É natural que o PS tenha a tendência de extrapolar resultados das eleições autárquicas para o plano nacional, procurando retirar daí alguns dividendos. Mas esse é um pressuposto errado porque a percentagem nacional não tem correspondência com a quantidade de maiorias registadas nos 308 concelhos e nas 4260 freguesias. Há, efectivamente, uma considerável subida do PS. Mas insuficiente para contrariar a primazia autárquica que PSD ainda detém. O BE perdeu porque não alcançou os seus objectivos e admitiu a derrota com humildade, ao contrário da CDU, incapaz de se desprender de uma leitura tornada costume mas que se perde no relativismo sem termo. Líder de um partido fidelizador de eleitorado, Jerónimo de Sousa tem boas razões para reflectir sobre a perda de 4 câmaras*, uma das quais para um movimento independente (Sines). O CDS, esse, não tem razões nenhumas para extrapolar resultados, embora a sua implantação autárquica em coligações com o PSD seja assinalável.
No Distrito de Évora, a correlação de forças alterou-se e a consequência imediata deverá passar pela entrega do controlo da Associação de Municípios do Distrito de Évora ao PS.
A primeira nota de destaque neste distrito vai para os concelhos em que houve mudanças. Desde logo, em Viana do Alentejo e Vila Viçosa, ganhos pelo PS à CDU. E, também, aos concelhos em que os movimentos cívicos saíram vitoriosos (3 dos 7 movimentos em Portugal). Neste campo, Alandroal regista a vitória suada de um grupo de cidadãos saído de uma cisão socialista e, em Estremoz, o antigo autarca comunista re-conquista o concelho ao PS, agora sem o apoio da CDU. No Redondo, a população consagrou a «abaladiça» de Alfredo Barroso com uma subida de 10 pontos percentuais, convertendo eleitoralmente esta candidatura na mais bem sucedida do país.
A segunda nota de destaque vai para os concelhos cujos executivos não foram destronados porque, à excepção de Évora, todos eles subiram eleitoralmente, legitimando as linhas de intervenção seguidas durante o mandato que termina: Arraiolos, Vendas Novas, Montemor-o-novo, Mora (CDU), Redondo (MICRE), Borba, Mourão, Reguengos de Monsaraz e Portel (PS). Este facto não deixa o autarca socialista José Ernesto d'Oliveira numa situação confortável à frente da principal câmara municipal do Alentejo.
Com o PSD galopante a acumular boas votações desde 2001 (de 8% subiu para 14% e, ontem, para 17%), fruto do «fenómeno» António Dieb e com a CDU a arrancar 2 pontos percentuais, o PS local não esconde o desgaste da governação e perdeu quase 4 pontos percentuais. A contestação popular tem subido timidamente de som num contexto macroeconómico difícil mas que não colhe validade para justificar a desaceleração iniciada logo após as eleições de 2001 (de 45% desceu para 43% e, ontem, para 39%).
*A CDU perdeu 7 câmaras municipais e conquistou 3, resultando num saldo negativo de 4 câmaras.
Informação adicional, motivada pela necessidade de clarificação na sequência de um comentário a este post
(12/10/2009 - 15:00)