
18 de julho de 2009
Ensaio sobre o absurdo i

16 de julho de 2009
Filho de ministro
à tout propos (316)
14 de julho de 2009
Para quê, um novo partido?!...
A premissa de partida revelou-se inteiramente errada porque, recordamos, era admissível que aquela candidatura envolvesse um ponto de ruptura dentro do PS e, mercê da base social de apoio que mereceu, era expectável que a ruptura fosse institucional e significasse algo novo. Um novo partido político, por exemplo, mais próximo do marxismo não ortodoxo que está na base do socialismo em Portugal e no mundo.
Mas não, a anunciada ruptura foi eminentemente estratégica e as tomadas de posição que foram sucessivamente assumidas por Manuel Alegre demonstram que o sentido utilitarista prevaleceu sobre o telos ideológico.
O agigantamento da esquerda nas últimas eleições e o avanço da direita ditaram um humilhante resultado para o PS e colocaram os seus dirigentes exactamente onde Alegre queria que estivessem, isto é, sob a periclitante corda bamba que ele, Alegre, julga poder estabilizar. Arauto do socialismo, Alegre lá foi avisando o PS na última semana com maior acutilância do que o costume. E Sócrates entendeu o recado, ao proibir que algum lacaio teça considerações que afugentem o eleitorado que sobra.
8 de julho de 2009
7 de julho de 2009
à tout propos (315)
3 de julho de 2009
Manel Pinho foi promovido

Ao escolher secar potenciais sombras com a escolha de políticos de duvidosa qualidade para ministros, Sócrates arriscou. E Manuel Pinho (aliás, como Vital Moreira, Augusto Santos Silva, Maria de Lurdes Modesto - perdão, Rodrigues - Mário Lino, etc.) fez-lhe a vontade. São célebres as hilariantes e insistentes intenções de suicídio político protagonizadas pelos membros do seu governo. Mas Manuel Pinho foi mais longe e, desgastado por quatro longos anos a ganhar mal, decidiu pedir ali mesmo a sua promoção.
Não obstante, o acontecimento com maior impacto na vida nacional (aquilo do Parlamento é vergonhoso mas habitual) veio directamente do Brasil e da ameaça de Maria João Pires, a pianista que deseja deixar de ser portuguesa e dar o berro do Ipiranga. Uma escolha acertada porque se teme que qualquer dia não restem brasileiros no Brasil. Há que povoar aquela terra. Porque é que acham que o Saramago foi viver para aquela terra desértica e árida no meio do Oceano Atlântico?
29 de junho de 2009
à tout propos (314)
Poder Absoluto
Da aglutinação das palavras demo e kratos resulta a célebre fórmula «governo do povo». Será esta ideia condição suficiente para justificar alterações de humores com repercussões de fundo?
Na democracia representativa, forma de governação mais corrente nas democracias contemporâneas, espera-se que os cidadãos escolham entre propostas políticas alternativas de governação. Mas não se espera que questionem a totalidade do sistema político num determinado momento, sem reflexão e sem conhecimento cabal das consequências que advêm de uma dada decisão permeável à instabilidade climatérica. Em suma, em democracia não se espera que as transformações estruturais sejam decididas pelo povo de forma leviana e irresponsável, a quente, porque está em causa o bem-estar geral das actuais e das próximas gerações.
O poder absoluto não é compatível com as aspirações a modelos de governação democrática, nem nesses países nem em qualquer outra parte do mundo. A esse respeito, o mesmo se pode constatar no Irão, Angola, Birmânia e tantos outros países, alguns deles, ocidentais. Embora o descaramento seja mais refinado no hemisfério norte e também seja aqui que os valores democráticos estão mais disseminados, pelo menos do ponto de vista formal…
PS: Como é evidente, também não são solução as reacções dos militares hondurenhos ou as chacinas de presidenciáveis na Guiné-Bissau. Contudo, são mais coerentes com os respectivos regimes do que se possa imaginar à primeira vista.
