26 de julho de 2007
Esquizofrenia e desenvolvimento, cap. 9
23 de julho de 2007
Silly Season
21 de julho de 2007
13 de julho de 2007
De-Talhes (COISAS SIMPLES)
De-Talhes (LIBERDADES)
De-Talhes (LÁ FORA CÁ DENTRO)
De-Talhes (MONTRA DE CULTURAS)
De-Talhes (LUGARES)
De-Talhes (JANELAS)

De-Talhes (NÃO-LUGARES)

Não obstante a prodigalidade da natureza e as conquistas da humanidade, são indisfarçáveis as inúmeras fragilidades de um gigante com pés de barro, sem saber o que fazer com as crostas inestéticas que lhe povoam a derme. Sem soluções, relega-as a um silenciado abandono, proliferando descontroladamente como metástases nos não-lugares; aqueles, para onde é útil não olhar.
11 de julho de 2007
De-Talhes (SÍSTOLE - DIÁSTOLE - SÍNCOPE?)

De-Talhes (DO TRABALHO AO LAZER)
De-Talhes (A SUPERIORIDADE DA CIÊNCIA)

10 de julho de 2007
De-Talhes (TERRA - o pão não cai das árvores)
à tout propos (272)
Mas para que nada faltasse, momentos depois, as cordas vocais dos do Teatro Regional da Serra do Montemuro e a atenção dos transeuntes eram postos à prova pelos automóveis, pelas motorizadas das pizzas e por galinhas vestidas com roupa de gente; pela tagarelice e pelo ruído, ou eram espanhóis ou galinhas. Disso tenho eu a certeza.
Felizmente, a Região de Turismo de Évora está muito atenta à qualidade, competências e profissionalismo dos operadores da restauração em Évora. Felizmente que a peça Splash do TRSM não foi exibida no separador central de uma auto-estrada.
9 de julho de 2007
De-Talhes (ATÉ AO FIM DO MUNDO)
De-Talhes (UM RUMO)
8 de julho de 2007
à tout propos (271)
De-Talhes (À CONQUISTA)
7 de julho de 2007
De-Talhes (UM CAPRICHO?)
Ao contrário dos outros animais, o cérebro do ser humano está equipado com ferramentas racionais e sensíveis que lhe permitem transpor um cenário imaginado para uma dada realidade. Tais faculdades, permitem que um pintor cubra com neve uma qualquer paisagem desértica. Contudo, à semelhança de um estímulo sensorial que fornece uma informação errada ao cérebro (caso das visões no deserto), assim as alterações climáticas lançam a confusão meteorológica no planeta, invertendo a ordem natural das coisas.
6 de julho de 2007
De-Talhes (ÁGUA)

5 de julho de 2007
De-Talhes (MUSA)
De-Talhes (MURALHA)

4 de julho de 2007
De-Talhes (SÁBADO)
2 de julho de 2007
De-Talhes

26 de junho de 2007
Teorias de espaço público
O rapaz insistia em que não, que não se pode tirar fotos! Não, que ali quem manda é ele; e os seus. Com alguma diplomacia mas sem assinalável agilidade, lá ia apaziguando o ego do rapaz, redarguindo que ficasse descansado, que em atenção à senhora sua mãe e à sua imprevisível agitação - coisas que oportunamente simplifiquei com a palavra «respeito» - não tiraria mais fotografias. Mas lá lhe ia aborrecendo o juízo com um sorriso matreiro, tentando ensinar-lhe que aquilo era espaço público, com todas as implicações que isso tem. Ou não tem, no caso do rapaz, mais do que habituado a esgueirar-se do espaço público e do extenso normativo social e legal, que jamais entendeu. E que talvez nunca queira entender.
A vida destes rapazes é feita de desvios, de fugas a uma realidade desconhecida que não foi produto da sua acção concreta, é feita enfim, de vivências marginais e semi-nomadas aonde as estruturas sociais nem sequer têm a pretensão de chegar. Ele tinha a sua razão. Eu teria a minha.
