19 de fevereiro de 2008

A concordata eleitoral e a bicefalia interna do PSD

A concordata estava pronta. PS e PSD fizeram menção de dividir os despojos de guerra entre si, retalhando o país político à sua medida. Essa é a consequência mais evidente da nova Lei Autárquica. Essa e a incompreensível opção de sepultar a proporcionalidade do sistema eleitoral português, ou seja, a ferramenta que condicionava a emergência de maiorias açambarcadoras da representatividade de sensibilidades díspares.

Com a nova Lei Autárquica, o PS e PSD reforçam a bipolarização do sistema de partidos, criando sérias dificuldades à existência de forças como o BE, PCP, Os Verdes ou CDS-PP. Esta foi a estratégia escolhida para consagrar a derradeira reforma com a implementação futura de círculos uninominais. Concentrados em desfazer-se dos pequenos partidos, socialistas e sociais-democratas têm vindo a bater-se por um sistema político maioritário e bipartidário. Começaram pelos órgãos autárquicos. Só terminarão quando engordarem o suficiente como para expulsar os deputados sentados nas extremidades do hemiciclo.

Luís Filipe Menezes concorda mas mostra-se dividido. Afinal de contas, o autarca de Vila Nova de Gaia conhece as dinâmicas do funcionamento dos órgãos autárquicos e sabe que as assembleias municipais não devem obedecer a orgânicas funcionais semelhantes à Assembleia da República, como os entendidos de gabinete professam. Entre estes, Santana Lopes, o seu líder parlamentar. Estes entendidos são incapazes de compreender que nas assembleias, seja a que níveis forem, deve ter assento quem conhece o terreno. Se, no caso da Assembleia da República podemos admitir que os deputados até podem ser meras figuras decorativas, no caso das assembleias municipais, os presidentes de junta são, ainda assim, quem melhor conhece a realidade dos respectivos concelhos.

Nessa condição de entendido de gabinete, o líder da bancada parlamentar demarca-se do líder do partido quando este ameaça romper a concordata com os socialistas. Porém, por conhecer melhor os generosos gabinetes do que o terreno, o empenho de Santana Lopes à frente da bancada parlamentar do PSD é equivalente ao empenho demonstrado em evaporar Menezes. Veremos quem ganha. Para já, é o PS.
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