28 de abril de 2005
Antes só que mal acompanhado
27 de abril de 2005
Antes só...
25 de abril de 2005
25 de Abril de 1974

Passados 31 anos sobre esse marco histórico que consagrou liberdades, direitos e um regime democratico constitucional, ainda não é possível medir em toda a sua extensão o impacto que teve e terá na vida dos portugueses.
Se olharmos retrospectivamente as mudanças, notamos com satisfação como a vida dos portugueses mudou substancialmente para melhor e como a própria idiossincrasia nacional tende a esboçar uma leve superação do quadro tradicional hierárquico, miserabilista, fatalista e apático. Outras mudanças ocorreram, ditadas em grande parte pela própria dinâmica das sociedades contemporâneas, urbanas e industriais. Em relação a essas é frequente ouvir os lamentos saudosistas de alguns que confundem aquelas dinâmicas (transversais a todas as sociedades no mesmo «estádio evolutivo»), com a defesa da autoridade do Estado e do padre, e do Cabo da GNR e da paulada, também.
Relativamente a esse último aspecto, basta observar como o Bloco de Leste foi sendo «esfarrapadamente» contido até chegar a um ponto em que tal não era mais possível. Do lado de lá da cortina, as pessoas não estavam a dormir. A questão chinesa e a norte coreana são bem mais complexas, do ponto de vista cultural e até geográfico.
Mas, passados 31 anos após o 25 de Abril de 1974, é impressionante constatar a sobrevivência de grupos de indivíduos que continuam a legitimar todas as suas acções e comportamentos (independentemente da sua razoabilidade), à sombra de Abril e daquilo que este acontecimento não foi, não é nem nunca será.
Da mesma forma como subsistem laivos da soberba e «superioridade» presente nessas pseudo-elites cujo status quo foi posto em causa, nalguns casos, esventrado. As mesmas que não suportam o novo-riquismo, as mesmas que refulgem venenosamente com expressões do tipo «hoje, já qualquer pé rapado tem um bom carro».
É apenas da democracia que se trata! Mais do que um projecto político, a democracia tem que se afirmar como uma concretização social, económica e até ambiental. É apenas isso que se celebra, com a mesma satisfação pelo grosso dos portugueses.
24 de abril de 2005
Crise?

21 de abril de 2005
Que arquitectura eleitoral?
Como se sabe, o nosso sistema eleitoral foi gizado com a preocupação de garantir a representação de todas as tendências políticas significativas e da maior proporcionalidade na conversão de votos em mandatos. Fruto do trauma original salazarista, essa seria a forma engendrada, grosso modo, para impedir a formação de maiorias monopartidárias e garantir o respeito pelas minorias. Por conseguinte, o apuramento de mandatos nas legislativas organiza-se em torno dos 22 círculos plurinominais, que elegem deputados consoante a proporção dos eleitores de cada círculo. Por seu turno, a fórmula de conversão de votos em mandatos é certificada pelo método de Hondt e visa garantir a mencionada representação proporcional (RP).
Para uma observação mais de-talhada, importa reter das chamadas Leis Duverger, a 1ª e a 3ª, que dizem respectivamente o seguinte: a representação proporcional conduz a um sistema de partidos múltiplos, rígidos e independentes e, o escrutínio maioritário a uma só volta leva ao dualismo de partidos.
Se a 3ª Lei não levanta grandes dúvidas, o mesmo não sucede com a 1ª. Na verdade, a 1ª Lei é imediatamente posta à prova pelas oscilações eleitorais posteriores a 1974 (maiorias relativas, maiorias absolutas monopartidárias e negociadas).
Com efeito, a tendência de polarização partidária verificada recentemente reforça a nossa dúvida quanto à 1ª Lei Duverger. E sobretudo a partir de 1987, essa tendência dualista começa a ser transversal a quase todos os círculos, à excepção de Braga, Lisboa, Porto, Santarém e Setúbal; comprovada também pela formação de maiorias absolutas monopartidárias em 87, 91 e 2005 (a somente 1 deputado em 1998).
Em 2002 apenas 5 dos 20 círculos eleitorais (excepção aos 2 círculos dos emigrantes) elegeram deputados provenientes de 4 ou mais partidos, tendo esse número diminuído em 2005 para 4 círculos. São, portanto, os maiores círculos a conseguirem salvaguardar ao nível regional a RP.
Não obstante, nem só a dimensão dos círculos (em número de mandatos) contribui para tais ecologias e matrizes partidárias. Excepcionalmente, o distrito de Évora, por exemplo, viu os seus 3 representantes ficarem equitativa e proporcionalmente distribuídos pelo PS, PSD e CDU.
Assim, para além da fórmula eleitoral e tipologia dos círculos, temos duas ordens de factores que, quando conjugados, são susceptíveis de condicionar directamente a representação partidária na Assembleia da Republica: a dimensão e circunstâncias políticas particulares; mas trata-se de uma conjunção que dificilmente se aplica aos círculos mais pequenos, em virtude dos factores enunciados no final do parágrafo anterior.
