in tenui labor

"os deuses também já foram homens"

21 de Novembro de 2009

Arquivamento das certidões

Meio país deve a esta hora andar a rebolar-se em lama de indignação pelo arquivamento das certidões com escutas telefónicas de diálogos entre o primeiro-ministro e Armando Vara. O procurador-geral da República entendeu não haver matéria probatória que desse origem a um processo-crime contra José Sócrates.
Esta decisão que será técnica e juridicamente correcta corporiza o questionamento difícil que nem sempre é feito pela maioria das pessoas: «e se não é verdade? E se, de facto, há uma cabala montada contra o primeiro-ministro?». Não o sabemos mas é certa a ingestão às golfadas de um discurso de verdade montado pelos media e por actos administrativos. Também é «conhecida» a falta de idoneidade com que, em muitos casos, tal discurso é construído por jornalistas e, neste caso, pelos agentes de investigação criminal e agentes judiciais.

13 de Novembro de 2009

Bye-bye freeport

As autoridades inglesas decidiram arquivar o processo Freeport por falta de provas. Segundo o jornal Público, a maioria dos elementos com que os juízes ingleses trabalharam foram fornecidos pelo Ministério Público português...

12 de Novembro de 2009

Guterres considerado o 64º homem com mais poder

Para quem passou por dificuldades na gestão do poder enquanto primeiro-ministro, ser o 64º homem com mais poder no mundo pode ser relativamente absurdo.

Água dura em pedra mole

Só por mera casualidade é que o PS se cruzou na vida de João Cravinho.

Compromissos com energias renováveis à parte

Relativamente à electricidade gerada a partir de energia solar, em 2006 Portugal produzia o equivalente a 0,05 GIGAWATT/hora por 100 000 habitantes. Porque as comparações são inevitáveis, vale a pena olhar para o lado e verificar que os espanhóis já garantiam a produção de 0,27 GIGAWATT/hora por 100 000 habitantes. Esse rácio era no Luxemburgo de 4,26 GIGAWATT/hora por também 100 000 habitantes. Energetimente dependente, o Luxemburgo fez uma aposta na energia solar apesar de ser incomparavelmente menos soalheiro que os seus vizinhos ibéricos. Em contrapartida, em 2006 o Reino Unido não ultrapassava os 0,011 GIGAWATT/hora por 100 000 habitantes. Compreende-se porquê... para além de não ser um país conhecido pelo sol, tem ainda muitos poços de petróleo por onde escolher...

11 de Novembro de 2009

União civil registada

A palavra «casamento» devia queimar a lingua dos hereges que fornicam com pessoas do mesmo sexo e sem consentimento da Santa Igreja. Além disso, não fica giro dizer: "fui ao casamento da Maria e da Cláudia no fim-de-semana passado e, a propósito de casórios, sabe quem já marcou para o ano? O Carlos e o Anselmo, imagine !".

Fora a fonética engasgada - "a Maria e a Cláudia já são unidas e registadas civilmente" - e o mesmo conteúdo em termos de deveres e direitos, a proposta do PSD lembra o garoto que, não querendo dar o braço a torcer, contra-propõe aos amigos jogar futebol em vez de jogar à bola.

8 de Novembro de 2009

Fumo com fogo?


Até que ponto esconde o fumo um foco de fogo? Nem sempre, como se sabe. Na indústria cultural, há máquinas próprias concebidas para proporcionar atmosferas diversas. Contudo, devido ao seu mediatismo e à sua responsabilidade institucional, os actores políticos portugueses parecem espalhar aquele odor característico da lenha a arder... O clã Soares e os diamantes de Angola, a insistência da localização do Aeroporto de Lisboa na Ota, o envolvimento de Paulo Pedroso no processo Casa Pia, as suspeições sobre Armando Vara na Junta Autónoma de Estradas e, recentemente, na vice-presidência do BCP, José Sócrates e o caso Freeport, Fátima Felgueiras e o «Saco Azul», a condenação de Isaltino Morais, a compra dos submarinos pelo então ministro da defesa Paulo Portas, o Caso Portucale e o pretenso favorecimento ao Grupo Espírito Santo...

Com tanto fumo é licíto que o povo português questione se estaremos perante a multiplicação de «cabalas» e «contra-cabalas» movidas por interesses económicos e políticos ou se estamos efectivamente na presença de indícios suficientemente fortes de fogo.

7 de Novembro de 2009

Portas de diálogo

O governo voltou a frisar ontem - através do ministro da presidência Pedro Silva Pereira - que tomou posse para governar durante toda a legislatura, afastando o cenário de eleições antecipadas motivadas pela instabilidade política que uma oposição maioritária no Parlamento pode causar. Oportuno ou não, Marcelo Rebelo de Sousa pronunciou-se sobre a avaliação dos professores, mostrando-se contra a suspensão da dita. Ora aqui pode estar uma das portas de diálogo de que falava o primeiro-ministro no acto de tomada de posse. Uma porta que merece ser apoiada pelo próprio PS, uma vez que Marcelo não é homem para ir à luta em escaramuças das quais possa sair aleijado. Também serve ao Presidente da República. Há, evidentemente, outras Portas.

6 de Novembro de 2009

Modelo da mão-de-obra barata ainda faz sentido... no Lesoto

Ludgero Marques (Associação Empresarial de Portugal), Francisco Van Zeller (Confederação Industrial Portuguesa) e outros comparsas representantes dos patrões portugueses, andaram décadas a defender um modelo de atracção de investimento estrangeiro assente na mão-de-obra barata e, consequentemente, desqualificada.
Talvez os ávidos horizontes dos patrões à portuguesa ajudem a explicar por que razão tem Portugal uma das mais fracas taxas de investimento estrangeiro da Europa. É que, neste restrito círculo de países, a competitividade assenta na qualificação, na diferenciação associada a medidas de alto valor tecnológico e científico que acrescentam valor. Assenta também num sistema de gestão profissional, no qual não cabe o patrão obeso e patético que gere a grande maioria das empresas portuguesas.

5 de Novembro de 2009

Nenhuma ideia de justiça

De tempos a tempos os tementes ao Estado português são varridos por uma onda ilusória de esperança e emancipação cívica: "agora é que o combóio entra nos eixos", parece o povo dos «brandos costumes» consolar-se em jeito de acomodação tácita aos maus costumes dos homens seus vizinhos e amigos. Também de tempos a tempos, uns quantos desaparecem providencialmente para o Brasil, para África ou para uma quinta no Alentejo e aguardam que a poeira assente... nas redacções.  A impunidade patrocinada pela rede informal de amigos e pelo próprio sistema judicial encarregar-se-á de absolver indivíduos que, afinal, até demonstram desapego pelo poder e respeito pelas regras quando, sob suspeita, decidem demitir-se e renunciar [provisoriamente] às mordomias que o Estado lhes proporciona (as lícitas e as ilícitas). Mas, poder-se-á falar de impunidade num mundo em que a ideia de crime foi quase totalmente usurpada pelos delitos comuns, pelos crimes de sangue (e os hediondos socialmente como a pedofilia) e, sobretudo, afastada da delicadeza e nobreza de um colarinho branco?

Nã... cada macaco no seu galho...