Apertei-lhe a mão, devolvi-lhe as costas e regressei de imediato nos instantes seguintes para lhe perguntar: «e à minha namorada - que vai andar agora - posso tirar?». Sem o orgulho ferido, sem a sua autoridade posta em causa, assentiu, fazendo um gesto largo e generoso com a mão. Omnipotente. O canguru tornou-se dromedário e levou aquela gente toda a viajar. O rapaz, permaneceu petrificado de costas para a viagem.
25 de junho de 2007
Um sistema eleitoral para os golias
Contudo, não deixa de ser curioso notar este aparente desinteresse sobre uma matéria que andou desfraldada nas bandeiras do PS. Para além da criação de círculos uninominais no continente, o PSD propõe também a redução do número de deputados à Assembleia da República.
Com os círculos uninominais, a representação proporcional não é garantida, como tentamos ilustrar aqui e aqui. Por outro lado, o argumento segundo o qual, com este arranjo se pretende aproximar os deputados (eleitos ad hominem) dos eleitores, é um argumento falacioso.
Quanto ao emagrecimento da Assembleia da República, releva novamente a estocada na representatividade, uma vez que, à diminuição do número de deputados, corresponderá uma diminuição da representação proporcional dos círculos com menos eleitores. Em termos líquidos e porque a distribuição dos mandatos é feita tendo em conta um rácio calculado a partir do número de eleitores, o Distrito de Évora elegeria, por hipótese, 1 deputado, tanto quanto uma qualquer freguesia de Lisboa. Para que se tenha noção, actualmente aos 5,17% de cidadãos residentes no Alentejo, correspondem 3,48% dos deputados. Portanto, em matéria de equidade, equilíbrio territorial e solidariedade, estamos conversados…
Mas, subsiste ainda um aspecto que merece alguma atenção para memória futura. A estratégia do PS governamental tem passado muito pelo esgotamento da principal oposição através da invasão do espaço político tradicionalmente da direita. O silêncio do PS não descansa a democracia representativa nem o pluralismo democrático. E criticavam estes o «centralismo democrático» do PCP…
22 de junho de 2007
à tout propos (270)
21 de junho de 2007
Évora
Não restam grandes dúvidas sobre a vocação de Évora para o turismo. Nomeadamente, para o chamado turismo de qualidade – que não significa necessariamente turismo de luxo nem monocultura do turismo – o qual se confunde em parte com a dinamização cultural de um lugar. Cada vez mais, as rotas turísticas internacionais apontam para o casamento entre aquilo que poderemos chamar a cultura material (património arquitectónico, a gastronomia, o artesanato, etc.) e a denominada cultura imaterial (usos e costumes, desenvolvimento e manifestação de actividades artísticas de rua e nos teatros, auditórios, etc.).
Claro que, face à descoincidência entre aquelas duas dimensões e as estratégias, estamos pouco acima do groud zero em matéria de planeamento estratégico e articulação prática entre os diversos intervenientes culturais, hoteleiros, comerciais, institucionais e associativos.
Não obstante, Évora tem tudo. Tem uma cultura invejável, que é a do Alentejo e tem, também, infra-estruturas; embora por vezes tenhamos a tendência para obliterar esse facto, escudando-nos nas megalomanias disfuncionais e desérticas que proliferam por esse país fora.
