30 de janeiro de 2005

Sunday, democratic sunday




Hoje, os mais de 14 milhões de eleitores iraquianos têm a possibilidade de votar pela primeira vez em sufrágio universal. Pelo menos, os que conseguirem chegar vivos às urnas...
Eivados da mais recente e sofisticada cultura democrática, os iraquianos só não dispõem ainda de tecnologia capaz de combater com eficácia a abstenção eleitoral, nomeadamente escudos pessoais anti-explosivos. Por outro lado, a avaliar pelo quotidiano, a jovem democracia iraquiana também se irá debater, ainda no plano da abstenção eleitoral, com a imensa quantidade de eleitores-fantasma que parecem crescer de dia para dia...
Cada democracia com os seus problemas...

5 comentários:

ARV disse...

Afinal, parece que cerca de 60% dos eleitores iraquianos conseguiram chegar em segurança às urnas, o que muito me apraz registar.

Mesmo sabendo que muitos não sabiam com precisão o que lá iam fazer ou em quem votar (o que não constitui novidade, basta olhar para Portugal), é uma lição para todo o mundo ocidental, cujas democracias supostamente consolidadas dão mostras de profunda crise, justamente pelo crescimento da apatia e desafectação política, imediatamente traduzida no aumento da abstenção eleitoral.

Parabéns ao povo iraquiano pela coragem. Com reservas, pois se aqui o que não faltam são atitudes reveladoras da mais profunda autocracia...

Manel Maria André disse...

Senhor ARV

O senhor que é mais politicólogo do que eu, pode esclarecer-me como é que se cria uma democracia no espaço de dois ou três anos, sabendo nós que esse processo, tal como o conhecemos hoje, demorou séculos a consolidar-se única e tão só a partir de um princípio, a saber, o do indivíduo como referência base do sistema.

Numa sociedade fundada em interesses étnicos, como poderá a coisa vingar? Penso que é uma questão válida e que pode lançar um debate interessante. Talvez mais tarde me debruce sobre o assunto no meu blogue.

Nota: A partir de determinada altura julguei ser necessário lançar reptos mais construtivos, pois julgo ser mais estimulante e honesto intelectualmente.

Um bem-haja para vossa excelência.

ARV disse...

Caro Manel Maria, se tomar atenção ao meu último parágrafo (do comentário acima), verificará com certeza, que é com bastantes reservas que enalteço - e apenas - a coragem desses iraquianos que decidiram correr o risco de votar. A mim, ninguém me garante que não tenham de algum modo sido condicionados a fazê-lo. Nem o contrário.

Nesse mesmo parágrafo, parece ser claro que não espero muito desse povo em termos democráticos, exactamente porque após 30 anos de «democracia» em Portugal, temos um povo com demasiados ressaibos anti-democráticos, que por vezes embarca em arruaças para linchar alguém sem direito a um julgamento justo e simplesmente delega toda a responsabilidade da sua cidadania em representantes que o não representam.

Esta discussão não tem fim. Caro Manel, você sabe tão bem como eu, que democracia, só na china...

Agradeço o tom elevado e digno da sua intervenção.

Bandido ORiGInAl disse...

Cagalhões para os pseudo intelectuais de pacotilha!

Tom elevado, só se for no raio que os parta!

Tiros indiscriminados sobre V. Exas!

ARV disse...

Impressionante a total descontextualização. Os senhores leitores que façam o vosso próprio juízo.