O dilema que se coloca é o seguinte: sabendo que actualmente a RP é garantida pelos grandes círculos (Lisboa, Porto, Braga e Setúbal), e que os círculos uninominais (de escrutínio maioritário) ou mesmo os pequenos círculos plurinominais tendem efectivamente à bipolarização e ao favorecimento dos grandes partidos, como será possível manter a ideia da proporcionalidade expressa constitucionalmente? Mesmo sabendo que o pluralismo pode emergir intra-partidariamente (no seio dos grandes partidos, como nos EUA ou no Reino Unido), uma vez escrutinados, os deputados são eleitos pela nação e portanto, não vinculados a interesses regionais. Abolir-se-á na próxima Revisão Constitucional a RP que a custo é garantida pelos círculos plurinominais de maior dimensão? Ou deverão os actuais círculos ser alargados através de uma redefinição territorial, que os diminua em número
20 de abril de 2005
Referendos
19 de abril de 2005
à tout propos (161)
Habemus Papam!
Berlusconi colado à cadeira
à tout propos (160)
Incapazes de formar mais médicos, o Ministério da Saúde propõe-se recrutar médicos no estrangeiro.
A medida não podia ser melhor: combate-se o défice destes profissionais; não são portugueses cheios de vícios, de superavit corporativo e insuportável soberba; e estritamente relacionado com o segundo ponto, exactamente por não serem portugueses, passam a haver condições para proceder a uma correcta redistribuição pelo país.
Ficará apenas a faltar uma reforma da saúde que separe as águas e que impeça cada médico de trabalhar em mais do que 63 clinicas privadas.
18 de abril de 2005
Confie na estrela azul?!
15 de abril de 2005
O Público errou
14 de abril de 2005
Ele há coisas...
Fui invadido por um sentimento de indignação, agudizado por viver num país sobranceiramente ocupado com grandes obras de cosmética vertebrada, votando ao desprezo ingrato os que um dia contribuíram para a construção da grande «mansão» ou simplesmente porque foram fulminados por uma série de circunstâncias da vida que, de uma forma ou de outra os tolheu desprevenidos.
Senti um ímpeto irracional e precipitei-me na sua sua direcção, animado por aquele sentimento de solidariedade matinal que nos impele para a «boa acção do dia». Provavelmente, tal deveu-se a uma análise racional pré-consciente que legitimasse o fecho do dia, logo ali, em matéria de imperativos categóricos. Ajudar velhinhas a passar para o outro lado da rua é coisa para «meninos vestidos de parvo» ou para «parvos vestidos de menino». O meu grau de exigência é manifestamente superior e com esta acção, teria certamente o dia ganho.
Porém, precisamente no momento em que a sola do sapato se preparava para desafiar o asfalto e o lancil, vejo-o a falar com um magrizelas que saia de um automóvel, com cara de pai, que lhe passa um objecto suspeito para a mão e se dirige descontraidamente para a caixa Multibanco.
Agastado por ingenuamente ter considerado intervir em defesa da dignidade humana, tomei como caminho o de casa, sem regressar com o pão fresco na talega e jurei não mais pensar em solidariedades bacocas e lirismos absurdos num mundo colonizado por cães e oportunistas.
Contudo, durante a tarde reencontrei uma pessoa conhecida que não via há demasiado, trocamos as impressões habituais sobre o trabalho, o tempo, a bola e quando a conversa já saturada se escapulia pelos «então vá…», eis que o amigo resolve rematar com uma tirada bestial que resultou de um encontro casual ocorrido nesta mesma manhã.
Diz ele que quando parou o automóvel para pagar umas contas na caixa de Multibanco antes de se entregar à sua rotina diária, foi abordado na rua por um conhecido seu surpreendentemente com aspecto miserável, de pijama e cabelo desgrenhado, pedindo-lhe um enorme favor. De início horrorizou-se pelo insólito da situação, confessou-me a pessoa.
Afinal, não se tratara de um novo mendigo ou de mais um «mestre da vida» desta aldeola. Ao contrário, o indigente ter-lhe-á solicitado encarecidamente o telemóvel (pudera) para pedir as chaves de casa a alguém que lhas guardava para situações de emergência como esta. Ao que parece, após acordar, terá saído do seu apartamento, subindo dois andares para recolher alguma roupa estendida no terraço do prédio. Ao fechar atrás de si a porta do apartamento, embriagado de sono, não se fez acompanhar das chaves e viu-se na rua em pijama, sem poder regressar a casa, pressionado por um compromisso a 100 Km de distância e perseguido com o olhar impiedoso e sancionatório dos transeuntes.
Acontece que já não era a primeira vez que tal lhe acontecia. Na primeira vez, valeram-lhe os bombeiros, que após autorização da PSP, içaram as longas escadas até à varanda tendo pontapeado furiosamente a porta de vidro até não restarem lâminas de vidro nas borrachas. Esta foi a quarta experiência do género, talvez a segunda mais traumática e a segunda menos cara.
Não é minha pretensão condenar ninguém mas há pessoas que deveriam ser consideradas inimputáveis. Nem para tomar conta de um vaso de flores…
Quem tem mais férias em Portugal?
