No congresso, o grande líder elegeu o desemprego como grande prioridade. A honestidade devia ser recompensada porque, honra lhe seja feita, o homem conseguiu!
28 de fevereiro de 2009
27 de fevereiro de 2009
Um escândalo!?
Leite, a do PSD, olhou para a hercúlea tarefa que a aguardava, sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha e estancou, pálida e impotente. No momento seguinte, torceu o pescoço a 90º e decidiu empurrar o assunto com a barriga, transformando em escândalo a opção do primeiro-ministro em participar no congresso do seu partido e não da cimeira europeia. O homem está farto de viajar e, nesta altura de crise, é impreterível que esteja junto dos seus. Solidariedade. Palavra cara a Leite, por não ser muito comum entre as suas hostes.
Talvez o termos escândalo tenha sido ligeiramente exagerado, tendo em conta o fartar vilanagem que campeia neste país. Tendo em conta, também, a «dura» mão da justiça portuguesa que multa os corruptores em cinco mil euros, mais ou menos o mesmo que roubar dois sacos de batatas e dar um merecido tabefe num desses senhores (variará consoante o preço da fatiota que envergam).
Exemplar! Um escândalo, dr.ª Manuela Ferreira Leite?! Oh... pelo amor de deus...
20 de fevereiro de 2009
Da vergonha ao carnaval
Afinal, o problema do Magalhães não estava na sátira ao governo mas sim no ignominioso conteúdo pornográfico apresentado no pequeno ecrã do laptop carnavalesco. Mas foi resolvido pela delegada do MP que concluiu não haver afinal o tal conteúdo pornográfico porque apenas se tratava de naturismo, ou seja, umas mamas e uns rabos.
Fica a pergunta: alguém acredita que um delegado do MP decide a proibição de um determinado objecto na sequência de uma denúncia sem o verificar?
Duas respostas:
1 – Não, só alguém absolutamente incompetente;
2 – Não, só alguém com absoluta má-fé.
Os de Torres Vedras têm agora mais um (neste caso uma) que se pôs mesmo a jeito...
De carnaval a vergonha pública
Em Torres Vedras, a plenipotenciária delegada local do Ministério Público, infectada com arrogante acinte, decidiu censurar incompreensivelmente um elemento alegórico de sátira ao Magalhães.
A vergonhosa decisão foi tomada ao arrepio dos mais elementares direitos democráticos e denuncia a total ignorância da censora relativamente à cultura de que, eventualmente, também será portadora. Lá que não goste de carnaval e padeça de dolorosa perturbação que a faça sofrer pelos outros, isso é um problema dela…
Agora, às claras e com a autoridade que o Estado lhe outorgou indevidamente, esta senhora não dignificou a justiça nem a instituição da democracia. Pelo contrário, censurou de forma ímpia a brincadeira de pessoas em liberdade, cuja acção nem sequer fora do contexto do carnaval poderia ser objecto de actos desta natureza.
A ditosa senhora confirmou também que os actuais «arautos da desgraça» não são os tolos do costume.
A vergonhosa decisão foi tomada ao arrepio dos mais elementares direitos democráticos e denuncia a total ignorância da censora relativamente à cultura de que, eventualmente, também será portadora. Lá que não goste de carnaval e padeça de dolorosa perturbação que a faça sofrer pelos outros, isso é um problema dela…
Agora, às claras e com a autoridade que o Estado lhe outorgou indevidamente, esta senhora não dignificou a justiça nem a instituição da democracia. Pelo contrário, censurou de forma ímpia a brincadeira de pessoas em liberdade, cuja acção nem sequer fora do contexto do carnaval poderia ser objecto de actos desta natureza.
A ditosa senhora confirmou também que os actuais «arautos da desgraça» não são os tolos do costume.
19 de fevereiro de 2009
Circus sound
Agora com o som instalado é que o circo está montado. Se é que ainda restavam dúvidas...
à tout propos (312)
Exposição de gravura de Célia Barros com textos de Alexandre Nunes de Oliveira, um dos quatro malucos do manicómio. Para ver, na cooperativa de actividades artísticas Árvore. no Porto.