26 de junho de 2009
Michael Jackson


A imagem do mulato com ar exótico a segurar o almofadado protótipo de felino acompanhar-me-ia para sempre, obnubilando os extravagantes e controversos episódios que se seguiram na vida de Michael Jackson. Lembro-me de percorrer a capa do álbum com o disco nas 33 rotações, deitado de barriga para baixo na carpete laranja do quarto que contrastava claramente com o luxuoso piso em que Jackson figurava naquela pose descontraída. Procurando perceber o que eram as lyrics e os chorus, aquelas foram possivelmente as minhas primeiras aulas de inglês. Ouvi aquele LP vezes sem conta, alternando-o com o Rio, dos Duran Duran. A pose confiante enfiada naquele olhar cândido (da capa) e, sobretudo, o tigre, transportavam-me para um mundo de sonho só desfeito pelo chamamento para o almoço e pelo teledisco do Thriller, algo impressionável para uma criança de 10 anos.
Michael, o rapaz maravilha dos Jackson Five, o Pelé da música, faleceu esta noite. Inigualável, o rei da Pop, deleitou gerações, deixou uma marca de enorme qualidade (musical, performativa, comercial), acirrou polémicas diversas (da vitiligo às acusações de abuso sexual de menores), suscitou paixões massivas e envolveu-se em intervenções de incontestável beneficência.
23 de junho de 2009
Pérsia Livre ii
"Como é evidente, esta rapariga trabalha a soldo dos americanos com o objectivo de desestabilizar o tolerante e idóneo regime iraniano".
Há quem pense realmente assim e por essa via procure diabolizar os americanos e todo o mundo ocidental. Não se lhes pode negar esse direito. Faz parte de uma formatação mental que não se pode esperar tolerante, flexível ou autónoma. A mesma de que são acusados, com justiça, os agitadores do fantasma comunista.
Fundamental, fundamental, é pressentir que acontecerá a estes jovens o mesmo que aconteceu à geração da Primavera de Praga, cujo sonho seria concretizado vinte e um longos anos depois. O mesmo que sucede actualmente na China, vinte anos depois de Tiananmen. Protestos com esta violência e este tipo de repressão não são artificialidades das sociedades industriais. São próprios de regimes totalitários, aqui designados eufemisticamente por teocracias.
A dignidade humana não pode ser, evidentemente, cúmplice do fanatismo religioso e do domínio absoluto.
22 de junho de 2009
Antes a Chimay...
21 de junho de 2009
Pérsia livre
20 de junho de 2009
As três vantagens de Durão Barroso
A sua segunda vantagem é não ser espanhol, holandês, italiano ou polaco.
A sua terceira vantagem é não ser sueco, finlandês, dinamarquês, belga, luxemburguês, irlandês, grego, hungaro, bulgaro, romeno, estónio, letónio, lituano, checo, eslovaco, austríaco, esloveno, maltês, cipriota.
18 de junho de 2009
A natureza de Sócrates
17 de junho de 2009
O Pinto da Costa é que é o pilantra...
16 de junho de 2009
Naquelas condições, eu também não queria
PS: esta é uma questão que tem que ver com princípios, com os fundamentos da avaliação dos professores. Infelizmente, há outros casos na AP que se justificam pela mais incompreensível incompetência dos serviços e dos «profissionais» responsáveis.
Pura ingenuidade
15 de junho de 2009
O socialismo é...
12 de junho de 2009
Depois das eleições...
A entrada à leão dá assim lugar ao carrossel da carneirada. Depois das eleições logo se vê...
9 de junho de 2009
Casas, peça a sua!
Medidas populares e individualizadas para problemas globais podem até render votos mas se fosse por aí, já o PNR tinha decapitado todos aqueles que têm melanina a mais e não falam com o sotaque impoluto alfacinha.
Vetos vs fiscalização das leis
Desta vez, o presidente vetou a lei dos partidos. Vetou um diploma que foi aprovado por unanimidade pelos partidos com assento na Assembleia da República. Bem vetado pois não é aceitável que enquanto uns são acossados pelas finanças e outros são arguidos por corrupção, outros continuem a alimentar este insuportável fartar vilanagem sob a capa da democracia.