O tipo questiona a matemática do Miguel Sousa Tavares. Espero, desejo, suplico que ele mesmo não seja um professor de matemática porque simplesmente contabiliza duas vezes as horas do seu sono e as da «folga». Assim não vale. O tipo junta aos 234 dias de «folgas» dos professores (contabilizados por M. S. Tavares), os 121 dias que em tese passa a dormir durante um ano.
Com professores destes, quem é que quer ter filhos a estudar em Portugal?
Casa da Música
Um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a Humanidade.
13 de abril de 2005
Riscos da monocultura
O Vale do Ave é mais um sintomático exemplo da obsessão portuguesa pela construção de majestosas fachadas de betão assentes em alicerces de palha. Se naquela região, metade das pessoas nem sequer consegue decifrar um simples texto de jornal, a cru e sem imagem…
E nem por isso pudemos verificar naquela zona do país, como agradavelmente os trabalhadores são mais qualificados, como o trabalho infantil e precário diminuíram ou como se aboliu a lógica indecifrável da mão-de-obra barata (sem manifesta capacidade competitiva com os mercados asiático e de leste). Mais, a competitividade assente na qualidade continua um chavão, aparentemente só possível aos outros, «aos estrangeiros que têm muito mais apoio dos países de origem» (a desculpa classicamente esfarrapada dos insondáveis empresários portugueses).
Antes pelo contrário, a precariedade e baixa qualificação persistem, tornando os trabalhadores meros utensílios descartáveis. As prestações de desemprego também têm que servir para algo mais do que simplesmente iludir as estatísticas a entregar à União Europeia, mediante esquemas e esqueminhas à portuguesa (e.g. formação profissional, por exemplo).
E o que mais preocupa é o facto de o Alentejo parecer estar a caminhar no mesmo sentido, o da «monocultura» das actividades produtivas/geradoras de capital. De repente, toda esta região pareceu descobrir o turismo, a maleita para todos os males…
Preocupante.
12 de abril de 2005
em de-talhe
Parlamento do Irão aprova o aborto em situações de risco para a saúde da mãe ou malformação do feto, durante os primeiros quatro meses de gestação.
A questão: e o Alcorão deixa?..
11 de abril de 2005
Cien años de soledad
Então deu outro salto para se antecipar às predições e ver a data e as circunstâncias da sua morte. No entanto, antes de chegar ao verso final, já tinha percebido que não sairia nunca desse quarto, pois estava previsto que a cidade dos espelhos (ou das miragens) seria arrasada pelo vento e desterrada da memória dos homens no momento em que Aureliano Babilónia acabasse de decifrar os pergaminhos, e que tudo o que neles estava escrito era irrepetível desde sempre e para sempre, porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a Terra».
in, Marquez, Gabriel Garcia (1967/2003), Cem Anos de Solidão, Lisboa, Dom Quixote, pp. 327-328.
à tout propos (159)
Até amanhã camaradas…
No seu discurso ainda enquanto Presidente do PSD, Santana voltou a disparar na tradicional lamuria em todas as direcções, com a apresentação do seu «mini relatório».
Uma vez mais, escamoteou os seus fracassos individuais, remetendo-os para a fraternal figura colectiva do partido que tudo absorve, procurando a redenção com desculpas esfarrapadas junto das «bases» mais saloias, que sempre lhe deram «colo» em congressos como este.
E isso é evidente quando se põe ironicamente a estabelecer paralelismos sobre o que seria se por exemplo, no programa Quadratura do Círculo (SIC Notícias), António Magalhães do PS não defendesse o seu partido e se dedicasse mais a atirar-lhe farpas constantes; ou se por exemplo, Mário Soares afirmasse sobre o PS aquilo que Cavaco e Freitas denunciaram.
Confesso que nunca lidei muito bem com essa história dos grupos e do «assim governamo-nos a todos» e toda essa panóplia de mecanismos que fomentam a diminuição da responsabilidade, sentido crítico e individualidade, em detrimento de um partido, da verdade universal e inquestionável ou do Absoluto.
Ora, o que Santana Lopes parece não compreender é que a figura tutelar do partido não pode servir para mascarar os imensos podres que pululam e alastram pelas suas vísceras, ocultando-os na cumplicidade do aparelho e arremessando-os entre dois assobios para o lado, sem fazer mira mas à espera que atinjam um qualquer incauto.
Neste assombro de desfaçatez, desembaraça-se da responsabilidade como se a sua hecatombe se devesse ao desvario arbitrário de inúmeras facas afiadas que sem norte nem justiça se abateram sobre a sua couraça.
É suficientemente revelador: mesmo no fundo do lamaçal alimentado por si ao longo de séculos, Santana não revela seriedade, sobriedade e honestidade para admitir e encaixar os efeitos da sua acção desmazelada, procurando remetê-los para uma entidade que oscila entre a metafísica intangível e a inimizade visceral somente com paralelo no eixo do mal.
E assim, despediu-se com um «até amanhã» bastante previsível porque, bem vistas as coisas, quem é que lhe daria emprego num mundo afastado da política?
Quem deve ou não ter ambições, segundo Isaltino
Ao fazer esta distinção fundamental, Isaltino não só abdica de ser qualquer coisa, como se refere às supostas ambições de António Borges como se de um crime se tratasse, como se fossem ambições que um político devesse descartar à partida.
