4 de outubro de 2007
No Mundo de Oz
Alla Akbar
3 de outubro de 2007
Pensar positivo
2 de outubro de 2007
à tout propos (281)
Chavez alcança 1º Lugar
1 de outubro de 2007
à tout propos (280)
29 de setembro de 2007
De cacete na mão
27 de setembro de 2007
Santana, o Ímpio
Os principais órgãos de comunicação social sofrem de um mal estrutural que se ancora necessariamente no frenesim em produzir notícias em série, estar em todo o lado e a qualquer hora. Dizer o que é, o que não é e, o pior de tudo, o que deveria ser. 'taqueospariu.
Santana Lopes tem razão, a chegada do Mourinho ao aeroporto de Lisboa é bem mais importante para o desenlace do Mundo do que qualquer outro assunto sobre o qual um político falhado se poderia pronunciar. Santana sabe-o e teve a coragem de o dizer. Se não fosse a chegada do Mourinho seria a cor das meias da mãe da Maddie. Ou a nova gravata do Herman José.
Infelizmente, Ricardo Costa também tem razão. É perfeitamente «normal» que situações como aquela interrupção aconteçam em televisão. E, francamente, estúpidas. Se há algo a lamentar é o estado a que chegou a construção social da normalidade.
Get in the ring
25 de setembro de 2007
As escolhas de Sócrates


Lições e Moral
24 de setembro de 2007
Fait divers de uma geração à rasca
Mas quando, muito justamente, nessa manobra de remissão colectiva que consistiu em apelidar afinal a referida geração de enrascada, eis que desponta a tropelia do costume ao dar o dito pelo não dito. O que aflige é afinal, constatar que nem sequer é verdadeiramente enrascada, porque, contrariamente às estatísticas invocadas, lá se vai anuindo com os maravilhosos cursos superiores que desdramatizam a realidade dos remediados e se exultam os exemplares casos de sucesso de uma minoria que singrou no mundinho dos pais. Tudo o resto são fait divers…
20 de setembro de 2007
18 de setembro de 2007
Código Penal
17 de setembro de 2007
Inglês Amigo
O Hino tem Vitaminas...

Nesse caso, advertimos nós, se os empregados são burros, trauteie o hino enquanto esfrega a secretária; se a evasão fiscal não diminui, cantarole o hino aos funcionários das finanças; se o seu marido lhe for infiel, sussurre-lhe o hino aos ouvidos antes de lhe amputar o orgulho masculino; se o cão lhe deixou um presente, convide-o a cantar o hino consigo; se a polícia lhe fizer o teste do álcool, ponha-se em sentido e chore o hino; e, por exemplo, se for vítima de assalto, berre o hino a plenos pulmões, de tal forma que o Portugal entre mais uma vez no Guiness Book of Records com a fantástica marca do hino mais audível do mundo.
Já viu o que aqui arranjou, Sr. Júdice?
PS: O que nós precisamos é de gente a cantar o hino. Mas a cantá-lo bem: «nobre pooovo, nação valente» e não «nobre povonação valente». Sr. leitor(a), olhe, aproveite e cante o hino à moçoila da foto que não parece ser particularmente sensível à patriótica letra de A Portuguesa. Mas cante-lho bem, como se fosse a sua última vez...
14 de setembro de 2007
12 de setembro de 2007
Preparativos do 4º aniversário
10 de setembro de 2007
Discursar para as massas
Mais ou menos prosaicamente, esta postela (seria naturalmente pretensioso chamar-lhe postulado), faz parte do «bê-a-ba» dos partidos ou de qualquer outra organização ou indivíduos que lutem pelo poder ou pela aceitação e difusão da sua doutrina. Cristo, estaria obviamente neste lote de indivíduos. Ou Guevara, Trotsky, Estaline, Hitler, Ghandi, Bush, Martin Luther King ou o gato das botas.
O discurso de Jerónimo de Sousa na rentreé política que o PCP organiza de forma impecável numa exemplar realização colectiva na Quinta da Atalaia (Festa do Avante, onde fui ontem pela primeira vez), denota claramente esta preocupação pela definição de circunscrições territoriais e ideológicas. Mas nem podia ser de outra forma porque qualquer liderança titubeante seria cilindrada pelas massas cegas e cretinas. O acto de explicar e discutir ampla e racionalmente uma realidade ou ideia, resulta em grupos pequenos de pessoas. Contrariamente, o acto de comunicar para as massas consiste frequentemente na eliminação de factores que possam obstruir a compreensão, gerar confusão, consubstanciando-se então numa tal comunicação bimodal e simplista: as massas reagem a estímulos sensoriais, são impulsivas, precipitadas e tendencialmente irracionais.
Não há outra forma de arregimentação directa das massas por meio do discurso, senão torná-lo claro, acessível, simples.
Falou-se da forma, justamente.
No conteúdo, na essência, o discurso de Jerónimo de Sousa não surpreendeu e justificam-se boa parte das críticas que desfere contra o governo de Sócrates, apesar dos tradicionais erros na leitura da contemporaneidade. Aquele, pelo contrário, escusou-se sempre a comunicar (deste o início da legislatura). Talvez tenha sido essa, a forma encontrada para se permitir o estilo ziguezagueante na governação. Sem um vínculo, uma verdadeira âncora ideológica, sem uma delimitação, o governo não arregimenta. Mas também não é cilindrado.
PS: A ASAE esteve na Festa do Avante e felizmente, em outros locais do país (para que não se alimente o conhecido síndrome da perseguição). Ao contrário do que as pessoas possam pensar, em nenhum momento dei por cheiros canabinóides. Nem ali, nem em nenhuma festa no país onde afluam hordas de jovens em busca de prazer e diversão.
8 de setembro de 2007
Programa de Sexta à Tarde
Expectável era a saída à rua dos tradicionais molhos de brócolos a rosnar e a escumar cólera figadal, atiçados por uma vontade heterónoma que não conseguem dominar mas, ainda assim, exibindo uma faceta claramente enquadrável na natureza humana.
A rapaziada está saturada, quer festa e, por isso, qualquer um serve e em qualquer circunstância. Nem que para isso lhe baste que caia uma fagulha em cima de alguém. Em todo o caso, ficamos mais descansados por saber da existência de movimento pluralistas que reúnem desempregados, chulos, domésticas, reformados, vadios e outros especimens, em torno de uma causa comum.
Não consola saber que, se fosse em Inglaterra, a grosseria seria certamente superlativa.
6 de setembro de 2007
Luciano Pavarotti