Esgotada a relação amorosa - quase conjugal - mantida no início do mandato de Cavaco Silva com o governo, os vetos têm-se sucedido com a aproximação das eleições legislativas. Mas fica o estilo frontal de Cavaco Silva, contrastante com o estilo adoptado por Mário Soares, justamente quando o actual presidente da república era primeiro-ministro. Nessa época, Mário Soares caracterizou a sua presidência pelo desgaste que provocou no governo com o envio de diplomas ao Tribunal Constitucional, solicitando a fiscalização sucessiva em vez de a solicitar preventivamente. Primeiro, publicava os diplomas e depois, deixava calmamente que o Tribunal Constitucional desse ordem para os refazer... Engenhoso? Sem dúvida. Mas mais ardiloso, seguramente.
8 de junho de 2009
Homem-lapa
Beato Loureiro
Ai Jesus
7 de junho de 2009
Quem semeia ventos colhe tempestades
Esta campanha eleitoral foi uma vergonha e isso sim, pode ajudar a explicar o desinteresse e descrédito que estão por detrás do aumento da abstenção eleitoral, a qual não é de modo nenhum exclusiva das eleições europeias. Nem aqui nem na Europa. Vital Moreira atreveu-se a sair das estantes de Coimbra para se revelar um militante com jeito para fazer fretes e da pior maneira. O PSD ganhou um potencial líder, embora se fique com a sensação deste resultado lhe ter caído no colo.
Os partidos mais desalinhados com a Europa totalizaram quase 20% dos votos mas porque nestas eleições se jogava o aquecimento para as legislativas [num total desprezo pela Europa], nem eles se vão lembrar dessa antipatia.
5 de junho de 2009
Campanha trauliteira
A respeito da campanha para as eleições legislativas, mascaradas de europeias, Sócrates acusa a oposição de só saber “falar mal do governo”. Dentro de limites éticos e legais, à oposição é reservado o direito de se opor, de criticar. Além disso, não me lembro de o candidato Vital Moreira ou o próprio Secretário-geral do PS terem, de algum modo, mimado os seus oponentes com piropos românticos. As acusações e insinuações de ligação do PSD a casos de corrupção ocuparam mais os dirigentes socialistas do que qualquer assunto relacionado com a integração europeia, o Tratado de Lisboa ou a adesão de novos países membros.
Paulo Rangel, candidato social-democrata, dispara com uma atoarda atordoante: «basta de socialismo na sociedade portuguesa». O homem revela ser um notável aluno de Manuela Ferreira Leite, ficando a curta distância da grande marca identitária anunciada pela própria anciã quando suspirou dizendo «a democracia devia fazer uma pausa de seis meses». A sageza do homem, encontramo-la na oportunidade que escolheu para fazer tal declaração, particularmente numa altura em que o desemprego sobe em flecha, as desigualdades sociais são agravadas e as tensões sociais começam a deixar de estar só latentes.
Francisco Louçã, por seu turno, termina uma campanha que até tinha sinal positivo, com uma paródia infantil e sem graça a um Paulo Rangel saído da cama aos pulinhos, de camisola laranja, trauteando «ninguém pára o Rangel». O veneno ressabiado que, por vezes, não se compreende.
Nuno Melo, convencido da sua inevitabilidade, exibiu a habitual prepotência e populismo em grande nível. Ao nível do grande trauliteiro de onde bebe tanta imbecilidade. Mas o melhor da sua campanha foi o trunfo que sacou da cartola a dado momento, provando junto da populaça aquilo que os tribunais é que têm competência para decidir: a negligência da supervisão do Banco de Portugal no caso BPN. Não se podia esperar mais e põe o Parlamento em maus lençóis.
A dada altura, o PCP esboçou uma vã tentativa de discutir a Europa mas cedo, tanto Ilda Figueiredo como o Secretário-geral cederam às pressões externas e à deriva ruidosa e inútil desta campanha eleitoral. Não mostraram ser diferentes.
A nós, resta-nos votar no domingo.
3 de junho de 2009
Uma Vergonha!
Numa frase: uma vergonha!
É a qualidade da democracia que está em jogo e, infelizmente, muito para lá da compreensão instrumental e simplória dos políticos deste país.
2 de junho de 2009
Longa vida ao Rei!
