16 de novembro de 2006

A Moedêra

Juro que eram cabras quando as vi a pastar na íngreme colina verde junto ao monte caiado de branco com alisares ocres. No entanto, ao afinar as retinas, infirmei a primeira observação. Eram vacas, afinal. Mas como… vacas?! A colina continuava íngreme e as vacas, desajeitadamente pesadas e desequilibradas, pastavam bonacheironas apesar do volumoso abdómen insistir no respeito pelas leis da física, pendendo irritantemente para o lado do ribeiro.


Afinal há cabras que são vacas e se calhar, vacas que são porcos e porcos que são cães.

Juro que diariamente abro o jornal e vejo coisas que não são mas passam a ser, com muito boa vontade. Vivemos tempos difíceis, tempos de indefinição identitária…O bom que afinal é mau, o ladrão que é sério, o sério que é polícia, o polícia que é pastor, o pastor que é doutor, o doutor que é pantomineiro, o pantomineiro que é político, o político que é fino, o fino que é empresário, o empresário que é honesto, o honesto que é acanhado, o acanhado que é administrador, o administrador que é actor, o actor que se chama Maria e a Maria que não é aquilo que por aí se diz.

1 comentário:

ela anda a partir pedra e eu nas tintas disse...

Os fantasmas são mesmo fantasmas ???