4 de setembro de 2007
Queixas por tudo e por nada...

À chegada a Portugal após a conquista de uma vulgar medalha de ouro nos mundiais de Osaca, Nelson Évora deu corpo à lamúria habitual destes atletas de desportos inferiores, reivindicando uma pista coberta de atletismo para treinar no Inverno. Não se compreende. O nosso entendimento poderia eventualmente alcançar o propósito e oportunidade do queixume, caso em Portugal não existissem maravilhosos e amplos estádios de futebol, com capacidade para acolher milhares de espectadores, muito bem arejados e com relva fofa para o campeão do mundo de triplo salto aterrar em segurança. O Obikwelu pagaria para correr descalço naquele tapete verde. E a Vanessa Fernandes poderia inaugurar uma nova competição para rijos, os «setenta quilómetros bancadas».
… com estádios lindos como estes, que nós temos, até parece mal dizer coisas destas…
Só neste país é que as pessoas se queixam por tudo e por nada. A cereja no topo da blasfémia ocorreria se os praticantes de Boccia viessem agora também reclamar um bocciódromo…
1 de setembro de 2007
E depois...
31 de agosto de 2007
Efemérides
Para quem não sabe, Charles Baudelaire desapareceu há 140 anos, precisamente 130 anos antes de Diana Spencer. Desconhecido crítico e poeta francês, Baudelaire escreveu, entre outras coisas de somenos importância, Les Fleurs du Mal. Mas foi só isso, portanto: uma flatulência. Nada que se compare com os maravilhosos e inolvidáveis feitos da benemérita, filantropa, nobre e santa Diana, a rainha do povo que, entre anéis de 200 mil euros e uma vida de luxúria à conta do contribuinte inglês e dos media, se espatifou contra um pilar num túnel de Paris, em plena campanha contra a proliferação de minas anti-pessoal. Mas permanece no nosso coração, como uma singela chama numa velinha a lutar contra o vento.
O que esperará para o seu post-mortem, o esforçado mas ignoto cientista que descobre um tratamento contra uma patologia brutalmente mortífera como a malária? – No mínimo, um planeta do sistema solar rebaptizado com o seu nome.
Entretanto, não percebo por que razão não marcou presença o executivo português nas honrarias inglesas: afinal, Diana era tão-só a rainha do povo... estará o governo ainda melindrado com aquela falha imperdoável aquando das comemorações do centenário do nascimento de Miguel Torga?
Será que está tudo parvo? Será que o mundo foi assolado por uma embriaguez histérica e colectiva após a morte da senhora quando, só no Iraque, são assassinadas diariamente mais de 100 pessoas? quando, no Sudão há milhares de crianças a morrer à fome? quando, em todo o hemisfério sul (com especial incidência na África subsariana) doenças como a malária matam aos milhões? Quero lá saber em que condições se encontra a monarquia britânica. Isso é lá com eles, se acham bem prestar vassalagem a meia-dúzia de parasitas que reivindicam ter uma prega a mais no cú do que os outros. Putaqueospariuatodos…
30 de agosto de 2007
29 de agosto de 2007
Pobrezas
O Banco Mundial define a pobreza extrema através de um indicador de referência: sobreviver com menos de 1 dólar por dia; paralelamente, a pobreza moderada cifra-se nos 2 dólares por dia. No dia 17 de Outubro de 2006, o mesmo jornal alarmava para a existência de 21% da população portuguesa a sobreviver nos limites desse limiar. Uma família de 4 pessoas em Portugal, em que os progenitores recebam ambos o equivalente ao ordenado mínimo, vive com aproximadamente 8 dólares (6 euros) por dia/per capita. Mas também se sabe que 2 dólares em Portugal não correspondem, na prática, a 2 dólares nos EUA ou na Etiópia… Assim sendo, temos vários cenários possíveis mutuamente exclusivos ou, por outro lado, cumulativos: os aglomerados familiares considerados serem compostos por mais do que cinco elementos; um quinto das famílias não auferir sequer o mínimo legislado; o desemprego afectar indiferentemente um quinto das famílias portuguesas; haver um desfasamento teórico-empírico e o limite não dispensar uma contextualização. Mas, nesse caso, convém salvaguardar que em alguns países, mesmo que alguém dispusesse de 50 dólares diários, não teria, ainda assim, o que comer…
27 de agosto de 2007
O Poder da Técnica
24 de agosto de 2007
à tout propos (277)
E entretanto, o manso povo sempre se tem mostrado solidário para pagar os desleixos, caprichos, mordomias e luxúrias das classes dirigentes, independentemente das ideologias mais libertadoras, igualitárias ou fraternas que publicamente defendam; esses que, alinhados na suprema defesa dos interesses dos respectivos partidos, lhe negam a liberdade e autonomia. Ao verdadeiro povo que desconhecem e não o povo romanticamente criado por burgueses de toda a espécie e pseuso-ideologias.
23 de agosto de 2007
Crédito Bonificado Para Estudar
O argumento que justifica a asserção de um Estado-usurário é a magnânime, complacente e filantropa defesa do igual e livre acesso ao ensino superior. Por isso, o bom Estado prepara-se para afogar de vez, o já medíocre ensino superior, com a agiotagem que supostamente deveria regular.
A correcção das assimetrias que cabe ao Estado, através da atribuição de bolsas de mérito e de carência socio-económica, revelou-se um engulho para este governo: não só desinveste no futuro do país, como também o hipoteca. Desta forma, o nosso «Estado-Providência» demite-se das suas responsabilidades e leva ao extremo da leviandade o princípio do utilizador-pagador: queres estudar, pagas! queres caminhar por esta calçada, pagas! queres descansar, pagas! queres pagar-nos, pagas a dobrar!
O investimento na principal riqueza do país – os seus recursos humanos – ficará doravante, inteiramente à responsabilidade das populações, às quais compete o pagamento dos estudos dos seus filhos e ainda a liquidação de taxas de juro a um Estado incompetente, que serve de refeitório da extrema esquerda à extrema direita. Se, até aqui, os estudantes carenciados tinham acesso a bolsas de estudo – que, em todo o caso, eram desbaratadas por todo o género de chicos-espertos mas beneficiando sempre da cumplicidade incapaz dos serviços de controle do Ministério da Educação – no futuro, esses mesmos estudantes terão que pagar juros ao Estado pelos créditos bonificados engendrados com a banca.
Mais, com a disponibilização de créditos bonificados, há luz verde para o aumento das propinas. Este aumento significará um agravamento na carga fiscal sobre os rendimentos das famílias, degenerando no aumento do universo de potenciais alunos a recorrer à generosa ferramenta social disponibilizada pelo Estado.
Enquanto isso, ao abrigo do programa Novas Oportunidades, o governo distribui sem tino, diplomas gratuitos e reconhece competências virtuais. Compreende-se por que razão, as bolsas de mérito terão, a prazo, os seus dias contados...
22 de agosto de 2007
à tout propos (276)
Sei de alguém que já não vai para director de um instituto qualquer no Norte do país se o Menezes for a primeiro-ministro...
21 de agosto de 2007
Corrupção e a Legitimidade Moral dos Partidos Políticos
Adolfo Rocha