Mais tarde, percebi que os monarcas sobreviveram a esse microclima medieval. Era a descoberta de uma parte da história universal que os filmes do Errol Flinn me escondiam. Recordo com nostalgia da aula em que a D. Fernanda, a professora, nos apresentou o grande conquistador, o grande líder, D. Afonso Henriques, estimulando ainda mais a nossa imaginação com os episódios de judiarias que armava à senhora sua mãe.
Mas a grande ruptura com esse medievalismo verificou-se quando a Princesa Diana se casou e só os noivos se faziam transportar de carruagem. E, também, quando assistia desalentado ao fecho diário das emissões da TVE, em que uma moderna família real espanhola posava para os súbditos com vários trajes e em várias ocasiões que iam das aulas de equitação das infantas, à apresentação do último grito da marinha pelo Príncipe das Astúrias.
A monarquia foi sendo, aos poucos, desmistificada. Poderia aqui jurar a pés juntos que foi com a idade. Contudo, acho que foi mais pela existência do D. Duarte de Bragança. Afinal, em que é que ele poderia ser melhor do que eu?!
Seja como for, este preâmbulo serve apenas para anunciar que a monarquia recuperou alguma dessa névoa primordial, justamente pela incrível dinâmica das monarquias exóticas de que falava. Uma das mais fascinantes é a da Coreia do Norte. E é possível que hajam novidades para breve. Não é fantástico?
Incompatibilidades de campanha...
Apesar deste imenso e omnipotente edifício que parece não deixar nada fora da sua alçada, verificamos a existência de inúmeros pontos de incerteza cuja regra é a imunidade, a intocabilidade.
Os atrasos programados nalguma justiça, os pactos entre os fortes sobre as regras terrenas, a incompetência consciente do legislador e tantas outras façanhas que, por ingenuidade, considerávamos lapsos próprios da natureza humana, encontram-se entre os mais maravilhosos exemplos da incerteza. Encontram-se, por assim dizer, no alto de uma dissimulada ofensiva à universalidade das normas.
Talvez esta conversa seja excessiva e altamente rebuscada para o que vem a seguir. Para além de me ter excitado com a escrita e de hoje me calhar uma aula de banho do bebé, confesso que me dá comichão observar candidatos a órgãos de Estado que conservam as colunas de opinião na imprensa para ganhar vantagem política. Com tanta regra, não podiam ao menos tentar fazer a coisa menos óbvia? «Já agora, credibilizavam-se e credibilizavam a política junto dos portugueses», lá pensaria o sr. Presidente da República...
1 de junho de 2009
Nas Europeias joga-se afinal as Legislativas
31 de maio de 2009
Europeias continuam longe da Europa
Além do registo condenável, a 8 dias das eleições europeias, os candidatos parecem não ter compreendido inteiramente a que se candidatam e, possivelmente, andarão a fazer as contas sobre qual o quarto do Palácio de S. Bento que lhes caberá. A Europa é o quintal de trás, uma extensão da política corriqueira e imbecil que vigora. Mas também é possível que, como alguém acusou, todo este atoleiro em que se converteu uma simples campanha para a menos participada das eleições, faça parte de uma estratégia conjunta dos dois principais partidos para a descredibilizar, aumentando a abstenção eleitoral.
Seja como for, esta campanha funciona como o aperitivo do que está por vir com as eleições autárquicas e legislativas. E o que prenunciam não é nada de bom. Pelo menos para quem tem preocupações com a democracia.
A consolidação democrática defendida pelos politólogos até pode ser uma realidade do ponto de vista jurídico e entre alguns sectores da sociedade portuguesa. Mas certamente não o será no seio dos covis partidários.
30 de maio de 2009
A política portuguesa, sempre, no seu melhor
26 de maio de 2009
Quem quer ser mentiroso?
25 de maio de 2009
Moura Guedes desafia Marinho Pinto
Convence a entrega dos dois talentosos artistas. Sabedor das águas em que navegaria, Marinho Pinto não enjeitou o convite e participou com assinalável desenvoltura no talk-show de Manuela Moura Guedes. Não estranhamos a prestação de Marinho Pinto, conhecido por qualidades aparentemente inconciliáveis como a de espalha-brasas inconsequente e Bastonário da Ordem dos Advogados.