18 de fevereiro de 2009
Amor em tempos de crise
Havia o que dizia ser a cannabis, a fonte do amor. Este não! Diz que são as palavras. Como o Neruda. É de amor que as pessoas precisam! Por isso, em tempos de crise, é amor que o homem de lata lhes dá. Porque a vida não se governa só com as míseras pensões do Estado e as insignificantes mesadas dos tiranos progenitores, ele alimenta multidões de gente com palavras íntimas e chegadas. E o exército de amazonas replica: que se foda a lata do governo, nós queremos é o homem de lata!
Ecos de Pessoa em 1975
Aos onze anos já mandava recados ao império colonial britânico, o qual havia de se desintegrar quarenta e oito anos depois, com a independência da Índia, em mil novecentos e quarenta e sete. As contas não enganam. Por isso, podemos conjecturar sobre se terá sido apenas em mil novecentos e vinte e sete que Fernando Pessoa começou a enviar recados semelhantes ao império colonial português.
16 de fevereiro de 2009
Eu, Burguês!
Classe social cuja ascensão é devida ao fortalecimento das trocas comerciais através da usura e do alargamento físico dos mercados – partilhando o risco das descobertas com os monarcas – os burgueses tornaram-se também um símbolo do novo sistema político-económico emergente: o capitalismo.
Actualmente, nos países ocidentais, a categoria é difusa pois parece corresponder inequivocamente à classe média, portanto, a essa imensa maioria social. Estatisticamente, a moda. Em contrapartida, as classes produtoras – na terminologia marxista, «exploradas» – são uma espécie quase em vias de extinção nestas sociedades ocidentais contemporâneas porque uma boa parte da produção de bens de consumo e extracção de matérias-primas é assegurada por países do hemisfério sul. Hoje, não é preciso ser proprietário de meios de produção para ser dono de uma ilha… basta um telemóvel, discrição e um conjunto de acções dispersas por aqui e por ali. O patrão está sempre fora e isso não significa «dia santo na loja».
Debalde, a classe dos trabalhadores parece hoje abarcar quase indistintamente uma paleta socioprofissional tão vasta quanto a paisagem lunar. Embora nos deixem muitas dúvidas, exemplos como o do motorista TIR que é proprietário do seu camião: trabalhador ou patrão?
Uma observação mais detalhada nos aspectos culturais também não me deixa confiante. Quem são, culturalmente, os burgueses? Aqueles que vestem à moda? Vão ao teatro? Passam férias no estrangeiro? Compram casas de milhares de euros a meias com o banco? Falam com a boca cheia em estouvado desafio às elementares regras da boa educação? Comem brócolos com whisky?
Se fizer o raciocínio ao contrário mas ainda dentro da segmentação dicotómica marxista, chego facilmente à conclusão que os burgueses não têm lugar nem à classe dos trabalhadores nem na classe dos explorados. Só lhes resta a condição de «exploradores». Daí até chegar aos jovens, pequenos comerciantes, funcionários públicos ou artistas, é um pequeno passo, a avaliar pelo acesso a bens culturais, lazer, crédito bancário e conforto material de que estes grupos dispõem. De facto, ao que parece, trata-se de sujeitos pouco dados ao trabalho. Por outro lado, como a maior parte é dona do seu nariz, também não caberá na categoria dos «explorados». Nesse caso, os estudantes universitários, funcionários públicos e outros, não só são preguiçosos como se dão também a esses ares da cultura e dos tempos livres, enquanto outros vergam a mola. De resto, o ócio é próprio das classes dirigentes, logo, dos «exploradores». Como é evidente, esses direitos todos consagrados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem só podia ter sido redigida por gente que nunca fez nenhum. Como eu.
Elegi algumas características que considero paradigmáticas para a conceptualização do homem burguês actual:
- Esvaziamento ideológico em detrimento da exaltação da superficialidade das modas, instigadas pela lógica de mercado. Exemplos disso são, por exemplo, a massificação comercial da imagem de Che Guevara e o consumo ávido da cultura dominante por «explorados» e «exploradores» (cinema, música, comida e, até, legislação…).