Algo parece enviesado nas concepções políticas de Isaltino Morais. Então se não houverem políticos no seu partido com tais e legítimas aspirações, para que serve o congresso? Ou só ele e os que o rodeiam terão legitimidade para isso?
à tout propos (158)
Convicta e convincentemente, o responsável militar pela segurança italiana afirmava que tinha em sua posse informações seguríssimas e irrefutáveis sobre o transporte de uma bomba na referida aeronave.
Estas informações deverão ter a sua génese na mesma fonte que assegurou a existência de armas de destruição maciça no Iraque e que haveria de justificar o abandono forçado dos inspectores da ONU e a consequente invasão do Iraque, ao arrepio da Resolução 1441 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
5 de abril de 2005
Venha a próxima reforma de fim-de-semana
Esta nova posição é absurda e, vinda do esteio e dos guardiães da moralidade ideológica de esquerda, é absolutamente incompatível com os supostos princípios inalienáveis que defendem: se não estavam de acordo com imensos aspectos do documento, não iam a concertação social tentando perder pela menor diferença, pressupondo metafisicamente que um novo governo se instalaria – como sempre – e anulasse todas as medidas do anterior – como sempre. O mito do eterno retorno, pela negativa.
Não é aceitável nem razoável para um país em coma, que venham estes papalvos – como sempre – aplicar ao quase defunto as mezinhas que julgam, na obra e graça com que foram investidos, indefectíveis. São isso, as reformas de três dias na educação, na saúde e em todas as áreas tuteladas directa ou indirectamente pelo Estado. Assim não é possível sair da mediocridade nem da política feita - como sempre - à imagem e gostos pessoais de supostas «elites» que tudo parecem dever à caducidade.
Há efectivamente aspectos do código do trabalho que não agradam aos trabalhadores. Também os há do lado dos patrões. Reafirmo: se não estavam de acordo, não o subscrevessem e abandonassem a mesa das negociações. Onde estão os castos princípios ideológicos? Onde estão as férreas e inabaláveis convicções?
Com políticas supostamente etéreas que no momento seguinte se revelam estéreis e efémeras, porque não obedeceram a uma edificação séria nos seus alicerces, torna-se impossível implementar qualquer tipo de modelo de desenvolvimento estratégico que se pretende para um país. Seja ele qual for. Não há meio de aprendermos com os outros, aquilo que já foi inventado e testado. Pelo menos isso, já que escasseiam - como sempre - as ideias geniais neste Portugal com cheiro a mofo, que não tem só medo de existir: demite-se também de respirar - como sempre.
Eleições regionais italianas
4 de abril de 2005
Tributo à liberdade aos direitos civicos e políticos

Martin Luther King - 4 Abril 1968
37 anos após o desaparecimento «compulsivo» de Martin Luther King, muita coisa mudou nos EUA. Infelizmente a sua sociedade não consegue encapotar um fenómeno que tem mais raízes do que a própria democracia. Legalmente, o racismo foi inapelavelmente banido; Não obstante, a limpeza não conseguiu ser tão primorosa no «andar de cima» e hão-de passar muitos anos até que termos contextualmente abjectos como «boy» ou «boss», sejam proscritos do vocabulário dos homens.
3 de abril de 2005
à tout propos (157)
Sensualidade e fisicalidade

Ballet Gulbenkian, Theatro Garcia de Rezende, Évora (1 e 2 Abril)
A expressividade sem limites e inquietante dos corpos, perfeitos mediuns de vibração emocional e desejo em duas coreografias interpretadas sem mácula e com paixão.
______
Le sacre du printemps (Marie Chouinard);
Organic spirit, organic beat, organic cage (Paulo Ribeiro).
2 de abril de 2005
os deuses também já foram homens
1 de abril de 2005
os deuses também já foram homens

Karol Wojtyla
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«Già vede e tocca il signore» (Camillo Ruini, Vigário de Roma)
Mentira do dia
31 de março de 2005
Da democracia no Zimbabwe
em de-talhe
29 de março de 2005
25 de março de 2005
A hipertrofia agoniante do centro
De cada vez que vou a Lisboa, ocorre-me sempre pensar como a sua dinâmica parasitária conduz o interior a um processo agonístico, sem que o mesmo tenha sequer passado pela natural reacção ao potlach empreendido pela «megalópole». A periferia definha, numa dança triplamente agoniante em torno do(s) centro(s): o primeiro e primordial é Lisboa, a Grande; o segundo centro é a faixa litoral centro-norte; e a terceira ideia de centro surge numa escala infimamente mais reduzida, com a emergência de pitorescas e atrevidas cidades como Évora, Covilhã ou Viseu, que lutam em simultâneo pela sobrevivência e pela sua afirmação regional.
Pequenos centros como este terceiro nível, provocam exactamente o mesmo esgotamento da periferia, embora com o peso na consciência de um irmão do meio que dá um açoite no mais novo, imediatamente depois de a mão do mais velho de todos se ter estatelado ruidosamente na sua cara.
