE SALOIA NÃO TEM LIMITES
Os espanhóis, com todo o respeito, não valem nada ao pé dos portugueses em matéria de obra campeã. Juntaram apenas a 5ª maior ajuda humanitária em dinheiro, uns míseros 50 milhões de euros.
Os caros colegas de peninsula têm, pelo menos neste capítulo, muito que aprender com os hermanos deles... Quando queremos gritar aos quatro cantos do mundo os nossos «feitos» e mostrar a nossa saloia fanfarronice, só é aconselhável quando temos algo que é o mais alto, o melhor ou o maior. Mesmo que seja do bairro.
Passo a explicar aos nuestros hermanos que, para surtir o efeito desejado, punham a coisa de outra forma, como por exemplo: "a maior ajuda da pensinsula ibérica" ou "a maior ajuda entre os países que aderiram ao euro" ou ainda, "a maior ajuda dos países hispano-hablantes". Também não ficaria mal dizer "a maior ajuda do mundo, excepto o Japão, EUA, Reino Unido e Suécia". Agora, dizer a 5ª maior ajuda? Com franqueza... Maçaricos!

à tout propos (97)

SUDESTE ASIÁTICO VI E COSTA ORIENTAL AFRICANA
Últimos balanços dão conta de mais de 125 000 mortos. Os números são assustadores, tanto mais que é possível que esta tragédia nunca venha a ser conhecida em toda a sua verdadeira extensão. Há milhares de desaparecidos, milhões de desalojados e risco de epidemias.

1 de janeiro de 2005

à tout propos (96)

O MAIOR PROVINCIANISMO DO MUNDO
Começamos 2005 como acabamos 2004: a mesma miséria, destruição, hipócrisia, incompetência, corrupção, etc., etc., enfim, o habitual.
Mas acima de tudo, começamos 2005 com o mesmo provincianismo bacoco e a mesma estulticia; e como não bastasse a «maior árvore de natal da Europa», temos também a «cascata de fogo mais alta do Mundo». Novo troféu!
E depois, venham falar de provincia quando se referirem aos do Alentejo e das Beiras... Os sinais exteriores e demais fachadas são meros adereços «maquilhadores» que apenas disfarçam o conteúdo... Por baixo, continua tudo a mesma cepa... Quão ridícula, essa maltinha!...
Bom ano de 2005...

os deuses também já foram homens



El nacimiento del mundo, Joan Miró, 1925
E que 2005 seja o ano da redenção, porque a Humanidade reclama por isso... Pelo menos que se faça um esforço. Senão, em alternativa, criar um novo Homem e novos valores, apaziguar a descrença na Humanidade com um apport niilista.

30 de dezembro de 2004

à tout propos (95)

SUDESTE ASIÁTICO V E COSTA ORIENTAL AFRICANA

A tragédia ganha contornos cada vez mais angustiantes: 120 000 mortos.

em de-talhe

GABINETE DE CRISE
Ontem, o ministro dos negócios estrangeiros abriu generosamente as portas do ministério à SIC e orgulhoso, mostrou como funciona a célula de crise que se ocupa na localização de portugueses desaparecidos no sudeste asiático.
A dita estrutura - composta por 3 administrativos, um porteiro e um aprendiz de diplomata a ensaiar contactos telefónicos - está em permanente contacto telefónico com os locais, mantendo-se activa 24 horas por dia. Por outro lado, todo este esforço é complementado com parcerias estreitas que mantemos com outros países: eles trabalham no terreno e a nossa célula diz aos familiares se a pessoa continua ou não desaparecida. Muito inteligente. É desta que o défice público vai lá...
Para mim, devo confessar que foi uma completa desilusão pois sempre pensei que uma estrutura de crise funcionasse no interior de uma sala blindada a 200 metros de profundidade, escavada numa rocha e os operacionais fossem militares da central de inteligência a monitorizar tudo em instrumentos sofisticadissimos.
Nada disso, um dos funcionários introduzia numas células de Excel feitas à medida, categorias como «desaparecido» ou «por encontrar». Já agora, partilho uma curiosidade: estavam todos impecavelmente vestidos, trajando de fato e gravata.