A decadente apresentadora foi ao chão no segundo round para não mais se levantar. Todavia, os objectivos da estação de televisão foram claramente superados. A estação de televisão que começou com ampla participação financeira de forças ligadas à Igreja está de parabéns por ter captado tão bem a natureza do povo que ajudou a criar.
Não obstante este sucesso da TVI, lamentamos que a Entidade Reguladora da Comunicação e a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista continuem passivas perante o enxovalho que é dado na profissão de cada vez que a fulana escancara a boca viperina.
Mas só lamentamos um bocadinho pequenino porque depois vinham as acusações de fascismo e o diaboasete.
23 de maio de 2009
Missionário Sócrates
No essencial, nada de saliente excepto o vazio de conteúdo, facto que nos apraz registar pois não seria justo mimar os espanhóis com um registo socratiano que nos é estranho. Os militantes espanhóis aplaudem, não só porque foram para isso instruídos e porque são tipos normalmente simpáticos com os forasteiros. Mas também porque ficaram com a ideia errada de que aquele homem grisalho de aspecto simpático, embora excessivamente «gesticulante», era o empresário do Cristiano Ronaldo.
Finalmente, ficámos com a impressão de que a interpretação e solução dos problemas que faz e tem de e para Portugal aplicam-se em rigor a Espanha. Essa leitura é deveras preocupante. Mas estamos convencidos que ninguém percebeu. Valha isso aos nuestros hermanos.
22 de maio de 2009
A lata dos trabalhadores, segundo padre Belmiro
Belmiro de Azevedo veio alertar que não é possível continuar a reivindicar «regalias» num cenário em que a população de desempregados aumenta e está disposta a fazer seja o que for para recuperar um emprego. Ora, o que o patrão da Sonae disse não é mais do que um recado escudado pela tão desejada bolsa de desemprego apregoada pelo patronato. E que sabemos não passar de uma útil arma de arremesso. É de aproveitar agora e aplicar-lhes a chibata para ver se aprendem a amar o trabalho...
Não é a produção que está em causa mas sim o escoamento dos produtos. Ora, se não é a produção que está em causa mas sim o escoamento, nesse caso, a Autoeuropa podia simplesmente eliminar o turno do sábado para poupar dinheiro e para se adequar à procura no mercado automóvel. Acontece que, por trás da manutenção do turno do Sábado, parece estar escondida a intenção de prescindir de centenas de trabalhadores com vínculo precário. Com menos funcionários, aumenta-se a carga horária dos que ficam e paga-se menos por igual desempenho.
19 de maio de 2009
Senhoura doutoura!
O moralismo defeituoso e a ruindade expressas nas acusações e ameaças desta professora são de tal ordem escabrosas que nem alguns padres poderão continuar a viver debaixo do mesmo tecto que sobrinhas e afilhadas, sob pena de se precipitarem em queda livre para os braços abertos do demónio.
Ao que parece, só no 12º ano é que a senhora professora deu beijos «assim», presume-se que, naquele combate de duas línguas que interpretam o jogo de gato e de rato e a que dão, pasme-se, a mesma designação de um peixe [talvez seja linguado porque o ambiente é aquático e há paredes contra as quais é atirado mas, na minha opinião, deveria ser moreia, pelo ambiente aquático, cavernoso e pela própria morfologia dos intervenientes]. E o linguado da professora só terá acontecido, naturalmente, por violação de um sexagenário embriagado, porque o empregado do restaurante se enganou e confundiu a amêijoa com o linguado ou por insistência do pastor alemão da vizinha já que nem os prostitutos teriam apetite para tanto.
As poucas conclusões a que podemos chegar no imediato é que os anos que passou a estudar não foram suficientes para falar correctamente português, tem a sensibilidade de um cão e sofre de distúrbios compulsivos de autoritarismo.
Fora isso… a esta hora estão os alunos todos a fornicar indecentemente e ela com uma depressão em casa, lubrificando um vibrador com lágrimas. Cada um é para o que nasce e ela não nasceu para ser pedagoga, educadora ou o caralhoqueafoda.