Porque, lá por o governo não se ter feito representar no dia do nascimento do poeta, não quer dizer que não tenha apoiado a iniciativa nos restantes 364 dias que marcaram o centenário [não sei nem se sim, nem se não].
Infelizmente, quem recorre a este tipo de argumentação, revela a desorientação de quem não tem outros argumentos. A obra de Miguel Torga não poderá ter melhor homenagem senão ser lida em casa pelos indignados senhores ou ser estudada nas escolas. Mas tal raciocínio não parece estar ao alcance das avassaladoras e brilhantes mentes da oposição. Neste capítulo, Marques Mendes é um verdadeiro e espalhafatoso anão.
António Arnaut, por seu turno, começa agora a compreender a sua própria dimensão...
ARV, independente
16 de agosto de 2007
O Czar da Venezuela II
O Czar da Venezuela

14 de agosto de 2007
Liberdade de Expressão

Afirmações como esta foram ditas e reditas por colunistas, jornalistas, comentadores de televisão e pela plebe, como forma de manifestar a sua indignação e o mais veemente repúdio pela forma como o mundo muçulmano reagiu a um cartoon de Maomet, transformado em Deus-Bomba.
Mais próximo da nossa realidade, o governo português tem sido acusado de ablação da liberdade de expressão, constitucionalmente consagrada, com os casos da Direcção Regional de Educação do Norte e da bestial tirada da secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Carmen Pignatelli: «vivemos em democracia e cada um pode dizer o que quer… nos locais apropriados… nas nossas casas e à esquina de um café podemos dizer aquilo que queremos». Portanto, desde que a ideia não abandone em nenhuma circunstância o cérebro.
Mas vale a pena reflectir sobre as tendências históricas e as actuais num universo mais vasto. E reflectir, necessariamente, sobre a ideia dos limites comunicativos que sustentam a frágil e dúbia fronteira entre as esferas do espaço público e do espaço privado; e a noção de liberdade individual que adquire diferentes azimutes na relação entre dois sujeitos.
O que é que pode circular livremente em espaço público – perante as normas formalizadas num Estado de Direito – sem que possa ser objecto de condenação por algum dos biliões de seres humanos que vivem neste planeta?
Recentemente, um comerciante anglo-saxónico foi ameaçado com pena de prisão por comercializar uma t-shirt para bebés com o seguinte dizer: «Winner of the egg and the sperm race» (vencedor da corrida do óvulo e do esperma).
Confesso-me ultrapassado porque não consigo descortinar quem se poderá sentir ofendido. Um impotente? Uma mulher estéril? Um casal de homossexuais? Marx, Lenine ou um qualquer defensor das teorias da igualdade? Um «puritano» defensor da teoria da cegonha parisiense?
Perante tamanha encruzilhada, como é que um país pode sequer pensar em democracia e em leis? Sinto-me no direito de processar os vendedores de bens alimentares porque estão necessariamente a incitar à violência e à sublevação das populações subnutridas. Mas antes terei que me pôr em fuga, é possível que tenha um mandato de captura emitido em meu nome há precisamente 33 anos apenas porque venci a porra da corrida.
12 de agosto de 2007
Silly Season II
Registo de curiosidades:
Ficamos a saber que Portugal alcançou mais um feito histórico ao entrar para o Guinness Book of Records com a maior onda humana do mundo, ao passo que o Hospital de Castelo Branco deu um importante contributo ao choque tecnológico do governo ao adoptar um sistema informático implementado há um par de anos na maior parte dos hospitais portugueses; e nalguns nos EUA (esta é a curiosidade, o resto é desinformação). O casal McCann acha que as polícias europeias deveriam reagir mais cedo ao desaparecimento de crianças. Estariam certamente a pensar num alerta accionado a partir do quinto minuto e na transferência da tutela das crianças para outras entidades que não os progenitores. Por essa via, certificar-se-iam que pais potencialmente negligentes não o viriam a ser. Mas também vimos como um corpo harmonioso é um corpo nu, enquanto se informava que o Chelsea não perde há não sei quantos jogos em casa. Foi igualmente registado um sismo nos confins da cordilheira central que terá entrado clandestinamente em Portugal, desafortunadamente, sem expressão para ser considerado pelo Guinness Book of Records.
Registo de notícias:
O Sporting venceu a Supertaça, o italiano Grillo venceu a etapa da Volta e a Câmara Municipal de Sabrosa homenageou Miguel Torga no centenário do seu nascimento.
Registo de casos:
O governo não se fez representar nas comemorações do centenário do nascimento de Miguel Torga em Coimbra.
Registo de lamechices:
Visivelmente emocionda, a filha de Miguel Torga enalteceu os poemas que o poeta lhe dedicou em criança. A mão do jornalista que segurava o microfone ficou visivelmente trémula.
É este tempo incerto que, de mofo e bafiento, imprime desorientação nas pessoas e lhes tolda a lucidez com náuseas insuportáveis. Via-se na cara do pivot da RTP. E imagino, nos milhares de pessoas enterradas no sofá que viram assim defraudadas as suas expectativas quanto a notícias sobre centenas de mortos no Darfur, as cuecas do primeiro ministro, ataques à bomba no Terreiro do Paço ou uma sessão de bofetada no Bolhão, entre uma peixeira e Paulo Portas.
à tout propos (274)
8 de agosto de 2007
Baiji