à tout propos (94)

SUDESTE ASIÁTICO IV E COSTA ORIENTAL AFRICANA


Estão contabilizados cerca de 81 000 mortos e 500 000 feridos. O número de vítimas mortais pode chegar ultrapassar a barreira das 100 000 vítimas mortais. Persiste o risco de epidemias endémicas em larga escala.

29 de dezembro de 2004

da democracia em todos os lugares menos na américa

1. É impressionante a soberba, o autismo e a ausência de cultura democrática ostentada pelo ainda Primeiro-Ministro, Pedro Santana Lopes. O indivíduo não se resigna nem parece dar mostras de compreender para além do tipo de raciocínio detrás do qual se escuda e que tipifica aquilo que ele orgulhosamente gostaria de ser: o animal político em permanente combate! Porém, convém recordar ao senhor que também é preciso produzir...
Continua a justificar o seu fracasso e o desgaste de algum capital político, concentrando as suas energias na decisão de Jorge Sampaio em dissolver a Assembleia da República. Ingrato, morde vilmente em quem lhe deu de comer durante quatro meses.
Pois, também é culpa do Presidente da República as governações despesistas e ultrajantes na Figueira da Foz e em Lisboa. E para cobrir financeiramente o que foi feito, não bastam as contribuições dos figueirenses nem dos lisboetas. Isso é à conta do fecho de centros de saúde no interior, do desinvestimento na investigação científica e na educação, etc., etc.
2. Segundo parece, no próximo dia 30 de Janeiro o Iraque passará a ser uma democracia. Isso quer dizer que a guerra civil que sustenta e anima aquela ideia terminará nessa data? Mas, sendo assim, se a guerra civil terminar, como é que pode haver democracia?
Não bate a bota com a perdigota...
Ah, espera lá... afinal para haver democracia segundo Robert Dahl (Who Governs? Democracy and Power in the American City) é necessário garantir 8 critérios institucionais:
a) Liberdade de constituir organizações e aderir às mesmas;
b) Liberdade de expressão;
c) Direito de voto;
d) Direito de competir pelo apoio e pelos votos;
e) Elegibilidade dos cargos políticos;
f) Fontes de informação alternativas;
g) Eleições livres e correctas;
h) Instituições que tornem o governo dependente do voto e das outras formas de expressão de preferências políticas.
É claro que o Iraque só não cumpre aí umas duas...
PS: Notícia de Última Hora: informações acabadinhas de chegar dão conta da partida de alguns cargueiros americanos com destino ao golfo pérsico, cheios de democracia nos porões para distribuir pela população. Devem chegar amanhã, o mais tardar, na Sexta-Feira.
Adoro finais felizes!

em de-talhe

ÁGUA A VALER
Hoje, enquanto investigava na net as agruras a que se dedica um caríssimo amigo, pelo qual tenho a maior estima e com quem espero vir a tomar de assalto o poder dentro de um par de anos, sou confrontado com um insólito episódio que lhe terá sucedido esta manhã. E que de algum modo, compete com um outro episódio (apenas um pouco mais dramático, à vista desarmada) pelos meus fundos mensais destinados à caridade e compaixão pelos mais fracos, pelos espoliados do sistema. Ele próprio, em primeira mão, relata a coisa em colectivo transgressão.
Segundo parece, o querido amigo terá enchido demasiado a banheira e sem medir as consequências, de forma absolutamente irresponsável (o que não é vulgar nele, principalmente embarcar em aventuras holistas), atirou-se loucamente em registo Acapulco, provocando um maremoto à escala da banheira. Esta brincadeira, ter-lhe-á custado no mínimo, uma valente açoitada na flora sub-abdominal, facto gerador de ampla instabilidade doméstica. Como não bastasse, terá responsabilizado o patinho amarelo de borracha que habitualmente navega naquelas águas tépidas e naftosas.
Sucede que, como disse, devo optar. Apesar de compreender as dificuldades por que está a passar, tenho informações de fonte segura que o patinho admitiu a responsabilidade transformando-se de seguida em bode. Por outro lado, as minhas economias só se destinam a cobrir prejuízos causados pela mãe natureza, uma vez que é ininputável... ah, pormenor fundamental: ele tem uma banheira em casa, como todos os portugueses, de resto... pronto, ok, não é nada de especial, não conto este argumento.
Finalmente, o amigo em causa teve tempo suficiente para «gamar» um balde inteligente no penúltimo sítio onde trabalhou, assim como despedir em tempo útil o patinho, que apesar de não ter tido responsabilidades neste caso concreto, foi o responsável pela criação da conta bancária.
Portanto, eram cumplices!
2. Congratulo-me por um segundo amigo, menos exuberante na arte do salto para a piscina, ter decidido iniciar o seu projecto de degradação dos poderes instituídos, começando por degradar o seu próprio em anda cá que eu não te aleijo. Não sei muito bem o que quer este amigo dizer com isto mas parece-me ser um qualquer rifão sul-americano.
Mas tenho cá uma sensação... Este amigo faz também faz parte do Projecto 2012, é um dos cabecilhas.




