23 de fevereiro de 2010

Uma tragédia nunca vem só

Todos lamentamos a tragédia que se abateu sobre a ilha da Madeira. E sabemos que, naquelas circunstâncias em que num único dia cai 1/5 da precipitação anual do Funchal, não há grandes ilusões e a catástrofe é inevitável. Também se sabe que o ordenamento do território é uma ferramenta «descoberta» recentemente e pouco útil para o político médio português. E que, perante a bátega referida, esse tal processo de planeamento poderia ter minimizado razoavelmente as perdas. Sabemos, enfim, que agora não é hora de afiar o gume das lâminas ao carrasco mas sim de olhar em frente e aprender.

Porém, o que não é tolerável, não obstante ser representativo da elegante mediocidade da classe política portuguesa, é misturar alhos com bugalhos. Como, de resto, se enleiam os poderes executivo, judicial e legislativo... E essa nota, deu-a o chefe da bancada parlamentar do PS - Francisco Assis - no momento em que prescinde do pedido de fiscalização da lei das finanças regionais junto do Tribunal Constitucional. Uma lei que o PS combateu com particular denodo e justiça na Assembleia da República, invocando valores e princípios de actuação em convergência com as necessidades de saneamento das contas públicas. Uma verdadeira mas triste fantochada.

2 comentários:

Anónimo disse...

É como dizes: ou é constitucional ou não é! Por isso é que o Alberto João Jardim veio logo dizer que se inaugurou uma nova era nas relações entre o governo regional e o governo da república. Essa decisão do PS veio pôr a nú as verdadeiras motivações que estavam por detrás da recusa dos socialistas em chumbar a lei das finanças regionais: puro revanchismo.

Alexandre disse...

Entretanto, o ministro das finanças Teixeira dos Santos, deu o dito de Francisco Assis por não dito e esclareceu que a ajuda à Madeira nada tem que ver com a constitucionalidade da lei das finanças regionais. Perante esta interpretação diversa sobre a acção político-partidária, resta perceber qual dos dois agiu por sua conta e risco. Se foi Assis, estaremos apenas diante de mais um trepador.. Se foi Teixeira dos Santos, nesse caso estaremos defronte um homem respeitável pelo compromisso coerente com os seus princípios.