Uma perda irreversível para o planeta… efémero incómodo para uma Humanidade indiferente, irresponsável, alienada e demente, cuja expressão máxima coincide com a civilização industrial contemporânea.
7 de agosto de 2007
«Ali Só Há Pedras Soltas»
Recentemente, o IPPAR deu luz verde ao Município de Sines para reabrir uma porta no castelo local. Os populares não gostaram muito da ideia e é natural porque em alguns aspectos, a memória colectiva não alcança mais do que meia dúzia de décadas. Certo é que a dita porta, ali foi aberta e fechada uma série de vezes ao longo da história. Por razões de segurança para milhares de pessoas que ali permanecem durante a realização de um evento anual, mandou-se reabrir. E bem, quer pelo cuidado em envolver técnicos especializados e o próprio IPPAR, quer pela argumentação da edilidade, mais do que válida.
A mesma lógica instrumental relacionada com a adaptação a novas necessidades, esteve na origem na abertura de uma porta na cerca fernandina entre dois cubelos localizados entre as Portas de Alagoa e as Portas de Alconchel. Compreendemos a procura da contemporaneidade na decisão em rematar a porta com mármore (uma vez que se tratava de uma abertura absolutamente original), embora seja de difícil explicação o abandono do granito...
Entretanto, a Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz iniciou uma façanha arrojada em Monsaraz, não tanto pela intervenção em si mas pela forma encontrada: com maquinaria pesada, ao arrepio das regras e sem qualquer acompanhamento técnico, como acusa a ADIM (Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz). É interessante observar como os resquícios da calçada medieval – ladeiras de acesso à fortificação – estão a ser tratados e como impera recorrentemente entre alguns decisores – que não é o caso do exemplo de Sines nem, parcialmente, o caso de Évora, acima descritos – a incúria relativa ao que é de todos e o mais profundo desprezo por corpos de conhecimento validados cientificamente e pelo trabalho dos outros.
PS: Utilizei propositadamente a palavra «Resquícios» de calçada medieval quando me referia às ladeiras porque, como se sabe, no interior da fortificação e até há uma centena de anos atrás, os habitantes não pisavam mais do que terra batida. Só posteriormente foi instalada calçada. Para uns, medieval.
6 de agosto de 2007
Photo Finish Contra a Mudança

2 de agosto de 2007
Guloseimas Para as Tropas
Bom Senso
30 de julho de 2007
Os Príncipes de Espanha não Phodem
Relações tensas entre os dois Estados
Segundo parece ainda, este valor paga apenas 1 dos 8 minutos que são queimados no fogo de artifício que os populares do lado certo da ilha têm oportunidade de contemplar no início de cada ano.
26 de julho de 2007
Esquizofrenia e desenvolvimento, cap. 9
23 de julho de 2007
Silly Season
21 de julho de 2007
13 de julho de 2007
De-Talhes (COISAS SIMPLES)
De-Talhes (LIBERDADES)
De-Talhes (LÁ FORA CÁ DENTRO)
De-Talhes (MONTRA DE CULTURAS)
De-Talhes (LUGARES)
De-Talhes (JANELAS)

De-Talhes (NÃO-LUGARES)

Não obstante a prodigalidade da natureza e as conquistas da humanidade, são indisfarçáveis as inúmeras fragilidades de um gigante com pés de barro, sem saber o que fazer com as crostas inestéticas que lhe povoam a derme. Sem soluções, relega-as a um silenciado abandono, proliferando descontroladamente como metástases nos não-lugares; aqueles, para onde é útil não olhar.
11 de julho de 2007
De-Talhes (SÍSTOLE - DIÁSTOLE - SÍNCOPE?)