13 de maio de 2009
Pontes dialogantes
6 de maio de 2009
O caldo entornado
30 de abril de 2009
Entulho de volta ao arrabalde
28 de abril de 2009
Caldo ma non troppo
27 de abril de 2009
Detidos à força
25 de abril de 2009
25 de Abril
Contam-se mecanicamente os anos que passam sobre os tempos em que um projecto doméstico de emancipação e esperança nos caiu do céu proveniente da Pontinha, de Santarém e lá dos confins de gerações oprimidas e desrespeitadas. Veio por avião e de barco desde África. Forjou-se pelo desejo de sermos iguais aos outros povos europeus porque nos identificávamos com eles. O desejo de termos direitos e garantias respeitados. E de nos ajudarmos mutuamente para o conseguir. Um desejo, enfim, matizado pela meta de melhorar a condição de um povo. Mas o projecto foi contaminado, pela inevitabilidade da cultura e pelo mau uso das ideologias. Hoje, é celebrado com um travo amargo de impotência, de incontida insatisfação e, por vezes, dispensando-lhe exéquias como a um defunto. As mesmas que, em clara afronta, são identificadas na atitude do presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão por decidir homenagear um ditador num dia de liberdade. Entre avanços e recuos, trinta e cinco anos mecanicamente contados, o projecto democrático continua a ser o mais razoável, cabendo-nos a todos zelar por ele. E entendê-lo muito para lá da exiguidade temporal das nossas existências. Muito para lá do frio que faz lá fora.
23 de abril de 2009
Antes vivo do que morto: uma excelente estratégia
20 de abril de 2009
CDU apresenta Eduardo Luciano
Há dias, escrevi que o PCP teria pela frente um duro desafio: o de apresentar um «desconhecido» aos eborenses porque, de facto, Eduardo Luciano não tem, por exemplo, o capital social de que gozava José Ernesto quando venceu Abílio Fernandes em 2001. José Ernesto tinha uma ampla base social de apoio maioritariamente construída durante anos no serviço de obstetrícia do Hospital Distrital de Évora.
Esta leitura pode ser liminarmente rejeitada pelos partidos políticos, para os quais é o capital do partido enquanto colectivo, assim como as conjunturas sociais e coincidência ideológica com os partidos de governo, que determinam a escolha dos eleitores.
Esses factores são fundamentais. Contudo, se inclusive nas eleições legislativas há uma personalização evidente da política, nas autárquicas essa personalização é ampliada. Aliás, ajuda a explicar as vitórias sucessivas de Abílio Fernandes apesar da viragem que a dada altura se verificou na eleição de deputados à Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Évora. Abílio Fernandes adquiriu o estatuto de figura tutelar e paternal que os eleitores desejavam para a condução dos seus destinos.
Neste momento e perante as circunstâncias de enorme desgaste por que passa o actual executivo e os próprios partidos políticos, talvez a estratégia de ruptura do PCP tenha bons resultados: um desconhecido para deixar a ideia de renovação e aggiornamento. Mas também se pode ter dado o caso de não haver mais ninguém a apresentar e de todos os outros terem rejeitado o convite.
Para José Ernesto, a luta principal não se centra no exterior. O combate mais duro que José Ernesto tem pela frente, será travado no interior das suas próprias hostes e perante si próprio. Além disso, vê-se agora na posição em que se achava Abílio Fernandes em 2001: exigência de mudança, necessidade de afirmação da cidade, precariedade financeira do município, desgaste da governação.
Um bom presságio para os próximos capítulos pois a dramatização dos personagens principais é indubitavelmente mais rica do que a de há quatro anos atrás.
Quando o verniz estala
18 de abril de 2009
Ladrão que rouba ladrão... sem anos de perdão
17 de abril de 2009
Hugo Chavez ditador?
14 de abril de 2009
Autárquicas 09: o grande desafio do PCP em Évora
13 de abril de 2009
Nada de mini saias...
A coisa até podia não ser tão bizarra caso tivesse sido previamente estipulado que, aos postos de trabalho em causa, corresponde a obrigação de trajar de farda. Integralmente assegurada pela entidade empregadora, pois então.
Mas não, a coisa não é simples. Os ditos funcionários não só têm que receber lições de atavio e decoro (mas não de competência), como ainda se vêem na contingência de assegurar que «não passam das marcas» perante os concidadãos.
