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3 de fevereiro de 2010

O abominável palhaço ii


As justificações do Jornal de Notícias para a não publicação do texto de Mário Crespo são, deontologicamente, aceitáveis. De facto, trata-se de um texto demasiado personalizado cuja fonte, por mais fidedigna que possa ser, pode levantar fundadas dúvidas visto ser invariavelmente marcada pela subjectividade da interpretação dos factos por alguém que, casual e sensorialmente, regista uma conversa. Portanto, a meu ver, a posição do Jornal de Notícias aparenta, pelo menos, alguma sobriedade e precaução. Aparenta... Porque, afinal, é mais um ataque cerrado ao primeiro-ministro, na senda de outros que Crespo tem vindo a desencadear na coluna de opinião que tinha até há um par de dias. E esse interesse recente do jornalista na figura de José Sócrates não pode ser escamoteada.
Contudo, não é menos verdade que, enquanto profissional, Mário Crespo é detentor de uma carreira excepcional que não pode ser jamais equiparada, salvaguardadas as devidas distinções, à carreira titubeante e ligeira do político José Sócrates. Não obstante aquela soberba narcisista quando vaticinou que ainda estaria para nascer um primeiro-ministro mais competente do que ele em matéria de défice. Os 9,3% de défice das contas públicas em 2009 são esclarecedores.


19 de dezembro de 2009

O abominável palhaço



Por ser escrito por um jornalista frequentemente ponderado que tem o seu lugar no imaginário dos telespectadores portugueses e é uma referência num mundo que deixou de as ter, por ter sido publicado num jornal que, ainda assim, é uma referência da imprensa em Portugal, o artigo de opinião assinado por Mário Crespo no Jornal de Notícias - O Palhaço - é tão declaradamente violento que roça o surreal.

Primeiro, pela evidente colagem de uma série de características humanas desprezíveis numa figura colectiva que é encabeçada claramente pelo primeiro-ministro. Em segundo lugar, pela invulgar [e até estouvada] independência com que Mário Crespo se atira como gato a bofe a um segmento de gente com poder. Com muito poder. Em terceiro lugar, pela dureza encrespada das palavras utilizadas.

Talvez também Mário Crespo tenha afinal as «costas quentes» nesta guerra sem quartel que os políticos se habituaram a travar entre si, na qual o interesse público é a «glória» pessoal. Ou talvez Mário Crespo tenha também sofrido na pele as diabruras do palhaço. E esteja farto dele. Certo é que este é um artigo que invoca muito mais do que a mera opinião política, social ou jornalística. Invoca, isso sim, um profundo mal-estar que grassa na sociedade portuguesa mas que, aparentemente, não tem solução. Invoca, sem contemplações, o inconformismo naquele que parece o derradeiro e irracional ataque. Será?! Mas lá crespo, foi ele...