Assim, em escalas diferentes, a cartografia nacional do desenvolvimento obedece à prosaica lei da oferta e da procura, agudizada por um lado, pela demissão do Estado do seu papel regulador, e por outro pelo favorecimento do centro a partir das suas próprias dinâmicas internas, que se vão criando e recriando. Um circulo vicioso, uma pescadinha de rabo na boca a crescer sem termo num exíguo alguidar.
Mas há outra coisa que me ocorre, sempre que me desloco a Lisboa. Se não houvesse poder local (com todas as virtudes e vícios que cada Executivo possa contaminar para o interior da instituição), só existiriam, em bom rigor, duas cidades em Portugal, Lisboa e Porto, que continuariam os eternos arrufos, esses sim, provincianamente rivalistas: «eu sou melhor do que tu» e «não, não, eu é que sou a capital».
Se não somos assim no plano interno, porque razão e com que legitimidade havemos de reclamar dos primos europeus a sua solidariedade através de mais fundos de coesão, distribuídos sem lei nem roque como se tivessem sido produto de um saque?
22 de março de 2005
21 de março de 2005
19 de março de 2005
Movimento independente de cidadãos
O desenvolvimento das sociedades industriais pode conduzir a um maior envolvimento político das comunidades, em alternativa à participação convencional das eleições, da democracia representativa e dos partidos. Isso é comprovado pela emergência dos novos movimentos sociais. Neste caso em particular, impressiona, não uma ruptura com a representação ou os órgãos de legitimidade política, mas sim a rejeição do domínio dos partidos, muitas vezes desenquadrado das necessidades e especificidades locais. É, em parte, uma manifestação de rejeição do «centralismo democrático», o qual está presente no PCP mas também na forma de organização político-administrativa de Portugal (ainda que um pouco mais dissimulada). O epicentro é naturalmente o Terreiro do Paço.
18 de março de 2005
De finura em finura II
A divergência reportar-se-á à natureza «privatizavel» da empresa, a qual é decididamente incompatível com o projecto autárquico do PCP. Como se houvesse algum. De resto, é tão incompatível como nos casos de outros municípios comunistas que entraram em sistemas semelhantes, nomeadamente no Distrito de Setúbal.
Nesta matéria, como em tantas outras, sabemos perfeitamente como as câmaras não dispõem nem têm que dispor de know how especializado, em particular em áreas residuais pela pontualidade de que se reveste.
Mais, também sabemos que uma hipertrofia do sector público estagna a dinâmica económica preferivelmente centrada no sector privado.
Mais ainda, estatutariamente, não é possível a um privado deter uma posição maioritária na empresa, pelo que por princípio, esta nunca sairá do controlo do sector público.
Nesse caso, do que se queixa o PCP?
Acontece que o PCP não convive muito bem com a liberdade individual, com a reflexão crítica e enfim, com o sistema democrático que ajudou a conquistar. E isso vê-se nas estruturas internas do partido, na organização disciplinadora onde o condicionamento é da mais fina textura. Confesso-me incrédulo sempre que vejo jovens comunistas a reproduzirem acriticamente postulados perfeitamente discutíveis e frágeis do ponto de vista lógico-argumentativo.
Não obstante, eis a curiosidade desta novela, e que talvez os mais distraídos desconheçam, são as habituais performances eleitorais que alguns partidos levam a efeito. A este respeito, o PCP não é excepção e em plena campanha eleitoral os candidatos a deputados pelo distrito de Évora, liderados pelo cabeça de lista Abílio Fernandes, estiveram nas instalações da Câmara Municipal de Redondo a fazer campanha eleitoral, acompanhados pelo Executivo camarário que supostamente seria indigno da confiança política do PCP.
A comitiva percorreu todas as instalações municipais, cumprimentou funcionários, demorou-se com explicações sobre o estado actual em que as forças vampiras tiram o pão da boca às criancinhas portuguesas que definham com fome, o monopólio do capitalismo, os barões e a exclusão, etc., etc.
Por fim, importa reter alguns marcos relativamente interessantes que não esgotam o universo de circunstâncias que en passant foram deteriorando a relação: o arranque deste processo das águas (em que o Município de Redondo – leia-se a população – saiu claramente beneficiado em relação ao processo intermunicipal alternativo advogado pelo PCP) é de finais de 2001; as autárquicas tiveram lugar em Dezembro do mesmo ano; o Congresso do PCP em que Alfredo Barroso e Lopes Guerreiro são apupados pela JCP pelas suas posições é de finais de Novembro de 2004; a visita habitual dos candidatos comunistas, presumivelmente indiciadora de um clima institucional normal é de 10.02.05; as Legislativas em 20 desse mês e a ruptura oficial que se dá somente em 11 de Março, curiosamente um verdadeiro «dia-bomba» (Madrid, 11-03-04).
Tirem as vossas conclusões…
A inocência de Sampaio
Admira a reacção quando estamos a falar de um homem que foi eleito directamente em sufrágio universal pelos portugueses, portanto com enormes responsabilidades e supostamente uma das pessoas melhor informadas (dentro da matriz sociológica) acerca das realidades do país.
Mas, pergunto-me eu, o que se esperaria de um país em que metade da população não sabe interpretar uma notícia de jornal, onde subsistem hábitos de higiene duvidosa como cuspir para o chão ou atirar lixo para a via pública e indiscriminadamente em qualquer local ou ocasião?