- Afirmação de um consumismo multicultural com a apologia de valores pós-materialistas, os quais são, em todo o caso, a expressão máxima de necessidades básicas satisfeitas. Trata-se de um tipo de consumismo pretensamente solidário mas que não deixa de reflectir a necessidade de auto-realização material dos jovens burgueses: as músicas do mundo, a comiseração solidária mas genericamente apática com o Terceiro Mundo, os tapetes de Caxemira e o exotismo gastronómico de países longínquos, a assunção da experiência tão burguesa do Grand Tour, agora espraiada no mais remoto país visitável.
- A expressão da individualidade e do individualismo. Sintomas disso são o abandono do sexo em grupo e o emagrecimento dos conselhos de administração das grandes multinacionais.
Perante isto, o que poderia eu ser senão um burguês? Dado a jantares e boémia com os amigos; preguiçoso compulsivo e desnaturado; proprietário de um bem imóvel, de automóvel e outros móvel; frequentador de manifestações de arte e outras coisas inclassificáveis mas que dão uma imagem de tipo interessado e inteligente; sempre em pulgas para viajar por países mais próximos do que distantes e contar mentiras a torto e a direito para impressionar; adepto de uma alimentação equilibrada; defensor do ambiente e das mães de Bragança; crente numa divindade monetária e no Aladino; indiferente ao direito das lagostas em morrer de morte natural e; criador de rolos de cotão no umbigo para exportação...
…. Que outra coisa poderia eu ser senão um cruel e imperdoável Burguês?!
Simplex eleitoral
O patriarca Hugo Chavez viu confirmado o seu íntimo desejo de ver recompensada a sua abnegação pública com um justificado mar de afectos populares que se deverá prolongar até à sua reforma. O referendo popular consagrou a alteração constitucional que, em rigor, estiola a limitação de mandatos. O homem terá sempre que se candidatar mas, como é evidente, quem está no poder parte com uma posição vantajosa. O próximo passo poderá vir ser o alargamento temporal dos mandatos porque as eleições desgastam recursos humanos, desperdiçam recursos financeiros e afectam a estabilidade política. E, a seguir, essa coisa bonita e harmoniosa que consiste em prescindir de outros partidos políticos porque a diversidade pode muito bem ser garantida entre as hostes do plenipotenciário patriarca.
A tudo isto diz o povo: Si, comandante!
PS: bom, numa coisa temos que concordar... pelo menos, não andam a saltar de poleiro em poleiro fazendo de conta que sabem fazer outras coisas.
13 de fevereiro de 2009
Entardecer...
Habituado a vestir peles de todas as cores, Jules sempre entendeu o fenómeno como elemento de aprendizagem contínua. À guisa das Novas Oportunidades, na vida, um gajo veste a pele de filho, de pai, de porteiro, de director, de jogador, de cozinheiro e, até, de estofador. E, por muitas peles que vista tornou-se um consolo vestir outra. E outra ainda. Por nenhum conforto em especial. Apenas porque nunca se entendeu bem com essa acomodação total do corpo à pele que se veste. Quando acontece, ala que se faz tarde!
12 de fevereiro de 2009
Fumo e homossexualidade
O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa considerou menor a discussão sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Portanto, excluídas as premissas de natureza moral que, em todo o caso, contaminam a produção legislativa pela sua ligação às fontes do direito (neste caso, o costume), estamos perante um conflito de poderes num Estado supostamente laico. Isto, presumindo a possibilidade de num país democrático como Portugal, um indivíduo poder ser, cumulativamente, ateu, homossexual, sportinguista e do PCP.
Neste assunto delicado para a própria Igreja e para a clausura a que se sujeitam alguns indivíduos em mosteiros, praticamente isolados do mundo não fora a fé e o companheirismo desinteressado… sobrevém uma analogia perniciosa e malandra com a interdição de fumar. Pois... quem são os mais bravos soldados da causa anti-fumo senão aqueles que passaram por essa «hedionda» e «asquerosa» experiência durante anos?