Com efeito, dispomos de um dos mais belos teatros do país; de razoáveis auditórios na CCDR, Fundação Eugénio de Almeida e Universidade que, dão garantias para colóquios e seminários nacionais e internacionais; temos o Soror Mariana, as instalações da Academia de Música Eborense; temos galerias de arte e salas de exposições; temos um edifício monumental - Salão Central - que pode recuperar a dignidade de outrora, tal como a sede emprestada da Harmonia, localizada no coração da cidade; temos os ex-celeiros da EPAC onde associações como a Pé-de-Xumbo, A Bruxa Teatro e a Sociedade Harmonia Eborense desenvolvem regulares e notáveis actividades (peças de teatro, concertos, workshops); temos colectividades musicais, grupos corais e um renovado Convento dos Remédios; temos uma companhia profissional de teatro com reconhecidos méritos, algumas companhias de teatro amador, cineclubes e outros agentes culturais mais ou menos anónimos; temos a BIME, temos o FIKE; temos o Mercado Municipal; temos a Fábrica da Música e companhias de dança; temos salões de colectividades na cidade e nas freguesias rurais que nos dão garantias para descentralizar acções; temos um jardim público, temos praças deslumbrantes, temos igrejas onde podem ser apresentadas exposições, concertos, etc; temos o Convento do Carmo; temos hotéis para todos os gostos, carteiras e potencialidades; temos equipamentos desportivos de clubes e associações que podem muito bem ser rentabilizados como contrapartida pela contribuição pública que recebem; temos artesãos e as suas próprias galerias; temos uma instituição universitária que importa e é urgente apoiar, aproveitando justamente todo o potencial que os docentes e alunos têm, seja no domínio científico, seja no campo das artes performativas; e podia aqui enumerar tantos outros exemplos...
Temos, enfim, a cidade de Évora; temos todos nós porque, de um modo ou outro, nos pertence a todos. E é isto, precisamente tudo isto, que apaixona quem nos visita e que se pode revelar uma vantagem (para além das já estafadas argumentações das acessibilidades, do enquadramento geográfico, da segurança, do clima, etc).
E vamos ter também um novo pavilhão multiusos, capaz de albergar muitos espectadores e alguma variedade de eventos. Neste como em outros equipamentos municipais, é necessário encontrar sinergias entre todos, de modo a que todos estes equipamentos estejam abertos à população e visitantes e que, transpirem o bulício diário a quem os visita, esse bulício quotidiano da preparação cenográfica de uma peça de teatro, do workshop de cinema para crianças, do ensaio geral de uma orquestra ou da simples montagem de uma exposição de escultura para enriquecer uma mostra de produtos regionais.
Sem ponta de ironia, basta que tenhamos um pouco de imaginação para rentabilizar os espaços e o que é produzido pela sociedade civil através de associações, empresas, companhias, grupos e grupelhos.
Por conseguinte, não é falta de infra-estruturas que temos. Olhe-se para cidades europeias hiper atractivas do ponto de vista cultural como Praga ou Barcelona, onde antigas fábricas e oficinas dão lugar a salas de exposições, de concertos e colóquios.
Falta sim, um arranjo estratégico, um plano. Exequível, mobilizador, funcional e atractivo, cujas acções complementem a riqueza da paisagem, da monumentalidade e dos costumes desta terra. Que se aproveite o que há e, seja articulado organizadamente e, que se mostre ao mundo a dimensão de uma terra com as marcas de algumas das mais extraordinárias civilizações de que há memória.
Falta também um compromisso das entidades públicas e privadas com a execução desse plano. E rigor. Rigor, criatividade e simpatia, pois não é ração para bestas o que vendemos (com o devido respeito pelos vendedores de ração).
20 de junho de 2007
Os amigos são para as ocasiões
Um mapa cor-de-rosa e laranja
Regressando um pouco atrás, uma das mais controversas medidas da reforma do sistema eleitoral é precisamente a substituição dos actuais círculos plurinominais por círculos uninominais. Esta singular medida tem o poder de extinguir os partidos minoritários e cimentar decisivamente o bipartidarismo. As consequências são óbvias, nomeadamente engendrar a necessidade de alterar a própria Constituição da República Portuguesa. Apesar de no seu Artigo 149º serem previstos os círculos plurinominais e os círculos uninominais desde que seja assegurado o sistema de representação proporcional (a forma de conversão de votos em mandatos, de acordo com o Artigo 133º), há no entanto, que apelar ao Artigo 2º, cuja leitura é inequívoca quando invoca que «a República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão…». E também a leitura dada pelo Artigo 113º, n.º 5: «É reconhecido às minorias o direito de oposição democrática, nos termos da Constituição e da Lei».