em de-talhe

SUDESTE ASIÁTICO III

Os números de perdas humanas não cessam de aumentar. São apenas números mas as perdas são reais.
Sem querer responsabilizar o ocidente por tudo quanto se passa no resto do mundo e muito menos por uma falha tectónica que provavelmente se manifesta há milhares de séculos, certo é que as condições materiais de prevenção, ordenamento do território e tipo de construção, são factores que possivelmente reduziriam significativamente o número de vítimas mortais. E neste particular, ainda que países como Portugal (ver o artigo de Miguel Miranda) não possuam meios para monitorizar tsunamis, a verdade é que a probabilidade de aqui se formarem ondas gigantes é exponencialmente menor do que em oceanos como o Índico ou o Pacifico. Por outro lado, o ordenamento do território impõe regras que, por vezes e erroneamente classificamos absurdas. Um tipo de construção sólido não só constitui barreiras de protecção como não dispersa milhões de destroços acutilantemente perigosos.

Esta introdução, para fazer uma ou duas referências.

Esses instrumentos de que falei exigem recursos e legislação. Ora, o ritmo desta corrida imprimido pelo ocidente é avassalador e só sobrevivem os mais fortes. Note-se aliás como o abrandamento desse ritmo tem sido altamente danoso para as economias. Claro que entrar na corrida implica treino e recursos desigualmente distribuídos. Os competidores mais fracos viram-se naturalmente na contingência de entrar nessa corrida sem poder fazer face a imponderáveis ou situações críticas como a que se vive. Esta situação é particularmente evidente nos países mais sacrificados, reproduzindo o «capital de miséria» e hipotecando a capacidade para diminuir os desequilíbrios. De resto, esta situação decorre de condições históricas, culturais e físicas conhecidas e do conhecimento geral.

É aqui que o ocidente tem responsabilidades e convém não esquecer que muitos dos países afectados neste momento assentam parcialmente a sua economia na mão-de-obra barata e na baixa qualificação, incapaz de explorar os seus próprios recursos naturais. Na verdade, somos nós que os exploramos, aliás, depredamos. Ver a este respeito o texto Globalização, Domínio e Sociedade de Risco publicado na ACTAE: os riscos produzidos pela natureza foram já largamente ultrapassados pelos riscos produzidos pela sociedade.
Mas continuamos a correr, sem saber bem para onde e sem nos importarmos se somos acompanhados, se fica gente para trás.

Por outro lado, a investigação científica mundial (maioritariamente a cargo dos países desenvolvidos), encontra-se demasiadamente dependente da economia e das empresas que a patrocinam, seja na indústria farmacêutica, espacial, militar, entre outras. Tudo tem custos e sendo os recursos escassos, a monitorização de tsunamis não entra certamente no topo de prioridades de países ocupados em debelar doenças endémicas, combater a fome e a pobreza ou infelizmente a produzir sofrimento adicional com guerras despoletadas por interesses pessoais, étnicos ou oligárquicos...
Talvez John Rawls tivesse afinal razão em A Lei dos Povos, tornando a humanidade um só povo dentro do primado da democracia (condição fulcral, pelas razões que inteligentemente aponta), ainda que para isso se tivesse que trazer à decência, povos não decentes... Alguns meios pelos quais ele propõe esse contrato social é que esbarram com estrondo em concepções que hoje temos por universais.

Mas as leis da economia não estão na natureza, pelo menos estas, apesar de elas próprias em articulação com a acção política, terem condições para suavizar o sofrimento humano. Só assim fazem sentido. Afinal para que serve a cultura senão para compensar os desequilíbrios da natureza?

