Em Portugal, assim como na maioria dos países do mundo, o casamento entre casais homossexuais é um tabu. E a razão não é, certamente, de ordem moral (cultural). Se fosse, o valor objectivado da justiça social teria certamente prioridade sobre o repúdio de aspectos da natureza humana, ciclicamente aceitáveis pela cultura dominante. Ou será que se julga que o que a Igreja financiou no período da renascença era a mais ingénua arte sacra? Pois… os actores bíblicos todos de pelota…
Francamente, confesso que não acho muita piada quando o meu cão salta freneticamente para cima de outros cães, de língua caída e ar estouvado pelas convulsões ritmadas dos quadris. E não acho grande piada porque os outros cães podem ter donos desejosos de meter conversa comigo. E também não é lá grande piada porque raramente acerta no alvo e acaba por regressar a casa com os tintins a rojar no chão. Enfim, são coisas lá deles e eu não tenho nada a ver com isso.
É que a moral e a sexualidade confluem violentamente, de acordo com a doutrina da Igreja, nessa coisa hedionda que representa o hedonismo, o puro prazer instigado por Lúcifer e que dá, normalmente, em maravilhosas playmates mensais capazes de levantar a moral de um grupo de calceteiros marítimos. Adaptado à vida real, esse hedonismo é mais ou menos o mesmo que comprar um LCD, cervejas e um jogo de futebol com os amigos. Imoral!
A grande questão do casamento homossexual é saber se se pega.
Sim, pode ser uma doença transmissível por agentes aéreos. Não se sabe.
Desconfiado do cenário de contágio epidémico, o PS mostrou-se mais conservador do que o PSD e decidiu impor a disciplina de voto aos seus deputados sobre uma matéria que deveria, de acordo com os ideais liberais alardeados, ser do foro íntimo de cada um.
E é capaz de existir um fundamento científico, como aquele que foi ontem apresentado na televisão a respeito da diferente resistência à dor de crentes e não crentes [podiam muito simplesmente ter testado comunistas ortodoxos e católicos ortodoxos para chegar à conclusão que tanto uns como outros toleram a dor muito mais do que eu. Por isso é que fiquei durante muito tempo sem ver jogos do Benfica].
O fundamento é inquestionável: os sociais-democratas são incomparavelmente mais machos do que os socialistas. Um facto provado empiricamente: eles é que são forcados, não se emocionam com a pobreza social, acham que a mulher é para estar em casa a cuidar da prole e, por eles, a salvação da sociedade portuguesa consiste em evoluir para a poligamia marialva (sob a forma de poliginia livre, em que um homem tem direito a duas mulheres e quatro éguas).
A conclusão é simples: sendo mais machos que os socialistas, estão consequentemente mais imunes ao contágio de virem a casar com uma pessoa do mesmo sexo. Em contrapartida, as mulheres laranjas são muito mais femininas e não se armam em fufas. Pensemos na Manuela Ferreira Leite. É ou não é o lado feminino do Cavaco?
Os socialistas, com receio de que se pegue e se difunda pelo seu grupo parlamentar, impõem a disciplina de voto. E compreende-se. Seria realmente imoral e repugnante ver o Almeida Santos de fato de couro aos pulinhos na Assembleia da República, louca para depositar alguns bagos de uva nos grandes lábios do Teixeira dos Santos. Ou o Augusto Santos Silva a discursar para um bando de malucas, envolvendo delicadamente o microfone com uma das mãos, enquanto via os seus shorts curtíssimos serem sovados de tempos a tempos pela máscula mas carinhosa mão do Alberto Martins.
Assim, também nesta matéria, a próxima sexta-feira ficará marcada pela confirmação do «atraso» português. Embora não seja tão grave porque só 6 países no mundo consagraram esse direito aos – nas palavras de Zapatero, primeiro-ministro socialista da monarquia constitucional espanhola – «nossos vizinhos, colegas, familiares e amigos». Porque, adianta, não quer apenas uma Espanha «mais justa» mas também «mais feliz». Exactamente o mesmo que nós.