O que se pode esperar de um país onde se levantam milícias populares sem fundamentos remotamente aceitáveis, se mata o vizinho numa disputa de 5 m2 de terra?
O que se pode esperar de um país em que a tradição é confundida com resquícios autoritários, onde se mata o cão do vizinho com veneno dos ratos, para não falar de espécies selvagens protegidas, apenas por «desporto»?
O que se pode esperar de um país com uma das mais elevadas taxas de corrupção da União Europeia (à frente da Grécia, Itália e alguns dos novos membros resultantes do alargamento a Leste), em que o sistema de 1 produto-2 preços é generalizado e totalmente às claras: «Se quer recibo vou ter que lhe cobrar o IVA, não sei se me faço entender...»
O que se pode esperar de um país em que se estima para cima de 500 000 o número de alcoólicos ou que não se incomoda com a crescente morte social diagnosticada? Onde há e sempre houve portugueses de primeira e de segunda? Ou onde o período de prisões preventivas pode ultrapassar os 2 anos? E onde os médicos continuam a comportar-se como se ainda prevalecesse a norma patriarcal?
O que se pode esperar de um país que de rompante é confrontado com uma série de profissionais melhor preparados, com mais qualificações e vontade de trabalhar, que certamente colocam em causa o status quo dos autóctones, o seu modus faciendi?
O que se pode esperar de um país em que os seus próprios emigrantes nunca tiveram a humildade de reconhecer as míseras condições de existência em bairros de lata nos arredores de Paris, Geneve ou Bruxelles, nos idos de 60?
Podíamos ficar aqui eternamente. E em matéria de classificação no campeonato da tolerância, devemos ressalvar que os nossos objectivos nunca podiam passar pela conquista do título. Não parecem haver condições, falta estofo…
Finalmente, admiram também as «oportunas» tiradas de Sampaio sempre que acontece algo de novo na sua vida, como se fosse uma vela triangular à bolina.
Lacuna tecnológica
E pronto, foi dada a desculpa, fiquemos por aqui e pela malfadada ironia.
Nem a propósito, é também contra a desculpa balseira e desresponsabilização que o governo deve actuar: verifica-se um erro, quanto muito uma desculpa forjada ou o tradicional escorrer de água de sucessivos capotes e, por fim, a redenção, seguramente «ultrapassada» numa semana com o tradicional «errar é humano»; será por fim, nostalgicamente contada numa alegre noite de consoada aos filhos, sobrinhos e netos. Já vi este filme vezes sem conta.
Um programa de governo não é um documento qualquer, não se trata de um simples oficio ou de uma newsletter. E não é que a falha seja irreparável ou com danos directos na vida das pessoas (como a colocação dos professores). Mas a competência das pessoas também se comprova pela capacidade de previsão e nesse campo, os responsáveis pelo envio revelaram parcas virtudes. E apenas pelo seguinte: a rede pode não comportar o excessivo peso da informação, podem suceder quebras de rede e o servidor ir abaixo. E neste particular, o governo não pode cometer erros, é a sua imagem de marca.
Isto faz lembrar aqueles trabalhos de alunos universitários, que não contando com a típica avaria da impressora ou do computador bloqueado, vêem os derradeiros minutos do limite de entrega do trabalho, transformados numa azáfama inconsequente e pouco sóbria. Mas o professor aceita a desculpa e a coisa passa. Mas são alunos, convém não esquecer. Aprendizes.
No governo não. É gente madura, experiente, avisada e rigorosa…
Em suma, três dias antes, já o programa de governo deveria estar imprimido, copiado, salvo em 30 CD-ROM’s e preparado para entregar em mão às forças políticas com assento parlamentar. Portanto, não aceito a desculpa.
Mas justiça seja feita ao programa do governo: também por estas é que se exige um choque tecnológico que traga eficácia aos nossos sistemas de informação e comunicação. Desde que não se ponham com ideias dissimuladas mas convergentes com ideias criticadas num passado não muito distante (e.g. central de comunicação sob controlo do Estado).
17 de março de 2005
à tout propos (150)
Isto é brilhante. Não há mais nada de digno de realce na actualidade portuguesa. Vivemos bem, o mundo está bem de saúde. Por isso, entrevistam-se médicos de equipas de futebol.
A entrevista continua
15 de março de 2005
De finura em finura
em de-talhe
14 de março de 2005
A metamorfose de Freitas
Porém, de todos esses factos e por força das circunstâncias em que ocorreu, há um que se reveste de anunciada relevância: a nomeação de Diogo Freitas do Amaral para Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.
Muito para além de um «prémio» pela recente e declarada apologia ao PS durante a última campanha eleitoral, a nomeação de Freitas do Amaral é sobretudo uma aposta na qualidade e na experiência, no rigor e na competência.
Podemos presumir que, em primeiro lugar, procura representar no plano externo, a imagem de um governo que se exige credível, competente e empenhado em restaurar a confiança dos portugueses e nos portugueses, consolidando as contas públicas, qualificando a população, melhorando os índices de produtividade e competitividade. De resto, convém alertar, a estratégia de um «choque tecnológico», o relançamento da economia e o recuo significativo do desemprego não são possíveis sem a captação de investimento externo.