De-Talhes (DO TRABALHO AO LAZER)
De-Talhes (A SUPERIORIDADE DA CIÊNCIA)

10 de julho de 2007
De-Talhes (TERRA - o pão não cai das árvores)
à tout propos (272)
Mas para que nada faltasse, momentos depois, as cordas vocais dos do Teatro Regional da Serra do Montemuro e a atenção dos transeuntes eram postos à prova pelos automóveis, pelas motorizadas das pizzas e por galinhas vestidas com roupa de gente; pela tagarelice e pelo ruído, ou eram espanhóis ou galinhas. Disso tenho eu a certeza.
Felizmente, a Região de Turismo de Évora está muito atenta à qualidade, competências e profissionalismo dos operadores da restauração em Évora. Felizmente que a peça Splash do TRSM não foi exibida no separador central de uma auto-estrada.
9 de julho de 2007
De-Talhes (ATÉ AO FIM DO MUNDO)
De-Talhes (UM RUMO)
8 de julho de 2007
à tout propos (271)
De-Talhes (À CONQUISTA)
7 de julho de 2007
De-Talhes (UM CAPRICHO?)
Ao contrário dos outros animais, o cérebro do ser humano está equipado com ferramentas racionais e sensíveis que lhe permitem transpor um cenário imaginado para uma dada realidade. Tais faculdades, permitem que um pintor cubra com neve uma qualquer paisagem desértica. Contudo, à semelhança de um estímulo sensorial que fornece uma informação errada ao cérebro (caso das visões no deserto), assim as alterações climáticas lançam a confusão meteorológica no planeta, invertendo a ordem natural das coisas.
6 de julho de 2007
De-Talhes (ÁGUA)

5 de julho de 2007
De-Talhes (MUSA)
De-Talhes (MURALHA)

