16 de abril de 2007

Só Neste País?...

Portugal deve ser o único país no mundo em que os cidadãos elegem ministros pelas classes profissionais a que pertencem. Esta circunstância faz de Portugal um país finalmente composto por um Estado Corporativo, concretizando as premissas ideológicas forjadas pelo Estado Novo...
Esgota, sem ideias e previsivelmente medíocre, a comunicação social portuguesa faz de tudo um assunto sério, contribuindo para o encantamento da população. Contribuindo também para as intrigas palacianas promovidas subversivamente pelos depauperados partidos políticos, incapazes de assumir seriamente os papéis de oposição e governo a que, ciclicamente, são acometidos.

3 comentários:

Anónimo disse...

Não concordo consigo.

Um primeiro ministro (na altura Secretário de Estado) que utilizou os meios que tinha ao seu alcance para se auto-promover academicamente (ou tem dúvidas de que isso aconteceu?), não pode governar um país. Porque isso chama-se corrupção. E um primeiro-ministro se corrompo quanto a algo "sem" importância imagine o que poderá fazer noutros casos de relevo para o país. O que está em causa é que, na generalidade, os interesses privados se sobrepoem aos interesses públicos.

Para além disso é um ministro mentiroso. veja as promessas na campanha eleitoral.

Está na hora de se exigir aos políticos aquilo que eles exigem do comum dos mortais: seriedade, profissionalismo e carácter.

A nossa democracia já não é assim tão nova, contudo falta-nos ainda percorrer um longo caminho para atingirmos o nível dos países nórdicos. Aí sim, a democracia funciona, os impostos são bem aplicados e as pessoas são responsáveis, profissionais e têm carácter.

ARV disse...

Eu não teria tantas certezas mas acolho com satisfação as palavras do Sr. Anónimo que me precede. Ainda assim é bom separar as águas. Quem tem que dar importância são as polícias e, havendo matéria de facto, os tribunais. Caso, repito, haja matéria de facto que o justifique.

Quanto à natureza mitómana do Sr. Sócrates, bom, parece-me extensível a todos outros. Ainda hoje, quando vinha para o trabalho, reparava num cartaz de uma juventude partidária, no qual se dizia capaz de dar mais de tudo a todos (num plano nacional e não local). Não será de somenos importância referir que se trata de uma juventude partidária cujo partido nunca foi governo nem é expectável que o venha a ser nos próximos tempos.

De facto, estes políticos em concreto, exigem «seriedade, profissionalismo e carácter ao comum dos mortais», porém, não abunda neste país o comum dos mortais que satisfaz tais exigências.

Se houver matéria de facto para acusar o Sr. José Sócrates numa circunstância da sua vida pessoal, então que se acuse e transite em julgado. Como dizem os espanhóis: caiga quien caiga.

Mas, em todo o caso, não creio que isso conte muito para o desempenho do executivo. E não é nisso que a sociedade civil se tem que concentrar, desviando a atenção de assuntos sérios e do interesse de todos.

A engenharia do sr. Sócrates e na ilicitude dos processos que lhe estão supostamente na origem são assuntos dos tribunais. Caso venha a confirmar-se a ilicitude, estão serão os eleitores quem se terá que manifestar no próximo acto eleitoral

malmequers disse...

É-me indiferente a existência de um qualquer grau académico, para o meu voto de confiança nas capacidades de uma determinada pessoa; contudo a falácia do seu caractér é-me suficiente para abalar essa confiança. Admiro a verticalidade de caractér, penso ser condição fundamental para garantir a eficiente exequabilidade das ideias.
E neste momento, penso que os incidentes tocam a esfera do caractér.