Perante a nova missão em concreto, é incontestável o imenso capital simbólico e empírico de que goza internacionalmente Freitas do Amaral. Este sólido capital vem-lhe tão-só da forma séria e rigorosa por que sempre pautou a sua actuação política, em particular nos cargos que assumiu como Presidente do CDS, Ministro dos Negócios Estrangeiros (1980), Ministro da Defesa Nacional, Vice Primeiro-Ministro (1980-82), Presidente da União Europeia das Democracias Cristãs (1981-83) ou mais recentemente, como Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas (1995-96).
Quanto à aparente deriva ideológica que terá protagonizado, há um aspecto crucial que não pode ser escamoteado: após 42 anos de um regime autoritário de direita, não havia nos anos sequentes à revolução de Abril, espaço ideológico à direita no espectro político-partidário português. O CDS de 1975 (Partido do Centro Democrático Social) surge claramente como um partido do centro e isso é visível nos princípios orientadores do partido. Aliás, todos os outros eram de esquerda e isso ainda hoje confunde os sociais-democratas europeus.
Sadiamente para a democracia portuguesa, o tempo apaziguou a memória e actualmente podemos afirmar com poucas reservas que o universo político-partidário português recobre as diversas sensibilidades ideológicas. E essa é uma benéfica conquista de Abril, sem a qual, nenhuma democracia tem condições para ser consolidada.
Talvez Freitas do Amaral tenha apenas permanecido fiel a um modelo de pensamento, valores e intervenção política, não se revendo na direita conservadora e para alguns, populista, em que derivou o partido liderado por Monteiro e Portas. Daí o gradual e anunciado afastamento de Freitas do Amaral em relação ao partido que fundou.
Terá sido isso que a liderança do CDS-PP não compreendeu quando, de forma algo intempestiva, decidiu «despromover» Freitas do Amaral, remetendo a sua fotografia para a sede do PS.
Por outro lado, a sua polémica aparição em manifestações falaciosamente conotadas com a esquerda radical (e.g. manifestação de oposição à invasão do Iraque pelas tropas norte-americanas), revela tão-somente a sua congruência pessoal com os valores democratas e humanistas por que se norteia – num exercício activo de cidadania e para além das clivagens entre esquerda e direita – e com as resoluções emanadas da ONU, entretanto violadas arbitrariamente pelos EUA.
Por isso, mais do que «anti-Bush» ou «Anti-EUA», Freitas do Amaral é inequivocamente um defensor dos valores da democracia e da convivência decente entre os povos, à luz do direito internacional. E também isso não podia deixar de ser certamente considerado por Sócrates, no momento da sua decisão.
A comprometedora renovação no Redondo
Independentemente das suas razões (lá as terá), o Comité Central arrisca perder mais uma câmara no Alentejo, sendo certo que as lógicas de fidelização local não podem ser ignoradas (com Barroso, saiu a concelhia em peso).
Caso Alfredo Barroso, venha a formar uma lista independente ou concorra com o apoio tácito de outro partido (como é espera, em particular no primeiro caso), o PCP põe em risco todo o concelho do Redondo.
Não se percebe.
12 de março de 2005
Tomada de posse do XVII Governo Constitucional
Esta demonstração popular é seguramente concebida num quadro de particular inquietação colectiva, que foi emergindo de uma crise que deixou há muito de ser estritamente enquadrável nas tendências da economia globalizada. A crise é essencialmente portuguesa! Nessa exacta medida, o caminho do XVII governo é espinhoso sendo a natureza do compromisso extraordinariamente exigente, mesmo para quem possua o Joker da maioria absoluta.
E talvez um primeiro desafio, intimamente ligado com a afirmação de José Sócrates, se prenda com a durabilidade do governo, ou seja, no paradigma em que vivemos actualmente, não é razoável assegurar estabilidade económica sem estabilidade política. Vamos para o 5º Governo em 10 anos.
Contudo, para enfrentar os desafios que se lhe colocam, o novo governo deve ser capaz de definir vectores estratégicos que permitam concretizar o seu modelo de desenvolvimento. Mais do que simples apostas eleitoralistas, têm que reflectir uma visão estratégica que resulte num apport estruturante para o país. E essas parecem ser cada vez mais claras. Falamos evidentemente do desenvolvimento sustentável, em que as energias alternativas ocupam um lugar de relevo como forma de combater a crónica dependência energética. E falamos também da aposta (tardia) nas tecnologias de ponta e na mão-de-obra qualificada, que fixe investimento externo atraído pela competitividade e excelência da qualidade, e não pela mão-de-obra barata. Essa não pode continuar a ser a estratégia de Portugal. Energia, educação e tecnologia.
Na verdade, o que ficou da «paixão pela educação» de Guterres ou do «choque fiscal» de Durão? Em bom rigor, há na nossa história governativa recente, marcos que balizam acontecimentos, como a entrada na CEE, o lançamento de obras públicas, a Expo 98 ou o Euro 2004, sem que daí tivesse resultado um investimento estruturante com consequências transversais a todos os sectores da sociedade. Basta olhar para o que «fica» de apostas exemplarmente sólidas como a da Irlanda – atracção de investimento externo a par da aposta na formação – ou da Finlândia – aposta na tecnologia de ponta, da qual as telecomunicações são o expoente máximo.
