20 de outubro de 2009

Futebol dá de comer a muito mais gente do que o vinho

No início deste Milénio, uma trupe de gente «mesquinha, pesarosa, provinciana e certamente mal intencionada», incapaz de ver para além da porta do quintal, criticou a construção de vários estádios de futebol. Uns velhos do Restelo... Para além dos custos exorbitantes, do investimento com retorno por apurar, da existência de outras prioridades quer na área do desporto quer na área do turismo, toda aquela contestação também tinha em vista defender de algum modo a dignidade da Federação Portuguesa de Futebol, frequentemente enxovalhada pelo comportamento servil do seu presidente perante a FIFA.

Hoje, o retorno do investimento ficou obviamente por explicar, incluindo nessa vertente turística em que a imagem de Portugal projectada por um miserável campeonato de futebol passaria a funcionar como chamariz de hordas de turistas. Um Portugal moderno, atraente e sofisticado mas que varre o lixo para debaixo dos móveis. Os milhões que foram gastos davam para vinte anos de promoção institucional do Galo de Barcelos no mundo inteiro. Mas isso não chega.

Admite-se que o crescimento do turismo (que já vinha de trás) possa ter sido impulsionado por grandes eventos como o Euro 2004 ou a Expo 98, Porto Capital da Cultura, etc., porém, há factores que não podem ser ignorados como o aumento do turismo interno, o sentimento de segurança num mundo fustigado pelo terrorismo internacional ou as próprias operadoras de Low Cost. Além disso, o abrandamento de entradas registado em 2005 (INE) sugere que o efeito futebol tenha realmente funcionado... em 2004, porque no ano seguinte, desvanece-se. Esta hipótese vem repor alguma justiça no trabalho contínuo que muitos operadores  turísticos e agentes do sector têm vindo a desenvolver desde a década de 80. Por outro lado, o investimento estrangeiro associado ao Euro 2004 também é um argumento que carece de algum realismo. No mínimo. A não ser que as fábricas de bolas na Índia se tenham deslocalizado para o Vale do Ave...

Enfim, hoje, as autarquias de Aveiro, Coimbra, Leiria, Faro, Guimarães e Braga estão endividadas e sem saber o que fazer aos estádios. Apesar de ser um cenário longínquo, em Aveiro admite-se a demolição. Em suma. à excepção do Boavista - praticamente defunto - os únicos que lucraram com o negócio foram Benfica, Sporting, Porto e Gilberto Madaíl.

Em contrapartida. continuam por construir equipamentos desportivos para apoio de clubes, associações e escolas por todo o país. Os praticantes de outras modalidades continuam a ser ignorados e a trabalhar em condições risíveis, o país continua na cauda da Europa em desempenho económico e no índice de desenvolvimento humano.

Mas Madaíl e estes arautos da «modernidade» não cedem na prepotência e preparam-se para entregar nova candidatura, agora em parceria com a Espanha, para realização de um Campeonato do Mundo que há-de ser, seguramente, o melhor de todos os tempos (segundo a bitola portuguesa).

3 comentários:

Anónimo disse...

Para ler e reflectir:
http://twitpic.com/photos/bm_aveiro

mais info:
http://twitter.com/bm_aveiro

tire as suas conclusões!

Alexandre disse...

enganei-me. o cenário de demolição do estádio de aveiro talvez não seja assim tão longínquo...

Anónimo disse...

mande-se o estado a baixo!!!! o estádio, queria eu dizer. peço desculpa. este e todos o outros. proíba-se o acto de ouvir música,torne-se o culto (um qualquer. para o propósito é indiferente qual seja.)obrigatório e enfie-se uma burca nas gajas (bem, para algumas esta até não seria uma má medida)e viveremos então felizes.

o chato do poder de influência é que, porra, nunca é o nosso que conta, é sempre o dos outros. irra!!!