6 de outubro de 2008

Por via das dúvidas, PS impõe disciplina de voto

Em Portugal, assim como na maioria dos países do mundo, o casamento entre casais homossexuais é um tabu. E a razão não é, certamente, de ordem moral (cultural). Se fosse, o valor objectivado da justiça social teria certamente prioridade sobre o repúdio de aspectos da natureza humana, ciclicamente aceitáveis pela cultura dominante. Ou será que se julga que o que a Igreja financiou no período da renascença era a mais ingénua arte sacra? Pois… os actores bíblicos todos de pelota…

Francamente, confesso que não acho muita piada quando o meu cão salta freneticamente para cima de outros cães, de língua caída e ar estouvado pelas convulsões ritmadas dos quadris. E não acho grande piada porque os outros cães podem ter donos desejosos de meter conversa comigo. E também não é lá grande piada porque raramente acerta no alvo e acaba por regressar a casa com os tintins a rojar no chão. Enfim, são coisas lá deles e eu não tenho nada a ver com isso.

É que a moral e a sexualidade confluem violentamente, de acordo com a doutrina da Igreja, nessa coisa hedionda que representa o hedonismo, o puro prazer instigado por Lúcifer e que dá, normalmente, em maravilhosas playmates mensais capazes de levantar a moral de um grupo de calceteiros marítimos. Adaptado à vida real, esse hedonismo é mais ou menos o mesmo que comprar um LCD, cervejas e um jogo de futebol com os amigos. Imoral!

A grande questão do casamento homossexual é saber se se pega.
Sim, pode ser uma doença transmissível por agentes aéreos. Não se sabe.

Desconfiado do cenário de contágio epidémico, o PS mostrou-se mais conservador do que o PSD e decidiu impor a disciplina de voto aos seus deputados sobre uma matéria que deveria, de acordo com os ideais liberais alardeados, ser do foro íntimo de cada um.

E é capaz de existir um fundamento científico, como aquele que foi ontem apresentado na televisão a respeito da diferente resistência à dor de crentes e não crentes [podiam muito simplesmente ter testado comunistas ortodoxos e católicos ortodoxos para chegar à conclusão que tanto uns como outros toleram a dor muito mais do que eu. Por isso é que fiquei durante muito tempo sem ver jogos do Benfica].

O fundamento é inquestionável: os sociais-democratas são incomparavelmente mais machos do que os socialistas. Um facto provado empiricamente: eles é que são forcados, não se emocionam com a pobreza social, acham que a mulher é para estar em casa a cuidar da prole e, por eles, a salvação da sociedade portuguesa consiste em evoluir para a poligamia marialva (sob a forma de poliginia livre, em que um homem tem direito a duas mulheres e quatro éguas).

A conclusão é simples: sendo mais machos que os socialistas, estão consequentemente mais imunes ao contágio de virem a casar com uma pessoa do mesmo sexo. Em contrapartida, as mulheres laranjas são muito mais femininas e não se armam em fufas. Pensemos na Manuela Ferreira Leite. É ou não é o lado feminino do Cavaco?

Os socialistas, com receio de que se pegue e se difunda pelo seu grupo parlamentar, impõem a disciplina de voto. E compreende-se. Seria realmente imoral e repugnante ver o Almeida Santos de fato de couro aos pulinhos na Assembleia da República, louca para depositar alguns bagos de uva nos grandes lábios do Teixeira dos Santos. Ou o Augusto Santos Silva a discursar para um bando de malucas, envolvendo delicadamente o microfone com uma das mãos, enquanto via os seus shorts curtíssimos serem sovados de tempos a tempos pela máscula mas carinhosa mão do Alberto Martins.

Assim, também nesta matéria, a próxima sexta-feira ficará marcada pela confirmação do «atraso» português. Embora não seja tão grave porque só 6 países no mundo consagraram esse direito aos – nas palavras de Zapatero, primeiro-ministro socialista da monarquia constitucional espanhola – «nossos vizinhos, colegas, familiares e amigos». Porque, adianta, não quer apenas uma Espanha «mais justa» mas também «mais feliz». Exactamente o mesmo que nós.

12 comentários:

Anónimo disse...

Love is love

Anónimo disse...

A vida sentimental de cada um, só a si diz respeito.
O amor acontece entre pessoas do mesmo sexo e entre pessoas de sexo diferente, entre pessoas da mesma raça e de raças diferentes,etc...
A liberdade é isso mesmo, liberdade de escolher a quem amar, com quem viver, com quem casar.
A partir do momento que é decidido por deputados se as pessoas do mesmo sexo podem ou não casar, isso é uma afronta à liberdade, à democracia.

O que me escandaliza é a imposição de disciplina de voto. Espero que haja muitos socialistas que quebrem essa imposição, que votem seguindo o seu livre pensar.

Anónimo disse...

mai'nada!

malmequers disse...

O que me impressiona efectivamente é a hipocrisia política: todos sabemos que este não é o tempo para temas polémicos; veremos a agenda do primeiro ano da próxima legislatura...
Lembro apenas que antes de uma alteração da legislação tem de se operar uma alteração de conceitos. Vou já reciclar todos os dicionários da minha estante...

Anónimo disse...

"Estamos a assistir ao maior roubo da história nos Estados Unidos (e na UE) com a nacionalização dos prejuízos dos banqueiros (a pagar pelos contribuintes) enquanto os lucros das empresas privadas aumentam à custa da precariedade e pobreza dos trabalhadores (= socialismo para os ricos e capitalismo para os pobres)"

Citação do mês do blog Pimenta Negra

Di disse...

conceitos?!
se não quiser «casamento», chame-lhe «enlace juridicamente assistido». fica resolvido o preoblema dos conceitos e a liberdade de não pensar como alguns querem que pensemos.

Anónimo disse...

Malmequers:

Este não é o tempo para temas polémicos?
Quando é que é tempo?
Existe um tempo?

Quando é que é tempo para se resolverem as questões das drogas leves, da prostituição, das discriminações?

Todos os dias são dias para se lutar por um mundo melhor: justiça, não discriminação, igualdade de direitos.

A anónima das 22.17 de 6 de Outubro

Anónimo disse...

antes levar no...

ARV disse...

Todas as opiniões são respeitáveis mas há, talvez, uma chave-mestra para orientar um Estado laico. Essa chave contém apenas duas ou três questões de partida: em que medida é o Estado lesado? De que forma vai interferir com os direitos e garantias consagrados (invasão da esfera pessoal)? Em que medida traz beneficios para o Estado? Estamos a salvaguardar todos os interesses?

Este pode ser um exercício interessante para que a discussão saia da esfera da subjectividade e ganhe riqueza.

Contudo, também tenho dúvidas se este merecerá assim uma reflexão tão profunda. Afinal, 3/4 da população mundial não vive na miséria?

ARV disse...

último parágrafo do comentário anterior deve ler-se assim:

"Contudo, também tenho dúvidas se este ASSUNTO merecerá assim uma reflexão tão profunda. Afinal, 3/4 da população mundial não vive na miséria?"

Anónimo disse...

Liberdade

Anónimo disse...

'O PS assume aqui hoje a vontade de eliminar toda e qualquer a discriminação em função da orientação sexual. O PS considera no entanto que não o pode fazer de forma fracturante', afirmou o deputado socialista Jorge Strech.

Alguuém me explica o que é a forma fracturante?