Com certeza que isso não é possível com reformas sucessivas na educação, ao sabor das mundividências de cada um dos incontáveis ministros. Qualquer reforma na educação não pode ser dissociada do incremento da qualidade e da transição coordenada entre os diversos níveis de ensino. Mas para isso há que acabar com os vícios das academias, e responsabilizar alunos e professores. Não é possível continuar com as altíssimas taxas de iliteracia que atingem inclusive alunos do ensino superior. Por outro lado, a competitividade não se compadece com um país de doutores e engenheiros mal preparados nuns casos, desfasados das reais necessidades do país, noutros. E nada disso se faz sem investigação séria, apoiada pelo Estado e progressivamente disseminada pelo sector privado.
Por outro lado, um país com fracos recursos como Portugal não se pode dar ao luxo de fomentar uma economia paralela que não contribui mas é parte na redistribuição. Nenhum governo teve coragem para isso. E basta recordar o polémico afastamento do malogrado Sousa Franco em 1999. Há, neste país, demasiadas pessoas que reivindicam sem qualquer legitimidade e uma das tarefas de Sócrates será justamente legitimar as reivindicações de todos os portugueses sem excepção.
De outro modo, é um facto incontestável o excessivo peso da máquina da administração pública e o que representa em encargos para o país. Não só deve emagrecer como passar pela redefinição do modelo burocrático, assente no tipo ideal de racionalidade legal-autoritário. Este modelo é datado e foi construído com base em outros alicerces. O mundo mudou, as necessidades e exigências das pessoas mudaram, desafiando a capacidade de intervenção e regulação do Estado.
Tal como o Estado deve ver o seu peso na sociedade diminuído, assim o interior exige que as autarquias deixem de ser o principal empregador das comunidades, isoladas na luta contra a desertificação. Este é apenas um sintoma. Apesar de unificados por uma língua, valores e cultura, os portugueses continuam porém a estar assimetricamente divididos em termos de desenvolvimento regional.
Não se justifica a observância da hipertrofia congestionante do litoral, com todas as agressões ao meio ambiente, à qualidade de vida e ao definhamento progressivo do interior. E aí, sejamos claros. Ou se avança para o empowerment local ou se altera de uma vez o disposto no n.º 1 artigo 235º, Título VIII, Cap. I da Constituição da República Portuguesa. Não se referenda a implementação daquilo que já está constituído constitucionalmente.
Finalmente, exige-se ao novo executivo que governe pelo, para e com o país e não para o lado. É com isso que contam os portugueses, é aí que reside a nossa esperança.
11 de março de 2005
os deuses também já foram homens
El fin de año huele a compras,
enhorabuenas y postales
con votos de renovación;
y yo que sé del otro mundo
que pide vida en los portales,
me doy a hacer una canción.
La gente luce estar de acuerdo,
maravillosamente todo
parece afin al celebrar.
Unos festejan sus millones,
otros la camisita limpia
y hay quien no sabe qué es brindar.
Mi canción no es del cielo,
las estrellas, la luna,
porque a tí te la entrego,
que no tienes ninguna.
Mi canción no es tan sólo
de quien pueda escucharla,
porque a veces el sordo
lleva más para amarla.
Tener no es signo de malvado
y no tener tampoco es prueba
de que acompañe la virtud;
pero el que nace bien parado,
en procurarse lo que anhela
no tiene que invertir salud.
Por eso canto a quien no escucha,
a quien no dejan escucharme,
a quien ya nunca me escuchó:
al que en su cotidiana lucha
me da razones para amarle:
A aquel que nadie le cantó
Mi canción no es del cielo,
las estrellas, la luna,
porque a ti te la entrego,
que no tienes ninguna.
Mi canción no es tan sólo
de quien pueda escucharla,
porque a veces el sordo
lleva más para amarla.
Silvio Rodriguez
à tout propos (148)
8 de março de 2005
à tout propos (147)
7 de março de 2005
O fenómeno «Picarodinhas»

Eles estão por todo o lado, podemos vê-los em qualquer canto do país. São os veículos «Picarodinhas». Há quem os chame «pica-rodinhas» mas o certo é que são um verdadeiro fenómeno de marketing artesanal, fortuito e um pouco brejeiro. Porém, vende!
6 de março de 2005
em de-talhe
O «bigode» português

O «bigode» português é um retrato do Portugal sisudo e carrancudo que marcou sucessivas gerações de portugueses. É um tipo de bigode que parece durar sempre, alérgico à mínima corrente de ar que o possa despentear. É certo que há bigodes e bigodes mas o típico português ama o fado e assim, melancólico, jamais sucumbirá às pressões da novidade (ver foto). Ama Portugal, as sandes de couratos, o Benfica, os brandos costumes e o seu maior desejo é que os seus filhos sejam como ele, tal como ele munca se desviou um milímetro daquilo que já era o seu bisavô.