Não obstante, é em momentos de extrema dificuldade como os que se apresentam àquelas pessoas que é experimentado, como que um retorno à natureza (em concreto, à leis da natureza que apelam ao instinto de sobrevivência e comunidade), e a prova disso é a solidariedade espontânea entre as pessoas, unidas por laços que ultrapassam a barreira da religião, do estatuto económico e da nacionalidade. Uma redefinição do espírito de comunidade de Tönnies, um reforço da solidariedade mecânica de Durkheim.
São momentos como estes que se alude à necessidade de trabalhar em conjunto, momentos em que se compreende a verdadeira dimensão da espécie humana no confronto com a magnitude da natureza, momentos em que a espécie humana se cumpre enquanto tal, enquanto uma única comunidade animal disposta a empreender uma viagem no mesmo vagão.

28 de dezembro de 2004

à tout propos (93)




Sabah, Malásia (Stuart Franklin - NGS)

Idílio...

à tout propos (92)

ASSISTÊNCIA MÉDICA INTERNACIONAL
Para apoiar a AMI, já no terreno a prestar auxílio às populações afectadas, qualquer um pode fazer donativos, através de
Depósito da conta BES da AMI nº 015/40000/0006
Multibanco. Entidade 20909 e Referência 909 909 909 em Pagamento de Serviços
Tranferência bancária para o BES - NIB 000700150040000000672
A AMI pede que lhe seja enviada uma cópia do talão de comprovativo para receber o respectivo recibo de donativo.
Qualquer ajuda é preciosa. Para se ter uma ideia, esta tragédia equivale a cerca de 1000 autocarros como o que desafortunadamente caíu em Entre-os-Rios. Com uma agravante: a destruição que semeou, afectando milhões de pessoas que têm contribuído decisivamente para o status quo ocidental...

à tout propos (91)

SUDESTE ASIÁTICO II
As constantes actualizações elevam para mais de 55 000 mortos.
Ver em Público e TSF.

27 de dezembro de 2004

à tout propos (90)

ANTÓNIO BARRETO E A APROVAÇÃO DO ORÇAMENTO DE ESTADO 2005
"Como se sabe, a aprovação do [Orçamento de Estado] pelo quase dissolvido Parlamento e a sua promulgação expedita pelo dissolvente Presidente da República constituíram um facto maior do anedotário da democracia portuguesa. A fim de mostrar a sua repulsa pela decisão presidencial, a maioria não queria aprovar, mas aprovou. As esquerdas, contrárias ao seu conteúdo, queriam que fosse aprovado mas votaram contra. O Presidente, apesar de descontente com a política orçamental e económica, promulgou. Tudo isto, claro, na maior serenidade e com total transparência."
António Barreto, Público, 26 de Dezembro, p. 7
É brilhante!

em de-talhe

AUMENTOS SALARIAIS
Tive a fazer as contas bem feitinhas e confirmados os 2,2 % de aumento salarial, verifico que serei aumentado em mais 27.324 € no salário bruto. Desses, cerca de 20 € passam nos crivos da contribuição fiscal, aumentando substancialmente a minha receita líquida mensal.
Tendo em conta que em 4 anos, a carreira em que me insiro foi aumentada 2 vezes, concluo facilmente que em média, teremos sido aumentados anualmente qualquer coisa como 1 ponto percentual. Nada mau, tendo também em conta os valores da inflacção que podiam ser exponencialmente maiores; e seriam, caso Santana Lopes e o seu séquito se mantivessem «enlapados» ao poder.
Felizmente os colegas do sector privado só dependem do seu bom desempenho para verem o seu «vencimento» aumentar quanto e como queiram. Como não têm contribuintes para servir mas sim clientes, têm o seu trabalho muito mais facilitado. Isso para além de poderem ser clientes sem serem contribuintes... Mas o que importa é que todos, em uníssono, exijamos estradas, pontes, estádios e submarinos, sendo ou não contribuintes (mas todos portugueses).
Não obstante, quando a esmola é grande, o que é que faz o pobre? Desconfia, claro está... aumentar assim a função pública, essa horda de alarves mandriões.
Por meu turno, tenho que pensar muito bem o que vou fazer com essa batolada que me calhou na rifa, que multiplicada por 14 dá qualquer coisa como 280 €, quase 60 contos por ano! É quase o ordenado de um auxiliar administrativo.
Com esse dinheiro, posso comprar dois microondas por ano ou pagar um bilhete anual para ver o Benfica ou então, jantar num restaurante caro e embaraçar os presentes com a forma como vou vestido e como pego nos talheres.
Felizmente a liberalização dos combustíveis pôs travão ao aumento dos preços; felizmente que temos mais e melhores cuidados de saúde; mais investimento na educação e na investigação científica; felizmente que os custos de produção diminuem drasticamente aumentando consideravelmente o poder de compra dos portugueses.
Agora com mais 4 contos por mês é que vai ser a loucura... Talvez compre um carro igual ao de um ministro. Com motorista e tudo!