E quem define as marcas? A senhora secretária de estado da modernização administrativa? Francamente, causa-me menos náuseas cheirar um daqueles perfumes baratos de gente pobre com aroma patchouli do que ser atendido por uma fulana com as fronhas da mulher. Com o devido respeito pela fealdade da senhora. Que é realmente acentuada. Também não estou a ver nem de saias, quanto mais de mini-saias...
O paradoxo maior, sem dúvida: a obrigação de uma apresentação aburguesada e segundo os padrões de uns quantos… numa Loja do Cidadão. «Loja», bem entendido…
3 de abril de 2009
Este país não é para velhos
26 de março de 2009
O Leviatão partidário
As tradicionais questiúnculas sapateirais motivadas pelos mais abjectos interesses partidários, estão na origem de mais um triste episódio protagonizado pelos partidos. Desta feita, o PSD não validou o nome de Jorge Miranda para Provedor da Justiça por uma simples questão de “princípio”: não foi um nome avançado pelo PSD. E que princípio é esse? É o princípio da ladroagem institucional, uma transposição da ética da ralé para a ética dos partidos políticos.
E como são exímios em dar distinta solenidade ao mais profundo desprezo pela democracia e pelas instituições democráticas.
Nos grandes partidos, o mal não está na ideologia quando existe nem no debate ideológico que pode daí resultar. Antes pelo contrário. Não, nestes grandes partidos o mal está na falta de qualidade de muitos dos seus dirigentes – autênticos caciques medidos em votos – e na soturna cultura organizacional que vigora.
24 de março de 2009
Escrito a bílis
20 de março de 2009
Foram-se os dedos, ficaram os anéis
14 de março de 2009
200 mil são uma ninharia para o governo
Mas o que impressiona verdadeiramente foi a acusação à pretensa «instrumentalização» dos sindicatos pelos partidos de esquerda, como se os sindicatos que convocaram a manifestação tivessem caído no mais deplorável pecado, o pecado de fazer exactamente aquilo que lhes compete. E como se a UGT não fosse instrumentalizada pelo PS.
10 de março de 2009
Fantoches de S. Bento
9 de março de 2009
à tout propos (314)
6 de março de 2009
Promessas de seriedade
Ficaram pela promessa de uns emocionantes bofetões e de um arraial à antiga portuguesa. O povo ficou expectante: serão afinal, gente do povo que chega a roupa ao pêlo por dá cá aquela palha, bebe umas minis e coça os marros?
A coisa prometia. Em vão, porque os senhores deputados decidiram-se afinal pelo recolhimento, possivelmente quando se deram conta que não têm um único pêlo no peito para mostrar à audiência.
Uma coisa é certa: com sessões daquelas, os partidos tornar-se-iam muito mais interessantes e o número de militantes inscritos subiria em flecha. Sei de muitos que se haveriam de inscrever imediatamente em todos os partidos. Não fosse a coisa mais animada nuns sítios do que noutros. Conforme as noites.
3 de março de 2009
Kramer contra kramer
Ironia, porque a miserável normalidade da Guiné não resistiu jamais à pilhagem sem escrúpulos do país e do povo por homens como os que se assassinaram mutuamente em duelo marcado por um invulgar desfasamento horário.
28 de fevereiro de 2009
Desemprego para todos!
27 de fevereiro de 2009
Um escândalo!?
20 de fevereiro de 2009
Da vergonha ao carnaval
De carnaval a vergonha pública
A vergonhosa decisão foi tomada ao arrepio dos mais elementares direitos democráticos e denuncia a total ignorância da censora relativamente à cultura de que, eventualmente, também será portadora. Lá que não goste de carnaval e padeça de dolorosa perturbação que a faça sofrer pelos outros, isso é um problema dela…
Agora, às claras e com a autoridade que o Estado lhe outorgou indevidamente, esta senhora não dignificou a justiça nem a instituição da democracia. Pelo contrário, censurou de forma ímpia a brincadeira de pessoas em liberdade, cuja acção nem sequer fora do contexto do carnaval poderia ser objecto de actos desta natureza.
A ditosa senhora confirmou também que os actuais «arautos da desgraça» não são os tolos do costume.