Ora, o pluripartidarismo é justamente o arranjo mais eficaz para garantir o pluralismo. Contudo, como se sabe, os círculos uninominais favorecem o bipartidarismo porque serão vencidos cronicamente pelos partidos mais representados, sem a possibilidade de, nesse círculo, haver um «segundo lugar». Ou seja, acabam as veleidades para blocos de esquerda, partidos comunistas, partidos populares, etc.
Não me parece que, nessa matéria, os exemplos dos EUA e da Inglaterra, sejam os mais adequados a Portugal por razões históricas e culturais que importa debater mas não aqui, neste momento.
Em suma, a reforma do sistema eleitoral que contemple a criação de círculos uninominais, serve ao PS e ao PSD e a um país que se vê a duas cores. Como a foto acima: tudo a branco e... encarnado.
Textos complementares: Que arquitectura eleitoral? (21.4.2005)
19 de junho de 2007
... à tout propos (269)
à tout propos (268)
18 de junho de 2007
Novo look

As convicções são, com Nietzsche, um soturno túnel, escavado em direcção ao núcleo imemorial e demiúrgico do planeta, por não explorarem a tese e o seu contrário - a bidimensionalidade; ou, em contrapartida, representam uma salvação, um último reduto para os insatisfeitos, para os imperfeitos? Mas fará sentido falar de um «último reduto», mesmo sem que seja respeitada a condição essencial da auto-reflexão profunda e religiosa de todos e de cada um?
Havia uma música do Elliot Smith que, às tantas, dizia «I saw you at the perfect place / It's gonna happen soon, but not today / So go to sleep, and make the change / I'll meet you here tomorrow / Independence Day / Independence Day / Independence Day».
Entretanto, já a questão do template se eclipsou, se dissipou na escaramuça originada pelas promessas não cumpridas pela modernidade: a liberdade, a igualdade, a felicidade. A omissão foi «compensada» pela satisfação material, pela coisificação do ser, profundamente reptiliano, mecânico, autista. Como é da nossa natureza, de resto. Talvez por aquela razão, o imaginário de emancipação dos nossos contemporâneos seja povoado por ilhéus desérticos onde o sol cai a pique e os corpos são arrefecidos por uma piña colada... Puro hedonismo que cresce a par da insatisfação e a contém entre taipais invisíveis.
Enquanto isso, chusmas de gente amontoam-se diariamente em canais arteriais cinzentos e unidireccionais, sem um destino que não o destino do órgão que os atrai e repele, em fluxos sincopados. Num vai e num vem, incompreensível e absurdo. Tal como as peças de Ionescu.
O template está mais fixe assim, não está?
14 de junho de 2007
A Estupidez da Esquerda
13 de junho de 2007
[Pausa]
4 de junho de 2007
Suspensão de Mandatos
Os autarcas que sejam constituídos arguidos vão passar a ter que, mecanicamente, suspender os seus respectivos mandatos, após dedução da acusação. Por tempo indeterminado, necessariamente, porque é na indefinição temporal que se esgota o horizonte da justiça portuguesa. Valha-nos isso, autênticos autos de fé numa cruzada contra a corrupção... na base.
Na idealização desta medida, os senhores deputados deverão ter considerado o tempo médio de cada processo judicial em Portugal, até transitar em julgado. Ou seja, de cada vez que um autarca seja constituído arguido, só ao cabo de 2 ou 3 anos [com recursos pelo meio] é que conhecerá a sua sentença, coincida ela com a vontade do acusador... ou não. Entretanto, a Câmara Municipal fica parcialmente anestesiada durante esse tempo, aguçando o apetite às oposições...
