2 de dezembro de 2008

Fare il portoghese

Um dos grandes enigmas da confiança refere-se aos que, não confiando em si próprios, confiam nos outros. Ou seja, atribuem aos outros, qualidades que não identificam em si próprios enquanto grupo ou indivíduo.

Por vezes, aspectos desse enigma podem revelar-se falaciosos. Há uma expressão italiana usada para classificar algumas classes de burlas, como o clássico «entrar à borla», oportunamente invocado por um transeunte alegadamente habitué de In Tenui Labor e, ainda mais preocupante, masoquista sem rumo. A expressão fare il portoghese nasceu quando, na sequência de uma embaixada enviada por D. João V a Roma com o fito de exibir as conquistas africanas ao Papa Clemente XI, os romanos se fizerem passar por portugueses para poder aceder a eventos reservados aos lusos.

No decorrer dos séculos, esta expressão foi adquirindo contornos pejorativos que, gradualmente, se foram colando à idiossincrasia portuguesa. Hoje, o italiano médio terá exorcizado totalmente essa conduta condenável da sua própria história, contribuindo para reforçar a nossa tese do «chico-espertismo» lusitano.
Isto significa que, generosos, por vezes não só assumimos os nossos defeitos como também os dos outros.

2 comentários:

Transeunte disse...

Voilá, era precisamente a esta expressão que me referia.

NV disse...

O problema dos portugueses é que confiamos demasiado em nós próprios.
São todos crentes, não acreditas?