4 de julho de 2007
De-Talhes (SÁBADO)
2 de julho de 2007
De-Talhes

26 de junho de 2007
Teorias de espaço público
O rapaz insistia em que não, que não se pode tirar fotos! Não, que ali quem manda é ele; e os seus. Com alguma diplomacia mas sem assinalável agilidade, lá ia apaziguando o ego do rapaz, redarguindo que ficasse descansado, que em atenção à senhora sua mãe e à sua imprevisível agitação - coisas que oportunamente simplifiquei com a palavra «respeito» - não tiraria mais fotografias. Mas lá lhe ia aborrecendo o juízo com um sorriso matreiro, tentando ensinar-lhe que aquilo era espaço público, com todas as implicações que isso tem. Ou não tem, no caso do rapaz, mais do que habituado a esgueirar-se do espaço público e do extenso normativo social e legal, que jamais entendeu. E que talvez nunca queira entender.
A vida destes rapazes é feita de desvios, de fugas a uma realidade desconhecida que não foi produto da sua acção concreta, é feita enfim, de vivências marginais e semi-nomadas aonde as estruturas sociais nem sequer têm a pretensão de chegar. Ele tinha a sua razão. Eu teria a minha.
Apertei-lhe a mão, devolvi-lhe as costas e regressei de imediato nos instantes seguintes para lhe perguntar: «e à minha namorada - que vai andar agora - posso tirar?». Sem o orgulho ferido, sem a sua autoridade posta em causa, assentiu, fazendo um gesto largo e generoso com a mão. Omnipotente. O canguru tornou-se dromedário e levou aquela gente toda a viajar. O rapaz, permaneceu petrificado de costas para a viagem.
25 de junho de 2007
Um sistema eleitoral para os golias
Contudo, não deixa de ser curioso notar este aparente desinteresse sobre uma matéria que andou desfraldada nas bandeiras do PS. Para além da criação de círculos uninominais no continente, o PSD propõe também a redução do número de deputados à Assembleia da República.
Com os círculos uninominais, a representação proporcional não é garantida, como tentamos ilustrar aqui e aqui. Por outro lado, o argumento segundo o qual, com este arranjo se pretende aproximar os deputados (eleitos ad hominem) dos eleitores, é um argumento falacioso.
Quanto ao emagrecimento da Assembleia da República, releva novamente a estocada na representatividade, uma vez que, à diminuição do número de deputados, corresponderá uma diminuição da representação proporcional dos círculos com menos eleitores. Em termos líquidos e porque a distribuição dos mandatos é feita tendo em conta um rácio calculado a partir do número de eleitores, o Distrito de Évora elegeria, por hipótese, 1 deputado, tanto quanto uma qualquer freguesia de Lisboa. Para que se tenha noção, actualmente aos 5,17% de cidadãos residentes no Alentejo, correspondem 3,48% dos deputados. Portanto, em matéria de equidade, equilíbrio territorial e solidariedade, estamos conversados…
Mas, subsiste ainda um aspecto que merece alguma atenção para memória futura. A estratégia do PS governamental tem passado muito pelo esgotamento da principal oposição através da invasão do espaço político tradicionalmente da direita. O silêncio do PS não descansa a democracia representativa nem o pluralismo democrático. E criticavam estes o «centralismo democrático» do PCP…
22 de junho de 2007
à tout propos (270)
21 de junho de 2007
Évora
Não restam grandes dúvidas sobre a vocação de Évora para o turismo. Nomeadamente, para o chamado turismo de qualidade – que não significa necessariamente turismo de luxo nem monocultura do turismo – o qual se confunde em parte com a dinamização cultural de um lugar. Cada vez mais, as rotas turísticas internacionais apontam para o casamento entre aquilo que poderemos chamar a cultura material (património arquitectónico, a gastronomia, o artesanato, etc.) e a denominada cultura imaterial (usos e costumes, desenvolvimento e manifestação de actividades artísticas de rua e nos teatros, auditórios, etc.).
Claro que, face à descoincidência entre aquelas duas dimensões e as estratégias, estamos pouco acima do groud zero em matéria de planeamento estratégico e articulação prática entre os diversos intervenientes culturais, hoteleiros, comerciais, institucionais e associativos.
Não obstante, Évora tem tudo. Tem uma cultura invejável, que é a do Alentejo e tem, também, infra-estruturas; embora por vezes tenhamos a tendência para obliterar esse facto, escudando-nos nas megalomanias disfuncionais e desérticas que proliferam por esse país fora.
