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9 de maio de 2010

O totalitarismo económico



É francamente aflitivo ver como o pilar da regulação dos estados foi colonizado pelo pilar do mercado, devendo-lhe mesmo uma subserviência alarmante. Os exemplos são inúmeros. Da crise Argentina em 2001 à afirmação do poder absoluto e discricionário das agências de rating internacionais que dispõem das economias nacionais como se não passassem de peças descartáveis de um xadrez de papelão. Saídos do pós-guerra, os estados apostaram tudo no desenvolvimento económico, sacrificando a emancipação humana ou, melhor, transformando-a em satisfação de necessidades materiais. Com isso, os estados consentiram a desregulação e hoje são reféns de um sistema, nas palavras de Boaventura Sousa Santos, fascista. Com estes sinais, as agências de rating estão a ameaçar com a ruína todos aqueles que não quiserem jogar o seu jogo. Tudo em nome da sacrossanta estabilidade dos mercados. O problema é que países como Portugal não têm muito por onde escolher. As promessas de regulação anunciadas agora pelos líderes das principais economias ocidentais têm tanto de inóquo como de manobra de diversão que apenas serve de legitimador da ordem dominante.

30 de abril de 2010

O desmentido de Mariano

Afinal, Mariano Gago desmentiu as declarações que lhe foram atribuídas e sobre as quais versa o post anterior.

A clarividência de Mariano Gago

O ministro afirmou em Madrid que «a pirataria é uma fonte de progresso e globalização» pelo que a indústria cultural não deve ver o fenómeno como inimigo. E deu o exemplo da música, alegando que o produto acrescentado ao produto inicial em resultado da popularidade pode ser enormíssimo. O myspace é disso um bom exemplo e não há programador ou director artístico que não entre naquele portal com o objectivo de contratar. Como é evidente, há casos em que a clarividência de Gago não se aplicará. Mas não deixa de ser curiosa a onda de contestação às afirmações do ministro, provenientes do campo da parasitagem habitual, vulgo «defensores dos direitos de autor».

Numa mesa redonda que decorreu na Sociedade Harmonia Eborense há dias, José Mário Branco defendia que a partir do momento em que as suas obras são criadas, passam a pertencer à humanidade. Deixam de ser sua propriedade, em parte porque vão ser recriadas sensivelmente por cada ouvinte, por cada espectador. Por isso, prescinde habitualmente da cobrança de direitos de autor, com excepção da venda de discos. Mas não é a publicidade e a difusão de discos e músicas que lhe abrem as portas dos compradores de concertos?

Aliás, se não fossem os compradores de concertos, dificilmente se viveria da música em Portugal... artistas e dessa parasitagem que lhes esvoaça na órbita.

12 de novembro de 2009

Compromissos com energias renováveis à parte

Relativamente à electricidade gerada a partir de energia solar, em 2006 Portugal produzia o equivalente a 0,05 GIGAWATT/hora por 100 000 habitantes. Porque as comparações são inevitáveis, vale a pena olhar para o lado e verificar que os espanhóis já garantiam a produção de 0,27 GIGAWATT/hora por 100 000 habitantes. Esse rácio era no Luxemburgo de 4,26 GIGAWATT/hora por também 100 000 habitantes. Energetimente dependente, o Luxemburgo fez uma aposta na energia solar apesar de ser incomparavelmente menos soalheiro que os seus vizinhos ibéricos. Em contrapartida, em 2006 o Reino Unido não ultrapassava os 0,011 GIGAWATT/hora por 100 000 habitantes. Compreende-se porquê... para além de não ser um país conhecido pelo sol, tem ainda muitos poços de petróleo por onde escolher...

26 de outubro de 2009

22 de setembro de 2008

Para quê comemorar o quotidiano...

Sendo o Dia Europeu sem Carros uma iniciativa francamente dependente da vontade dos municípios portugueses, a tendência de diminuição dos municípios aderentes só pode significar que as metas em matéria de transportes e sustentabilidade ambiental estão a ser amplamente atingidas. Valha-nos este país tão desprendido e concentrado em coisas realmente importantes.

8 de setembro de 2008

Preocupações ambientais à parte

Troia Resort, um dos empreedimentos de Belmiro de Azevedo na península de Troia, será um exemplo acabado do efeito «mão invísivel», de Adam Smith, o qual serve de inspiração à direita liberal. Consiste basicamente na regulação dos mercados com uma intervenção mínima do Estado, concedendo ampla autonomia às dinâmicas da oferta e da procura (os meus amigos economistas e outros curiosos que me corrijam se estiver errado).

Vocacionado para um perfil de clientes caracterizado por passear de Ferrari ao fim-de-semana e por se mostrar muito sensível às questões ambientais – muito em moda – o empreendimento Troia Resort dedicar-se-á a um sem número de actividades de limpeza e conservação da biodiversidade do estuário do Sado para atrair e consolidar clientes. Em suma, as excentricidades destes indivíduos que até se costumam fazer transportar de avião, vestir as esposas e concubinas com visons e enfardar o bandulho com caviar de esturjão, é que serão o leit motif para uma preocupação da Sonae com o ambiente. Grosso e curto modo…

Neste particular, a grande diferença entre a apologia de uma intervenção mais enérgica do Estado e o laissez faire dos mercados é que estes, quando levantam as fuças do dinheiro é para procurar mais dinheiro enquanto a primeira tem uma oportunidade real para actuar preventivamente com o enfoque na Humanidade.