Este aspecto poderá revelar-se um bocadinho promíscuo, [apenas] por duas razões. Em primeiro lugar, porque a condição de arguido não dispensa um julgamento. E, nesse caso, um indivíduo poderá ter que suspender um mandato legitimado democraticamente pelo povo, correndo o «risco» de vir a não ser condenado, decepcionando os telespectadores. Em segundo lugar, os processos judiciais em Portugal são gerados a partir de elementos tão espúrios quanto o são as denúncias anónimas, calúnias, manchetes de jornais, documentos infantilmente forjados, excesso de zelo das autoridades e, até, imagine-se, de estratégias políticas. Provocar eleições intercalares (fonte de despesa e instabilidade política) ou desembaraçar-se politicamente de um adversário não serão aliciantes suficientes para os menos escrupulosos?
A promiscuidade dos elementos associados à suspensão de mandatos deixará de se colocar quando os tribunais forem realmente independentes, rigorosos e os processos forem céleres e ficarem concluídos em 2 ou 3 meses. Até lá, medidas como esta correm o risco de não passar de populismo barato para português ver…
26 de maio de 2007
Hábitos Falhados
24 de maio de 2007
Um Deserto... Mental
Por seu turno, o Presidente do PS, Almeida Santos, é um assombro. Desdramatizou as declarações infelizes do ministro mas lá veio recordando, numa lógica de causalidade directa, que construir o novo aeroporto de Lisboa na margem sul do Tejo leva à construção de uma ponte e, como se sabe, as pontes são uma grande guloseima para o terrorismo internacional, o qual se tem fartado de desenvolver atentados em Portugal.
Na minha humilde condição de calceteiro de alto mar, proponho que, antes que as bombas venham, impludamos a Ponte 25 de Abril, a Ponte Vasco da Gama, as pontes Dona Maria, D. Luís, Arrábida, Salgueiro Maia, Europa e todas as pontes que ligam Portugal a Espanha.
Assim, sozinhos e às escuras, veremos finalmente no aeroporto de Lisboa (na Ota), a grande ponte que nos liga ao mundo, a grande luz da nação.
Alguém que desdramatize as declarações senis de Almeida Santos.
PS: já agora, que sejam os lisboetas a pagar o mamarracho, que o construam na rotunda do Marquês de Pombal e que deixem o deserto em paz.
22 de maio de 2007
Doença Rara
«- Olhe, deu-lhe assim uma doença prolongada de repente, comecei a vê-lo a estrebuchar e tombou, coitadito, era tão jovem». Ou então, «- Maria, acho que tenho o mesmo que o teu cunhado, é aqui no pulso, deve ser a tal doença prolongada». Mas o mais sinistro é um tipo sofrer de doença prolongada e os médicos não terem como estudar a patologia. Percorrem os manuais de uma ponta a outra e nem sinal dessa doença rara. Debalde, como tratar alguém que sofre de doença prolongada?
Mas, eureka, doença prolongada pode afinal significar algo próximo de doença crónica. Nesse caso, já podemos afirmar com grande propriedade que, quando, naquela mecânica que os caracteriza, os jornalistas dizem que alguém morreu de doença prolongada, estão-se a referir naturalmente ao fulano que morreu por obesidade, ao sicrano que morreu com doenças respiratórias e, a beltrano que soçobrou com uma hipoglicémia. De qual destas terá morrido o Sr. Felisberto do talho?
Um floco de neve no Verão (iv)
19 de maio de 2007
Um floco de neve no Verão (iii)
Um floco de neve no Verão (ii)
16 de maio de 2007
Um floco de neve no Verão
Entre essas e outras interrogações, o homem continuou a cavar, em movimentos ritmados, a vala onde havia de descansar mais tarde. Só não sabia em qual delas. E isso deixara-o nervoso porque no fundo de cada uma das valas, discernia um frágil mas insidioso floco de neve. A sua visão não era dominada pelo negrume do fundo mas pelo deslocado ebúrneo dos cristais de gelo. Não obstante, as suas costas foram lentamente dominadas por uma compacta escuridão.