26 de dezembro de 2004

à tout propos (89)

RESQUÍCIOS NATALÍCIOS - TOP SMS
Após mais uma quadra natalícia, 5 kg a mais nos «pneus» e a carteira esventrada, é com particular satisfação que aqui publico as melhores mensagens de natal que recebi este ano. Quer pela acidez quer pela mordacidade, as duas mensagens personificam espíritos diferentes daquilo que pode ser o natal, sobretudo para cada um dos autores. Fiquei fascinado com ambas.
1. «É só para te dizer que este ano (assim como nos outros) me estou perfeitamente borrifando para se tens ou não um bom natal e um ano novo feliz. Carne...
Telmo Rocha, 24 de Dezembro, 20h53
2. «Que esta época de paz, amor e felicidade sirva para que refitas sobre o conteúdo do teu blog nomeadamente sobre o que disseste sobre o "nosso natal".. Boas facadas! :)»
Claudio Nunes, 25 de Dezembro, 12h11
O teor das mensagens é elucidativo. E um texto parece ter pouco ou nada que ver com o outro. Mas apesar de verosímil, esta proposição enferma de um grave enviesamento. Com efeito, podemos na realidade encontrar um denominador comum que liga estes textos como a noite liga com o dia. Um, termina com carne e o outro com facadas, donde podemos inferir que, ou são eles que estão por detrás das facadas que o Santana Lopes se queixa ter levado nas costas ou esta seria uma mensagem subliminar para ser eu a fazê-lo.
Por outro lado, não estou a ver que me quisessem desejar boas trinchadas no perú, não sou vegetariano mas também não suportaria ter que acabar com o pobre animal. Seria na franga? Como é que eles sabem?
PS: Obrigado a todos pelas mensagens de natal. Mesmo aos que ainda pensam que o pai natal existe...

à tout propos (88)

SUDESTE ASIÁTICO
O mundo acordou com uma catástrofe de dimensão ainda por apurar, provocada por um sismo cujo epicentro no Índico rapidamente se propagou um pouco por todo o Sudeste asiático, sob a forma de tsunami.
A esta altura fala-se em mais de 12 000 vítimas mortais. No entanto, avançar números neste momento é pura especulação em virtude da enorme quantidade de desaparecidos.




24 de dezembro de 2004

os deuses também já foram homens

Ah, e só mais uma coisa antes de ir encher as trombas de camarão, rabanadas, filhoses, bacalhau e vinho tinto.
Para que fique claro, eu não acredito no pai natal e a prova disso é irrefutável: já tenho 30 anos. Mais, caso existisse eu teria certamente umas continhas a ajustar por aquele dia em que sonhei com a «Estação de Serviço Galp» em cima da arca frigorífica (nos meus sonhos não havia cá sapatinhos, sempre foram muito reais) e quando acordei, precipitei-me da cama para a cozinha para dar de caras com... ar. Bom, talvez lá estivesse a inevitável jarra depositada em cima de um «naperon» de renda, mas nada mais.
Até hoje! E estação de serviço Galp com elevadores e diversos compartimentos para acomodar os carrinhos, nem vê-la...
Nem me recordo do que recebi.
PS: lá em casa, não tinhamos criadagem mas o meu pai fazia uns presépios fenomenais com musgo, figuras, folhas de prata a representar os cursos de água e a uma gruta com luz electrificada. Nada mau...

