25 de abril de 2007

Despertar de um Sono Dogmático

Não suporto os dogmas. Causam-me pruridos as convicções inabaláveis e cegas em verdades absolutas e incontestáveis. Regularidades que se tornam leis em sociologia, só para positivistas, crentes e por quem não se preocupa em conhecer a polissemia da natureza e cultura humanas. Para Nietzsche, «as convicções são cárceres», e eu não discordo. Por essa razão tenho dificuldade em compreender que uma cartola contenha panaceias para todos os males. Seja ela ideológica, religiosa ou outra. A unidimensionalidade é tirânica, castra o pensamento crítico e a acção interventiva. E isso, os doutrinados não compreendem, não questionando por sua vez, os dogmas inculcados.

1 comentário:

N.V. disse...

Caro Amigo
Nunca estive em tamanha concordância.
Hoje vejo a maioria das pessoas que conheço a defenderem todas as suas crenças:
os livros que leram, os filmes que viram, o partido em que votam, o clube a que pertencem, as pessoas que veneram, a maneira como vivem e a forma como desempenham os seus papéis na sociedade. Hoje ou fazes parte do quer que seja ou estás fora.
Por vezes, estes mesmos, me acham infantil por eu estar sempre a pôr em causa tudo o que pensam, por estar sempre a desconstruir, mas este é, também, um processo que faço comigo mesmo.
Apavora-me a ideia de ser um crente num mundo em constante mudança, no qual, o que é verdade hoje, amanhã já o não é.
O meu maior medo é que ao ser anti-dogmático esteja a cair numa “dogmagogia”.