11 de maio de 2007
à tout propos (267)
8 de maio de 2007
Défice Zero
3 de maio de 2007
Carmona, o Impio

2 de maio de 2007
30 de abril de 2007
29 de abril de 2007
A Homossexualidade é Contagiosa?
28 de abril de 2007
Licenciamento Urbano
E não só! Bem aplicada, esta medida vem igualmente exigir uma conduta vigilante e participativa dos munícipes.
Sendo estes dois líderes, defensores confessos da descentralização, as respectivas intervenções de rejeição da medida vêm reflectir o preconceito e a má-fé com que é brindado o poder local neste país. Por Lisboa, claro. Em que ficamos? Contra o centralismo de um Estadão hobbesiano e simultaneamente contra o seu mesmo esvaziamento? Não há confiança nos autarcas, para continuar a servi-la em bandeja de ouro a todos quantos giram na órbita da Administração Directa do Estado? Ou será por manifesto ciúme visto contabilizarem não mais do que 33 autarquias em 308? Eles, que estão por dentro destas coisas da política, lá saberão melhor do que nós, ignorantes e distantes de certas lógicas geo-partidárias…
27 de abril de 2007
25 de abril de 2007
Despertar de um Sono Dogmático
25 de Abril, Sempre!

De resto… bom, de resto, tudo na mesma. Afinal, «o povo é sereno». Mas há, ainda, algo de que os uns e os outros não se querem convencer: o povo é quem mais ordena! Se a multidão de Lisboa não tivesse saído [espontaneamente e ansiosa pela mudança] à rua há precisamente 33 anos, o movimento anti-guerra colonial dos mal apetrechados militares de Abril, teria sido imediatamente esmagado nessas mesmas ruas ou, quanto muito, teria conseguido alcançar o grande objectivo de estancar o envio de tropas para África.
Também é certo que, por ser quem mais ordena, o povo português precisou de uma alavanca, caso contrário, permaneceria espoliado, subjugado e privado da sua liberdade durante mais uma década. Os partidos políticos podem ser essa alavanca, em particular os que são ideologicamente marcados por preocupações sociais, o elo mais fraco. Contudo, não são nem podem ser os partidos/elites políticas a ordenar seja o que for. Mal do povo seria...
Por ser quem mais ordena e por reconhecer a sua incapacidade em se autonomizar, o povo só aparenta dar-se bem no seio do lar, sob a alçada de um pai mandão que lhe dê umas vergastadas periodicamente para baixar as orelhas. E isso dá-lhe prazer. É o preço a pagar pelos créditos à habitação, pelos carros, pelas compras na IKEA, pelas viagens, pela liberdade de pensamento e de expressão, pelas férias pagas, pelos filhos doutores, pelos subsídios de desemprego, pela Internet e por toda a tralha que se carrega para casa, só porque é giro ou fica bem na estante [pensem na casa dos nossos avós e nas nossas]. A sociedade é feliz, coisifica-se o ser, como acusou Herbert Marcuse por mais de uma ocasião, nos idos da década de 70.
O povo é quem mais ordena. Bem ou mal. Por isso, neste regime letárgico, o povo ordena que se continue a dormir. Porque, apesar de espernear, a cama é fofa…
PS: só mais uma coisa... o 25 de Abril é do povo, não é propriedade de nenhum partido político. Que fastidiosa, esta constante apropriação de algo que só pode e deve existir em permanente reinvenção, dentro de cada um. Lá por um pai ter ajudado a criar um filho, não quer dizer que este seja um carro telecomandado do primeiro.
24 de abril de 2007
Derrapanços no Túnel
23 de abril de 2007
Estarão Cansados?
20 de abril de 2007
Mutatis Mutandis
16 de abril de 2007
Só Neste País?...
31 de março de 2007
Jardins Suspensos
26 de março de 2007
Volta Paizinho, Estás Perdoado!

Dadas as circunstâncias simbólicas, o saneamento de Salazar termina trinta e sete anos após a sua morte, ou melhor, três das gerações mais recentes sem contacto com o ditador. «Só» trinta e sete anos, porque este é o país onde a herança salazarista do analfabe(s)tismo, da heteronomia individual e boçalidade com tiques autoritários são pesadíssimos, denunciando a atracção, também ela estrutural, pelo cajado do pastor.
