23 de abril de 2008

159º Aniversário da Sociedade Harmonia Eborense

"Nos seus 159 anos de existência, muitos foram os períodos pelos quais a Sociedade Harmonia Eborense (SHE) passou. Com maior ou menor vitalidade, com maior ou menor notoriedade, certo é, que a sua marca indelével foi cravada no coração da cidade, legando-lhe uma herança que importa preservar e oferecer aos que virão depois de nós.

Há pouco mais de quatro anos, a SHE conheceu uma nova fase da sua longa caminhada quando um grupo de jovens sócios propôs um refrescante e estimulante projecto, cuja acção consistiu em dignificar a colectividade e devolver-lhe ânimo, criando em simultâneo uma força de revitalização da comunidade.
O projecto foi posto em andamento com as habituais dificuldades e adversidades que a mudança e a escassez de recursos determinam. Mas singrou, e isso não oferece dúvidas.

Com efeito, nestes últimos anos, o voluntariado da SHE promoveu centenas de concertos de música, dinamizou workshops, acolheu ciclos regulares de cinema, contribuiu para a revitalização da oralidade, promoveu inúmeras actividades lúdico-desportivas, lançou livros e criou sinergias com outras colectividades e entidades públicas que permitiram a disseminação de projectos conjuntos, importantes pelo impacto que têm na urbe e em segmentos populacionais específicos.

A este respeito, convém sublinhar que esta e a anterior Direcção têm desenvolvido um trabalho sério, responsável e com uma orientação clara, algo nem sempre observável noutros lados. E todos nós podemos testemunhar que raras vezes têm conseguido secar a camisola, tal é a avalanche de obstáculos e escolhos que têm encontrado pelo caminho.

Contudo, é inquestionável o interesse que uma colectividade como esta tem para a vida de uma cidade universitária, cujo património histórico lhe confere uma vocação muito clara nas áreas do turismo e da cultura. A SHE não ignorou esse aspecto e mais não fez do que a sua obrigação ao responder afirmativamente ao desafio de complementar a acção da autarquia e de outros agentes culturais. E está grata por isso.
Ao fazê-lo, a SHE tem procurado contribuir para a satisfação de algumas necessidades da cidade e dos milhares de jovens que aqui residem, estudam e trabalham. E tem-no feito, proporcionando um espaço de lazer, conhecimento e cidadania, cuja troca de experiências contribui para o enriquecimento desta colectividade, da cidade e das vidas futuras desses jovens. Estejam eles onde estiverem.

Ainda assim, a actividade da Harmonia ficaria incompleta se não alargasse o raio de acção ao seu universo natural que, de resto, não se esgota nos segmentos populacionais mais jovens. A SHE é uma colectividade centenária de uma cidade à qual deve muita da sua existência. Por essa razão, é com a cidade e para a cidade que a SHE trabalha diariamente. Nesse caso e concluída a primeira fase do projecto, a actual Direcção pretende investir em novas actividades e novos públicos, reforçando a vitalidade da colectividade e dos seus associados, muitos dos quais, inexcedíveis pelo seu apoio, projectos e realizações.

Calorosas saudações de reconhecimento a todos os que se envolvem e contribuem com o seu conhecimento e experiências para dignificar esta, que é a vossa associação. A vossa capacidade de realização constitui um exemplo da perseverança e dedicação de gerações a que alguns tiveram a sobranceira ousadia de classificar como «rascas».

Por outro lado, com uma população residente em acelerado decréscimo, o Centro Histórico de Évora cede diariamente terreno à necessidade urgente de ser revitalizado e de ser repovoado; de nele coexistirem populações, serviços, entidades culturais e recreativas, pequenos comerciantes e pequenas unidades hoteleiras, em proporções equilibradas e sustentáveis.

Como se sabe, para além da exploração das potencialidades mais óbvias, é nos relacionamentos e vivências quotidianas, na fruição dos espaços e na dinamização dos centros históricos que reside muita da diferença que há-de atrair visitantes cada vez mais exigentes, ávidos de novas e estimulantes experiências. Sem prejuízo para quaisquer orientações de desenvolvimento pensadas por quem tem essa responsabilidade. Mas essa é uma estratégia de desenvolvimento que passa pela afirmação de qualquer centro histórico preservado, atraente e com personalidade. Isso implica uma identidade própria, naturalmente. E Évora, meus amigos, não é excepção.

Perante este cenário, não se compreende outra posição das forças vivas da cidade que não seja a de defender e orgulhar-se do seu património histórico-cultural, no qual a SHE naturalmente se inclui e pelo qual pugna.

Os eborenses podem, como sempre, contar com a colaboração da Harmonia na elevação e dinamismo cultural desta grande cidade. Todos os eborenses.

Finalmente e dada a proximidade do aniversário da SHE e do aniversário da Revolução dos Cravos apetece dizer que se o 25 de Abril é um património de todos os portugueses, a Harmonia é Património da Humanidade".
(recebido por e-mail)

2 comentários:

Anónimo disse...

Obrigada :)
Parabéns à S.H.E.

K. disse...

parabéns à SHE e a todos os que ainda têm a lucidez suficiente para sonhar com o que interessa: o que é nosso, o que é de todos e para todos, no meio de tudo, ao lado de uma praça.