à tout propos (87)

A MIRA MULTIÓPTICA DE MIGUEL SOUSA TAVARES
Ver o artigo Não há pressa de Miguel Sousa Tavares, sempre acutilante e algumas vezes sóbrio, no Público de hoje.
Apesar de concordar em quase tudo, não posso no entanto deixar de afirmar a minha discordância quando se refere à prolixidade e rigídez da Constituição, em particular quando apela ao facto de o documento continuar a prever a existência de Regiões Administrativas, tendo os portugueses recusado a regionalização, nas palavras dele.
Três reparos:
1. Os referendos, para serem vinculativos não prescindem que a maioria dos portugueses se manifestem, votando. No caso em particular, como é sabido, a abstenção foi de 51,71%.
2. Por outro lado, o modelo em causa, pelo qual, diga-se de passagem, nem o próprio PS (governo na altura) se bateu em bloco, era previsivelmente inadequado. Como se disse, a discordância quanto ao modelo em causa, no seio do PS era evidente e a proposta sofrível.
3. Finalmente, na minha opinião, figurando esse nível de poder local na Constituição, nem sequer se levanta a necessidade de referendar a sua criação; apenas e quanto muito, o modelo. Para criar o Município e a Junta de Freguesia foi preciso submeter à apreciação do povo? Para criar essa incipiente extensão do Estado a que se dá o nome de CCDR também foi necessário elaborar referendos? Assim, a 1ª pergunta era desnecessária.
Em suma, ou se muda a Constituição ou se referenda apenas o modelo a implementar.
O RICO NATAL DE JOÃO BÉNARD DA COSTA
Ao lado do artigo de João Bénard da Costa, Recantos do Natal, os editores do Público deveriam ter também publicado um artigo a relatar como eram passadas as noites de consoada de 3 quartos da população portuguesa. Sem quaisquer pruridos gerados pela protegida noblesse portuguesa durante o Estado Novo e pelo que significava esse privilégio para a restante população, não me parece muito próprio falar dos «folhados de camarão com salada russa», «mousse de chocolate», «das criadas» e da «pilha de presentes» dos natais da sua infância, sem que os avós e pais de pessoas como eu falem do que tinha de especial essa noite para eles: das criadas que eram, das meias rotas que talvez fossem substituídas e da dádiva que significava uma humilde refeição em época de «pilha de fome».
Assim, os leitores poderiam ler os textos sem deixar de compreender que o Natal de João Bénard da Costa só tinha razões para ser mágico... E ainda bem para ele. Mau para os que com 20 anos já só tinham 20 dentes...




23 de dezembro de 2004

à tout propos (86)



GORILAS NA BRUMA OU O REI DA MACACADA
Chris Savido resolveu dar consistência àquela comparação - muito difundida pelo mundo decente - entre Bush e um chimpanzé.
Como complemento, porque não consultar o próprio site deste artista, Monkey River Town. Histórias muito actuais.
Quem leu «O Único Animal Que?» do Augusto Abelaira, facilmente se identificará com o registo.
Já agora, sigamos o sábio conselho de Abelaira e começemos a mascar compulsivamente pastilha elástica, a ver se ajudamos os maxilares a roubar espaço ao cérebro...

à tout propos (85)

SERVIÇO DE ALARME ONLINE
Serviço de alarme, reminder e calendário em Birthday Alarm.

os deuses também já foram homens


Spartan girls challenging boys, Degas, 1860-62.
Tributo à amizade: Luís, Pedro e Filipe, os festejos «natalícios».
Com pinta...

22 de dezembro de 2004

à tout propos (84)

GUIAS CARTOGRÁFICOS DO MUNDO
Mapas de todo o mundo, clicar AQUI precisamente.

à tout propos (83)

QUEM CONSEGUE RIDICULARIZAR A BOÇALIDADE?
Imaginar Silvio Berlusconi de ceroulas, vestido de palhaço, de Hitler ou mesmo com um sensual fio dental, deixou de ser apenas uma especulação onírica.
Atreve-te a desafiar a imaginação e ousa tentar ridicularizar o primeiro-ministro italiano.

os deuses também já foram homens



La Tentación de San António, Salvador Dali, 1947
Tributo ao espírito livre, reflexivo e crítico.