Com efeito, dispomos de um dos mais belos teatros do país; de razoáveis auditórios na CCDR, Fundação Eugénio de Almeida e Universidade que, dão garantias para colóquios e seminários nacionais e internacionais; temos o Soror Mariana, as instalações da Academia de Música Eborense; temos galerias de arte e salas de exposições; temos um edifício monumental - Salão Central - que pode recuperar a dignidade de outrora, tal como a sede emprestada da Harmonia, localizada no coração da cidade; temos os ex-celeiros da EPAC onde associações como a Pé-de-Xumbo, A Bruxa Teatro e a Sociedade Harmonia Eborense desenvolvem regulares e notáveis actividades (peças de teatro, concertos, workshops); temos colectividades musicais, grupos corais e um renovado Convento dos Remédios; temos uma companhia profissional de teatro com reconhecidos méritos, algumas companhias de teatro amador, cineclubes e outros agentes culturais mais ou menos anónimos; temos a BIME, temos o FIKE; temos o Mercado Municipal; temos a Fábrica da Música e companhias de dança; temos salões de colectividades na cidade e nas freguesias rurais que nos dão garantias para descentralizar acções; temos um jardim público, temos praças deslumbrantes, temos igrejas onde podem ser apresentadas exposições, concertos, etc; temos o Convento do Carmo; temos hotéis para todos os gostos, carteiras e potencialidades; temos equipamentos desportivos de clubes e associações que podem muito bem ser rentabilizados como contrapartida pela contribuição pública que recebem; temos artesãos e as suas próprias galerias; temos uma instituição universitária que importa e é urgente apoiar, aproveitando justamente todo o potencial que os docentes e alunos têm, seja no domínio científico, seja no campo das artes performativas; e podia aqui enumerar tantos outros exemplos...
Temos, enfim, a cidade de Évora; temos todos nós porque, de um modo ou outro, nos pertence a todos. E é isto, precisamente tudo isto, que apaixona quem nos visita e que se pode revelar uma vantagem (para além das já estafadas argumentações das acessibilidades, do enquadramento geográfico, da segurança, do clima, etc).
E vamos ter também um novo pavilhão multiusos, capaz de albergar muitos espectadores e alguma variedade de eventos. Neste como em outros equipamentos municipais, é necessário encontrar sinergias entre todos, de modo a que todos estes equipamentos estejam abertos à população e visitantes e que, transpirem o bulício diário a quem os visita, esse bulício quotidiano da preparação cenográfica de uma peça de teatro, do workshop de cinema para crianças, do ensaio geral de uma orquestra ou da simples montagem de uma exposição de escultura para enriquecer uma mostra de produtos regionais.
Sem ponta de ironia, basta que tenhamos um pouco de imaginação para rentabilizar os espaços e o que é produzido pela sociedade civil através de associações, empresas, companhias, grupos e grupelhos.
Por conseguinte, não é falta de infra-estruturas que temos. Olhe-se para cidades europeias hiper atractivas do ponto de vista cultural como Praga ou Barcelona, onde antigas fábricas e oficinas dão lugar a salas de exposições, de concertos e colóquios.
Falta sim, um arranjo estratégico, um plano. Exequível, mobilizador, funcional e atractivo, cujas acções complementem a riqueza da paisagem, da monumentalidade e dos costumes desta terra. Que se aproveite o que há e, seja articulado organizadamente e, que se mostre ao mundo a dimensão de uma terra com as marcas de algumas das mais extraordinárias civilizações de que há memória.
Falta também um compromisso das entidades públicas e privadas com a execução desse plano. E rigor. Rigor, criatividade e simpatia, pois não é ração para bestas o que vendemos (com o devido respeito pelos vendedores de ração).
20 de junho de 2007
Os amigos são para as ocasiões
Um mapa cor-de-rosa e laranja
Regressando um pouco atrás, uma das mais controversas medidas da reforma do sistema eleitoral é precisamente a substituição dos actuais círculos plurinominais por círculos uninominais. Esta singular medida tem o poder de extinguir os partidos minoritários e cimentar decisivamente o bipartidarismo. As consequências são óbvias, nomeadamente engendrar a necessidade de alterar a própria Constituição da República Portuguesa. Apesar de no seu Artigo 149º serem previstos os círculos plurinominais e os círculos uninominais desde que seja assegurado o sistema de representação proporcional (a forma de conversão de votos em mandatos, de acordo com o Artigo 133º), há no entanto, que apelar ao Artigo 2º, cuja leitura é inequívoca quando invoca que «a República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão…». E também a leitura dada pelo Artigo 113º, n.º 5: «É reconhecido às minorias o direito de oposição democrática, nos termos da Constituição e da Lei».
Ora, o pluripartidarismo é justamente o arranjo mais eficaz para garantir o pluralismo. Contudo, como se sabe, os círculos uninominais favorecem o bipartidarismo porque serão vencidos cronicamente pelos partidos mais representados, sem a possibilidade de, nesse círculo, haver um «segundo lugar». Ou seja, acabam as veleidades para blocos de esquerda, partidos comunistas, partidos populares, etc.
Não me parece que, nessa matéria, os exemplos dos EUA e da Inglaterra, sejam os mais adequados a Portugal por razões históricas e culturais que importa debater mas não aqui, neste momento.
Em suma, a reforma do sistema eleitoral que contemple a criação de círculos uninominais, serve ao PS e ao PSD e a um país que se vê a duas cores. Como a foto acima: tudo a branco e... encarnado.
Textos complementares: Que arquitectura eleitoral? (21.4.2005)
19 de junho de 2007
... à tout propos (269)
à tout propos (268)
18 de junho de 2007
Novo look