Os resultados desse programa de televisão promovido com capitais públicos – Os Grandes Portugueses, na RTP1 – só vêm revelar que, além desse masoquismo, o povo é estúpido, ignorante e não tem apego pelos valores democráticos. A este respeito, são suaves as interpretações de alguns insignes comentadores políticos, que vêem essa votação como um sinal de protesto dado pelo povo à classe política. Não, esse sinal pode ser dado nas urnas, votando massivamente no PCP, no BE ou no CDS-PP. Mas tal não sucede porque para além de boçal, masoquista e néscio, o povão é cobarde.
Consola o facto de a televisão, enquanto veículo de comunicação de massas, ser o órgão de comunicação privilegiado por esta chusma de obtusos portugueses para apreender «conhecimentos». Portanto, um meio de comunicação à medida da cretinice transpirada pela Direcção de Programas da RTP, evidente na simplicidade com que o formato televisivo trata questões essenciais, de natureza incomparável e, sobretudo, com um alcance desmesuradamente absurdo e nada inócuo ao nível da interiorização persuasiva de modelos de comportamento.
Finalmente, para dar sustento ao desiderato deste Portugal acanhado, mesquinho e mentecapto, resta que regresse um Salazar para que aí sim, se faça uma revolução séria e à séria, sangrenta e bárbara, que remova à cacetada as metástases deste descomunal cancro.
23 de março de 2007
22 de março de 2007
A Fragilidade do Papel
15 de março de 2007
7 de março de 2007
à tout propos (264)
à tout propos (263)
5 de março de 2007
Da Democracia na Lua
28 de fevereiro de 2007
Out of England!
Mas de quando em vez, lá surge algum desses inúteis de bandeirinha na mão, agitando a defesa de qualquer ideia exótica. Seja por birra seja por convicção, certo é que um tal Príncipe Carlos de Inglaterra veio agora publicamente defender uma excentricidade em prol da saúde pública dos seus súbditos: banir a cadeia alimentar Macdonald’s do país. Diminuiria certamente a implantação de bandas gástricas e os encargos com cuidados de saúde a vítimas de complicações cardio-vasculares. Porém, no imediato, esta tontice valer-lhe-á as próximas férias a bordo de um opulento iate nos mares do Sul, sem direito a paparazzi e o convés cheio de hambúrgueres.
27 de fevereiro de 2007
O Grave Problema da Coerência
Ao lobo, pede-se que seja lobo com dignidade e frontalidade, e não que subverta ou inverta os papéis. Tal como ao sacerdote se pede que seja sacerdote e sobretudo, ao pregador de ideias se pede que as beba ele também. E parece residir aí o problema da coerência, quando ideais e valores da cultura são inoculados artificialmente na natureza dos homens. – Tem que se nascer com eles, meu velho. – Ou então, insistir e persistir e perseverar e teimar. Se é para se ser lobo aculturado, nesse caso, que nem pestaneje ao passeio do cordeiro. – É isso, meu velho, achar-se animado por uma vontade inabalável em não quebrar sob as pauladas da incoerência.
Por essas dificuldades, quanto mais culturais são os homens, maior o risco de se assemelharem a lobos amnésicos, incoerentes. O problema da coerência é um problema imemorial, sempre existiu. Desde que os homens são homens e os lobos são esquizóides. De lobos que alardeiam falaciosos estatutos de predador e de pregadores de ideias que nem com elas conseguem conviver, de tão pesadas serem para a vida de um homem.
Mas também é verdade que um lobo é um lobo e um homem é um homem. E o que os distingue definitivamente, não é a razão mas sim a cultura. E é preciso muita, para se amar a solidariedade.