21 de dezembro de 2004

à tout propos (82)

VOLUME NÃO IDENTIFICADO ATRASA PRIMEIRO-MINISTRO


Segundo fontes oficiais, foi detectado ontem no avião que levaria Santana Lopes de Lisboa ao Porto, um «volume não identificado».

Ao que parece, logo após a saída de um blindado que parou junto ao avião, os 16 seguranças terão subido em bloco para o avião, rodeando e transportando em cadeirinha o governante, evitando assim o eventual rebentamento de minas anti-pessoal.
Desta forma, asseguraram de imediato no interior da aeronave, um perímetro de segurança de dois metros, o normal nestas situações (recorde-se que no Air Force One é de cerca de 2 metros e 15).

Por outro lado, este tipo de procedimento diminui consideravelmente o risco de um ataque terrorista. Há indícios da CIA, que apontam Pedro Santana Lopes como um potencial alvo de peixeiras, professores, operários fabris e um ou outro marido.

Deste modo, é perfeitamente justificado, diga-se de passagem (en passant, para os mais eruditos), o helicóptero com canhão lazer a equipa dos GOE que ininterruptamente fazem segurança ao Primeiro-Ministro.

Ora, no meio da algazarra e concentrados em identificar possíveis bombistas suicidas, os 16 guarda-costas desprezaram completamente o que Santana havia de identificar como sendo um jornal e não a Caras (como havia solicitado), tendo exclamado de imediato: «eu não me sento ali, não é essa a minha maneira de estar na política, o povo português ja me conhece, por isso tenham lá a santa paciência mas não me sento ali

Não havendo mais lugares disponíveis e visivelmente agastado, decidiu regressar ao conforto do blindado e ali prender o burro. Se já houvesse TGV, com o nosso poder de compra, certamente teria muitos lugares vagos… e algumas caras bonitas, com certeza.

20 de dezembro de 2004

à tout propos (81)



O MUNDO ESTÁ MESMO DOENTE

em de-talhe

CO-INCINERAÇÃO
Em face desta verdadeira obsessão socratiana com a co-incineração, querem ver que ainda vou ter saudades do actual ministro do ambiente, Luís Nobre Guedes?
Sócrates, não só não digeriu o abandono da co-incineração de resíduos perigosos pelo governo de Durão Barroso, como insiste na solução menos consensual das actualmente existentes e seguidas por diversos países da vizinha Europa.

19 de dezembro de 2004

em de-talhe

RISCO CONTÍNUO - TSF
Grande reportagem da TSF, coordenada por João Paulo Baltazar, um excelente contributo para o debate em torno da sinistralidade rodoviária, a nossa guerra civil.
A reportagem confronta diversas perspectivas, levantando questões que normalmente não são contabilizadas nem objecto de verdadeira sensibilização pelas entidades competentes.
A sua resolução será apenas política? Quanto custa uma vida? E as responsabilidades, de quem são, apenas dos condutores? Em todos os casos?
Para aceder, clicar em TSF e posteriormente em «reportagem 17» para ouvir.

16 de dezembro de 2004

à tout propos (80)

UM POSTAL DE BOAS FESTAS - PORTUGAL EXÓTICO E LONGÍNQUO
A AIEP (Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal), elegeu, segundo noticía o Público, Durão Barroso como «personalidade portuguesa de 2004».
A meu ver, é de muito mau gosto (embora compreenda as razões da AIEP), eleger em 5ªa ou 6ª escolha, alguém que o já foi este ano quando desertou para a presidência da Comissão Europeia.
Se há pessoa que não merece ser tratada desta forma cruel e mesquinha é Durão Barroso, por tudo quanto deu a Portugal. Ingratos!
Só porque Santana Lopes, Henrique Chaves, Gomes da Silva, Morais Sarmento e outros ícones da comunicação social não aceitaram a distinção, lá apareceu novamente Durão Barroso como solução de recurso do recurso do periférico recurso.
Mas esses senhores dessa associaçãozeca de imigrantes armados em jornalistas têm os dias contados quando o novo governo tomar posse e o acordo de Schengen fôr levantado. Não havia necessidade disto mas alguém tem que defender o nosso Comissário Barroso que com as suas novas funções, vai devolver a Portugal o esplendor dos descobrimentos, sensivelmente dentro de 500, 600 anos.