As convicções são, com Nietzsche, um soturno túnel, escavado em direcção ao núcleo imemorial e demiúrgico do planeta, por não explorarem a tese e o seu contrário - a bidimensionalidade; ou, em contrapartida, representam uma salvação, um último reduto para os insatisfeitos, para os imperfeitos? Mas fará sentido falar de um «último reduto», mesmo sem que seja respeitada a condição essencial da auto-reflexão profunda e religiosa de todos e de cada um?
Havia uma música do Elliot Smith que, às tantas, dizia «I saw you at the perfect place / It's gonna happen soon, but not today / So go to sleep, and make the change / I'll meet you here tomorrow / Independence Day / Independence Day / Independence Day».
Entretanto, já a questão do template se eclipsou, se dissipou na escaramuça originada pelas promessas não cumpridas pela modernidade: a liberdade, a igualdade, a felicidade. A omissão foi «compensada» pela satisfação material, pela coisificação do ser, profundamente reptiliano, mecânico, autista. Como é da nossa natureza, de resto. Talvez por aquela razão, o imaginário de emancipação dos nossos contemporâneos seja povoado por ilhéus desérticos onde o sol cai a pique e os corpos são arrefecidos por uma piña colada... Puro hedonismo que cresce a par da insatisfação e a contém entre taipais invisíveis.
Enquanto isso, chusmas de gente amontoam-se diariamente em canais arteriais cinzentos e unidireccionais, sem um destino que não o destino do órgão que os atrai e repele, em fluxos sincopados. Num vai e num vem, incompreensível e absurdo. Tal como as peças de Ionescu.
O template está mais fixe assim, não está?