23 de fevereiro de 2007
Tiques Disto e Daquilo II

22 de fevereiro de 2007
Tiques Disto e Daquilo
21 de fevereiro de 2007
Bazar
Maus Tratos
19 de fevereiro de 2007
Tirania da Maioria
à tout propos (262)
15 de fevereiro de 2007
Vandos
13 de fevereiro de 2007
Quando a inconsciência se torna consciente
12 de fevereiro de 2007
à tout propos (261)
11 de fevereiro de 2007
Aufklärung
Frontispício da Encyclopédie (1772) Charles-Nicolas CochinEsta inusitada afirmação, resgatada do baú do imemorial paternalismo dos governantes portugueses, encerra em si mesma uma contradição fundamental. Então, não significa a democracia – conceptual e etimologicamente – o governo do povo? Então e não é a democracia directa (de que o referendo é um instrumento), a mais genuína expressão desse governo, na sua génese praticada na ágora ateniense há 2500 anos?
Ora, se o Primeiro-ministro de um Estado democrático, regido pelas leis do direito, manifesta publicamente volições desta monta, talvez fosse mais honesto reformular conceitos e princípios. Desde logo, concedendo ao sistema de governação português, o estatuto de stick to the plan’s democratic working process. Ou seja, um estatuto de democracia embrionária, cuja observação no tempo se há-de prolongar até que o último cidadão português que não seja inimputável, interiorize de forma sólida os princípios e valores democráticos. Até que todo e qualquer português se sinta com competência subjectiva suficiente para manifestar a sua vontade em concordância com tais princípios e valores. Com bom-senso, razoabilidade e decência. Que é assim que deve ser...
Assim sendo, talvez o Sr. Primeiro-ministro pretendesse afirmar verdadeiramente que 32 anos após a queda de um regime usurpador das liberdades individuais, começam a verificar-se agora condições para que o país renegue o obscurantismo, supere as trevas e se lance no desafio da modernidade, da racionalidade e do conhecimento.
Todavia, tal não deverá suceder nas próximas décadas, a avaliar pela desenfreada corrida às urnas e pelo eterno apego a um atraso estrutural, reificado pelo dilecto adágio português, «deixar a coisa a marinar». Ad eternum… como é bom de ver também na democracia portuguesa.
8 de fevereiro de 2007
O Grande Lago Imenso
Estão descontentes, diz-se também, porque o El Dorado com que sonharam, não passa afinal de mais uma forma de os pôr a vergar a mola. Bem ou mal pensada. Entretanto, lá se vão defendendo com as tradicionais deslealdades e manhosices dos espanhóis que invadiram a tão amada pátria. Lá se vão justificando também com as desfeitas de governos desinteressados.
Apesar do erro ambiental, Alqueva poderia efectivamente via a ser um projecto multivariado: turístico, agrícola, hidroeléctrico, de interesse estratégico em termos de reservas hídricas, etc. Mas não é nada. Ou é muito pouco. Excepção feita à especulação imobiliária e à panaceia do turismo de elites…
Mas não foi por falta de aviso. Fosse por técnicos do ministério da Saúde alertando para a fraca qualidade da água, fosse por economistas preocupados pela viabilidade económica, por ambientalistas inconformados com o duro revés sofrido por ecossistemas frágeis, por agricultores descontentes e por milhares de cidadãos indignados com o processo de tomada de decisão política, ancorado numa visão etérea e populista de gabinetes com vista para o rio Tejo.
à tout propos (260)
6 de fevereiro de 2007
Descubra as Diferenças
Como outros na história, contemporiza-se com o culto da personalidade, o culto do chefe madeirense... o grande timoneiro xenófobo e totalitarista, cujas diferenças com Il duce hão-de residir mais na forma que no conteúdo. Um, altivo e o outro, arlequim. Meio século depois, a história há-de perdoar mais facilmente os italianos - deslumbrados pela grandeza nacionalista prometida - do que os portugueses, grandes mestres do estrabismo - essa arte que consiste em olhar deliberadamente para o lado, não vendo o que não se quer olhar.





