6 de fevereiro de 2009

«Se eu fosse rei...»

Ainda hei-de escrever uma tese sobre a democracia. Talvez quando for velhinho e já não houver tal coisa. É de tal forma complexa que é o único sistema de governação que assenta teórica e aproximadamente a base da decisão colectiva em milhões de pessoas. Nenhum outro foi tão longe. Há sessenta e cinco anos, os nazis exerciam o domínio total, eliminando milhões, de acordo com critérios étnicos (e uma dose de falência cerebral colectiva). Pela mesma altura, os soviéticos exerciam o domínio total, condenando milhões, de acordo com os seus critérios políticos (e uma dose de sociopatia). Há quinze anos, os hutus exerciam o terror total (máquina sem controlo nem organização), dizimando milhões de tutsis, de acordo com os seus critérios étnicos (e uma boa dose de livre arbitrio).
Dentro de uns anos, a democracia será realmente um bom tema. Sobretudo para explicar que, tal como em outros casos, também se trata de uma utopia. Menos espinhosa e mais proveitosa para uma larga maioria. Mas utopia.
...Como não sou rei e como não me dou bem com mandões...
PS: há um texto que quero apresentar aqui mas que, por circunstâncias adversas, ainda não foi possível apresentar. O título é «Eu Burguês!». Dedicado a todos nós que vivemos confortavelmente e que piramos se nos faltar a água canalizada durante dois dias seguidos.

3 comentários:

la pasionária disse...

pá, aquilo em israel tambem é uma democracia e é vê-los a despachar aos milhares.

não sei se o que tem de ser reformulado é o sistema se o próprio Homem...

Anónimo disse...

o homem é tudo, muito para lá de bem e mal. à luz da teimosia reinante, a alemanha nazi também era uma democracia, assim como a coreia do norte ou a união soviética.

K. disse...

um homem, um voto.
há alternativas?