Neste assunto delicado para a própria Igreja e para a clausura a que se sujeitam alguns indivíduos em mosteiros, praticamente isolados do mundo não fora a fé e o companheirismo desinteressado… sobrevém uma analogia perniciosa e malandra com a interdição de fumar. Pois... quem são os mais bravos soldados da causa anti-fumo senão aqueles que passaram por essa «hedionda» e «asquerosa» experiência durante anos?
11 de fevereiro de 2009
à tout propos (311)
Mário Crespo, ícone histórico da televisão portuguesa e rosto do «60 minutos», sugere que façamos de conta que não há um ataque político ad hominem ao eng.º José Pinto de Sousa. Como se fosse uma coisa escabrosa e intolerável numa sociedade perfeitamente equivocada quanto aos valores da democracia. E em perfeita agonia causada por um potlach tão partidário quanto medíocre...
10 de fevereiro de 2009
Dentro da noite veloz: um balanço do FSM de Belém
Na ressaca de mais uma edição do Fórum Social Mundial que, nesta ocasião, decorreu em Belém (Brasil), as conclusões alcançadas transformam-se em propostas que já começam a sobrevoar os mares e a aterrar nos laptops de governantes e jornalistas de todo o mundo. Damos destaque ao artigo de opinião de Raphael Alvarenga por três razões: pela pontaria, pela amplitude cultural proporcionada pelas vivências no continente americano e no europeu e, também, pela amizade.
6 de fevereiro de 2009
Malhar na [da] direita

Numa soirée socialista, o insigne militante socialista e ministro dos assuntos parlamentares Augusto Santos Silva, levado pela emoção e, quiçá, pela mesma poção alcoólica que aflige tantas vezes o seu colega Mário Lino, confessou alguns gostos escaldantes:
"Eu cá gosto é de malhar na [da] direita, e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas…”
E gostará de malhar indistintamente porque, em rigor, tanto podia ser a da direita como a da esquerda.
PS: A inclusão do artigo definido «da» é da nossa responsabilidade, devendo a sua ausência ter ficado a dever-se a uma eructação involuntária do senhor ministro.
"Eu cá gosto é de malhar na [da] direita, e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas…”
E gostará de malhar indistintamente porque, em rigor, tanto podia ser a da direita como a da esquerda.
PS: A inclusão do artigo definido «da» é da nossa responsabilidade, devendo a sua ausência ter ficado a dever-se a uma eructação involuntária do senhor ministro.
«Se eu fosse rei...»
Ainda hei-de escrever uma tese sobre a democracia. Talvez quando for velhinho e já não houver tal coisa. É de tal forma complexa que é o único sistema de governação que assenta teórica e aproximadamente a base da decisão colectiva em milhões de pessoas. Nenhum outro foi tão longe. Há sessenta e cinco anos, os nazis exerciam o domínio total, eliminando milhões, de acordo com critérios étnicos (e uma dose de falência cerebral colectiva). Pela mesma altura, os soviéticos exerciam o domínio total, condenando milhões, de acordo com os seus critérios políticos (e uma dose de sociopatia). Há quinze anos, os hutus exerciam o terror total (máquina sem controlo nem organização), dizimando milhões de tutsis, de acordo com os seus critérios étnicos (e uma boa dose de livre arbitrio).
Dentro de uns anos, a democracia será realmente um bom tema. Sobretudo para explicar que, tal como em outros casos, também se trata de uma utopia. Menos espinhosa e mais proveitosa para uma larga maioria. Mas utopia.
...Como não sou rei e como não me dou bem com mandões...
PS: há um texto que quero apresentar aqui mas que, por circunstâncias adversas, ainda não foi possível apresentar. O título é «Eu Burguês!». Dedicado a todos nós que vivemos confortavelmente e que piramos se nos faltar a água canalizada durante dois dias seguidos.
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